It’s the End of World (as We Know It)

A primeira e mais importante coisa que você precisa saber a respeito de Ushuaia: aqui o tempo muda o tempo todo. Chuva, frio, vento, neve, sol, tudo pode acontecer no mesmo dia, quase sempre ao mesmo tempo. O que não muda nunca é o frio. Ou como diz uma piada local: em Ushuaia não é sempre assim. Existem um ou dois dias no ano onde ele dá uma trégua.

O que traz turistas de tudo quanto é lugar a este (literalmente) fim de mundo é justamente isso: o desejo ir o mais longe possível. Depois de Ushuaia só a Antártida, que está mais perto daqui do que El Calafate (aliás, se estiver pensando em fazer a viagem, este é o ponto de partida ideal. A partir de Ushuaia são 10 dias de passeio – três de ida, três de volta – e o pacote sai por volta de 4000 dólares, as vezes menos).

2012-04-07 10.50.57-1Capital da Província da Terra do Fogo (e das Malvinas, apesar da ilha ser inglesa), Ushuaia não passa de uma pequena cidade com poucos mais de 30 mil habitantes. Orientar-se por ela é fácil: ao sul está o porto e o Canal de Beagle, de onde saem os barcos. Ali também fica o aeroporto. Ao norte as montanhas sempre nevadas e o Glaciar Martial. Ao leste está a única estrada de acesso à cidade, que te leva a Tolhuin e dali a Rio Grande, através da Rodovia 3. E a oeste está o Parque Nacional do Fim do Mundo.

 

2012-04-07 11.39.38-1A primeira coisa a se fazer quando chegar na cidade é procurar o centro de informações na Av. Maipu, ao lado do porto. Com uma equipe atenciosa, eles irão te dar todas as informações necessárias para a sua viagem. Ali também é possível carimbar, gratuitamente, o seu passaporte com a estampa da cidade. É uma babagem, mas quem não quer ter o carimbo do fim do mundo no passaporte?

Ao lado do Centro de Informações saem os passeios mais procurados em Ushuaia: a navegação pelo Canal de Beagle. Com preços variando entre 200 e 385 pesos (R$90,00 a R$170,00) o que difere entre eles é o tempo e o destino do passeios. As mais baratas duram em torno de 2,5 horas e te levam exclusivamente ao Farol Les Eclaireurs e a duas pequenas ilhas, habitadas por lobos marinhos e aves locais. Com mais meia hora e 50 pesos é possível conseguir uma embarcação menor, chegar mais perto dos animais e ainda caminhar pelas Ilhas Bridges. Aumente outra meia hora e mais 50 pesos e os barcos te levam mais distante, até a Ilha H. Quer ver pinguins? Separe 5,5 horas e trezentos pesos e os barcos te levam até eles. Quer caminhar junto com as simpáticas aves? Então o seu pacote vai custar, além de 385 pesos, passeio de ônibus até a Fazenda Harbeton – a primeira na região; o ticket de entrada na fazenda e o passeio de barco, em total de 6 horas. Apesar disso a empresa que opera exclusivamente o circuito, a Piratour, não garante a visibilidade dos bichos, uma vez que no inverno as aves migram. Todos os passeios saem pela manhã e a tarde.

 

O segundo passeio obrigatório na cidade é a visita ao Parque Nacional. Também da Av. Maipu, a uma quadra do Centro de Informações, saem as vans que te levam ao Parque. O custo, ida e volta, é de 85 pesos (37 reais), além de 60 pesos de entada no Parque para brasileiros (R$26,00).

 

2012-04-03 16.53.11 HDR-1Por fim o terceiro passeio é ao Glaciar Martial. A partir do centro é possível pegar um taxi até a base da montanha (40 pesos) e dali acessar o ponto mais alto de teleférico (50 pesos). No inverno o local é ponto de esqui e no verão, caminhadas.

Com mais tempo é possível também visitar a cidade vizinha de Tolhuin e os lagos Escondido e Fagnano. Com mais tempo e disposição é possível fazer esse mesmo passeio em um 4×4 entre a vegetação e geleiras – conhecemos um brasileiro na viagem que fez e disse ser sensacional.

 

2012-04-08 11.57.14-1Fora os passeios, a cidade pouco reserva: uma rua principal chamada (adivinha?) San Martin, quase sempre engarrafada nos horários de pico; algumas poucas lojas de souviniers, outro tanto de artigos de inverno e alguns bons restaurantes que vale a pena visitar.

Ushuaia – Onde e O Que Comer

Ushuaia não é uma cidade barata – mas nem por isso você deve se privar de visitar os bons restaurantes da região. O destaque, aqui, são os frutos do mar, sobretudo a Centolla, ou caranguejo gigante. Presente em quase todos os cardápios, ela divide o posto de estrela local com a Merluza Negra (ou Sea Bass), um peixe de carne muito branca e saborosa. Some a isso o cordeiro e você tem a base de quase todos os restaurantes locais. O que difere entre eles é o cuidado na apresentação e o serviço. Mesmo os preços pouco diferem: tanto um quanto outro em torno de 100 pesos (45 reais) o prato.

No centro, o Almacén de Ramos Generales é o mais descontraído. Mais para wine bar que restaurante, serve também café da manhã e tem apresentações musicais às sextas. Vale a visita para ver a decoração descolada e tomar a cerveja local: a degustação, com três taças (trigo, Ale e Negra) custa 30 pesos.

2012-04-07 23.11.45Também na região central, o Maria Lola é despretencioso e quase sempre cheio. Tem bons pratos, carta de vinho decente e a melhor (e mais cara) merluza, acompanhada de centolla, polvo mexilhão. Um abuso.

Um pouco mais afastado, mas ainda acessível a pé – ele fica a 4 quadras da Avenida principal, no alto de um morro – o Kaupé é eleito por muitos o melhor da cidade, mas o que esbanja é mal gosto na decoração e pretensão na elaboração. O serviço é atencioso – as vezes até demais – mas os pratos não diferem dos outros citados aqui. De cardápio pequeno e enxuto, o destaque são os frutos do mar. Eu já disse que a decoração é um equívoco?

 

2012-04-07 21.19.32Para visitar o melhor restaurante da cidade é preciso ir de taxi. No caminho para o teleférico, o Chez Manu ganha dos concorrentes em tudo: atendimento na medida certa, pratos excepcionais, vista maravilhosa e decoração de bom gosto. Os 60 pesos extras do transporte valem a pena. Nossas entradas – uma sopa de cebola gratinada e um prato de frutos do mar defumados no próprio restaurante – estavam perfeitos. Os principais – uma centolla gratinada e um cordeiro cozido com vegetais por 8 horas – inesquecíveis. Vale a visita.

 

Na lista dos melhores restaurantes do fim do mundo faltou o pequeno Kalma, na Av. Antártida Argentina. Pequeno e discreto, mais dedicado à cozinha de autor, estava fechado para um evento no dia que escolhemos visitá-lo. Uma pena: na aparência parecia ir para o top 3 dos restaurantes de Ushuaia.

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El Chaltén, a capital argentina da caminhada

A 220 km de El Calafate, na Patagônia, fica um dos segredos mais bem guardados da Argentina. A cidade mais jovem do país, inaugurada em 1984, é hoje a capital nacional do Trekking. Perdida entre o lago Viedma e as montanhas, El Chatén é um charme. Não espere mais que uma centena de casas, a maioria também hospedaria ou restaurantes. Afinal, a cidade tem menos de mil habitantes. No verão (no inverno cai pela metade). A infra-estrutura, era de se esperar, não é das melhores, mas tem melhorado. Banco ainda não tem, mas em todos os lugares é possível pagar com moeda estrangeira e em alguns poucos até cartão de crédito. Internet já chegou, mas apenas por satélite e nos dias de pouco vento, o que é raro.

2012-04-03 13.37.50-1O acesso até o local, a partir de El Calafate, é fácil. Existem 6 ônibus diários, ao custo de 90 pesos (cerca de 40 reais) o trecho. A viagem dura 3 horas. De carro basta pegar a mítica rodovia 40 em El Calafate – a mesma que vai para o aeroporto e segue até Bariloche – e depois a 23, que termina em El Chaltén. Toda asfaltada, com retas de perder de vista, a viagem de carro é tranquila e agradável e pode ser feita em pouco mais de 2 horas – ou em muito mais tempo, caso deseje parar em todos os bons locais para fotos.

2012-04-03 16.53.30 HDR-1Mas afinal, o que tem pra fazer em El Chaltén? Caminhadas, e isso é motivo suficiente para levar centenas de turistas, de todas as idades, à cidade. A maioria delas parte de uma das duas avenidas do lugar (ambas apenas a continuação da rodovia e cortadas, no total , por dez ruas). É sair da pousada, entrar em um dos senderos, e caminhar floresta a dentro. As opções vão de pequenos trechos de 45 minutos em cada sentido – onde se alcança, por exemplo, o Mirador de Los Condores, de onde se tem uma boa vista panorâmica do lugarejo – a outras que pode durar várias horas e exigir que você acampe. Para que tiver ainda mais ânimo e experiência é possível também escalar o Fitz Roy, também chamado, na língua dos povos locais, de El Chaltén.

 

Optamos por uma caminhada considerada leve: durante 8 horas andamos por diferentes trilhas. Conhecemos lagos (como a Laguna Capri), vimos diferentes tipos de vegetação, animais e pássaros (incluindo o Pica-Pau Gigante de cabeça vermelha) e ainda a bela vista da montanha e geleiras. É preciso disposição, mas o passeio é recompensador. No total são 15 as opções de caminhadas, todas dentro do Parque Nacional Los Glaciares, bem sinalizadas e gratuitas. Para quem ainda quiser mais é possível ainda acessar, de carro, o Lago do Deserto (a 37 km da cidade) ou fazer trekking sobre o gelo.

2012-04-06 13.32.18-1onde se podem comprar suprimentos para os passeios) e apenas um supermercado, também na avenida principal, a San Martin. Para comer melhor o asador parrilla Mi Viejo serve o onipresente Cordero Patagônico, mas o destaque é o Ritual del Fuego, um bistrô com bons pratos, preço justo e atendimento atencioso. Os também ficam na San Martin.

Gelo, frio e caminhadas

Antes de chegar ao fim do mundo, passei alguns dias no estado de Santa Cruz, na patagônia argentina. Confesso: foi um erro de programação de viagem que me fez vir aqui antes, e não depois. Então fica a dica: se planeja combinar Ushuaia e El Calafate numa mesma viagem faça nessa ordem. Ushuaia antes, Calafate depois. Isso porque os voos seguem normalmente nessa e a viagem no sentido horário vai ser mais vantajosa. Veja: eu comprei um ticket Buenos Aires / Calafate via Ushuaia, operado pela Lan. Depois comprei um ticket da Lada de Calafate a Ushuaia e de novo um ticket Lan Ushuaia / Buenos Aires, desta vez via Calafate. Se tivesse feito o contrário teria voado apenas no confortável A320 da companhia chilena e economizado por baixo uns 300 reais por pessoa. (Tenho, porém, minha justificativa: quando comprei a passagem a Calafate, este era o único destino que tinha certeza que queria visitar. O segundo destino poderia ser Bariloche ou Ushuaia. Prevaleceu o segundo…).

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Quem vai a El Calafate vai por um único motivo: o Glacial Perito Moreno. É isto que movimenta a pequena cidade, de menos de 20 mil habitantes. Tudo gira em torno do gelo. Por aqui, a única produção são geléias e licores de calafate, o fruto silvestre que dá nome a cidade. Nada em escala industrial, nenhuma produção agrícola. Isto se reflete nos preços: espere pagar 20% ou 30% mais em alimentos, hotéis e compras locais. O custo, acredite, vale a pena.

2012-04-03 09.59.09 HDRSe localizar pela cidade é simples. O aeroporto é a 23km do centro e um taxi até seu hotel vai custar 120 pesos (algo como 50 reais). Se tiver sorte de pegar o motorista Santiago, ainda ganha uma aula sobre a região. Ex-guia, ele desfila como uma metralhadora verbal informações e dados durante todo o caminho. A avenida principal da cidade é a Libertador San Martin. Ali estão os principais pontos de interesse: bancos, alguns restaurantes, supermercados, lojas. De um lado você tem os montes e do outro o belo Lago Argentino (o maior lago inteiramente nacional, com uma superfície de quase 1500 metros quadrados, diria o Santiago).

2012-04-01 08.36.49São várias as opções de hospedagem na cidade. De simples albergues e hostals a bons e luxuosos hotéis. Eu optei pelo confortável e incrivelmente bem localizado Design Suite. Afastado do centro, com uma vista deslumbrante do lago, o hotel oferece transfers e muito conforto, com piscina aquecida, sauna e academia. O preço foi convidativo: cerca de 180 a diária para duas pessoas.

 

2012-04-01 16.07.21-1Mas quem vem a Calafate, como disse, vem por causa do Glacial. E são várias as formas de conhecê-lo. A mais simples é de taxi. Localizado a cerca de 80km da cidade, o Parque Nacional, onde o Glacial está localizado, é facilmente acessado. Um taxista vai te cobrar algo como 400 pesos pela viagem. O acesso ao parque te custa outros 70 pesos, cerca de 30 reais. Com isso você poderá passear pelas passarelas e ver e ouvir, de longe, o incrível bloco de gelo. Sim, ver e ouvir. Mais que a visão daquele gigante glacial a sua frente, o mais surpreendente em Perito Moreno é o som que o glacial faz. De tempos em tempos, estrondos, como tiros de canhão, cortam o ambiente. Em algum lugar, no interior talvez, blocos de gelo se desprendem com frequência, e tudo o que você pode sentir é o som.

Se quiser um encontro mais íntimo com o gelo a operadora Hielo y Aventura oferece passeios sobre o glacial. No MiniTrekking são 45 minutos de caminhada sobre o gelo. Já o BigIce te leva mais longe e por mais de 3 horas sobre o glacial, em mais de 5 horas de caminhada. No total, são quase 12 horas de passeio, contando o transfer até o parque, passeio de barco e a caminhada. Ao custo de 770 pesos (cerca de 300 reais) o BigIce é para que tem ânimo e disposição.

2012-04-01 16.55.17 HDR-1Para El Calafate, 3 noites de hotel bem programado são suficientes. É o bastante para passear pela cidade e fazer seu passeio pelo Glacial, seja a versão mais simples ou a mais radical. Se tiver mais um ou dois dias livres, a sugestão é alugar um carro, pegar a estrada e dirigir os 220 km até a pequena El Chaltén. É o que estou fazendo amanhã. Até lá.

 

 


Informações Básicas:
Como chegar: Lan e Aerolineas Argentinas operam voos a partir de Buenos Aires. É possível combinar com voos de Ushuaia.
Na chegada: O aeroporto fica a 23 km do centro da cidade. Taxis do aeroporto ao centro custam 120 pesos (cerca de 60 reais). É caro: no caminho inverso é possível pagar em torno de 90 pesos (R$40,00).
O que fazer: O Glacial Perito Moreno é a maior atração da cidade. A visita pode ser feita de carro ou em excursões. Fica a 80km da cidade. O Lago Argentino também vale a visita.
Onde comer: La Lechuzza é uma rede de pizzaria e restaurantes presentes em toda a cidade, assim como os restaurantes Casimiro Abreu. Para uma tradicional comida caseira procure o El Cucharón.
Onde hospedar: Vários hotéis e albergues mais em conta estão próximos ao centro. Aqueles em torno do lago são mais caros – e nem todos oferecem tansporte regulares.
Quando ir: A alta temporada vai de junho a abril. Para caminhadas, prefira os meses do verão (novembro a março). Depois da semana santa a cidade fica às moscas.

Circuito de Cafeterias 2011

Começa hoje e vai até o dia 24 de junho o Circuito de Cafeterias de 2011 de Belo Horizonte. O evento conta com 18 cafeterias da cidade, listadas abaixo. Para o participante, além de desgustar e conhecer os melhores cafés da cidade, existe o passaporte do café: com 10 cafeterias visitadas ele ganha um mug do evento.

Vale ressaltar também que as cafeterias participantes se comprometaram a doar o valor das vendas para instituições socias da cidade.

Anote aí os participantes:

3 Corações

Benvenuto Caffe

Café Book

Café com Letras

Café da Travessa

Café Kahlúa

Café Verdemar

California Coffee

Cappuccini

Chocoleio Café

Dia de Ler

Mineiriana

Mr. Black Café

Scada Café

Thé Caffe

Vanilla Caffè

Vianney

Villa Café

O evento vem se juntar a outras boas iniciativas gastronômicas na cidade, como o Comida di Buteco, o passaporte gastronômico Belvitur, o Paralela de Abril e o Restaurante Week, só pra citar alguns.

O novo passaporte gastronômico Belvitur já está nas ruas

Desde o início do mês que está valendo a 17ª edição do passaporte gastronômico da Belvitur. Desta vez são 27 restaurantes que fazem parte, sendo alguns os melhores da capital mineira.

As regras continuam as mesmas: é preciso preencher o verso do passaporte com seus dados, o passaporte não pode ser usado com outras promoções, bebidas e serviços não estão inclusos e muitos restaurantes participantes não aceitam a promoção no final de semana. Por outro lado é grande o número de restaurantes que agora aceitam o desconto também para almoço. O atual passaporte vale até dia 31 de agosto.

Veja a lista dos participantes:

68 La Pizzeria (pizzaria, dom-qua jantar)

A Favorita (variado, seg-ter jantar, sab almoço)

Albano’s (choperia, dom-ter jantar, dom almoço)

Alguidares (baiana, seg e sab jantar, ter-sex almoço)

B Bistrô (variado, ter-qui jantar, sab-dom almoço)

Bodega 361 (bistrô, qua-sab jantar)

Café do Museu (variado, ter-qui e dom jantar, qua-qui e sab almoço)

Chez Bastião (variado, ter-qui jamtar)

Domenico Pizzeria (pizzaria, seg-dom jantar)

Dona Lucinha II (seg-sab. jantar)

Dona Lucinha Matriz ( sex-dom. almoço)

Fabbrica Spaghetteria (seg-qui jantar)

Ficus (variado, ter-qui jantar)

Germano (choperia, dom-ter jantar, sab-dom almoço)

La Pasta Gialla (italiano, ter-sab jantar, sab almoço)

La Victoria (variado, qua-qui jantar, sab almoço)

L’Astigiano Ristorante (italiano, seg-sab. jantar)

L’Osteria Mattiazzi (italiano, ter-qui jantar)

O Dádiva (variado, dom-qua jantar, dom-qua almoço)

Osteria Degli Angeli (italiano, ter-sab jantar, sab almoço)

Parrilla del Mercado (carne, ter-qui, jantar)

Parrilla Diamond (carnes, seg-dom jantar)

Patuscada (variado, seg-sab. jantar)

Pichita Lanna (italiano, qua-qui jantar)

Porcão (carnes, seg-sab jantar)

Rokkon (japonesa, seg-qua jantar, seg-qua almoço)

Sakê (japonesa, seg-qua jantar, seg-dom almoço)

Sorriso (variado, seg-qua jantar, seg-qua almoço)

Splendido (variado, seg-sab. jantar, dom. almoço)

Taste Vin (francesa, seg-qua jantar)

Udon (japonesa, dom-ter jantar)

Vecchio Sogno (italiano, seg-qui jantar, sex e dom almoço)

Verde Gaio (portuguesa, ter-qui jantar)

Vinicius (pizzaria, seg, qua e dom jantar)

Vitelo’s (carne, qua-sex jantar, ter-qui almoço)

Agora fala: é ou não é uma ótima pedida pra quem se empaturrou de carne de sol no Comida di Buteco?

Moscou – dia 2

Quando eu escrevi, no post anterior, que Moscou era eu cidade que te cansava eu não tinha noção do que estava dizendo. Moscou não te cansa: te deixa em frangalhos. Desde que cheguei, a 4 dias, não consegui mais escrever. E não consegui ver metade do que havia me proposto. Ainda não entrei em nenhum museu, nem no Kremlin, e nem sei se vou conseguir. A sensação que se tem, viajando de uma estação a outra do metrô, é de uma viagem intermunicipal. O que, pelas minhas pesquisas, eu conseguiria fazer em uma tarde, eu gasto o dia inteiro. E mesmo assim deixo a metade sem ver (não confie no meu guia: ele se mostrou uma furada. Serve muito bem como referência dos lugares. Como guia de programação é inútil).

O que eu ainda não vi (e, acredito, não vou ver): o Winzavod, centro russo de arte contemporânea, a galeria Solyanka, cinco dos sete arranha-céus stalinistas, o Parque Victory, com seus tanques da segunda guerra mundial, Museu Pushkin… Em uma semana é impossível visitar todos estes lugares. Moscou precisa de tempo. E não é pouco…

No dia seguinte a nossa chegada visitamos, como escrevi, a Praça Vermelha, Lubyanka e o bairro de Kitay Gorod, ainda assim deixando algumas das atrações de fora. Outras, como o Bolshoi, estavam fechados para reforma e rendeu apenas algumas fotos na entrada.

No segundo dia fomos direto para o Jardim dos Monumentos Depostos, que fica no parque ao redor da Nova Galeria Tretyakov (são duas, igualmente grandes). O Jardim foi o lugar escolhido para se colocar as estátuas retiradas após a revolução russa. A elas foram se juntando trabalhos recentes de artistas russos. Dentre a centenas de obras, muitas são medíocres, mas o passeio vale a pena. A entrada para o parque é de graça, se você for russo. Na mínima desconfiança da sua nacionalidade você é cobrado em 100 rublos (cerca de 6 reais) por um ingresso (este é outro ponto interessante de Moscou: sendo nativo, muitas das atrações são gratuitas ou quase. Dos estrangeiros é normalmente cobrados mais caro em ingressos. Dica: faça uma carteira de estudante internacional, que te dá direito a significativos descontos em muitas atrações).

Jardim dos Monumentos Depostos

Lenin nos Jardim dos Monumentos Depostos

Passamos batidos pela galeria e seguimos para o vizinho Parque Gorky. O que costuma ser um dos lugares mais festivos de Moscou estava quase as moscas. As duas montanhas russas (sem trocadilhos, por favor) estavam fechadas e nem o foguete russo que nunca foi para o espaço e virou um cinema 4D, seja lá o que isso significa, funcionava.

Onibus Espacial

Sim, um ônibus espacial que virou cinema 4D (?)

O passeio, a pé, seguiu até a Stolle, lanchonete de tortas que, dizem, é imperdível. Discordo: qualquer viagem pode passar sem a visita a este lugar, seu serviço ruim e suas tortas secas e sem graça. Dos quase 10 sabores salgados no cardápio, apenas dois estavam disponíveis: coelho e repolho. Por motivos óbvios optei pelo primeiro, que se não é algo memorável, também não decepciona. Das doces escolhemos a de limão: amarga e intragável.

Já o convento de Novodevichy, que fica ali perto, vale a visita.

NovodevickyConstruído ainda no século XV, o lugar já foi um forte importante para a segurança da cidade, uma vez que fica numa das margens do rio Moscou. Patrimônio da Humanidade pela Unesco, ainda é possível assistir a belíssimas missas da Igreja Ortodoxa Russa no lugar. Vimos uma as 17h e é algo de uma força impressionante: todas as mulheres presentes com velas e a cabeça coberta, um coral com vozes femininas conduzindo a cerimônia todo o tempo, contrastando com a voz extremamente grave do celebrante. Mesmo sem entender uma palavra, exceto “amém” – que, creio, entendi por contexto, já que era repetida ao final de cada frase do celebrante – é de trazer lágrimas nos olhos. Ao lado do convento está o cemitério mais “pop” de Moscou, o similar russo ao Pere Lachese, provavelmente. Ali estão enterrados de Serguei Eiseinstein a Boris Yeltsin, num verdadeiro “quem é quem” das artes, política e ciência do país. Neste também não conseguimos entrar. E aqui fica o conselho: ao sair so convento, vire à direita para o cemitério. Caso contrário é uma caminhada quilométrica ao redor do prédio (agradável nos primeiros minutos, à margem do rio, terrível na segunda metade, perto de uma movimentada avenida).

De novo, chegar à estação de metrô mais próxima requer uma boa sola de sapato: dali iríamos para um parque ao lado da Universidade de onde se tem uma boa vista da cidade. Para se chegar até a Vorob’evy Gory (ou Sparrow Hills, a Colina dos Pardais) são duas opções de metrô: a primeira, e mais usada, é até a estação do mesmo nome, que fica sobre o rio Moscou. Daí até o ponto é uma caminhada pela mata morro acima (de novo, duas opções: o caminho normal, mais longo, mas acessível ou a “eco trail”, eufemismo para “atralho”, pelo meio do mato). A segunda opção é descer do metrô na estação Universitet e daí passar pelo prédio sede da universidade, um dos sete arranha-céus stanilistas. O caminho também é longo (ok, vou parar de dizer que tudo é longe…). Da Colina dos Pardais se tem, de um lado, Moscou (com o estádio em primeiro plano) e do outro a universidade.

universidade

A universidade de Moscou, um dos 7 arranha-céus de Stalin

Se não bastasse a maratona o primeiro dia ainda terminou com uma passada na Catedral de Cristo O Salvador e um jantar em restaurante de comida típica da Georgia. O lugar, por si só, é impressionante. Se chama Galereya Khudozhnikov (indispensável dizer que na fachada vai estar grifado de forma completamente diferente) e fica anexo a uma galeria de arte. O restaurante é formado por cinco salões decorados com motivos típicos e tanto o serviço quanto a apresentação são divinos. Posso estar puxando a sardinha pro nosso lado mas achei a comida do lugar com um quê de mineira. Primeiro, porque a coisa mais típica de lá é um pão de queijo. Não como o nosso: o khachapuri (que em kartuli, a língua deles, significa justamente pão de queijo) é uma espécie de pizza, recheada e coberta com um queijo branco e suave, quase uma mussarela. É delicioso.

khachapuri

Khachapur: o pão de queijo da Georgia


E segundo, porque meu prato principal foi uma carne de porco com batata, coisa bem mineira, chamado objakhuri. Alê optou por um kharcho pomengrelski, uma mistura de porco e boi num rico molho de nozes e adjika. Bom, mas pesado. E concordo: nada de mineiro nisso, mas tanto o pão quanto o outro prato poderiam se passar por coisa nossa.

Ezio Pellizon na L’Osteria Mattiazzi

O L’Osteria Mattiazzi, no tradicional bairro de Santa Efigênia, é um dos restaurantes mais queridos de BH. Especializado em comida italiana, é comandado pelo chef Massimo Battaglini.

Os Pratos da Boa Lembrança na entrada do L’Osteria

Nascido em Veneza, Massimo faz parte daquele famoso grupo do “fui pro Brasil, conheci uma brasileira, me apaixonei e resolvi ficar”. E no ficar, Massimo resolveu transportar para o restaurante o clima de sua terra natal.

Detalhe do segundo salão do L’Osteria Mattiazzi

Em pouco mais de 10 anos o chef se tornou um dos nomes mais respeitados e conhecidos na cidade. Seu jeito descolado e despojado, unido a uma boa conversa e muito talento ajudaram a transformaram o lugar, que saltou de meia dúzia de mesas para dois salões de tamanho agradável e um público cativo e fiel. Outro fator importante na divulgação do L’Osteria é o constante envolvimento de Massimo com festivais gastronômicos e na divulgação da culinária na cidade.

A adega do L’Osteria e a chamada para o festival veneziano

Nesta quarta e quinta, por exemplo, Massimo convidou seu amigo e colega Ezio Pellizon, também de Veneza, para um banquete tipicamente veneziano em seu seu restaurante. Fui lá conferir.

De aperitivo o público é brindado com um Lagostim “em saor” e mexilhões gratinados. Simples, de sabor suave, o prato forrava o estômago pro festival de sabores que viria a seguir. Pra não perder nenhum dos pratos preparados (foram duas opções de cada entrada, primeiro e segundo pratos) a solução foi ir dividir o pedido entre as pessoas na mesa e ir trocando de pratos durante a noite.

Aperitivo

Das duas entradas (saladinha de camarão com arpargos marinados ou tortinha de repolho sobre creme de moranga) preferi, surpreendentemente, a segunda. Achei que seria uma bobagem. Afinal, tirando o chucrute, e mesmo assim poucos, difícil achar uma receita onde o repolho caia bem. E nesta caiu. O sabor se transforma. A salada de camarão, apesar de bonita, com uma flor capuchinho no topo, era sem graça.

Entrada: tortinha de repolho sobre creme de moranga

No primeiro prato de novo uma surpresa. Fã de sardinhas, acreditava que na briga entre um spaghettoni com creme de sardinhas ao sal grosso e um nhoque de ricota com vieiras e rúcula silvestre o primeiro sairia vencedor de lambuja. Ledo engano. O nhoque derretia na boca, as vieiras estavam no ponto certo e o spaghetti com sardinhas, apesar de ótimo, perdeu a posição.

Como segundo prato as opções se dividiam entre um tamboril e um filé com alcachofra, ambos à moda veneziana. A briga, mais uma vez, foi difícil. Tudo no ponto certo, o tempero intocável, a carne naquele vermelho que te faz salivar, o espinafre que acompanhava o peixe fresco e suculento… Não consegui, até agora, escolher o melhor.

Pra encerrar um semifreddo com crocante e creme de chocolate belga, que só não foi completamente devorado porque já me sentia farto com tanta coisa boa.

Sobremesa: semifreddo com crocante e creme de chocolate belga

Apesar do preço salgado (R$140,00 por pessoa, que se tornava ainda mais incomodo ao se somar a este valor as bebidas) o jantar foi compensador: boa comida, boa conversa e ambiente agradável.