It’s the End of World (as We Know It)

A primeira e mais importante coisa que você precisa saber a respeito de Ushuaia: aqui o tempo muda o tempo todo. Chuva, frio, vento, neve, sol, tudo pode acontecer no mesmo dia, quase sempre ao mesmo tempo. O que não muda nunca é o frio. Ou como diz uma piada local: em Ushuaia não é sempre assim. Existem um ou dois dias no ano onde ele dá uma trégua.

O que traz turistas de tudo quanto é lugar a este (literalmente) fim de mundo é justamente isso: o desejo ir o mais longe possível. Depois de Ushuaia só a Antártida, que está mais perto daqui do que El Calafate (aliás, se estiver pensando em fazer a viagem, este é o ponto de partida ideal. A partir de Ushuaia são 10 dias de passeio – três de ida, três de volta – e o pacote sai por volta de 4000 dólares, as vezes menos).

2012-04-07 10.50.57-1Capital da Província da Terra do Fogo (e das Malvinas, apesar da ilha ser inglesa), Ushuaia não passa de uma pequena cidade com poucos mais de 30 mil habitantes. Orientar-se por ela é fácil: ao sul está o porto e o Canal de Beagle, de onde saem os barcos. Ali também fica o aeroporto. Ao norte as montanhas sempre nevadas e o Glaciar Martial. Ao leste está a única estrada de acesso à cidade, que te leva a Tolhuin e dali a Rio Grande, através da Rodovia 3. E a oeste está o Parque Nacional do Fim do Mundo.

 

2012-04-07 11.39.38-1A primeira coisa a se fazer quando chegar na cidade é procurar o centro de informações na Av. Maipu, ao lado do porto. Com uma equipe atenciosa, eles irão te dar todas as informações necessárias para a sua viagem. Ali também é possível carimbar, gratuitamente, o seu passaporte com a estampa da cidade. É uma babagem, mas quem não quer ter o carimbo do fim do mundo no passaporte?

Ao lado do Centro de Informações saem os passeios mais procurados em Ushuaia: a navegação pelo Canal de Beagle. Com preços variando entre 200 e 385 pesos (R$90,00 a R$170,00) o que difere entre eles é o tempo e o destino do passeios. As mais baratas duram em torno de 2,5 horas e te levam exclusivamente ao Farol Les Eclaireurs e a duas pequenas ilhas, habitadas por lobos marinhos e aves locais. Com mais meia hora e 50 pesos é possível conseguir uma embarcação menor, chegar mais perto dos animais e ainda caminhar pelas Ilhas Bridges. Aumente outra meia hora e mais 50 pesos e os barcos te levam mais distante, até a Ilha H. Quer ver pinguins? Separe 5,5 horas e trezentos pesos e os barcos te levam até eles. Quer caminhar junto com as simpáticas aves? Então o seu pacote vai custar, além de 385 pesos, passeio de ônibus até a Fazenda Harbeton – a primeira na região; o ticket de entrada na fazenda e o passeio de barco, em total de 6 horas. Apesar disso a empresa que opera exclusivamente o circuito, a Piratour, não garante a visibilidade dos bichos, uma vez que no inverno as aves migram. Todos os passeios saem pela manhã e a tarde.

 

O segundo passeio obrigatório na cidade é a visita ao Parque Nacional. Também da Av. Maipu, a uma quadra do Centro de Informações, saem as vans que te levam ao Parque. O custo, ida e volta, é de 85 pesos (37 reais), além de 60 pesos de entada no Parque para brasileiros (R$26,00).

 

2012-04-03 16.53.11 HDR-1Por fim o terceiro passeio é ao Glaciar Martial. A partir do centro é possível pegar um taxi até a base da montanha (40 pesos) e dali acessar o ponto mais alto de teleférico (50 pesos). No inverno o local é ponto de esqui e no verão, caminhadas.

Com mais tempo é possível também visitar a cidade vizinha de Tolhuin e os lagos Escondido e Fagnano. Com mais tempo e disposição é possível fazer esse mesmo passeio em um 4×4 entre a vegetação e geleiras – conhecemos um brasileiro na viagem que fez e disse ser sensacional.

 

2012-04-08 11.57.14-1Fora os passeios, a cidade pouco reserva: uma rua principal chamada (adivinha?) San Martin, quase sempre engarrafada nos horários de pico; algumas poucas lojas de souviniers, outro tanto de artigos de inverno e alguns bons restaurantes que vale a pena visitar.

Ushuaia – Onde e O Que Comer

Ushuaia não é uma cidade barata – mas nem por isso você deve se privar de visitar os bons restaurantes da região. O destaque, aqui, são os frutos do mar, sobretudo a Centolla, ou caranguejo gigante. Presente em quase todos os cardápios, ela divide o posto de estrela local com a Merluza Negra (ou Sea Bass), um peixe de carne muito branca e saborosa. Some a isso o cordeiro e você tem a base de quase todos os restaurantes locais. O que difere entre eles é o cuidado na apresentação e o serviço. Mesmo os preços pouco diferem: tanto um quanto outro em torno de 100 pesos (45 reais) o prato.

No centro, o Almacén de Ramos Generales é o mais descontraído. Mais para wine bar que restaurante, serve também café da manhã e tem apresentações musicais às sextas. Vale a visita para ver a decoração descolada e tomar a cerveja local: a degustação, com três taças (trigo, Ale e Negra) custa 30 pesos.

2012-04-07 23.11.45Também na região central, o Maria Lola é despretencioso e quase sempre cheio. Tem bons pratos, carta de vinho decente e a melhor (e mais cara) merluza, acompanhada de centolla, polvo mexilhão. Um abuso.

Um pouco mais afastado, mas ainda acessível a pé – ele fica a 4 quadras da Avenida principal, no alto de um morro – o Kaupé é eleito por muitos o melhor da cidade, mas o que esbanja é mal gosto na decoração e pretensão na elaboração. O serviço é atencioso – as vezes até demais – mas os pratos não diferem dos outros citados aqui. De cardápio pequeno e enxuto, o destaque são os frutos do mar. Eu já disse que a decoração é um equívoco?

 

2012-04-07 21.19.32Para visitar o melhor restaurante da cidade é preciso ir de taxi. No caminho para o teleférico, o Chez Manu ganha dos concorrentes em tudo: atendimento na medida certa, pratos excepcionais, vista maravilhosa e decoração de bom gosto. Os 60 pesos extras do transporte valem a pena. Nossas entradas – uma sopa de cebola gratinada e um prato de frutos do mar defumados no próprio restaurante – estavam perfeitos. Os principais – uma centolla gratinada e um cordeiro cozido com vegetais por 8 horas – inesquecíveis. Vale a visita.

 

Na lista dos melhores restaurantes do fim do mundo faltou o pequeno Kalma, na Av. Antártida Argentina. Pequeno e discreto, mais dedicado à cozinha de autor, estava fechado para um evento no dia que escolhemos visitá-lo. Uma pena: na aparência parecia ir para o top 3 dos restaurantes de Ushuaia.

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Gelo, frio e caminhadas

Antes de chegar ao fim do mundo, passei alguns dias no estado de Santa Cruz, na patagônia argentina. Confesso: foi um erro de programação de viagem que me fez vir aqui antes, e não depois. Então fica a dica: se planeja combinar Ushuaia e El Calafate numa mesma viagem faça nessa ordem. Ushuaia antes, Calafate depois. Isso porque os voos seguem normalmente nessa e a viagem no sentido horário vai ser mais vantajosa. Veja: eu comprei um ticket Buenos Aires / Calafate via Ushuaia, operado pela Lan. Depois comprei um ticket da Lada de Calafate a Ushuaia e de novo um ticket Lan Ushuaia / Buenos Aires, desta vez via Calafate. Se tivesse feito o contrário teria voado apenas no confortável A320 da companhia chilena e economizado por baixo uns 300 reais por pessoa. (Tenho, porém, minha justificativa: quando comprei a passagem a Calafate, este era o único destino que tinha certeza que queria visitar. O segundo destino poderia ser Bariloche ou Ushuaia. Prevaleceu o segundo…).

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Quem vai a El Calafate vai por um único motivo: o Glacial Perito Moreno. É isto que movimenta a pequena cidade, de menos de 20 mil habitantes. Tudo gira em torno do gelo. Por aqui, a única produção são geléias e licores de calafate, o fruto silvestre que dá nome a cidade. Nada em escala industrial, nenhuma produção agrícola. Isto se reflete nos preços: espere pagar 20% ou 30% mais em alimentos, hotéis e compras locais. O custo, acredite, vale a pena.

2012-04-03 09.59.09 HDRSe localizar pela cidade é simples. O aeroporto é a 23km do centro e um taxi até seu hotel vai custar 120 pesos (algo como 50 reais). Se tiver sorte de pegar o motorista Santiago, ainda ganha uma aula sobre a região. Ex-guia, ele desfila como uma metralhadora verbal informações e dados durante todo o caminho. A avenida principal da cidade é a Libertador San Martin. Ali estão os principais pontos de interesse: bancos, alguns restaurantes, supermercados, lojas. De um lado você tem os montes e do outro o belo Lago Argentino (o maior lago inteiramente nacional, com uma superfície de quase 1500 metros quadrados, diria o Santiago).

2012-04-01 08.36.49São várias as opções de hospedagem na cidade. De simples albergues e hostals a bons e luxuosos hotéis. Eu optei pelo confortável e incrivelmente bem localizado Design Suite. Afastado do centro, com uma vista deslumbrante do lago, o hotel oferece transfers e muito conforto, com piscina aquecida, sauna e academia. O preço foi convidativo: cerca de 180 a diária para duas pessoas.

 

2012-04-01 16.07.21-1Mas quem vem a Calafate, como disse, vem por causa do Glacial. E são várias as formas de conhecê-lo. A mais simples é de taxi. Localizado a cerca de 80km da cidade, o Parque Nacional, onde o Glacial está localizado, é facilmente acessado. Um taxista vai te cobrar algo como 400 pesos pela viagem. O acesso ao parque te custa outros 70 pesos, cerca de 30 reais. Com isso você poderá passear pelas passarelas e ver e ouvir, de longe, o incrível bloco de gelo. Sim, ver e ouvir. Mais que a visão daquele gigante glacial a sua frente, o mais surpreendente em Perito Moreno é o som que o glacial faz. De tempos em tempos, estrondos, como tiros de canhão, cortam o ambiente. Em algum lugar, no interior talvez, blocos de gelo se desprendem com frequência, e tudo o que você pode sentir é o som.

Se quiser um encontro mais íntimo com o gelo a operadora Hielo y Aventura oferece passeios sobre o glacial. No MiniTrekking são 45 minutos de caminhada sobre o gelo. Já o BigIce te leva mais longe e por mais de 3 horas sobre o glacial, em mais de 5 horas de caminhada. No total, são quase 12 horas de passeio, contando o transfer até o parque, passeio de barco e a caminhada. Ao custo de 770 pesos (cerca de 300 reais) o BigIce é para que tem ânimo e disposição.

2012-04-01 16.55.17 HDR-1Para El Calafate, 3 noites de hotel bem programado são suficientes. É o bastante para passear pela cidade e fazer seu passeio pelo Glacial, seja a versão mais simples ou a mais radical. Se tiver mais um ou dois dias livres, a sugestão é alugar um carro, pegar a estrada e dirigir os 220 km até a pequena El Chaltén. É o que estou fazendo amanhã. Até lá.

 

 


Informações Básicas:
Como chegar: Lan e Aerolineas Argentinas operam voos a partir de Buenos Aires. É possível combinar com voos de Ushuaia.
Na chegada: O aeroporto fica a 23 km do centro da cidade. Taxis do aeroporto ao centro custam 120 pesos (cerca de 60 reais). É caro: no caminho inverso é possível pagar em torno de 90 pesos (R$40,00).
O que fazer: O Glacial Perito Moreno é a maior atração da cidade. A visita pode ser feita de carro ou em excursões. Fica a 80km da cidade. O Lago Argentino também vale a visita.
Onde comer: La Lechuzza é uma rede de pizzaria e restaurantes presentes em toda a cidade, assim como os restaurantes Casimiro Abreu. Para uma tradicional comida caseira procure o El Cucharón.
Onde hospedar: Vários hotéis e albergues mais em conta estão próximos ao centro. Aqueles em torno do lago são mais caros – e nem todos oferecem tansporte regulares.
Quando ir: A alta temporada vai de junho a abril. Para caminhadas, prefira os meses do verão (novembro a março). Depois da semana santa a cidade fica às moscas.

Mykonos no verão: a festa nunca termina (24 hours party people)

São quase três da manhã e música alta e dançante sai de dentro de todas as casas. Andar pelas pequenas vielas de pedra é difícil, devido ao grande número de pessoas. A maioria é jovem, com menos de 30 anos, exibindo corpos bronzeados pelo sol do mediterrâneo. Muitos são gays, homens e mulheres. Caminhando por entre eles também estão famílias, crianças e idosos. O clima é alegre e divertido e a animação, parece, não vai acabar antes do próximo nascer do sol.

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Estou em Mykonos, a mais conhecida e anima das dezenas de ilhas gregas. De novo, minha estada aqui não vai passar de 24 horas e tento conciliar um pouco de diversão a reuniões de negócios e visitas técnicas.
Muitos dos turistas que invadem a ilha no verão – a população local, de cerca de 5000 pessoas, cresce para 30 mil nos meses de julho e agosto – chegam a Mykonos nos transatlânticos que ancoram aqui por um dia apenas. Os turistas chegam pela manhã, passeiam pelas vielas, compram algum souvenir grego e no dia seguinte estão em outra ilha. A maioria, entretanto, vem mesmo pela festa. Mykonos é pura curtição. À noite, Little Venice, um dos cartões postais do lugar – um grupo de casas que tem balcões voltando para o por do sol – virá o lugar da balada, com os bares servindo drinks saborosos à base de mastiha, a bebida local, feita de um planta que só cresce em uma das ilhas da região. A programação é tão intensa que alguns dos top DJs do mundo – Nick Warren, Paul Van Dyk – se revezam dia após dia.
Conhecer a vila principal de Mykonos não tem mistério. Se você chegar de barco vai desembarcar no novo porto, a cinco minutos a oeste do centro. De avião (de Atenas até aqui é pouco mais de meia hora, com aterrisagens e decolagens quase sempre turbulentas, por causa dos ventos locais) você desce no aeroporto, também cinco minutos ao norte. Uma vez no centro é só seguir o fluxo, se perder em meio à multidão e descobrir o que a cidade tem para oferecer. A vista e o por do sol é a melhor coisa, te garanto. As casinhas brancas com janelas e portas azuis, típicas de lá, se iluminam no final do dia. O melhor lugar para apreciar isto é de perto dos moinhos de vento. Você irá reconhece-los. Outro ponto da cidade que você vai cruzar é a praça principal (ou praça dos taxis, já que abriga o único ponto e todos os 20 carros de aluguel, que brigam por espaço nas vielas com turistas e scooters). É nas proximidades da praça que estão a maioria das lojas. De novo, a dica: se perca pelas vielas.
Mas a cidade é a parte urbana de Mykonos. Fora dali, a uma curta distância de carro ou moto ue você pode alugar na cidade, se espalham 33 praias com aquela água de um azul tão intenso que só o Mediterrâneo pode te oferecer. Mesmo que você esteja em um cruzeiro e vá ficar ali só por um dia, vale o esforço da visita.

Vá preparado: Mykonos não é uma cidade barata. O hotel onde fiquei foi o mais barato que encontrei e custou 150 euros a diária. Era pequeno, afastado do centro, mas charmoso e bem cuidado (recomendo o hotel: o nome é Princess of Mykonos). Um almoço na praia para três pessoas saiu também este valor e o único consumo de álcool foi de uma única cerveja. Em termos de comparação, no Best Western de Atenas a diária foi de 60 euros e os almoços não saíram mais que 25 por pessoa. Mas não deixe isto te desanimar: a Mykonos é única e não há preço que pague estar ali. Mesmo que por apenas 24 horas.

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Istanbul – chegada e primeiras impressões

Chegar na Turquia, como em qualquer destino mais próximo da Asia ou Africa, sempre causa algum estranhamento a nós, brasileiros. As vestimentas, os turbantes, as cores, as línguas, tudo isso já começa a despertar nossa curiosidade e sentidos ainda no aeroporto. No Atatürk International Airport, em Istanbul, não é diferente. Na fila se misturam uma comissão esportiva grega, com uniformes pretos mas brilhantes (furta-cor, diriam alguns), atletas do Turquimenistão, muçulmanos de diversas nacionalidades, um grupo de garotas neo-hippies irlandensas, em busca de aventura e uma senhora francesa que parecia não enxergar bem os números em seu celular, além de dezenas de outras pessoas. Organizado e limpo, o aeroporto fica a cerca de 20 km da cidade antiga. Como em todos os países, o processo de imigração não é rápido: cerca de uma hora entre filas e esperas.
Se ainda na chegada internacional você tem contato com o que é a cultura para estes lados, é na saída do aeroporto que você encontra o que te espera em seus dias na Turquia: dezenas de guias turísticos se acotovelam, com placas com nomes em todas as línguas. Kiliç, nosso guia, se sobressai dos demais. Exprimido em uma das extremidades, grita meu nome para todos ouvirem. “Mister Jefferson dos Santos! Mister Jefferson dos Santos!” Quando nos encontramos me comprimenta em m espanhol arrastado: “Oi, meu nome é Fernando!”, mas quando me entrega seu cartão, está lá: Gökhan Kiliç, Ministry of Tourism and Culture. É essa peça que vai me acompanhar pelos próximos dias.

Aeroporto Istanbul

Placas com nomes de todas as nacionalidades na chegada em Istanbul

No caminho entre o aeroporto e o hotel Fernando vai dando uma geral rápida nos milhares de anos de história turca: as invasões, a construção da fortaleza, o Bósforo, Constantino, Aya Sofia, Mesquita Azul…
Em meia hora estamos na região de Sultanahmet, a parte histórica e turística de Istanbul. É perdido em uma das vielas, a cerca de 50 metros da Mesquita Azul (e o dobro disso de Aya Sofia, as duas principais atrações turísticas) que está o Lady Diana. Quando, no Brasil, a agência de viagens me disse que esse seria o local de nossa hospedadem, tirei sarro: com esse nome o local não poderia ser bom. A agente, entretanto, me contradisse: que eu estava errado, que era um quatro estrelas, que era bom. Apesar da vista estonteante do restaurante no 6° andar, os quartos são simples, sem espaço para mais que você e sua mala. O serviço é justo e o café da manhã, agradável.

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Moscou – hotel e primeiro dia

KGB

A antiga sede da KGB, em Lubyanka

Ul. Varvaya

Ulitsa Varvaya, próxima a Praça Vermelha

metro moscou

A sinalização no metrô de Moscou: impossível compreender

Praça Vermelha

A Catedral de São Basílio e o Kremlin na Praça Vermelha

Praça Vermelha

O Museu da História de Moscou e a Gum

Quem está acompanhado o blog já deve ter reparado que os relatos estã saindo sem muita preocupação com o texto ou revisões. Afinal, estou escrevendo durante os voos (como na primeira parte) ou em cafés e à noite, no quarto do hotel. Revisão e fotos vem depois (mas já tem algumas no Instagram, que talvez já traga pra cá pra ilustrar).

Ontem o relato foi até a chegada a Domededovo, com atraso. Sair dali é confuso, principalmente porque você ainda não está acostumado com a lógica russa. Confesso: 24 horas depois e tudo parece muito mais fácil.

O metrô, por exemplo. Ontem pegamos o AeroExpress e fomos até a estação de Paveletskaya (a única parada que o trem faz). Saímos do aeroporto tarde, à meia noite (cansados e confusos. Me fiz prometer que da próxima vez, por mais que eu ainda ache que é legal chegar numa cidade nova e conhecer os sistemas de transporte público, essa não é a melhor hora). De lá até o metrô são 45 minutos, o que nos dava 15 para pegar os dois trens que nos levavam ao hotel, já que o metrô fecha a uma. Rolou, mas por muito pouco. Já no trem caiu outro mito: que os russos são as pessoas mais mal humoradas do mundo. Bobagem. Vimos um brasileiro que encontramos no voo (o Ike – ou Ique, Ic… ainda não sabemos) ter a seu redor 5 deles tentando ajudá-lo a entender como chegar a sua estação. Ah sim: a história de que ninguém fala inglês também é falsa. Claro que o pessoal que viveu no comunismo – bem como o pessoal mais pobre, que trabalha nas ruas, em quiosques, bancas de revistas e taxis-, não fala nem entende o alfabeto ocidental. Mas turma mais nova, de até seus 20 e tantos, já se comunica bem. Conversamos com gente no metrô, em lojas e restaurante sem problemas (mas com paciência para entender o sotaque).

O Hotel
O Katerina Hotel se vendia no Hotels.com, onde fiz a reserva, como um 4 estrelas executivo a 15 minutos do centro de Moscou. Está mais para um albergue de luxo. Não é ruim, pelo contrário: é que como tem um bom preço, o índice de jovens europeus e russos e alto e durante a noite o pequeno bar fica bastante animado. Os quartos não são grandes, mas também não é preciso fechar o armário para abrir a porta do banheiro. A ducha é boa e relaxante e a cama confortável. A TV de plasma de 28″ passa programas em russo e notícias em inglês da BBC e Bloomberg. O frigobar, reposto diariamente, é grátis: Coca-Cola, água, chips, amendoim e chocolate. O café é farto e diverso: dos nossos paezinhos, croissants, café e leite a salmão, salada de pepino e sopa, passando pelos tradicionais ovos, bacon, iogurtes e outros ítens de um café continental. Tem wi-fi grátis (o que permite atualizar diariamente este relato) e uma pequena academia (o que permite a Alê a ir querer pedalar agora, quase meia noite…) Fica a 22 minutos da estação mais próxima da Praça Vermelha, mas a pouco mais de 200 reais a noite, isso é ótimo.

O metrô e a cidade
Você certamente já ouviu: o metrô de Moscou é lindo! É um dos mais antigos e profundos do mundo! Vale a pena visitar as estações! Sim, isso tudo é verdade. O que você também precisa saber e ainda não te falaram: o seu mapa com os nomes das estações escrito de forma que você consegue ler (Polyanka, Pushkinskaya, Chekhovskaya) não adianta nada. Nas estações o que vale é o cirílico, alfabeto oficial russo. E nisso Polyanka vira Полянка. Pushkinskaya é Пушкинская e Chekhovskaya é a tradução para Чеховская. É assim, com esses enes esquisitos, quatros invertidos, erres espelhados e outros símbolos (para nós) bizarros que as indicações nas estações – e tudo mais na cidade – está escrito. Então consiga um mapa em cirílico, de preferência com os nomes também em romano (eu uso um app para Iphone, o Moscow Metro Map).

Outra coisa que não te falaram: além de existirem mais de 150 estações de metrô elas são complicadas. Não é incomum três ou quatro estações se comunicarem, fazendo que você se sinta um rato em experiência de laboratório, indo e vindo, subindo e descendo escadas rolantes gigantescas, entrando em corredores que parecem levar a lugar nenhum… Se não tiver ânimo ou espírito a melhor dica é: desista. Contrate um guia. Para aqueles que, como eu, adoram se perder na cidade, Moscou e seu metrô é um prato cheio. Toma tempo e grandes caminhadas, mas é bem divertido tentar associar os nomes e símbolos das estações. Hoje, ao final do primeiro dia, mas me sinto quase um expert. O que posso te dizer (talvez aprenda mais um pouco no final de semana. Se for o caso, atualizado isso aqui): quando você chega a plataforma o nome da próxima estação onde o trem vai parar vem escrito s e p a r a d o. Parece bobagem, mas tem me ajudado. Outra: se você desceu da escada rolante e tem uma placa com os números 1 a esquerda e 2 a direita escritos dentro de uma seta, quase sempre em azul, que indica as direções. O número da sua linha (decore a cor e o número, já que muitas vezes o vermelho é quase um laranja e os azuis se confundem) está escrito aí também, pequeno, em um dos cantos. Se, ao invés das setas para as laterais, for uma seta pra baixo, sua plataforma é ainda mais embaixo. Parece óbvio escrevendo agora, mas quando você já ficou 2 minutos descendo numa escada rolante imagina que não tem como outro trem passar ainda mais profundo… E outra dica que serve não só para o metrô: estude o cirílico.

Mesmo que sua viagem seja daqui a uma semana (ou um mês, não faz diferença: você não vai entender russo nesse tempo) pegue o alfabeto (tem um no meu guia), leia e faça a associação das letras. Tudo vai ficar mais fácil. Aprenda que P é na verdade R. O C deles é nosso S. Aquela coisa esquisita que parede um D (д) é um D… Lembre-se também de palavras brasileiras como vasculante/basculante: aqui B é V. E б, que parece B, é B mesmo. Parece difícil. E é, mas dá pra associar facilmente (e se serve de consolo, a compreensão da pronúncia é mais fácil que a escrita).

Nessa altura você já deve ter percebido: Moscou é uma cidade que te cansa. É muita informação, muita coisa nova ou completamente diferente do que estamos acostumados e principalmente, tudo é longe. O metrô é, sem dúvidas, a melhor opção de transporte. As caminhadas, por menores que sejam (da estação ao seu destino ou mesmo DENTRO da sua própria estação) são quase uma maratona. Oscar Niemayer, ainda o comunista vivo mais famoso do Brasil, usou isso na concepção de Brasília com certeza. Aprenda: são poucas as ruas em Moscow que você cruza por cima. Na maioria é preciso usar um túnel.

Praça Vermelha
A medida que você sai da estação de metrô e começa a ver a fortaleza (kremlin, em russo) a certeza é que sim, o capitalismo venceu. Entrar na Praça Vermelha é das sensações mais incríveis que qualquer viagem pode experimentar. É de uma beleza de tirar o fôlego. As cores são viva e quando cai a noite a Praça se transforma.

Para você se orientar: a igreja com tetos de cores vivas é a Igreja de São Basílio. Está no lado sul da Praça. No lado oposto, o imponente prédio vermelho, é o Museu Estadual de História. O grande prédio claro é a Gum, um shopping center caro mas um excelente lugar para você se refugiar do frio – visite o supermercado que existe no primeiro piso, no lado oposto a entrada principal. É um primor.(confesso: ADORO visitar mercados e supermercados em outras cidades. Dizem muito sobre os hábitos e costumes do lugar. E esse aqui tem tudo que o comunismo privou os russos por décadas. De café do Brasil a molhos franceses e ingredientes japoneses, ten tudo o que o sistema dizia ser superfluo a preços superfaturados). E em frente a entrada principal da Gum está o Mausoléu de Lenin. O Kremlim é tudo o que está atrás do imenso muro vermelho, que chega a ter 750 metros em um dos lados. A entrada é saindo a esquerda do Museu e contornando também pela esquerda (com um bom mapa você visualiza isso tudo facilmente). Ainda nāo visitei o interior: como o dia foi curto (com a viagem cansativa dormimos até mais tarde) isso vai ficar pra outro dia.

Saindo a esquerda da Catedral está a Ulitsa Varvarka (ulitsa é rua você vai ver algumas vezes a palavra simplificada: ul.), uma rua pequena mas que comporta albuns belos exemplos da arquitetura russa.

Do outro lado, saindo a direita do Museu o destino é Lubyanka, praça e prédio que era sede da KGB. Dica? Suba até o 6 andar do Nautilus, um shopping decadente que tem tem bem a frente da antiga sede. Escondido nos fundos de um salão de belezas está o Loft, um pequeno (10 mesas) café, com uma varanda com vista pro prédio. O público é sobretudo local e o local tem um almoço executivo (salada, sopa, prato principal e acompanhamento) das 12h as 16h por 450 rublos (ou cerca de 25 reais). Só como comparação, este é o preço, no mesmo restaurante, de 4 Coca-Cola. Ou um suco de tangerina.