Por que caminhar?

“Caminhar é levar uma existência descascada (o verniz social foi removido), descarregada de pesos, libertada das habilidades sociais, e purgada das futilidades e máscaras.” Frédéric Gros

“O caminhar e a igualdade andam juntos: no excesso e na soberba não há igualdade, com excesso e soberba não se caminha” Adriano Labbucci

IMG_5469Toda vez que converso com alguém sobre as minhas caminhadas, seja o Caminho da Fé, a Estrada Real ou a Appalachian Trail, a pergunta que todos fazem é essa: por que fazer uma viagem dessas? É uma dúvida inevitável. Ainda mais em uma época onde o meio de transporte mais comum é o motorizado – seja o carro, o ônibus, o avião – e em um mundo onde as pessoas andam cada vez menos e o ato mais comum de todo ser humano é visto como algo excepcional, curioso, estranho até.

Costumo dizer que para mim caminhar é uma forma de oração, um jeito prático de organizar os pensamentos. Minha forma de me afastar do mundo e de me aproximar de mim mesmo. Andar é minha Ave Maria e meu Padre Nosso. Mas não é só isso. Caminhar é minha válvula de escape. Meu palavrão gritado a plenos pulmões, seu #@!*@#!!! Meu Atlético x Cruzeiro num Mineirão lotado. Meu carnaval. Meu fora, Temer! Meu rock´n´roll.

Sabe aquela chacolhada necessária pra deixar as coisas no lugar? O porre do final de semana, o baseado, a academia, a terapia? Pra mim o caminhar é tudo isso. Claro que não importa o destino. Não precisa ser a Appalachain Trail. Mas estes destinos que escolho são muito mais agradáveis que enfrentar o trânsito e o barulho da cidade, esse organismo que a cada dia nos sufoca mais e mais.

“Caminhando desenvolvemos atitudes e qualidades que são o caminho da busca e da realização espiritual: a atenção com o que está fora e a concentração com o que está dentro“. A frase é de um escritor italiano, Adriano Labbucci, que tem um pequeno livro que saiu no Brasil em 2013 pela Editora Martins Fontes chamado Caminhar, Uma Revolução. Em uma outra passagem desse livro ele escreve algo que é bem próximo do meu objetivo com essas caminhadas: “Não se caminha para chegar depressa, caminha-se para que as coisas nos alcancem no tempo propício, caminha-se para ficar com os sentidos despertos e para fazer o ar circular pela mente e pela alma“. É esse o espírito. Veja: o que me atrai nessas viagens não é aventura, não é o desconhecido. É simplesmente o andar. Não é o ir mais rápido, nem o mais longe, nem chegar ao topo. É caminhar. Só isso. É simples.

Se acreditasse em deus poderia dizer que foi o Caminho da Fé, em 2015, que mudou a minha vida. Estava em um momento de indecisão e cheio de dúvidas. Fiz o Caminho e voltei mais calmo, menos apegado às coisas materiais, menos preocupado e ansioso. Mais ciente de quem eu sou, de meu lugar no mundo. E determinado a caminhar mais. Mas sei que se tivesse dado duas voltas na lagoa da Pampulha todos os dias por duas semanas o resultado teria sido o mesmo. Foi o caminhar que me mudou, não o destino. O mesmo aconteceu na Estrada Real. O percurso desafiou minhas condições física e mental. E aquele esforço me deixou ainda mais determinado, centrado, ciente dos meus limites, de minhas qualidades e meus defeitos. Poderia ter corrido uma maratona por dia durante um mês. Ou feito terapia por dez anos. Acho que daria na mesma.

Sei também que o desafio da Appalachian Trail vai ser extremo. Por mais que tente não me preocupar, por mais que pense que é só andar, é impossível não pensar na dificuldade, no tempo, na saudade, nos perigos, nos animais selvagens, na distância, nas consequências. É claro que não é só andar: é o antes, o durante, o depois, e tudo que isso carrega. São cinco meses na trilha, uma eternidade depois. A trilha exige planejamento, concetração, estudo. Para mim, já é quase um ano de leituras, pesquisas, livros e conversas. Sabe-se lá o que isso vai mexer comigo quando voltar. E como me comprometi a tudo isso, nada melhor que dividir com vocês essa jornada. Se eu estou fazendo, qualquer um pode fazer. Por isso o blog, a página, as fotos, os vídeos, os áudios. Tudo isso com foco em algo que busco nesta e em todas as outras jornadas: simplificar o meu andar e aperfeiçoar o meu olhar. Abrir a mente, aguçar os sentidos e tentar me (re)conectar com o meio ambiente.

O jornalista Pablo Pires Fernandes, amigo de longa data, escreveu recentemente um texto para o Dom Total sobre cozinhar, uma paixão que nós dois temos em comum. “Cozinhar é um ato revolucionário”, diz ele. “Cozinhar demanda uma relação particular com o tempo, evoca rito. (…) Esse espírito inconformista que busca o novo e o desconhecido estava presente nos navegantes que, famintos, cruzaram mares sem saber onde iam chegar.”  Assim é também o caminhar. Para Labbucci “não existe nada mais subversivo, mais alternativo em relação ao modo de pensar e de agir, hoje dominante, que o caminhar. Ponto.” Ponto, repito.

Talvez a minha (re)descoberta do caminhar seja a minha forma de me reencontrar. Uma forma de retomar não só a légua a pé que minha família tinha que fazer pra visitar minha avó, mas as corridas na adolescência com minha irmã, minhas banda de rock, meus fanzines, minhas calças rasgadas, meus cabelos coloridos, minha inconformação da adolescência. É reviver meu lado inquieto, desobediente, revolucionário. Caminhar, pra mim, é ir na contramão, mas ao meu encontro.

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Sydney no aperto – O que fazer

Esta é a quarta parte da série sobre Sydney no Aperto. Como curtir uma das cidades mais caras do mundo sem muito dinheiro? As três primeiras partes, sobre passaporte e visto, a viagem e transporte estão aqui, aqui e aqui.

Você chegou à Austrália. A grana tá curta, mas pelo menos você está aqui. E agora? O que fazer pra curtir a cidade sem gastar os tubos?

Felizmente alguns dos melhores passeios de Sydney são gratuitos ou custam pouco. Por exemplo: você já comprou o seu passe semanal de transporte, certo? A melhor vista da cidade é justamente das balsas. Vá a Manly e volte no final do dia para ter uma visão inesquecível do skyline de Sydney, por exemplo. Quem sabe você não encontra uma baleia ou golfinhos no caminho?

Outro passeio imperdível é a caminhada de Bondi a Bronte. O passeio dura cerca de 2 horas e percorre cerca de 6km. A vista é inesquecível e se você estiver visitando entre outubro e novembro, pode ainda apreciar a Sculptures by the Sea, uma mostra de esculturas que acontece no percurso. Infelizmente a caminhada não é aconselhada para pessoas com dificuldades de locomoção.

Outros passeios e caminhadas pela orla garante bons ângulos para fotos e cenários cinematográficos. De Manly à Spit Bridge, por exemplo. É mais puxado que o de Bondi à Bronte, mas particularmente é o meu predileto. Vale o esforço, eu garanto.

Museus gratuitos. A qualquer dia

Algo mais cultural? Os melhores museus de Sydney não custam um centavo. Amantes de arte moderna e contemporânea tem no MCA – Museum of Contemporary Art um paraíso. Fica em Circular Quay e além de uma ótima coleção permanente tem sempre mostras exclusivas: de 15 de novembro a 23 de fevereiro de 2013, por exemplo, abriga a maior retrospectiva de Yoko Ono.

Outro imperdível – e gratuito – é o NSW Art Gallery. Localizado bem no centro da cidade, na entrada para o Royal Botanic Gardens, tem uma excelente coleção de arte moderna australiana. A entrada é gratuita todos os dias e nas quartas fica aberto até as 10 da noite. É imperdível.

Para quem quer conhecer um pouco da história de Sydney a Government House – sede do governo local, mas que na prática funciona como museu e local para recepções formais – está a poucos metros da Opera House e também é gratuita. Funciona sextas, sábados e domingos, mas vale checar antes se não estará fechada para eventos. O castelo, dentro do Botanic Gardens, guarda uma boa coleção de artes e a tour dá boa dicas sobre a colonização do local.

Outra dica para quem quer saber sobre a história da cidade é o The Rocks Discovery Museum. A poucos metros do MCA, fica no histórico the Rocks, o primeiro bairro da Austrália (e onde você pode visitar os pubs mais antigos…).

Amantes de fotos vão gostar do Australian Centre for Photography. Também gratuito, tem mostras permanentes e exposições temporárias.

Não curte fotos mas ama barcos? Vá então para Darling Harbour e visite o Maritime Museum. Outro bom museu (hey, você pode entrar em um submarino!) gratuito.

Mais uma opção para quem curte arte são as diversas galerias espalhadas pela cidade, sobretudo em Surry Hills e Darlinghurst. Uma ótima oportunidade pra conhecer um pouco da produção contemporânea de Sydney – e, quem sabe, comprar um quadro por uma pechincha e que daqui a alguns anos vai valer alguns milhões?

Sydney no aperto – transporte

Então você chegou ao Kingsford Smith Airport em Sydney. Passou pela imigração (não parou na quarentena porque leu a dica na primeira parte deste post) e pela alfândega (também foi tranquilo porque leu a segunda parte). Agora você precisa chegar a cidade. O que significa começar a gastar seu dinheiro. Em dólar australiano…

Apesar de ser perto do centro – se você decidir ir andando, ele está a apenas 10 km das principais atrações de Sydney – chegar e sair do aeroporto não é barato. Veja: se você tomar um trem da estação central para Mascot, a estação de metrô mais próxima do terminal, vai pagar A$3.60. Para o aeroporto o preço sobe para A$15.90. Isso porque as duas estações dentro do aeroporto – International Airport e Domestic Airport – são privatizadas.

A primeira dica: o dinheiro está curto mesmo? Quero economizar estes 12.30 dólares australianos (são R$26.00)?  Particularmente não recomendo, mas a dica é ir para o Domestic Airport e de lá caminhar até a estação de Mascot. São 20 minutos de caminhada, ou 1,5 km pela O’Riordan St e pegando a Bourke Rd a esquerda. Com malas, depois de viajar 24 horas, pode não ser a melhor economia do mundo. Apesar do preço salgado, a estação é literalmente dentro do aeroporto e te deixa em qualquer lugar na cidade.

Outra opção é pegar uma das vans que fazer o circuito centro-aeroporto. Partem dos principais hotéis (dali você pode caminhar até o seu) e custam em torno de A$12.00.

Transporte, como você já percebeu, é um dos responsáveis pelos salgados preços de Sydney. Os preços variam de acordo com o horário (horários de pico são mais caros) e distância. Metrô custa a partir de A$3.60 o trecho. Ônibus a partir de A$2.20.

Se ficar na cidade por uma semana ou mais vale a pena comprar um ticket que vale por um período maior. E aí começa a matemática… Tente me acompanhar. Se você for andar exclusivamente de ônibus existe o MyBus TravelTen, que dá direito a 10 viagens. Mas como eu disse, as viagens, mesmo de ônibus, variam de acordo com a distância. Existem TravelTen para 2, 5 ou 6 ou mais setores. A maioria das atrações turísticas estão nos setores 1 ou 2, então o mais barato resolve. Dez viagens de ônibus (cinco ida e volta) vão te custar A$17.60.

Vai precisar incorporar outros meios de transporte, como metrô, trem e ferry (aconselhável e você for visitar North Sydney, Manly e outras atrações)? Então sua opção é o MyMulti. De novo, varia de acordo com a distância. E desde setembro de 2013 os preços e áreas mudaram, deixando o custo mais cara para o turista. Para percorrer todo o circuito, inclusive Manly, só comprando o MyMulti3, que dá direito a ilimitadas viagens de trem, ônibus ou ferry por uma semana. O preço? Salgados A$61.00.

A segunda dica então é: encontre um apartamento que seja no centro ou perto dele. Um local onde você não precise gastar com transporte todo dia para ver as principais atrações da cidade. Existe um albergue barato em Manly? Só vale a pena se você for ficar por lá o tempo todo. O mesmo pra Bondi. Se quiser gastar pouco com hospedagem e transporte, o melhor é ficar no centro (CBD ou simplesmente Sydney – veja se o CEP do hotel ou albergue é 2000) ou em regiões como Ultimo, Chippendale, Woolloomooloo, Surry Hills e Potts Point, todas coladas no centro e às principais atrações turísticas.

Mas como pegar alguma das muitas formas de transporte público disponíveis em Sydney – ônibus, trem, metrô, balsa, bonde – vai ser imprescindível em algum momento da sua viagem, o melhor é planejar. No site 131500.com.au é possível calcular preço, tempo e rota da sua viagem. E aqui você tem uma lista de apps que pode baixar pro seu celular.

Transporte de graça

 

CBD-ShuttleMesmo sendo caro, é possível encontrar opções de transporte coletivo onde você não vai gastar um centavo. O ônibus 555 vai da Central Station à Circular Quay, de onde parte as balsas, a cada dez minutos, sempre pela George Street. Roda todos os dias a partir das 9 da manhã. Durante a semana o último parte as 3h30 da tarde (exceto quinta, o dia de compras e que o comércio fica aberto até mais tarde, onde o último é as 9 da noite). Nos finais de semana o 555 roda até 6 da tarde. Pra pegar o ônibus é só achar um dos vários pontos, dar sinal ao motorista e entrar pela porta da frente.

 

Screen Shot 2013-11-03 at 12.16.49 PMOutra opção gratuita e pouco conhecida mesmo pelos locais é o Village to Village Shuttle. Liga diferentes regiões da cidade, parando nas principais atrações e  funciona apenas às quintas e sextas. Os roteiros são os seguintes:

Woolloomooloo/Redfern

Saindo de Woolloomooloo, passa pelos bairros de Potts Point, Darlinghurst, Surry Hills e Redfern, com paradas em lojas, na estação de metro de Kings Cross, no Vincent’s Hospital e na Central Station.

Woolloomooloo/Broadway

Sai de Wolloomooloo e vai à Broadway, passando pelo centro. Inclui paradas no Ian Thorpe Aquatic Centre, Sydney Fish Markets e Broadway Shopping Centre.

Redfern/Broadway via Glebe

Liga Redfern, Waterloo e Glebe com paradas no RPA Hospital, biblioteca de Glebe, Sydney Fish Markets e Broadway Shopping Centre.

Redfern/Broadway via Alexandria

Passa pelo bairro predileto dos hipsters, Newtown, com passagens pela Dank Street, Green Square, RPA Hospital e Broadway Shopping Centre.

O quadro com os horários e roteiros dos ônibus pode ser baixado aqui.

Sydney no aperto – parte 2

Esta é a segunda parte de uma série sobre como aproveitar Sydney, uma das cidades mais caras do mundo, com pouca grana no bolso.

A primeira parte foi sobre seu visto e documentação necessária para sua entrada no país. Nesta parte dicas sobre a viagem e sua chegada.

Você comprou a passagem e providenciou o visto, mas ainda falar uma coisa que você precisa ter para chegar à Austrália: paciência. O país, pouco menor que o Brasil, é longe de tudo. No mapa a Ásia parece estar logo ali, mas um voo de Sydney a Cingapura demora 8 horas. Mesmo a Nova Zelândia fica a 3,5 horas de voo de Sydney, o destino australiano mais próximo. Ou seja: pra chegar à Austrália é preciso tempo. E paciência.

Confira sua passagem e veja qual sua conexão. Enquanto a Qantas, a companhia aérea australiana, não começar a operar voos direto direto do Brasil nenhuma opção de voo vai te deixar em Sydney em menos de 24 horas.

E vá se acostumando: em alguns casos um dia vai simplesmente desaparecer da sua vida para sempre. Não digo do tempo gasto no avião: como em algumas das rotas o voo cruza a Linha Internacional de Data pode acontecer de você pular de um segunda pra uma quarta, sem passar pela terça-feira…

As opções mais comuns são pelo sul, cruzando o Pacífico: saindo de São Paulo faz uma primeira conexão em Santiago ou Buenos Aires. A primeira opção é operada pela Lan em parceria com a Qantas. A segunda pela Aerolineas Argentinas. Já voei as duas e a segunda não recomendo nem para meu pior inimigo.

Alguns voos da Lan/Qantas tem escala em Auckland, na Nova Zelândia. Outros fazem Santiago/Sydney sem escalas. Este é o melhor voo e também o mais rápido: no total são cerca de 20 horas dentro das aeronaves, além do tempo de espera no aeroporto.

Outra opção também pelo Sul é cruzando o Atlântico e passando pela África do Sul, em um voo operado pela South African que gasta em torno de 28 horas pra chegar. Costuma ter bons preços e muitas vezes oferece a possibilidade de ficar uns dias no país africano sem custos adicionais.

Se você optar pelo norte também pode escolher entre Pacífico e Atlântico. O primeiro é operado pela American Airlines, também em parceria com Qantas. A partir de São Paulo chega-se a Los Angeles (algumas vezes com demoradas escalas em Miami ou New York). Vale para quem quer combinar com um passeio ou compras nós Estados Unidos. Lembre-se: mesmo que você só faça conexão e não planeja nem sair do aeroporto, VOCÊ PRECISA de visto americano.

A última opção é pelo Oriente Médio, com bons voos da Etihad ou Emirates passando por Abu Dabi ou Dubai! respectivamente. Os preços costumam ser competitivos e o voo mais demorado: chega fácil a 35 horas.

Qualquer que seja sua opção, prepare-se: carregue as baterias dos eletrônicos no máximo, inclusive na espera nas conexões. Leve livros, revistas e o que mais lhe entreter. A viagem vai parecer uma eternidade. E é.

O que trazer na mala

Ou melhor: o que não trazer na mala. A Austrália tem rígidas leis alfandegárias. Todos os passageiros e malas passam por raio x na chegada. Qualquer tipo de alimento é proibido, até mesmo os servidos no avião. Se estiver trazendo algum alimento industrializado para algum amigo – sim, cachaça é considerado alimento – declare. Caso contrário será uma dor de cabeça a mais.

Roupas e acessórios vão variar de acordo com a época de sua viagem. De setembro a março o tempo é quente, com temperaturas no verão chegando aos 45 graus em janeiro. Mesmo assim a noite costuma te ventos frios. O vento é justamente o problema no resto do ano. Traga algo para se proteger. A temperatura cai bastante, não chegando a passar de 15 graus no meio do ano.

A terceira parte desta série vai dizer a que veio: dicas pra aproveitar a cidade com pouco dinheiro no bolso.

Sydney no aperto

2013-07-22 18.47.11Então você decidiu vir passear na Austrália. Aproveitou aquela mega promoção que você viu no Melhores Destinos e descolou uma passagem São Paulo/Sydney/São Paulo pelo mesmo preço de uma passagem pra Miami. Mas depois que você  digitou os números do seu cartão de crédito na página da companhia aérea e foi procurar o que fazer na cidade, viu que ela é uma das mais caras do mundo.

E agora?

Agora você descobriu esse post e eu vou te ajudar a aproveitar a cidade, mesmo no aperto.

Antes das dicas, vamos a algumas coisas práticas. Como chegar ao outro lado do mundo?

Você já tem a passagem e seu passaporte está emitido e válido. Agora é tirar o visto e cuidar da burocracia. Vamos a um passo a passo.

1. Passaporte

Se seu passaporte está pra vencer (com menos de 6 meses, como recomendado para a maioria dos países) e você vai tirar o visto australiano, FAÇA O NOVO PASSAPORTE ANTES DE EMITIR O VISTO. Isso porque a Austrália não emite mais um visto físico, impresso no passaporte, como os EUA. É tudo eletrônico: o seu visto é associado a seu passaporte. Se você usar o número de um passaporte antigo para emitir o visto e quando viajar usar um novo passaporte, é como se você não tivesse o visto. E você não vai entrar no país (não, não adianta viajar com os dois passaportes, o novo e o antigo…) Essa é a primeira dica.

2. Visto

Existem dezenas de tipos de vistos para entrar na Austrália. Pra ser mais preciso, são 88 tipos de vistos diferentes. Tudo é centralizado no site da Imigração Australiana. Se você é brasileiro e está vindo a passeio seu visto é o subclass 676. O processo para a emissão, apesar de burocrático, é rápido. Desde março de 2013 tudo é feito online, e na maioria dos casos sem necessidade de viagem, entrevista, foto, nada. Para aplicar é só entrar neste site e seguir as instruções, em inglês.

O valor do visto é AU$130 (cerca de R$275,00) e o visto é válido por um ano. No entanto a estadia máxima no país é de 3 meses. O visto também dá direito a fazer cursos rápidos de até 90 dias e você é proibido de fazer qualquer atividade remunerada. O processo é rápido: o visto da minha esposa demorou menos de 24 horas. O meu, como já tinha várias entradas no país e já tive diferentes tipos de vistos, demorou um pouco mais: três dias. 

A confirmação de seu visto é simplesmente um email da Imigração (o remetente aparece como eVisa.676.Helpdesk) com o título Visa Grant Notification SEU NOME e o seu número de aplicação. Pronto. Imprima uma cópia deste email para sua segurança (ou faça como eu: salve um arquivo PDF em seu Dropbox) e comece a pensar na viagem.

3. Vacinas

Quase tudo pronto: só mais um detalhe antes de você entrar no avião. A Austrália exige vacina de febre amarela para entrar no país. Não é algo 100% obrigatório, mas é altamente recomendado. Caso você não tenha o comprovante vai amargar muitas horas na quarentena em sua chegada…

O que você precisa fazer?

1. Se você não tiver um cartão de vacinação que comprove que tomou a vacina nos últimos 10 anos, procure um posto de saúde, tome a vacina e pegue seu cartão de vacinação (sim, aquele que a gente usa quando é criança). Dica: a vacina tem que ser tomada pelo menos 10 dias antes da sua viagem.

2. Com o seu cartão de vacinação e um documento de identidade procure um escritório da Anvisa. Eles irão emitir pra você o Certificado Internacional de Vacinação,um documento amarelo, do tamanho do seu passaporte. A emissão é gratuita.  É esse documento que você precisa apresentar na chegada à Austrália. Só isso e o passaporte, mais nada (não, você não precisa apresentar o email com a comprovação do visto).

Na segunda parte do posto te dou algumas dicas para a longa viagem e na chegada ao país.

 

Um video com 1500 fotos no Instagram

Pois é. Essa foi a forma que achei de registrar a viagem para Orlando com Alê e Jade em Setembro. Tirei 1500 fotos, na câmera e no Iphone, joguei uma a uma no Instagram, coloquei algum efeito (na maioria das vezes do Early Bird), depois de volta para o computador, editei no iMovie e voilá! Quatro minutos de filme. Os títulos foram escritos no Typic, também para iPhone. E a trilha é o ótimo Parov Stelar. O resultado está aí abaixo.

Planejando uma viagem pra Orlando

Tem viagem nova em breve. Desta vez ao invés de destinos pouco comuns – nada de Patagônia ou Rússia – vou para a manjada (e adorada por brasileiros) Orlando.  E comecei, desde a semana passada, a fazer a minha parte predileta da viagem: o planejamento.

Tem gente que acha um saco, outros odeiam, outros ainda acham desnecessário. É só ver a quantidade de agências de viagem pra comprovar. Muita gente quer simplesmente chegar, aproveitar as férias e não pensar em nada mais.

Eu não.

Eu começo a estudar meu destino alguns meses antes. Leio algumas dezenas de blogs, guias de viagem, estudo mapas, leio os jornais locais, compro revistas, discuto com amigos. Minha viagem começa bem antes.

Eu vejo muitas vantagens nesse estudo. Primeiro é que não chego na cidade completamente ignorante. Assim consigo me enturmar mais, gasto menos tempo em transporte, fico menos perdido. Eu chego no meu destino já familiar com o lugar. Sei onde fica tudo que me interessa, pelo menos na minha cabeça (sempre foi assim. Na minha primeira viagem ao exterior, para Londres em 1996, saí do metro em Camden Town direto para a Rough Trade, a loja de discos que eu mais queria conhecer…). Outras vantagens é que economizo bastante e tenho liberdade: não preciso ficar com um grupo de pessoas e posso fazer o que estiver a fim, e não o que  é colocado pela agência.

Pois bem, já que gosto tanto assim de planejar viagens, resolvi compartilhar isso aqui.

A primeira decisão a fazer, claro, é o destino. Quando a Jade tinha três anos prometi que quando completasse 10 iríamos, como se diz aqui no Brasil, pra Disney (engraçado isso, né? A Disney é um dos conglomerados que possuem parques na Flórida e pra nós, brasileiros, ir pra lá é ir pra Disney. Ninguém diz vou pra Universal… Pior: dizemos ir pra Disneylândia. Nenhum dos quatro parques da Disney nas proximidades de Orlando se chama Disneyland…). Enfim, o tempo passou rápido, ela fez dez em fevereiro e junto com os parabéns veio a cobrança. Orlando, portanto, estava decidido como destino.

Depois disso é a vez de decidir o período e comprar as passagens. Aqui as coisas andam juntas. Passagens baratas significa fugir dos períodos de alta estação – final e meio do ano, período de férias. Pra mim, ótimo: gosto de viajar em épocas mais tranquilas, e pra mim os melhores meses são maio e setembro, para qualquer lugar – passagens são baratas nessa época, o clima é sempre agradável, não tem tanta gente.

Aqui começa a procura de passagens por um preço atrativo. Minha tática é fazer pesquisas semanais, as vezes diárias, a sites e blogs no Brasil e exterior. Visito os sites das companhias aéreas, dou uma passada por lojas como Submarino Viagens e Decolar, vou ao Melhores Destinos pra saber se existe alguma barbada, passeio por sites gringos como o Kayak. Isso me toma uns 20 minutos e me salva algumas centenas de reais. As vezes a diferença é gritante entre um site e outro. As vezes comprar na Submarino, por exemplo, é mais barato. Mas pode valer a pena pesquisar lá e comprar direto no site da companhia aérea.

Foi o que aconteceu desta vez. Vi a promoção no Melhores Destinos, pesquisei na Submarino, comprei direto no da Delta. O preço? R$1114,00 cada passagem, saindo de BH. Precisei pagar as três passagens a vista, mas mesmo assim valeu a pena.

Lição número 1: pesquise bastante. Vai te salvar alguns trocados.

Além de encontrar a passagem por um bom preço, ela precisaria, neste caso, ser para uma semana de feriado, para a Jade não perder tantos dias de aula. Optei pela semana de 7 de setembro. Motivo? Esta é uma das semanas mais tranquilas nos parques de Orlando, pós-férias americanas. Tem a desvantagem de ser no período de furacões na Flórida, mas como Orlando não fica na costa e não tem nenhum histórico, não me preocupei.

Passagem comprada é hora de reservar o hotel.

De novo, pesquisa. Uma ida no Hotels.com, outra no Trip Advisor para lever o que o povo fala, leituras em blogs até decidir qual o melhor. A primeira decisão que precisei tomar foi se iria ficar dentro ou fora dos parques (todos eles têm seus resorts). Prós: ficando hospedado ali você tem direito a visitar o parque uma hora antes dos mortais, pode fazer compras e mandar entregar tudo direto no quarto e não ficar carregando sacolas, pode debitar tudo diretamente no quarto. Contra: tudo isso tem um preço.

A diária em um dos hotéis da Universal, o mais barato, estava em torno de 170 dólares. Na Disney, o mais barato custava mais de 100 dólares por dia. Como já sabia que o período era tranquilo a decisão foi por um hotel a meio caminho entre os dois, onde poderia chegar aos parques com não mais que 15 minutos. Unindo isso a um parque aquático e a diárias de 115 reais para o quarto com duas camas queen size optei pelo CoCo Key  Resort. Os comentários eram favoráveis, o hotel tinha sido renovado recentemente e o valor era ótimo.

Passagem, ok. Hotel, ok. Mas como vou me locomover na cidade?

Sempre prefiro transporte coletivo. Dificilmente alugo carro, mas em Orlando essa parece ser a solução. Taxi é caro, as distâncias são longas e mesmo tendo que pagar estacionamento nos parques – em torno de 15 dólares a diária – vale a pena. Na Avis, uma semana de carro compacto custa menos de 100 dólares (a dica aqui é o seguinte: ao fazer a reserva, marque que você não é residente nos Estados Unidos. O preço cai pela metade.). Como comparação, o taxi aeroporto-hotel ficaria em torno disso. Era isso o que indicava várias dos blogs que li e é esse o caminho que tomei.

Com passagem, hotel e transporte decidido, começa a parte realmente divertida: o que fazer em cada dia, onde ir, o que comer. Isso vai ficar para um segundo texto.