Timing

O que é o timing, não é mesmo? Até ontem essa foto aí em cima, que hoje é de Aya Sofia e da Mesquita Azul, onde estou no momento, era da Catedral de São Basílico, em Moscou, onde estive anteriormente. Ficou esse tempo todo lá. Logo hoje, que resolvi homenagear Istanbul, vejo o Doodle da igreja ortodoxa russa.

Perdi o timing. De novo.

Doodle

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Por trás dos muros do Kremlin

Deixamos para voltar à Praça Vermelha apenas no último dia de viagem. Desde que chegamos ela vinha, aos poucos, se transformando, ganhando arquibancadas e decoração especial. Começou então a fazer sucesso todo o processo de reforma e facelift que a região vinha passando: aquilo tudo era para sair bonito nas fotos e vídeos que todos os jornais e tvs do mundo, sem contar os zilhões de turistas, iriam fazer na parada militar do dia 9 de maio, daqui a duas semanas.

 

Fomos direto visitar o Kremlin, a fortaleza sede do governo russo. Como no lugar ainda funciona o Palácio do governo, além de algumas catedrais e um museu, a visita requer alguns cuidados. Primeiro, porque os ingressos para o Armoury, museu que guarda boa parte da história da aristocracia russa. O prédio é dividido em salões, onde é possível ver roupas, armaduras, jóias (incluindo uma sala de diamantes), objetos pessoais e carruagens usados pelos líderes do país entre séculos XV e XVIII, são vendidos apenas para sessões com horários fixos, às 10h, 12h, 14h30 e 16h30. A sala dos diamantes, entretanto, fica fechada entre 13h e 14h. As vendas se encerram cerca de 45 minutos antes de cada horário. Como o lugar é dos pontos mais visitados na cidade, é recomendado chegar cedo (as filas são quase sempre gigantes).

Outro ponto que é preciso ficar atento: teoricamente, bolsas e máquinas fotográficas não são admitidos (é preciso passar por detectores de metal na entrada). Entretanto, basta passar os portões para dar de cara com um bando de japoneses e suas Canons e Nikons fotografando cada detalhe do lugar. Dica: não faça como nós, que deixamos a câmera e mochilas no guarda volume. Tente entrar e só abra mão das suas fotos se for barrado. Mesmo assim ainda é possível registrar o momento com seu celular…

Os ingressos para visitar os jardins e as igrejas do Kremlin custam 350 rublos. Para o museu são outros 700 rublos. Com uma carteira de estudante internacional esse valor cai significativamente, para 100 e 200 rublos, respectivamente (na Rússia, com carteira de estudante, meia vale mais que a metade… Imagina se os produtores de show no Brasil descobrem isso e passam a superfaturar, ainda mais, os preços dos ingressos?)

Se vale gastar os R$65,00 para a visita? Claro que vale. Você está em Moscou, visitar o lugar é uma obrigação. Mais saiba que nenhuma das igrejas é tão bonita quanto São Basílico.

Se a manhã foi dedicada ao lado histórico de Moscou, o final da tarde (depois de uma almoço rápido na Gum, onde existe um bom restaurante self service que, ao contrário do My-My serve comida decente e barata) foi reservado para visitar o Winzavod, centro de arte contemporânea que exibe o que há de mais moderno do país. Montado nas instalações de uma vinícula o lugar abriga uma dezena de galerias, lojas, cafés e ateliês. Mas deixamos para visitar o lugar numa segunda, quando muitas das galerias estão fechadas.

Chegar ao Winzavod me trouxe, pela última vez na viagem, uma sensação que se repetiu durante toda a semana. Chegar à estação do metrô, mesmo com toda a complexidade da língua, é fácil e no segundo dia você já domina o sistema. No entanto, quando se sai da estação, é que os problemas começam: onde estou? Como pode ser aqui, neste lugar, o que estou procurando? Pra que lado eu vou? Como eu chego lá? Foi assim no mercado de Izmaylovo, no Parque de Tsaritsyno, no gigante prédio da Universidade e mesmo na Praça Vermelha. Moscou é tão vasta, tudo é tão longe, que a sensação que se tem, o tempo todo, é que você está é perdido (o que, muitas vezes, não foi mentira).

E no retorno para o hotel, pegando o metrô pela última vez (depois do perrengue da chegada e com as malas carregadas optamos pelo taxi), e desta vez em horário de pique, com as estações abarrotadas de gente, eu ficava pensando sobre a cidade. O metrô, com suas escadas rolantes intermináveis, sua beleza imponente mais repressora e seus alto-falantes constantemente dando ordens e informações, talvez seja a coisa mais “comunista” que eu tenha vivido. Pensava que mesmo com a Perestroika, a abertura econômica, a separação dos países e a democracia, que Moscou ainda seja um lugar completamente diferente do mundo que estamos acostumados. Pensava no quanto a presença de Stalin, Lenin, Trotsky havia influenciado o jeito daquelas pessoas com as quais eu cruzava todos os dias na rua, no metrô, nos pontos turísticos. E se os outros turistas que estavam ali também pensavam isso ou se Moscou, afinal, não havia se tornado apenas um destino “exótico” de férias. Conclusões? Nenhuma. A única é que eu quero voltar aqui um dia, certamente para alguma cidade do interior da Rússia, ou para algum país da antiga URSS. Se aqui é assim, imagina no Cazaquistão?

Direto ao assunto

Kremlin
* metrô para a estação Ploshchad Revolyutsii
* 700 rublos para Armoury e 350 para o resto
* visitas ao Armoury com horário marcado, as 10h, 12h, 14h30 e 16h30
* ignore os avisos de proibição de máquinas fotográficas

Winzavod
* metrô para a estação Chkalovskaya
* cento de arte conteporânea instalado em uma antiga vinícula
* galerias, lojas, ateliês, café
* fecha as segundas

Cinco negócios em Moscou cujos donos devem ter falido

Cinco negócios em Moscou cujos donos devem ter falido:

1. Lava-jato: a relação do povo russo com seu carro é muito diferente da nossa. Carro ali é pra usar e pronto. Cuidar, como nós brasileiros cuidamos, não está nos planos. Água os coitados não veem nunca: não importa se é um velho Lada ou uma BMW novinha, os carros russos são sempre muito sujos, com uma camada de terra e barro sobre toda a lateria. No máximo o dono se encarrega em tirar a poeira em volta das maçanetas.

2. Escola de Finos Tratos: o campo parece promissor, mas o povo russo simplesmente não liga pro que você fala ou vai pensar. Conversam com você em russo e não ligam se você não entende a língua: eles não estão nem aí mesmo. Em qualquer lugar onde existe uma aglomeração de pessoas (no metrô, por exemplo) os empurra-empurra é generalizado. Cortesia e gentileza passam longe.

3. Fábrica de gelo: Mesmo que o calor esteja em quase 20 graus e o sol ardendo, bebida gelada é raridade. Não importa se é cerveja, água com gás ou refrigerante, elas continuam vindo à sua mesa na temperatura ambiente. Agora fala: tem coisa pioor que água com gás sem gelo?Ah neim…

4. Tradutor: placas, sinalizações, cartazes, indicações, visitas guiadas, tudo em Moscou é só em russo. Em pontos com grande concetração de turistas ainda é possível encontrar o textos em uma língua que se aproxima do inglês, mas no geral se você não entende cirílico, a coisa complica.

5. Alcoolatras Anônimos: sabe a história que russo bebe muito? É verdade. Praticamente todo dia vimos alguém escornado em ponto de ônibus, na calçada, na fonte do VDNKh.

Mercado de Izmaylovo e rua Arbat: onde os turistas se encontram

Existem dois lugares em Moscou, além do Kremlin, onde você vai certamente esbarrar com um grande número de turistas: o Mercado de Izmaylovo e a rua Arbat. Estes foram os dois lugares que visitamos no quarto dia viagem.

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Em teoria, chegar até a mercado de Izmaylovo não é complicado. Como qualquer outro destino em Moscou basta entrar em qualquer estação de metrô, seguir as placas até a sua linha (no caso, a linha 3, azul escuro) e continuar nela até seu destino. O problema é que para o mercado de Izmaylovo seu ponto final não é a estação de Izmaylovskaya, como se poderia imaginar (e que já li em alguns guias). O melhor é descer na estação anterior, Partizanskaya. Isso porque, pelo que entendi, até pouco tempo atrás seu nome era, na verdade, Izmaylovsky Park. A mudança e os dois nomes para uma mesma estação deixam alguns turistas perdidos (encontramos brasileiros que não encontraram o mercado) mas não impede que outros tantos cheguem àquele que, dizem, é o melhor lugar para se comprar matrioskas em Moscou.

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Vizinho ao parque de mesmo nome, o Mercado de Izmaylovo é um misto de feira de antiguidades e artesanato. São dezenas de barracas próximas a prédios que reproduzem antigas habitações russas, que vendem tudo aquilo que você associa ao país: chapéus tradicionais, memorabilia da segunda guerra, bottons do comunismo, posteres construtivistas, ovos pintados e claro, bonecas matrioskas (algumas bem elaboradas, outras feitas, como dizemos, nas coxas). Nas barracas que ficam no nível da rua estão os produtos mais artesanais. Subindo as escadas no final da feira se chega à seção de antiguidades, onde é possível encontrar belas fotos antigas, discos russos de 78rpm e muita buginganga. Negociar é permitido e incentivado: na maioria dos quiosques se consegue um bom desconto nos produtos. Os melhores dias são os finais de semana, onde todos os expositores estão presentes e se cobra uma entrada simbólica de 10 rublos, mas também nos outros dias é possível visitar o Mercado de Izmaylovo.

 

IsamaylovoDaí seguimos à Rua Arbat. Na região central, não muito longe da Praça Vermelha (a estação Arbatskaya está a uma parada da Plotschad Revolyutsii), a rua Arbat é das mais antigas de Moscou e, sem dúvidas, a que atrai mais turistas. Com o trânsito exclusivo para pedrestres, os poucos quarteirões são recheados de lojas de souvenirs e filiais de cafeterias e lanchonetes e tem o mesmo charme e qualquer outro calçadão no mundo, seja a Las Ramblas, em Barcelona ou a Rua Halfeld, em Juiz de Fora (convenhamos: rua de pedestres é muito agradável. Deveríamos ter mais calçadões no Brasil). Comparado com o Mercado, os preços da Arbat são salgados: duas vezes mais caros ou mais,

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Resolvemos tentar um restaurante do Uzbequistão ali perto que era sugerido pelo Lonely Planet, mas estava fechado. A opção foi, então, almoçar no My-My (ou Mu-Mu, que é como se lê). O lugar era citado em vários dos guias que tinha pesquisado, quase sempre com a mesma descrição: cadeia de restaurante self service (na verdade, mais ou menos: o sistema está mais pro nosso bandeijão, onde você escolhe as opções e alguém te serve), barato e com vários endereços na cidade. O que os guias não contaram é que a comida parece de avião, sem textura ou sabor. E que o preço é barato sim, mas que vale mais a pena encontrar um bom lugar com almoço executivo (sai a mesma coisa). Se quiser fugir do lugar, é fácil: as lojas tem pinturas malhadas e impreterivelmente uma escultura de vaca, sempre montada por turistas, na porta.

Claro que este não foi o único dia que fomos ao Mercado de Izmaylovo: no dia seguinte Alê se deu conta de que o preço das bonecas era sim conveniente (em torno de R$6,00 as pequenas, com 5 bonecas em cada) e que mais algumas amigos e parentes mereciam ganhar a lembrança. Dali, devidamente abastecidos de matrioskas, tentamos, de novo, almoçar em um restaurante típico do Uzbequistão, que também estava fechado (alguma coisa relacionada com a Páscoa, talvez já que estava sendo comemorada naquele dia). A solução foi tentar o restaurante ao lado, chamado Sol Branco do Deserto. Também de comida Uzbeca (existe esse termo?) o lugar é guardado por soldados em uniformes do país. Extremamente decorado, o Sol Branco, vi depois, teve o nome e a decoração inspirados em um filme russo.

Além dos pratos típicos do Uzbequistão, o lugar tem também comida árabe e russa. E trabalha com dois sistemas: um buffet de saladas e pastas frias típicas ou este buffet e mais um prato principal e sobremesa. Os preços? 1300 e 2200 rublos por pessoa, respectivamente (R$80,00 e R$140,00 aproximadamente). Devíamos ter percebido que a quantidade de BMW e Audi na porta já antecipava o que nos esperava… Sem olhar o cardápio, Alê optou por beber um suco. De morango. Natural. A surpresa veio quando resolvemos checar o preço: só 950 rublos. Ou R$60,00. Mas estava ótimo, ela disse. A comida? Confesso que fiquei com um gosto estranho na boca depois de saber o preço do suco, mas o preço suco virou nossa segunda moeda em Moscou: “quanto custa isso? 800 rublos? Só? É mais barato que um suco de morango…” Cuidado, por tanto, com o que for pedir (e lembre-se de olhar os preços antes).

 

IMG_2246O dia terminou com um passeio no estranho (mas fascinante) VDNKh. O lugar abriga mais de 70 pavilhões celebrando todas as conquistas e tradições russas além de parque de diversões e o Museu das Conquistas do Espaço. Ali é possível ver cenários que reproduzem interior do país, ver um foguete de verdade ou assistir a um filme 5D (pois é…). Num domingo de Páscoa o lugar fervilhava. A impressão que se tinha era que pelo menos um terço dos 13 milhões de habitantes de Moscou estava ali. Todos com seus patins, bicicletas, pernas de pau, monociclos, skates e o que mais desse na telha, aproveitando um dia de calor torrencial: 16 graus.

 

IMG_2183Direto ao assunto

Mercado de Izmaylovo
* metrô para a estação Partizanskaya
* bom lugar para compra de souvenirs e lembranças
* melhor visitar nos finais de semana
* entrada: 10 rublos (R$0,50)

Arbat
* metrô para a estação Arbatskaya
* rua turística, com várias (e caras) lojas de souvenir

Sol Branco do Deserto
* restaurante de comida típica do Uzbequistão

VDNKh
* metrô para a estação VDNKh
* mais de 70 prédios mostando as conquistas do povo russo
* Museu das Conquistas do Espaço
* parque de diversões, no melhor sentido da palavra

Moscou: Umas coisas que deixei de dizer

Deixei algumas coisas passar em branco no relato do primeiro dia. Terminei o texto com a Praça Vermelha e outros locais simplesmente ficaram de fora.

O Bolshoi, por exemplo, também foi visitado neste dia. Aliás, tentamos visitar. Assim como boa parte da cidade o teatro está fechado para reformas e só deve reabrir em outubro. É possível fazer fotos na fachada do prédio, mas para assistir àquela versão do Quebra-Nozes que você queria será preciso se contentar com outro teatro (são vários nas proximidades da estação Teatral’naya).

Bem ao lado do Bolshoi, do outro lado da rua que passa à direita, está a Tsum, talvez uma das lojas de departamento mais caras de todo o mundo. Não necessariamente de bom gosto, as peças de estilistas famosos e preços superfaturados se esparramam por seis andares. Os dois prédios não ficam longe da Praça Vermelha.

Visite o ponto turístico mais famoso de metrô também a noite. O lugar se transforma com as luzes na Gum, na Catedral, no Museu e no Kremlin.