Istanbul: dois continentes, duas cidades

A primeira coisa que você precisa saber sobre Istanbul – e provavelmente já sabe – é que ela é a única cidade no mundo que fica em dois continentes. Uma parte dela (aquela onde estão as principais atrações e onde você provavelmente vai ficar hospedado) é na Europa. A maior parte da cidade, entretanto, fica em continente asiático. O que separa Asia e Europa é um trecho de mar chamado Bósforo. Antes dele, ainda em continente europeu, existe outro rio de água salgada que separa a Istanbul antiga da nova. E aí existe uma outra divisão na cidade. Sair de Sultanahmet, a cidade antiga e entrar em Beyoglu e Taksim, os bairros principais da nova Istanbul, é viajar no tempo dentro de uma mesma cidade.

Istanbul - Mini

Na moderna Istanbul, o policiamento é feito em Mini Coopers…

Durante a semana que passei em Istanbul, vistando os principais hotéis, atrações e centro de convenções para servirem de cenário para um evento que irá acontecer na cidade em dois meses, pude constar rapidamente a diferença. Primeiro, as vielas milenares de Sultanahmet, onde taxistas exageram no uso de buzinas na tentativa de conseguir espaço onde, aparentemente, o carro não passaria, dão lugar a avenidas de mão dupla, asfaltadas e com canteiros centrais (as buzinas, no entanto, continuam a todo o vapor). Depois, os prédios pequenos e os hotéis com meia dúzia de quartos dão lugar a modernos edifícios de dezenas de lugares e hotéis cinco estrelas com quatro centenas de habitações.

Pasaji

Fachada de prédio comercial na região de Beyoglu

Mas a mudança mais significativa acontece a noite. Enquanto Sultanahmet é um mar de tranquilidade, com quase nenhuma movimentação nas ruas, em Beyoglu a coisa está fervendo. Foi assim que vi que Istanbul não só está em dois continentes: ela é duas cidades. Esqueça os muçulmanos ortodoxos que você viu na Mesquita Azul. Esqueça os véus, as burcas, as barbas. Esqueça os cantos chamando para os cultos de tempos em tempos e as lojas de pashminas e tapetes nas ruas e nos mercados. Em Beyoglu o que existe é uma cidade moderna, pulsante, cosmopolita, que não dorme.

Para conhece este outro lado pegue um taxi até Taksim Square. Ali começa Istiklal Cad (a avenida Istiklal), uma rua de pedestres que mesmo (ou principalmente) durante a noite fica super movimentada. Mesmo as 10 da noite as lojas – filiais de Gap, Mango, Lacoste, Diesel, além de lojas de eletrônicos, livrarias, lojas de discos e diversos cafés – estão abertas. Nas ruas, a caminhada de uma multidão é atrapalhada apenas pelo simpático bondinho que cruza o calçadão em sentido à estação de Tunel (onde você pode pegar outro para chegar à cidade antiga). Na caminha pela Istiklal Cad é possível ouvir não os cantos convocando para as orações, mas música eletrônica saindo de várias das vielas que a cortam. Cruzo a rua procurando pela 360, um bar/restaurante que me foi indicado por todos os amigos que já estiveram na cidade.

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O simpático Tram que parte da praça Taksim

Quando chego na frente do número indicado – o 311 – o que vejo é um prédio comum na região: histórico, mas sem grandes atrativos. A certeza que é ali só vem quando vejo uma placs discreta, com o número que da nome ao lugar pintado em verde sobre um pedaço de vidro transparente. Tento subir atéo oitavo andar, onde ficar o bar, sem sucesso: o elevador só vai até sexto. Depois de passar pelo sempre presente detector se metais – desde a invasão do Swissotel, 5 anos antes, eles são presença certa em qualquer lugar que reúna mais que um grupo de amigos tomando chá-e subir mais dois lances de escada, encontro um local que, após a meia noite, deixa de lado a cara comportada de restaurante de comida internacional com influências asiática e vira uma danceteria onde tudo pode acontecer. Uma saxofonista entrar pelo salão tocando “Lady”? Rolou. Uma mulher gato literalmenre subindo pelas paredes? Também. Outra garota despencando de panos no teto? Teve… 360, o nome do lugar, vem da vista privilegiada, de onde é possível ver quase toda a cidade. Mas se você bobear pode ser o valor pago por cada pessoa ao final da noite, que você não vê passar. Além da excelente comida, a carta de vinhos é bem cuidada e os drinques (R$25,00 cada) são excelentes.

Surpreso com a movimentação da região, na manhã seguinte – estava de folga, já que os trabalhos tinham terminado e precisaria estar no aeroporto antes das 4 da tarde – resolvi voltar, para ver como era aquilo durante o dia. Com um calor que beirava os 40, Istklal fervia. A multidão nas ruas era similar a da noite anterior. Para o almoço a pedida foi o simpático Instituto de Culinária de Istanbul, ali perto. Como um Senai, a cozinha é comandada por estudantes de gastronomia e o resultado, barato e gratificante.

Istanbul - ICI

O charmoso restaurante do Instituto de Culinária de Istanbul

Taksim, o bairro vizinho, é o centro econômico de Istanbul. É ali que estão bancos e empresas. É. O local, também, das companhias aéreas, o que quer dizer que pode ser que você encontre uma boa promoção.

Ao final, a sensação é que Istanbul não fica apenas em dois continentes. É, também, duas cidades: uma tranquila e antiga, outra moderna e vibrante. Vale a pena conhecer as duas, sem restrições.

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Istanbul – as principais atrações

São cinco da manhã em Istanbul, onze da noite no Brasil. Cansei de travar uma briga injusta com meu jet leg e subi para o restaurante do hotel. Ainda é noite, as luzes das mesquitas ainda estão acessas, mas daqui a pouco menos de uma hora o sol vai nascer. Quando vi ele se pondo ontem, já quase nove da noite, calculei que iria nascer em algum lugar entre a Mesquita Azul e Aya Sofia, minhas duas vizinhas famosas aqui no hotel. Quando, às 5h57 ele aparece, fico inquieto: não sei se olho diretamente ou pelo visor da câmera. Ao mesmo tempo um misto de emoção e cansaço surgem no meu peito e lágrimas começam a cair. Estou sozinho no terraço e deixo o sentimento tomar conta.

Aya Sofia

O nascer do Sol em Istanbul: é ou não é de chorar?

O sol aparece bem atrás de Aya Sofia, o maior e mais bonito dos dois prédios. Ontem, depois das 24 horas de viagem, cheguei no hotel, tomei um banho e fui direto visita-la. O prédio, que já foi igreja católica e mesquita, é hoje um museu. A História está presente em cada uma das imensas pedras de granito do lugar. O prédio atual é o terceiro erguido no mesmo lugar e data de século VI. Mais impressionante que sua imensa, gigantesca, inacreditável cúpula sem uma única pilastra sequer – a Mesquita Azul, também aqui perto, é pelo menos 1000 anos mais nova, menor e mesmo assim é sustentada por quatro – é imaginar a construção dessa gigante em apenas 5 anos em uma época em que Brasil nem do mapa constava.

Aya Sofia

Aya Sofia por dentro: mais de mil anos de história.

A Mesquita Azul, minha outra vizinha, fica a menos de 50 metros do hotel. Ao contrário de Aya Sofia, que cobra 20 liras de ingresso, a entrada aqui é livre, desde que respeitadas as normas religiosas – pés descalços e mulheres com os ombros cobertos, basicamente. Dentro as pessoas aguardavam o início do culto sentadas no chão, indifentes às dezenas de turistas que entravam e saíam. O primeiro contato digamos, íntimos com minhas vizinhas foi rápido e prazeroso: o cansaço da viagem começa a tomar conta – não durmi um minuto sequer voo – e naquele momento tudo o que queria era algumas horas de sono.

IMG_3798Combinei com minha companheira de viagem de tomar café logo cedo. Assim teríamos tempo pra visitar o Gran Bazar, que fica a 15 minutos de caminhada do Hotel, antes dos trabalhos começarem. Sabri, nosso parceiro para a realização do evento iria nos encontrar apenas as 10h, assim poderíamos passar pouco mais de uma hora perdidos em meio as mais de 5 mil lojas do bazar. Encontramos as portas principais ainda fechadas, mas com uma volta no quarteirão achamos uma secundária, usada sobretudo pelos funcionários do lugar e pelos moradores locais. Apesar de curioso, o bazar é um pouco frustante. As centenas de lojas se dividem entre as de pashminas, de bugingangas, de bijouterias, de tapetes, de couro e objetos de decoração, todas muito parecidas entre si.

Até a forma de abordagem dos vendedores é parecida: primeiro chutam a sua nacionalidade com uma margem de acerto impressionante (nem eu nem minha companheira de viagem somos os típicos brasileiros. Mesmo no Brasil, na praia, eu me passo facilmente por gringo. Minha companheira, loira e de pele muito clara, poderia ser facilmente trocada por holandesa ou americana): diria que das 100 abordagem que sofremos pelos menos umas 70 foram com “brasilero? Botarde! Eo sô brasilero tambiém!”. Depois disso querem te mostrar toda a loja. Os preços começam duas vezes ou mais o valor pelo qual pode ser vendido mas pode terminar sendo seu pelo preço que você achar que vale. Exemplo? Duas pashminas que eram oferecidas a 50 e 90 liras (o mesmo em reais, aproximadamente) no final custaram 50. As duas.

Mercado das Especiarias

Mercado das Especiarias: se você gosta de cozinhar, aqui é o paraíso

Mas se você mostrar real interesse em alguma coisa, quando se dá conta já está tomando um chá com o vendedor. Quando a venda chega neste ponto, meu amigo, você é capaz de comprar a tenda inteira. Aconteceu comigo, no Mercado das Especiarias, onde conseguimos passar no final do dia.

Um parêntesis pra contar sobre o trabalho por aqui. Ele consiste, basicamente, em visitar locais possíveis para a realização do evento, em outubro. Isso quer dizer que passo o dia visitando hotéis, centro de convenções e espaços onde caibam os 600 convidados que estarão na cidade. Podem não ser muitos, mas aqui em Istanbul tive que fazer uma pré-seleção e limitar estes locais a uma dúzia. Os dispensados logo de cara, sem a visita, foram aqueles que não tinham a data disponível ou que ficavam longe de onde os convidados estarão hospedados. E mesmo durante a visita alguns lugares são eliminados rapidamente, seja por não permitir o consumo de bebidas alcóolicas, seja por não serem convenientes para o evento. Binbirdirek Cistern, por exemplo, é maravilhoso: tem 168o anos de idade. Mas quase o mesmo tanto de colunasll… As visitas técnicas são ótimas para conhecer a cidade por um outro ponto de vista. Mesmo Fernando, nosso guia, não conhecia algum dos lugares que visitamos.

Cisterns

240 colunas nas antigas cisternas de Istanbul

De volta ao Mercado das Especiarias. Passamos por lá no final do dia e conseguimos pegar as lojas ainda abertas. Em forma de L, menor e mais simpático que o Gran Bazar, aqui também é possível encontrar as mesmas pashminas e bugingangas do outro, mas o destaque são os temperos. E foi por isso que vim. Mas quando me vi tomando um chá de romã que simplesmente não tem explicação, o suor começou a escorrer pelo meu rosto e eu pedi ao vendedor para ver os chás, além de todos os temperos que eu já havia selecionado, senti que estava indo por um caminho sem volta. E quando, para fechar o pacote, levei um graminha do açafrão mais caro do lugar, vi que tinha passado do limite. Mas como resistir àquela infinidade de aromas, cores, sabores, misturas? Como não comprar anis estrelado, cardamomo, chá de jasmin ou aquele chá de romã que até agora tenho na lembrança? Não tem jeito. Mas talvez comprar como um pouco menos, e não os dois quilos (e 350 liras) de condimentos…

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Por trás dos muros do Kremlin

Deixamos para voltar à Praça Vermelha apenas no último dia de viagem. Desde que chegamos ela vinha, aos poucos, se transformando, ganhando arquibancadas e decoração especial. Começou então a fazer sucesso todo o processo de reforma e facelift que a região vinha passando: aquilo tudo era para sair bonito nas fotos e vídeos que todos os jornais e tvs do mundo, sem contar os zilhões de turistas, iriam fazer na parada militar do dia 9 de maio, daqui a duas semanas.

 

Fomos direto visitar o Kremlin, a fortaleza sede do governo russo. Como no lugar ainda funciona o Palácio do governo, além de algumas catedrais e um museu, a visita requer alguns cuidados. Primeiro, porque os ingressos para o Armoury, museu que guarda boa parte da história da aristocracia russa. O prédio é dividido em salões, onde é possível ver roupas, armaduras, jóias (incluindo uma sala de diamantes), objetos pessoais e carruagens usados pelos líderes do país entre séculos XV e XVIII, são vendidos apenas para sessões com horários fixos, às 10h, 12h, 14h30 e 16h30. A sala dos diamantes, entretanto, fica fechada entre 13h e 14h. As vendas se encerram cerca de 45 minutos antes de cada horário. Como o lugar é dos pontos mais visitados na cidade, é recomendado chegar cedo (as filas são quase sempre gigantes).

Outro ponto que é preciso ficar atento: teoricamente, bolsas e máquinas fotográficas não são admitidos (é preciso passar por detectores de metal na entrada). Entretanto, basta passar os portões para dar de cara com um bando de japoneses e suas Canons e Nikons fotografando cada detalhe do lugar. Dica: não faça como nós, que deixamos a câmera e mochilas no guarda volume. Tente entrar e só abra mão das suas fotos se for barrado. Mesmo assim ainda é possível registrar o momento com seu celular…

Os ingressos para visitar os jardins e as igrejas do Kremlin custam 350 rublos. Para o museu são outros 700 rublos. Com uma carteira de estudante internacional esse valor cai significativamente, para 100 e 200 rublos, respectivamente (na Rússia, com carteira de estudante, meia vale mais que a metade… Imagina se os produtores de show no Brasil descobrem isso e passam a superfaturar, ainda mais, os preços dos ingressos?)

Se vale gastar os R$65,00 para a visita? Claro que vale. Você está em Moscou, visitar o lugar é uma obrigação. Mais saiba que nenhuma das igrejas é tão bonita quanto São Basílico.

Se a manhã foi dedicada ao lado histórico de Moscou, o final da tarde (depois de uma almoço rápido na Gum, onde existe um bom restaurante self service que, ao contrário do My-My serve comida decente e barata) foi reservado para visitar o Winzavod, centro de arte contemporânea que exibe o que há de mais moderno do país. Montado nas instalações de uma vinícula o lugar abriga uma dezena de galerias, lojas, cafés e ateliês. Mas deixamos para visitar o lugar numa segunda, quando muitas das galerias estão fechadas.

Chegar ao Winzavod me trouxe, pela última vez na viagem, uma sensação que se repetiu durante toda a semana. Chegar à estação do metrô, mesmo com toda a complexidade da língua, é fácil e no segundo dia você já domina o sistema. No entanto, quando se sai da estação, é que os problemas começam: onde estou? Como pode ser aqui, neste lugar, o que estou procurando? Pra que lado eu vou? Como eu chego lá? Foi assim no mercado de Izmaylovo, no Parque de Tsaritsyno, no gigante prédio da Universidade e mesmo na Praça Vermelha. Moscou é tão vasta, tudo é tão longe, que a sensação que se tem, o tempo todo, é que você está é perdido (o que, muitas vezes, não foi mentira).

E no retorno para o hotel, pegando o metrô pela última vez (depois do perrengue da chegada e com as malas carregadas optamos pelo taxi), e desta vez em horário de pique, com as estações abarrotadas de gente, eu ficava pensando sobre a cidade. O metrô, com suas escadas rolantes intermináveis, sua beleza imponente mais repressora e seus alto-falantes constantemente dando ordens e informações, talvez seja a coisa mais “comunista” que eu tenha vivido. Pensava que mesmo com a Perestroika, a abertura econômica, a separação dos países e a democracia, que Moscou ainda seja um lugar completamente diferente do mundo que estamos acostumados. Pensava no quanto a presença de Stalin, Lenin, Trotsky havia influenciado o jeito daquelas pessoas com as quais eu cruzava todos os dias na rua, no metrô, nos pontos turísticos. E se os outros turistas que estavam ali também pensavam isso ou se Moscou, afinal, não havia se tornado apenas um destino “exótico” de férias. Conclusões? Nenhuma. A única é que eu quero voltar aqui um dia, certamente para alguma cidade do interior da Rússia, ou para algum país da antiga URSS. Se aqui é assim, imagina no Cazaquistão?

Direto ao assunto

Kremlin
* metrô para a estação Ploshchad Revolyutsii
* 700 rublos para Armoury e 350 para o resto
* visitas ao Armoury com horário marcado, as 10h, 12h, 14h30 e 16h30
* ignore os avisos de proibição de máquinas fotográficas

Winzavod
* metrô para a estação Chkalovskaya
* cento de arte conteporânea instalado em uma antiga vinícula
* galerias, lojas, ateliês, café
* fecha as segundas

Mercado de Izmaylovo e rua Arbat: onde os turistas se encontram

Existem dois lugares em Moscou, além do Kremlin, onde você vai certamente esbarrar com um grande número de turistas: o Mercado de Izmaylovo e a rua Arbat. Estes foram os dois lugares que visitamos no quarto dia viagem.

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Em teoria, chegar até a mercado de Izmaylovo não é complicado. Como qualquer outro destino em Moscou basta entrar em qualquer estação de metrô, seguir as placas até a sua linha (no caso, a linha 3, azul escuro) e continuar nela até seu destino. O problema é que para o mercado de Izmaylovo seu ponto final não é a estação de Izmaylovskaya, como se poderia imaginar (e que já li em alguns guias). O melhor é descer na estação anterior, Partizanskaya. Isso porque, pelo que entendi, até pouco tempo atrás seu nome era, na verdade, Izmaylovsky Park. A mudança e os dois nomes para uma mesma estação deixam alguns turistas perdidos (encontramos brasileiros que não encontraram o mercado) mas não impede que outros tantos cheguem àquele que, dizem, é o melhor lugar para se comprar matrioskas em Moscou.

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Vizinho ao parque de mesmo nome, o Mercado de Izmaylovo é um misto de feira de antiguidades e artesanato. São dezenas de barracas próximas a prédios que reproduzem antigas habitações russas, que vendem tudo aquilo que você associa ao país: chapéus tradicionais, memorabilia da segunda guerra, bottons do comunismo, posteres construtivistas, ovos pintados e claro, bonecas matrioskas (algumas bem elaboradas, outras feitas, como dizemos, nas coxas). Nas barracas que ficam no nível da rua estão os produtos mais artesanais. Subindo as escadas no final da feira se chega à seção de antiguidades, onde é possível encontrar belas fotos antigas, discos russos de 78rpm e muita buginganga. Negociar é permitido e incentivado: na maioria dos quiosques se consegue um bom desconto nos produtos. Os melhores dias são os finais de semana, onde todos os expositores estão presentes e se cobra uma entrada simbólica de 10 rublos, mas também nos outros dias é possível visitar o Mercado de Izmaylovo.

 

IsamaylovoDaí seguimos à Rua Arbat. Na região central, não muito longe da Praça Vermelha (a estação Arbatskaya está a uma parada da Plotschad Revolyutsii), a rua Arbat é das mais antigas de Moscou e, sem dúvidas, a que atrai mais turistas. Com o trânsito exclusivo para pedrestres, os poucos quarteirões são recheados de lojas de souvenirs e filiais de cafeterias e lanchonetes e tem o mesmo charme e qualquer outro calçadão no mundo, seja a Las Ramblas, em Barcelona ou a Rua Halfeld, em Juiz de Fora (convenhamos: rua de pedestres é muito agradável. Deveríamos ter mais calçadões no Brasil). Comparado com o Mercado, os preços da Arbat são salgados: duas vezes mais caros ou mais,

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Resolvemos tentar um restaurante do Uzbequistão ali perto que era sugerido pelo Lonely Planet, mas estava fechado. A opção foi, então, almoçar no My-My (ou Mu-Mu, que é como se lê). O lugar era citado em vários dos guias que tinha pesquisado, quase sempre com a mesma descrição: cadeia de restaurante self service (na verdade, mais ou menos: o sistema está mais pro nosso bandeijão, onde você escolhe as opções e alguém te serve), barato e com vários endereços na cidade. O que os guias não contaram é que a comida parece de avião, sem textura ou sabor. E que o preço é barato sim, mas que vale mais a pena encontrar um bom lugar com almoço executivo (sai a mesma coisa). Se quiser fugir do lugar, é fácil: as lojas tem pinturas malhadas e impreterivelmente uma escultura de vaca, sempre montada por turistas, na porta.

Claro que este não foi o único dia que fomos ao Mercado de Izmaylovo: no dia seguinte Alê se deu conta de que o preço das bonecas era sim conveniente (em torno de R$6,00 as pequenas, com 5 bonecas em cada) e que mais algumas amigos e parentes mereciam ganhar a lembrança. Dali, devidamente abastecidos de matrioskas, tentamos, de novo, almoçar em um restaurante típico do Uzbequistão, que também estava fechado (alguma coisa relacionada com a Páscoa, talvez já que estava sendo comemorada naquele dia). A solução foi tentar o restaurante ao lado, chamado Sol Branco do Deserto. Também de comida Uzbeca (existe esse termo?) o lugar é guardado por soldados em uniformes do país. Extremamente decorado, o Sol Branco, vi depois, teve o nome e a decoração inspirados em um filme russo.

Além dos pratos típicos do Uzbequistão, o lugar tem também comida árabe e russa. E trabalha com dois sistemas: um buffet de saladas e pastas frias típicas ou este buffet e mais um prato principal e sobremesa. Os preços? 1300 e 2200 rublos por pessoa, respectivamente (R$80,00 e R$140,00 aproximadamente). Devíamos ter percebido que a quantidade de BMW e Audi na porta já antecipava o que nos esperava… Sem olhar o cardápio, Alê optou por beber um suco. De morango. Natural. A surpresa veio quando resolvemos checar o preço: só 950 rublos. Ou R$60,00. Mas estava ótimo, ela disse. A comida? Confesso que fiquei com um gosto estranho na boca depois de saber o preço do suco, mas o preço suco virou nossa segunda moeda em Moscou: “quanto custa isso? 800 rublos? Só? É mais barato que um suco de morango…” Cuidado, por tanto, com o que for pedir (e lembre-se de olhar os preços antes).

 

IMG_2246O dia terminou com um passeio no estranho (mas fascinante) VDNKh. O lugar abriga mais de 70 pavilhões celebrando todas as conquistas e tradições russas além de parque de diversões e o Museu das Conquistas do Espaço. Ali é possível ver cenários que reproduzem interior do país, ver um foguete de verdade ou assistir a um filme 5D (pois é…). Num domingo de Páscoa o lugar fervilhava. A impressão que se tinha era que pelo menos um terço dos 13 milhões de habitantes de Moscou estava ali. Todos com seus patins, bicicletas, pernas de pau, monociclos, skates e o que mais desse na telha, aproveitando um dia de calor torrencial: 16 graus.

 

IMG_2183Direto ao assunto

Mercado de Izmaylovo
* metrô para a estação Partizanskaya
* bom lugar para compra de souvenirs e lembranças
* melhor visitar nos finais de semana
* entrada: 10 rublos (R$0,50)

Arbat
* metrô para a estação Arbatskaya
* rua turística, com várias (e caras) lojas de souvenir

Sol Branco do Deserto
* restaurante de comida típica do Uzbequistão

VDNKh
* metrô para a estação VDNKh
* mais de 70 prédios mostando as conquistas do povo russo
* Museu das Conquistas do Espaço
* parque de diversões, no melhor sentido da palavra

Viajar junto é um jogo de poquer (ou: como chegar à Ikea Moscou)

“Ai meu deus… Se eu for num país que tem Ikea e eu não vou, eu passo mal…” Alê Faria, minha esposa

Ikea MoscouViajar junto é como um jogo de poquer. Você precisa abrir de algumas cartadas, blefar algumas vezes e de vez em quando confiar na sorte e na experiência. Nosso terceiro dia em Moscou foi dos mais divertidos e aventureiros.

Pela manhã, no hotel, trocados dicas e comentários de viagens com duas brasileiras de Natal que estavam vindo dos balcãs (eu, que tinha acabado de ler Sarajevo, do Joe Sacco, e adoro a música da região, fiquei ainda atiçado em fazer o mesmo roteiro). As duas, que trabalham em um banco na capital potiguar (meninas, se acaso lerem isso aqui, entrem em contato) pareciam estar secas de saudade do português e desfilavam casos da viagem metrô a fora. O destino delas era Lubyanka (espero que tenham ido ao Loft) e o nosso o parque de Tsaritsyno, ao sul de Moscou. Não lembro onde havia lido sobre o lugar. Nas minhas anotações tinha escrito: “construída entre 1775 e 1795. Fontes dançantes, o lugar mais bonito de Moscou. Metro Tsaritsyno (linha 2, verde). Não fica longe do hotel”.

O “não fica longe”, desnecessário falar, foi inútil. A pé seriam umas duas horas de caminhada. De metrô foram uns 45 minutos, com duas trocas de trens e alguns minutos desorientados ao sair da estação. Como acredito que sempre é possível tirar proveito desses momentos de “onde estou e como faço pra chegar onde eu quero” que as viagens propiciam (eu gosto me perder), deste, em particular, tiramos um que usamos o resto todo da viagem. Queríamos ir pro parque mas saímos da estação pro lado errado (pro lado esquerdo, quando deverímos sair, como o Leão da Montanha, pela direita) e acabamos chegando num típico mercado regional, com barracas de doces e verduras. Tirando fotos, ouvimos de uma das feirantes: “turistov, hahaha…” Ou: turistas, hahaha… Como que querendo dizer: o que diabos vocês estão fazendo aqui, no meio do nada, fotografando uma feira regional? Sem entender que o bom de viajar é justamente isso, conhecer também o local e não apenas os pontos turísticos. Depois disso, em qualquer conversa com os locais (na negociação em uma compra, por exemplo, ou quando víamos que tinhamos entrado numa roubada), a frase final era sempre “turistov, hahaha…”.

O parque Tsaritsyno, apesar de judiado pelo inverno que havia passado (as águas do lago ainda mantinham uma fina mas visível camada de gelo) é realmente o lugar mais bonito de Moscou. Não tem muito: um grande e bem cuidado parque, com bancos e grandes recém-pintados (Alê vai levar um pouco da tinta russa como lembrança em sua calça jeans), um bonito lago, com uma pequena ilha, uma igreja, um palácio e ruínas de uma habitação anterior, além de outros prédios. O palácio foi reformado em 1984 e se mantém muito bem cuidado. Mas o lugar é mágico, de uma harmonia única.

Do parque a idéia era não deixar a Alê passar mal e visitar uma das três Ikea que existem em Moscou. Optamos por uma também na parte sul que parecia ser a maior e que fica ao lado de um shopping chamado Mega, também do grupo sueco. Segundo o site, exclusivamente em russo, era só pegar o metrô para a estação de Temply Stan e daí o ônibus para a Ikea/Mega. Doce engano… De onde estávamos até a estação voaram quase 50 minutos. Outros tantos foram tentando achar o ponto do ônibus, sem sucesso. Mais outros procurando uma rede wi-fi, dentro do shopping, para conferir as informações no site até se chegar a (errada) conclusão que afinal, a Ikea não fica tão longe assim de onde estamos. Realmente não fica, mas o caminho era uma via expressa vencida com uma caminhada pelo acostamento e cruzamentos perigosos. Chegamos, cansados e famintos. Se Alê tivesse que passar mal, que não fosse por não visitar sua loja predileta.

No retorno optamos, sensatamente, por um taxi. Que, depois de quase meia hora, não havia dado sinal de vida. Com o pouco inglês da atendente (se limitou a um ten minutes) ela apontou o ponto de onibus: uma alternativa que resolvemos arriscar. E víamos, a cada minuto, a estação onde achávamos que iríamos pegar o metrô se afastar mais e mais e mais. Quando o ônibus parou, em frente a outra estação que não fazíamos ideal qual era, nossa reação foi de alívio. Que só melhorou, ao ver que esta, ao contrário da outra, estava a apenas 4 paradas do nosso hotel.

Viajar junto é como em um jogo de de poquer…

Moscou – hotel e primeiro dia

KGB

A antiga sede da KGB, em Lubyanka

Ul. Varvaya

Ulitsa Varvaya, próxima a Praça Vermelha

metro moscou

A sinalização no metrô de Moscou: impossível compreender

Praça Vermelha

A Catedral de São Basílio e o Kremlin na Praça Vermelha

Praça Vermelha

O Museu da História de Moscou e a Gum

Quem está acompanhado o blog já deve ter reparado que os relatos estã saindo sem muita preocupação com o texto ou revisões. Afinal, estou escrevendo durante os voos (como na primeira parte) ou em cafés e à noite, no quarto do hotel. Revisão e fotos vem depois (mas já tem algumas no Instagram, que talvez já traga pra cá pra ilustrar).

Ontem o relato foi até a chegada a Domededovo, com atraso. Sair dali é confuso, principalmente porque você ainda não está acostumado com a lógica russa. Confesso: 24 horas depois e tudo parece muito mais fácil.

O metrô, por exemplo. Ontem pegamos o AeroExpress e fomos até a estação de Paveletskaya (a única parada que o trem faz). Saímos do aeroporto tarde, à meia noite (cansados e confusos. Me fiz prometer que da próxima vez, por mais que eu ainda ache que é legal chegar numa cidade nova e conhecer os sistemas de transporte público, essa não é a melhor hora). De lá até o metrô são 45 minutos, o que nos dava 15 para pegar os dois trens que nos levavam ao hotel, já que o metrô fecha a uma. Rolou, mas por muito pouco. Já no trem caiu outro mito: que os russos são as pessoas mais mal humoradas do mundo. Bobagem. Vimos um brasileiro que encontramos no voo (o Ike – ou Ique, Ic… ainda não sabemos) ter a seu redor 5 deles tentando ajudá-lo a entender como chegar a sua estação. Ah sim: a história de que ninguém fala inglês também é falsa. Claro que o pessoal que viveu no comunismo – bem como o pessoal mais pobre, que trabalha nas ruas, em quiosques, bancas de revistas e taxis-, não fala nem entende o alfabeto ocidental. Mas turma mais nova, de até seus 20 e tantos, já se comunica bem. Conversamos com gente no metrô, em lojas e restaurante sem problemas (mas com paciência para entender o sotaque).

O Hotel
O Katerina Hotel se vendia no Hotels.com, onde fiz a reserva, como um 4 estrelas executivo a 15 minutos do centro de Moscou. Está mais para um albergue de luxo. Não é ruim, pelo contrário: é que como tem um bom preço, o índice de jovens europeus e russos e alto e durante a noite o pequeno bar fica bastante animado. Os quartos não são grandes, mas também não é preciso fechar o armário para abrir a porta do banheiro. A ducha é boa e relaxante e a cama confortável. A TV de plasma de 28″ passa programas em russo e notícias em inglês da BBC e Bloomberg. O frigobar, reposto diariamente, é grátis: Coca-Cola, água, chips, amendoim e chocolate. O café é farto e diverso: dos nossos paezinhos, croissants, café e leite a salmão, salada de pepino e sopa, passando pelos tradicionais ovos, bacon, iogurtes e outros ítens de um café continental. Tem wi-fi grátis (o que permite atualizar diariamente este relato) e uma pequena academia (o que permite a Alê a ir querer pedalar agora, quase meia noite…) Fica a 22 minutos da estação mais próxima da Praça Vermelha, mas a pouco mais de 200 reais a noite, isso é ótimo.

O metrô e a cidade
Você certamente já ouviu: o metrô de Moscou é lindo! É um dos mais antigos e profundos do mundo! Vale a pena visitar as estações! Sim, isso tudo é verdade. O que você também precisa saber e ainda não te falaram: o seu mapa com os nomes das estações escrito de forma que você consegue ler (Polyanka, Pushkinskaya, Chekhovskaya) não adianta nada. Nas estações o que vale é o cirílico, alfabeto oficial russo. E nisso Polyanka vira Полянка. Pushkinskaya é Пушкинская e Chekhovskaya é a tradução para Чеховская. É assim, com esses enes esquisitos, quatros invertidos, erres espelhados e outros símbolos (para nós) bizarros que as indicações nas estações – e tudo mais na cidade – está escrito. Então consiga um mapa em cirílico, de preferência com os nomes também em romano (eu uso um app para Iphone, o Moscow Metro Map).

Outra coisa que não te falaram: além de existirem mais de 150 estações de metrô elas são complicadas. Não é incomum três ou quatro estações se comunicarem, fazendo que você se sinta um rato em experiência de laboratório, indo e vindo, subindo e descendo escadas rolantes gigantescas, entrando em corredores que parecem levar a lugar nenhum… Se não tiver ânimo ou espírito a melhor dica é: desista. Contrate um guia. Para aqueles que, como eu, adoram se perder na cidade, Moscou e seu metrô é um prato cheio. Toma tempo e grandes caminhadas, mas é bem divertido tentar associar os nomes e símbolos das estações. Hoje, ao final do primeiro dia, mas me sinto quase um expert. O que posso te dizer (talvez aprenda mais um pouco no final de semana. Se for o caso, atualizado isso aqui): quando você chega a plataforma o nome da próxima estação onde o trem vai parar vem escrito s e p a r a d o. Parece bobagem, mas tem me ajudado. Outra: se você desceu da escada rolante e tem uma placa com os números 1 a esquerda e 2 a direita escritos dentro de uma seta, quase sempre em azul, que indica as direções. O número da sua linha (decore a cor e o número, já que muitas vezes o vermelho é quase um laranja e os azuis se confundem) está escrito aí também, pequeno, em um dos cantos. Se, ao invés das setas para as laterais, for uma seta pra baixo, sua plataforma é ainda mais embaixo. Parece óbvio escrevendo agora, mas quando você já ficou 2 minutos descendo numa escada rolante imagina que não tem como outro trem passar ainda mais profundo… E outra dica que serve não só para o metrô: estude o cirílico.

Mesmo que sua viagem seja daqui a uma semana (ou um mês, não faz diferença: você não vai entender russo nesse tempo) pegue o alfabeto (tem um no meu guia), leia e faça a associação das letras. Tudo vai ficar mais fácil. Aprenda que P é na verdade R. O C deles é nosso S. Aquela coisa esquisita que parede um D (д) é um D… Lembre-se também de palavras brasileiras como vasculante/basculante: aqui B é V. E б, que parece B, é B mesmo. Parece difícil. E é, mas dá pra associar facilmente (e se serve de consolo, a compreensão da pronúncia é mais fácil que a escrita).

Nessa altura você já deve ter percebido: Moscou é uma cidade que te cansa. É muita informação, muita coisa nova ou completamente diferente do que estamos acostumados e principalmente, tudo é longe. O metrô é, sem dúvidas, a melhor opção de transporte. As caminhadas, por menores que sejam (da estação ao seu destino ou mesmo DENTRO da sua própria estação) são quase uma maratona. Oscar Niemayer, ainda o comunista vivo mais famoso do Brasil, usou isso na concepção de Brasília com certeza. Aprenda: são poucas as ruas em Moscow que você cruza por cima. Na maioria é preciso usar um túnel.

Praça Vermelha
A medida que você sai da estação de metrô e começa a ver a fortaleza (kremlin, em russo) a certeza é que sim, o capitalismo venceu. Entrar na Praça Vermelha é das sensações mais incríveis que qualquer viagem pode experimentar. É de uma beleza de tirar o fôlego. As cores são viva e quando cai a noite a Praça se transforma.

Para você se orientar: a igreja com tetos de cores vivas é a Igreja de São Basílio. Está no lado sul da Praça. No lado oposto, o imponente prédio vermelho, é o Museu Estadual de História. O grande prédio claro é a Gum, um shopping center caro mas um excelente lugar para você se refugiar do frio – visite o supermercado que existe no primeiro piso, no lado oposto a entrada principal. É um primor.(confesso: ADORO visitar mercados e supermercados em outras cidades. Dizem muito sobre os hábitos e costumes do lugar. E esse aqui tem tudo que o comunismo privou os russos por décadas. De café do Brasil a molhos franceses e ingredientes japoneses, ten tudo o que o sistema dizia ser superfluo a preços superfaturados). E em frente a entrada principal da Gum está o Mausoléu de Lenin. O Kremlim é tudo o que está atrás do imenso muro vermelho, que chega a ter 750 metros em um dos lados. A entrada é saindo a esquerda do Museu e contornando também pela esquerda (com um bom mapa você visualiza isso tudo facilmente). Ainda nāo visitei o interior: como o dia foi curto (com a viagem cansativa dormimos até mais tarde) isso vai ficar pra outro dia.

Saindo a esquerda da Catedral está a Ulitsa Varvarka (ulitsa é rua você vai ver algumas vezes a palavra simplificada: ul.), uma rua pequena mas que comporta albuns belos exemplos da arquitetura russa.

Do outro lado, saindo a direita do Museu o destino é Lubyanka, praça e prédio que era sede da KGB. Dica? Suba até o 6 andar do Nautilus, um shopping decadente que tem tem bem a frente da antiga sede. Escondido nos fundos de um salão de belezas está o Loft, um pequeno (10 mesas) café, com uma varanda com vista pro prédio. O público é sobretudo local e o local tem um almoço executivo (salada, sopa, prato principal e acompanhamento) das 12h as 16h por 450 rublos (ou cerca de 25 reais). Só como comparação, este é o preço, no mesmo restaurante, de 4 Coca-Cola. Ou um suco de tangerina.