Sydney no aperto – O que fazer

Esta é a quarta parte da série sobre Sydney no Aperto. Como curtir uma das cidades mais caras do mundo sem muito dinheiro? As três primeiras partes, sobre passaporte e visto, a viagem e transporte estão aqui, aqui e aqui.

Você chegou à Austrália. A grana tá curta, mas pelo menos você está aqui. E agora? O que fazer pra curtir a cidade sem gastar os tubos?

Felizmente alguns dos melhores passeios de Sydney são gratuitos ou custam pouco. Por exemplo: você já comprou o seu passe semanal de transporte, certo? A melhor vista da cidade é justamente das balsas. Vá a Manly e volte no final do dia para ter uma visão inesquecível do skyline de Sydney, por exemplo. Quem sabe você não encontra uma baleia ou golfinhos no caminho?

Outro passeio imperdível é a caminhada de Bondi a Bronte. O passeio dura cerca de 2 horas e percorre cerca de 6km. A vista é inesquecível e se você estiver visitando entre outubro e novembro, pode ainda apreciar a Sculptures by the Sea, uma mostra de esculturas que acontece no percurso. Infelizmente a caminhada não é aconselhada para pessoas com dificuldades de locomoção.

Outros passeios e caminhadas pela orla garante bons ângulos para fotos e cenários cinematográficos. De Manly à Spit Bridge, por exemplo. É mais puxado que o de Bondi à Bronte, mas particularmente é o meu predileto. Vale o esforço, eu garanto.

Museus gratuitos. A qualquer dia

Algo mais cultural? Os melhores museus de Sydney não custam um centavo. Amantes de arte moderna e contemporânea tem no MCA – Museum of Contemporary Art um paraíso. Fica em Circular Quay e além de uma ótima coleção permanente tem sempre mostras exclusivas: de 15 de novembro a 23 de fevereiro de 2013, por exemplo, abriga a maior retrospectiva de Yoko Ono.

Outro imperdível – e gratuito – é o NSW Art Gallery. Localizado bem no centro da cidade, na entrada para o Royal Botanic Gardens, tem uma excelente coleção de arte moderna australiana. A entrada é gratuita todos os dias e nas quartas fica aberto até as 10 da noite. É imperdível.

Para quem quer conhecer um pouco da história de Sydney a Government House – sede do governo local, mas que na prática funciona como museu e local para recepções formais – está a poucos metros da Opera House e também é gratuita. Funciona sextas, sábados e domingos, mas vale checar antes se não estará fechada para eventos. O castelo, dentro do Botanic Gardens, guarda uma boa coleção de artes e a tour dá boa dicas sobre a colonização do local.

Outra dica para quem quer saber sobre a história da cidade é o The Rocks Discovery Museum. A poucos metros do MCA, fica no histórico the Rocks, o primeiro bairro da Austrália (e onde você pode visitar os pubs mais antigos…).

Amantes de fotos vão gostar do Australian Centre for Photography. Também gratuito, tem mostras permanentes e exposições temporárias.

Não curte fotos mas ama barcos? Vá então para Darling Harbour e visite o Maritime Museum. Outro bom museu (hey, você pode entrar em um submarino!) gratuito.

Mais uma opção para quem curte arte são as diversas galerias espalhadas pela cidade, sobretudo em Surry Hills e Darlinghurst. Uma ótima oportunidade pra conhecer um pouco da produção contemporânea de Sydney – e, quem sabe, comprar um quadro por uma pechincha e que daqui a alguns anos vai valer alguns milhões?

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Sydney no aperto

2013-07-22 18.47.11Então você decidiu vir passear na Austrália. Aproveitou aquela mega promoção que você viu no Melhores Destinos e descolou uma passagem São Paulo/Sydney/São Paulo pelo mesmo preço de uma passagem pra Miami. Mas depois que você  digitou os números do seu cartão de crédito na página da companhia aérea e foi procurar o que fazer na cidade, viu que ela é uma das mais caras do mundo.

E agora?

Agora você descobriu esse post e eu vou te ajudar a aproveitar a cidade, mesmo no aperto.

Antes das dicas, vamos a algumas coisas práticas. Como chegar ao outro lado do mundo?

Você já tem a passagem e seu passaporte está emitido e válido. Agora é tirar o visto e cuidar da burocracia. Vamos a um passo a passo.

1. Passaporte

Se seu passaporte está pra vencer (com menos de 6 meses, como recomendado para a maioria dos países) e você vai tirar o visto australiano, FAÇA O NOVO PASSAPORTE ANTES DE EMITIR O VISTO. Isso porque a Austrália não emite mais um visto físico, impresso no passaporte, como os EUA. É tudo eletrônico: o seu visto é associado a seu passaporte. Se você usar o número de um passaporte antigo para emitir o visto e quando viajar usar um novo passaporte, é como se você não tivesse o visto. E você não vai entrar no país (não, não adianta viajar com os dois passaportes, o novo e o antigo…) Essa é a primeira dica.

2. Visto

Existem dezenas de tipos de vistos para entrar na Austrália. Pra ser mais preciso, são 88 tipos de vistos diferentes. Tudo é centralizado no site da Imigração Australiana. Se você é brasileiro e está vindo a passeio seu visto é o subclass 676. O processo para a emissão, apesar de burocrático, é rápido. Desde março de 2013 tudo é feito online, e na maioria dos casos sem necessidade de viagem, entrevista, foto, nada. Para aplicar é só entrar neste site e seguir as instruções, em inglês.

O valor do visto é AU$130 (cerca de R$275,00) e o visto é válido por um ano. No entanto a estadia máxima no país é de 3 meses. O visto também dá direito a fazer cursos rápidos de até 90 dias e você é proibido de fazer qualquer atividade remunerada. O processo é rápido: o visto da minha esposa demorou menos de 24 horas. O meu, como já tinha várias entradas no país e já tive diferentes tipos de vistos, demorou um pouco mais: três dias. 

A confirmação de seu visto é simplesmente um email da Imigração (o remetente aparece como eVisa.676.Helpdesk) com o título Visa Grant Notification SEU NOME e o seu número de aplicação. Pronto. Imprima uma cópia deste email para sua segurança (ou faça como eu: salve um arquivo PDF em seu Dropbox) e comece a pensar na viagem.

3. Vacinas

Quase tudo pronto: só mais um detalhe antes de você entrar no avião. A Austrália exige vacina de febre amarela para entrar no país. Não é algo 100% obrigatório, mas é altamente recomendado. Caso você não tenha o comprovante vai amargar muitas horas na quarentena em sua chegada…

O que você precisa fazer?

1. Se você não tiver um cartão de vacinação que comprove que tomou a vacina nos últimos 10 anos, procure um posto de saúde, tome a vacina e pegue seu cartão de vacinação (sim, aquele que a gente usa quando é criança). Dica: a vacina tem que ser tomada pelo menos 10 dias antes da sua viagem.

2. Com o seu cartão de vacinação e um documento de identidade procure um escritório da Anvisa. Eles irão emitir pra você o Certificado Internacional de Vacinação,um documento amarelo, do tamanho do seu passaporte. A emissão é gratuita.  É esse documento que você precisa apresentar na chegada à Austrália. Só isso e o passaporte, mais nada (não, você não precisa apresentar o email com a comprovação do visto).

Na segunda parte do posto te dou algumas dicas para a longa viagem e na chegada ao país.

 

It’s the End of World (as We Know It)

A primeira e mais importante coisa que você precisa saber a respeito de Ushuaia: aqui o tempo muda o tempo todo. Chuva, frio, vento, neve, sol, tudo pode acontecer no mesmo dia, quase sempre ao mesmo tempo. O que não muda nunca é o frio. Ou como diz uma piada local: em Ushuaia não é sempre assim. Existem um ou dois dias no ano onde ele dá uma trégua.

O que traz turistas de tudo quanto é lugar a este (literalmente) fim de mundo é justamente isso: o desejo ir o mais longe possível. Depois de Ushuaia só a Antártida, que está mais perto daqui do que El Calafate (aliás, se estiver pensando em fazer a viagem, este é o ponto de partida ideal. A partir de Ushuaia são 10 dias de passeio – três de ida, três de volta – e o pacote sai por volta de 4000 dólares, as vezes menos).

2012-04-07 10.50.57-1Capital da Província da Terra do Fogo (e das Malvinas, apesar da ilha ser inglesa), Ushuaia não passa de uma pequena cidade com poucos mais de 30 mil habitantes. Orientar-se por ela é fácil: ao sul está o porto e o Canal de Beagle, de onde saem os barcos. Ali também fica o aeroporto. Ao norte as montanhas sempre nevadas e o Glaciar Martial. Ao leste está a única estrada de acesso à cidade, que te leva a Tolhuin e dali a Rio Grande, através da Rodovia 3. E a oeste está o Parque Nacional do Fim do Mundo.

 

2012-04-07 11.39.38-1A primeira coisa a se fazer quando chegar na cidade é procurar o centro de informações na Av. Maipu, ao lado do porto. Com uma equipe atenciosa, eles irão te dar todas as informações necessárias para a sua viagem. Ali também é possível carimbar, gratuitamente, o seu passaporte com a estampa da cidade. É uma babagem, mas quem não quer ter o carimbo do fim do mundo no passaporte?

Ao lado do Centro de Informações saem os passeios mais procurados em Ushuaia: a navegação pelo Canal de Beagle. Com preços variando entre 200 e 385 pesos (R$90,00 a R$170,00) o que difere entre eles é o tempo e o destino do passeios. As mais baratas duram em torno de 2,5 horas e te levam exclusivamente ao Farol Les Eclaireurs e a duas pequenas ilhas, habitadas por lobos marinhos e aves locais. Com mais meia hora e 50 pesos é possível conseguir uma embarcação menor, chegar mais perto dos animais e ainda caminhar pelas Ilhas Bridges. Aumente outra meia hora e mais 50 pesos e os barcos te levam mais distante, até a Ilha H. Quer ver pinguins? Separe 5,5 horas e trezentos pesos e os barcos te levam até eles. Quer caminhar junto com as simpáticas aves? Então o seu pacote vai custar, além de 385 pesos, passeio de ônibus até a Fazenda Harbeton – a primeira na região; o ticket de entrada na fazenda e o passeio de barco, em total de 6 horas. Apesar disso a empresa que opera exclusivamente o circuito, a Piratour, não garante a visibilidade dos bichos, uma vez que no inverno as aves migram. Todos os passeios saem pela manhã e a tarde.

 

O segundo passeio obrigatório na cidade é a visita ao Parque Nacional. Também da Av. Maipu, a uma quadra do Centro de Informações, saem as vans que te levam ao Parque. O custo, ida e volta, é de 85 pesos (37 reais), além de 60 pesos de entada no Parque para brasileiros (R$26,00).

 

2012-04-03 16.53.11 HDR-1Por fim o terceiro passeio é ao Glaciar Martial. A partir do centro é possível pegar um taxi até a base da montanha (40 pesos) e dali acessar o ponto mais alto de teleférico (50 pesos). No inverno o local é ponto de esqui e no verão, caminhadas.

Com mais tempo é possível também visitar a cidade vizinha de Tolhuin e os lagos Escondido e Fagnano. Com mais tempo e disposição é possível fazer esse mesmo passeio em um 4×4 entre a vegetação e geleiras – conhecemos um brasileiro na viagem que fez e disse ser sensacional.

 

2012-04-08 11.57.14-1Fora os passeios, a cidade pouco reserva: uma rua principal chamada (adivinha?) San Martin, quase sempre engarrafada nos horários de pico; algumas poucas lojas de souviniers, outro tanto de artigos de inverno e alguns bons restaurantes que vale a pena visitar.

Ushuaia – Onde e O Que Comer

Ushuaia não é uma cidade barata – mas nem por isso você deve se privar de visitar os bons restaurantes da região. O destaque, aqui, são os frutos do mar, sobretudo a Centolla, ou caranguejo gigante. Presente em quase todos os cardápios, ela divide o posto de estrela local com a Merluza Negra (ou Sea Bass), um peixe de carne muito branca e saborosa. Some a isso o cordeiro e você tem a base de quase todos os restaurantes locais. O que difere entre eles é o cuidado na apresentação e o serviço. Mesmo os preços pouco diferem: tanto um quanto outro em torno de 100 pesos (45 reais) o prato.

No centro, o Almacén de Ramos Generales é o mais descontraído. Mais para wine bar que restaurante, serve também café da manhã e tem apresentações musicais às sextas. Vale a visita para ver a decoração descolada e tomar a cerveja local: a degustação, com três taças (trigo, Ale e Negra) custa 30 pesos.

2012-04-07 23.11.45Também na região central, o Maria Lola é despretencioso e quase sempre cheio. Tem bons pratos, carta de vinho decente e a melhor (e mais cara) merluza, acompanhada de centolla, polvo mexilhão. Um abuso.

Um pouco mais afastado, mas ainda acessível a pé – ele fica a 4 quadras da Avenida principal, no alto de um morro – o Kaupé é eleito por muitos o melhor da cidade, mas o que esbanja é mal gosto na decoração e pretensão na elaboração. O serviço é atencioso – as vezes até demais – mas os pratos não diferem dos outros citados aqui. De cardápio pequeno e enxuto, o destaque são os frutos do mar. Eu já disse que a decoração é um equívoco?

 

2012-04-07 21.19.32Para visitar o melhor restaurante da cidade é preciso ir de taxi. No caminho para o teleférico, o Chez Manu ganha dos concorrentes em tudo: atendimento na medida certa, pratos excepcionais, vista maravilhosa e decoração de bom gosto. Os 60 pesos extras do transporte valem a pena. Nossas entradas – uma sopa de cebola gratinada e um prato de frutos do mar defumados no próprio restaurante – estavam perfeitos. Os principais – uma centolla gratinada e um cordeiro cozido com vegetais por 8 horas – inesquecíveis. Vale a visita.

 

Na lista dos melhores restaurantes do fim do mundo faltou o pequeno Kalma, na Av. Antártida Argentina. Pequeno e discreto, mais dedicado à cozinha de autor, estava fechado para um evento no dia que escolhemos visitá-lo. Uma pena: na aparência parecia ir para o top 3 dos restaurantes de Ushuaia.

El Chaltén, a capital argentina da caminhada

A 220 km de El Calafate, na Patagônia, fica um dos segredos mais bem guardados da Argentina. A cidade mais jovem do país, inaugurada em 1984, é hoje a capital nacional do Trekking. Perdida entre o lago Viedma e as montanhas, El Chatén é um charme. Não espere mais que uma centena de casas, a maioria também hospedaria ou restaurantes. Afinal, a cidade tem menos de mil habitantes. No verão (no inverno cai pela metade). A infra-estrutura, era de se esperar, não é das melhores, mas tem melhorado. Banco ainda não tem, mas em todos os lugares é possível pagar com moeda estrangeira e em alguns poucos até cartão de crédito. Internet já chegou, mas apenas por satélite e nos dias de pouco vento, o que é raro.

2012-04-03 13.37.50-1O acesso até o local, a partir de El Calafate, é fácil. Existem 6 ônibus diários, ao custo de 90 pesos (cerca de 40 reais) o trecho. A viagem dura 3 horas. De carro basta pegar a mítica rodovia 40 em El Calafate – a mesma que vai para o aeroporto e segue até Bariloche – e depois a 23, que termina em El Chaltén. Toda asfaltada, com retas de perder de vista, a viagem de carro é tranquila e agradável e pode ser feita em pouco mais de 2 horas – ou em muito mais tempo, caso deseje parar em todos os bons locais para fotos.

2012-04-03 16.53.30 HDR-1Mas afinal, o que tem pra fazer em El Chaltén? Caminhadas, e isso é motivo suficiente para levar centenas de turistas, de todas as idades, à cidade. A maioria delas parte de uma das duas avenidas do lugar (ambas apenas a continuação da rodovia e cortadas, no total , por dez ruas). É sair da pousada, entrar em um dos senderos, e caminhar floresta a dentro. As opções vão de pequenos trechos de 45 minutos em cada sentido – onde se alcança, por exemplo, o Mirador de Los Condores, de onde se tem uma boa vista panorâmica do lugarejo – a outras que pode durar várias horas e exigir que você acampe. Para que tiver ainda mais ânimo e experiência é possível também escalar o Fitz Roy, também chamado, na língua dos povos locais, de El Chaltén.

 

Optamos por uma caminhada considerada leve: durante 8 horas andamos por diferentes trilhas. Conhecemos lagos (como a Laguna Capri), vimos diferentes tipos de vegetação, animais e pássaros (incluindo o Pica-Pau Gigante de cabeça vermelha) e ainda a bela vista da montanha e geleiras. É preciso disposição, mas o passeio é recompensador. No total são 15 as opções de caminhadas, todas dentro do Parque Nacional Los Glaciares, bem sinalizadas e gratuitas. Para quem ainda quiser mais é possível ainda acessar, de carro, o Lago do Deserto (a 37 km da cidade) ou fazer trekking sobre o gelo.

2012-04-06 13.32.18-1onde se podem comprar suprimentos para os passeios) e apenas um supermercado, também na avenida principal, a San Martin. Para comer melhor o asador parrilla Mi Viejo serve o onipresente Cordero Patagônico, mas o destaque é o Ritual del Fuego, um bistrô com bons pratos, preço justo e atendimento atencioso. Os também ficam na San Martin.

Gelo, frio e caminhadas

Antes de chegar ao fim do mundo, passei alguns dias no estado de Santa Cruz, na patagônia argentina. Confesso: foi um erro de programação de viagem que me fez vir aqui antes, e não depois. Então fica a dica: se planeja combinar Ushuaia e El Calafate numa mesma viagem faça nessa ordem. Ushuaia antes, Calafate depois. Isso porque os voos seguem normalmente nessa e a viagem no sentido horário vai ser mais vantajosa. Veja: eu comprei um ticket Buenos Aires / Calafate via Ushuaia, operado pela Lan. Depois comprei um ticket da Lada de Calafate a Ushuaia e de novo um ticket Lan Ushuaia / Buenos Aires, desta vez via Calafate. Se tivesse feito o contrário teria voado apenas no confortável A320 da companhia chilena e economizado por baixo uns 300 reais por pessoa. (Tenho, porém, minha justificativa: quando comprei a passagem a Calafate, este era o único destino que tinha certeza que queria visitar. O segundo destino poderia ser Bariloche ou Ushuaia. Prevaleceu o segundo…).

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Quem vai a El Calafate vai por um único motivo: o Glacial Perito Moreno. É isto que movimenta a pequena cidade, de menos de 20 mil habitantes. Tudo gira em torno do gelo. Por aqui, a única produção são geléias e licores de calafate, o fruto silvestre que dá nome a cidade. Nada em escala industrial, nenhuma produção agrícola. Isto se reflete nos preços: espere pagar 20% ou 30% mais em alimentos, hotéis e compras locais. O custo, acredite, vale a pena.

2012-04-03 09.59.09 HDRSe localizar pela cidade é simples. O aeroporto é a 23km do centro e um taxi até seu hotel vai custar 120 pesos (algo como 50 reais). Se tiver sorte de pegar o motorista Santiago, ainda ganha uma aula sobre a região. Ex-guia, ele desfila como uma metralhadora verbal informações e dados durante todo o caminho. A avenida principal da cidade é a Libertador San Martin. Ali estão os principais pontos de interesse: bancos, alguns restaurantes, supermercados, lojas. De um lado você tem os montes e do outro o belo Lago Argentino (o maior lago inteiramente nacional, com uma superfície de quase 1500 metros quadrados, diria o Santiago).

2012-04-01 08.36.49São várias as opções de hospedagem na cidade. De simples albergues e hostals a bons e luxuosos hotéis. Eu optei pelo confortável e incrivelmente bem localizado Design Suite. Afastado do centro, com uma vista deslumbrante do lago, o hotel oferece transfers e muito conforto, com piscina aquecida, sauna e academia. O preço foi convidativo: cerca de 180 a diária para duas pessoas.

 

2012-04-01 16.07.21-1Mas quem vem a Calafate, como disse, vem por causa do Glacial. E são várias as formas de conhecê-lo. A mais simples é de taxi. Localizado a cerca de 80km da cidade, o Parque Nacional, onde o Glacial está localizado, é facilmente acessado. Um taxista vai te cobrar algo como 400 pesos pela viagem. O acesso ao parque te custa outros 70 pesos, cerca de 30 reais. Com isso você poderá passear pelas passarelas e ver e ouvir, de longe, o incrível bloco de gelo. Sim, ver e ouvir. Mais que a visão daquele gigante glacial a sua frente, o mais surpreendente em Perito Moreno é o som que o glacial faz. De tempos em tempos, estrondos, como tiros de canhão, cortam o ambiente. Em algum lugar, no interior talvez, blocos de gelo se desprendem com frequência, e tudo o que você pode sentir é o som.

Se quiser um encontro mais íntimo com o gelo a operadora Hielo y Aventura oferece passeios sobre o glacial. No MiniTrekking são 45 minutos de caminhada sobre o gelo. Já o BigIce te leva mais longe e por mais de 3 horas sobre o glacial, em mais de 5 horas de caminhada. No total, são quase 12 horas de passeio, contando o transfer até o parque, passeio de barco e a caminhada. Ao custo de 770 pesos (cerca de 300 reais) o BigIce é para que tem ânimo e disposição.

2012-04-01 16.55.17 HDR-1Para El Calafate, 3 noites de hotel bem programado são suficientes. É o bastante para passear pela cidade e fazer seu passeio pelo Glacial, seja a versão mais simples ou a mais radical. Se tiver mais um ou dois dias livres, a sugestão é alugar um carro, pegar a estrada e dirigir os 220 km até a pequena El Chaltén. É o que estou fazendo amanhã. Até lá.

 

 


Informações Básicas:
Como chegar: Lan e Aerolineas Argentinas operam voos a partir de Buenos Aires. É possível combinar com voos de Ushuaia.
Na chegada: O aeroporto fica a 23 km do centro da cidade. Taxis do aeroporto ao centro custam 120 pesos (cerca de 60 reais). É caro: no caminho inverso é possível pagar em torno de 90 pesos (R$40,00).
O que fazer: O Glacial Perito Moreno é a maior atração da cidade. A visita pode ser feita de carro ou em excursões. Fica a 80km da cidade. O Lago Argentino também vale a visita.
Onde comer: La Lechuzza é uma rede de pizzaria e restaurantes presentes em toda a cidade, assim como os restaurantes Casimiro Abreu. Para uma tradicional comida caseira procure o El Cucharón.
Onde hospedar: Vários hotéis e albergues mais em conta estão próximos ao centro. Aqueles em torno do lago são mais caros – e nem todos oferecem tansporte regulares.
Quando ir: A alta temporada vai de junho a abril. Para caminhadas, prefira os meses do verão (novembro a março). Depois da semana santa a cidade fica às moscas.

Mykonos no verão: a festa nunca termina (24 hours party people)

São quase três da manhã e música alta e dançante sai de dentro de todas as casas. Andar pelas pequenas vielas de pedra é difícil, devido ao grande número de pessoas. A maioria é jovem, com menos de 30 anos, exibindo corpos bronzeados pelo sol do mediterrâneo. Muitos são gays, homens e mulheres. Caminhando por entre eles também estão famílias, crianças e idosos. O clima é alegre e divertido e a animação, parece, não vai acabar antes do próximo nascer do sol.

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Estou em Mykonos, a mais conhecida e anima das dezenas de ilhas gregas. De novo, minha estada aqui não vai passar de 24 horas e tento conciliar um pouco de diversão a reuniões de negócios e visitas técnicas.
Muitos dos turistas que invadem a ilha no verão – a população local, de cerca de 5000 pessoas, cresce para 30 mil nos meses de julho e agosto – chegam a Mykonos nos transatlânticos que ancoram aqui por um dia apenas. Os turistas chegam pela manhã, passeiam pelas vielas, compram algum souvenir grego e no dia seguinte estão em outra ilha. A maioria, entretanto, vem mesmo pela festa. Mykonos é pura curtição. À noite, Little Venice, um dos cartões postais do lugar – um grupo de casas que tem balcões voltando para o por do sol – virá o lugar da balada, com os bares servindo drinks saborosos à base de mastiha, a bebida local, feita de um planta que só cresce em uma das ilhas da região. A programação é tão intensa que alguns dos top DJs do mundo – Nick Warren, Paul Van Dyk – se revezam dia após dia.
Conhecer a vila principal de Mykonos não tem mistério. Se você chegar de barco vai desembarcar no novo porto, a cinco minutos a oeste do centro. De avião (de Atenas até aqui é pouco mais de meia hora, com aterrisagens e decolagens quase sempre turbulentas, por causa dos ventos locais) você desce no aeroporto, também cinco minutos ao norte. Uma vez no centro é só seguir o fluxo, se perder em meio à multidão e descobrir o que a cidade tem para oferecer. A vista e o por do sol é a melhor coisa, te garanto. As casinhas brancas com janelas e portas azuis, típicas de lá, se iluminam no final do dia. O melhor lugar para apreciar isto é de perto dos moinhos de vento. Você irá reconhece-los. Outro ponto da cidade que você vai cruzar é a praça principal (ou praça dos taxis, já que abriga o único ponto e todos os 20 carros de aluguel, que brigam por espaço nas vielas com turistas e scooters). É nas proximidades da praça que estão a maioria das lojas. De novo, a dica: se perca pelas vielas.
Mas a cidade é a parte urbana de Mykonos. Fora dali, a uma curta distância de carro ou moto ue você pode alugar na cidade, se espalham 33 praias com aquela água de um azul tão intenso que só o Mediterrâneo pode te oferecer. Mesmo que você esteja em um cruzeiro e vá ficar ali só por um dia, vale o esforço da visita.

Vá preparado: Mykonos não é uma cidade barata. O hotel onde fiquei foi o mais barato que encontrei e custou 150 euros a diária. Era pequeno, afastado do centro, mas charmoso e bem cuidado (recomendo o hotel: o nome é Princess of Mykonos). Um almoço na praia para três pessoas saiu também este valor e o único consumo de álcool foi de uma única cerveja. Em termos de comparação, no Best Western de Atenas a diária foi de 60 euros e os almoços não saíram mais que 25 por pessoa. Mas não deixe isto te desanimar: a Mykonos é única e não há preço que pague estar ali. Mesmo que por apenas 24 horas.

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Uma ou duas coisas sobre Atenas


24 horas não é suficiente para conhecer nenhuma cidade do mundo. Mesmo se seu destino for Congonhas ou Jericoacara, 24 horas vão te deixar com aquela sensação de “devo estar deixando algo pra trás” ou “aposto que quando chegar em casa vou descobrir algo que deveria ter visto”. Pois bem. 24 horas era o tempo que eu tinha em Atenas, a capital grega. Com um agravante: havia passado outras 24 horas entre aeroportos e aviões, num voo que tinha saído de Belo Horizonte e feito escala em São Paulo e Munique, na Alemanha. E, dentro das 24 horas, eu ainda tinha uma reunião, o real motivo de estar aqui. Portanto, uma ou duas coisas sobre Atenas é tudo o que tenho a dizer.
Primeiro: a chegada ao país, depois que você já está na Europa, é tranquila. Nada de alfândega, passaporte, documentos. Você desce do avião, pega sua mala e já sai na área comum do aeroporto, sem nenhum stress. Melhor: o aeroporto oferece uma hora de conexão grátis à Internet. Nada daquela burrocracia da Infraero que te dá 15 minutos num conexão horrorosa, com um cadastro ainda pior (já viu isso, né? Para ganhar seus 15 minutos você precisa pegar seu cartão de embarque e apresentá-lo no guichê de informações. Depois de anotar seus dados o funcionário te entrega, junto ao carimbo na passagem, um cartão com seu código. Você então entra na rede, faz seu cadastro completo – nome, cpf, endereço, data de nascimento… – e volta à pàgina principal, onde tem que achar o link para os 15 minutos e, aí sim, finalmente entrar com seu login e senha e ganhar seu tempo. Tudo complicado e em português apenas. Dica: use seu tempo para criticar a própria Infraero… Voltando à conexão no Aeroporto de Atenas: você conecta à rede e clica em 60 minutes free. Pronto. Está online…
Taxis do aeroporto à cidade custam 35 euros e a viagem de 40km leva em torno de 30 minutos. Onibus também estão disponíveis.
O essencial de Atenas é, sem dúvidas, Acrópolis.

Em um dos pontos mais altos da cidade, é lá que se encontra o Paternon e outros templos. Os ingressos, vendidos na porta, custam 12 euros e é bo guardá-los, já que te dão direito a outras seis atrações turísticas na cidade: Ancient Agora, Teatro dionísios, Roman Agora, Kerameikos, Templo de Zeus e a Biblioteca de Hadrian. Apesar de fascinante – a reação é a mesma que tive quando visitei Macchu Pichu: por que diabos esse povo resolveu criar uma cidade aqui, no alto nessa montanha? E como os caras fizeram pra construir tudo isso naquele tempo? Quantas pessoas já passaram por esses mesmos caminhos que estou passando? – a visita a Acrópolis é um tanto quanto monótona. Caso não seja um aficcionado por história, vai achar o tempo gasto entendiante. A vista, entretanto, é ótima. Quase completamente plana, é possível ver a cidade em 360 graus do alto do morro. Reserve uma hora ou mais para o passeio.
Aos pés de Acrópolis está Plaka, a cidade antiga. Se perder pelas vielas e descobrir os restaurantes, igrejas e atrações também vai te tomar umas duas horas ou mais. Na minha caminhada me deparei com um restaurante chamado Exoaapxeio (ok, não era Exoaapxeio, mas não tenho o nome aqui agora. Fica na rua Tripodon, numa esquina) e a placa dizia que era o mais restaurante familiar de Atenas, na ativa desde 1935.

Parecia que queriam deixar o lado familiar bem claro: o garçon, depois de colocar uma garrafa de água na minha mesa, parou o serviço – o local estava lotado – para montar o brinquedo da filha. Outro, de fraldas, corria por ali. O dono discutia com a esposa e quando pedi o cardápio ele me trouxe uma bandeja com 15 opções e disse: “olha, o que tem é isso aí. Você escolhe 2 pratos, paga 14 euros e ganha a sobremesa. Vai querer o quê?” Direto e sem paciência. A comida, a mesma que estava na bandeja – no tempo que estive no restaurante vi o dono, sempre ele, fazer o mesmo com outros turistas que tiveram todos a mesma reação de surpresa que eu – é boa, e o que ele não diz e só descobri depois foi que, além da comida, os 14 euros incluem, também, a garrafa de água e uma jarra de vinho.
Também obrigatório e facilmente coberto no pouco tempo disponível é a visita ao monte Lycabettus, o ponto mais alto da cidade. O que vale aqui também é a vista, mas no topo tem uma igreja, um café, propriamente batizado de Horizontes, e uma arena em estilo grego (claro…) que abriga shows e espetáculos. O lugar é acessível a pé, em cerca de meia hora de caminhada morro acima, ou de bondinho.
E completa o roteiro das 24 horas o bairro de Kolonaki, nas proximidades do Monte Lycabettus. Centralizado na praça de mesmo nome, Kolonaki é o lugar para ver e ser visto. Entre Emporios Armani e Zegnas, executivos, socialities e turistas se misturam nos vários cafés da região. Meus contatos gregos me indicaram o Da Capo, na esquina da praça com a rua Tsakalof. No estilo pague-e-pegue, me servi de um sanduíche e um ótimo expresso duplo, suficientes para o resto do dia.
O que mais eu aprendi sobre Athenas e os gregos, nas poucas horas por aqui: o povo é direto, sem lengas-lengas. No hotel, cheguei, fiz meu check in e perguntei pro atendente o que eu poderia fazer no meu pouco tempo livre na cidade. “Faz o seguinte: sobe pro seu quarto e quando você for sair eu te falo”, foi a resposta. Em Kolonaki entrei em uma loja de facas e coisas pra casa. O diálogo foi mais ou menos assim: “Posso te ajudar?” Não, só tô olhando. É que eu gosto de cozinhar… ” Então olha, mas saiba que aqui só tem coisa cara, de primeira…” Aprendi que os motoristas turcos não são de respeitar as leis de trânsito, que motos se dividem basicamente entre scooters e grandes BMWs de mais de 1000 cilindradas e que, apesar de ser lei, ninguém usa capacete (e os policiais não estão nem aí). Aprendi, também, que gregos não se dão muito bem com turcos. Tudo por causa de Istanbul, a antiga Constantinopla – ou AINDA Constantinopla segundo eles – que foi fundada por um grego e, ainda segundo eles, pertence à Grécia (“um dia ainda vamos tomar de volta”, foi o que me disse um motorista de taxi…). e aprendi que a língua grega, guarda semelhanças com o italiano quando falada, por causa da origem latina. Mas que ler o que está escrito ali está além das minhas capacidades.