Japão – fechando a primeira semana

Dia 5 (12/11) – Sábado – Kamakura/Shinjuku

15 de novembro é celebrado no Japão o Sichi-Go-San. Literalmente, Sete-Cinco-Três. É o dia em que os pais levam as crianças – meninas de três e sete anos, meninos de três e cinco – aos templos e santuários para pedir saúde e felicidade. Um rito de passagem, onde as crianças são vestidas com kimonos especiais.

A tradição conta que até os três anos  as crianças deveriam ter os cabelos raspados. A partir daí deixam de ser bebês e podem deixar o cabelo crescer. É a kamioki, literalmente “deixar os cabelos”. Meninas então vestem um kimono especial, adornado por uma faixa de seda, o san-sai-furisode. Aos cinco, os meninos vestem pela primeira vez em público o hakama e o haori, as roupas típicas do samurai. E aos sete as meninas vestem o nana-sai-furirode e o obi, kimonos e faixa de seda especial. Durante o Sichi-Go-San as crianças ganham chitose ame, a bala de mil anos, em uma embalagem com desenhos de tsurus e tartarugas. “tsuru wa sen nen, kame wa man nen” (o tsuru vive mil anos e a tartaruga, dez mil anos, dizem os japoneses).

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Sichi-go-san

A tradição remete ao ano de 794. Sete, cinco e três são números de sorte na cultura japonesa. E a celebração acontece no dia 15 porque 15 é a soma dos três números. E como este ano o dia 15 cai no meio de semana, é comum que a visita seja feita no final de semana anterior. Por isso separamos o sábado para ir a Kamakura, onde está Daibutsu, o grande buda de bronze. A ideia é passar o dia por ali e voltar à tardinha ou início da noite.

Pra chegar a Kamakura vamos pegar a linha JR Yokosuka. Custa 1100 yen o trecho (cerca de 11 dólares). Já sabemos que por ser final de semana e com festa especial, os templos vão estar lotados. Mas ideia aqui é esta mesma: entrar de cabeça na cultura e no costume. Além do grande Buda, Hasedera e Hokokuji são os templos principais, e já sei que a melhor forma de ir de um pra outro é andando – apesar da sinalização ser só em japonês. Existem várias trilhas que ligam os templos, e certamente esse vai ser o meio de transporte.  Cada uma tem pouco mais de 2 km, uma hora de caminhada. Vai ser diversão pura.

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Kamakura

Na volta à Tokyo, se não estiver quebrado demais, a ideia é passear em Shinjuku. Se possível comer algo na depachika da Isetan e uns goles na Golden Gai. Mas antes ver a cidade do alto da torre do Tokyo Metropolitan Government Offices. O prédio, com desenho do Kenzo, fica aberto até as 11 da noite. E pegando o elevador na torre 1 dá pra subir até o observatório, a 202 metros de altura, pra ver a cidade (e até o Monte Fuji, se o dia estiver claro).

Depachika é uma palavra japonesa que significa “subs0lo da loja de departamentos”. É, eles tem uma palavra pra isso… Porque nos subsolos das lojas de departamento estão vários restaurantes, muitos de qualidade, e no final do dia, quando a loja está prestes pra fechar, os preços despencam. E a depachika da Isetan, dizem, é das melhores.

A Golden Gai foi dica do Danilo. Uma série de seis vielas com mais de duzentos bares, alguns com espaço pra não mais que meia dúzia de clientes. Visto do alto é impressionante (dá uma procurada aí no Google Maps). Tô curioso.

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Golden Gai

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Depachika

Dia 6 (13/11) – Domingo – Korakuen/Ueno Park/Tokyo National Museum

Mais um dia de parques, templos e descanso. Se é que isso é possível numa cidade como Tokyo.

Pela manhã o projeto é sair do tradicional reduto de turistas e seguir pra região de Korakuen. Koishikawa Korakuen é onde a gente deve passar parte da manhã. Pelo que vi de fotos no outono deve estar um desbunde. Ali perto também tem a Geisha Shinmichi, antiga rua das geishas e a atmosférica rua de Hyogo-yokocho, com seus calçamentos de pedras. O parque de Rikugi-en é considerado por muitos o mais bonito da cidade. Fica mais ao norte. Talvez a gente visite.

 

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Koishikawa Korakuen

Pra depois do almoço a gente estica até o Parque Ueno. Vamos incluir o Museu Nacional de Tokyo, que fica ali perto, no passeio.

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Parque Ueno

Dia 7 (14/11) – Segunda – Tokyo/Nikko

Dia de sair do apartamento da Tokko e procurar outro lugar. Se a gente seguir o roteiro até aqui já vamos ter feito boa parte de Tokyo. Claro que ficaram faltando pontos turísticos na cidade (não incluímos, por exemplo, a região de Roppongi nem Tokyo Bay… Deveria?). Mas a ideia agora é ir pro interior.

Kamakura, a outra cidade nas proximidades de Tokyo que a gente queria visitar, fica ao sul e se tudo correu como o previsto já a visitamos no final de semana. Nikko fica ao norte, e a melhor forma de vê-la parece mesmo ser ir e vir a partir de Tokyo.

Os trens custam 2670 yen ida e volta e a viagem dura duas horas e meia. É preciso sair cedo pra chegar lá por volta das 9h. E o retorno é por volta das 19h30. Mas o ticket vale por dois dias. Pelo menos foi isso que eu entendi no site da empresa de trem…

O que leva as pessoas a Nikko é o parque, patrimônio da humanidade pela Unesco, e suas dezenas de mosteiros e templos. E no outono o lugar é especial, dizem. A questão aqui é se ficamos uma noite em Nikko ou voltamos pra Tokyo, para depois seguir a Hakone. Ficando (acho que vai ser o caso) é achar um lugar. No dia seguinte a gente volta ainda na parte da manhã pra Tokyo e já segue pra Hakone, onde passamos mais uma noite…

Update: Andei olhando Airbnb, hotéis, ryokan no site que o Rafael indicou (o Japanican) mas acabei optando por um lodge que estava com ótima pontuação no Booking, o Inn the Mist. Fica perto dos templos e do centro e custou 12000 yen (380 reais). Então está decidido: a noite vai ser em Nikko.

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Nikko

 

Dia 8 (15/11) – Terça  – Nikko/Hakone

Acordar, passear pelo parque de Nikko, pegar o trem, ir pra Tokyo, trocar de estação, pegar o outro trem, ir pra Hakone. Dia de transporte, basicamente.

Hakone, assim como Nikko, foi dica do Diego, que estava morando em Tokyo. São três as razões de vir aqui: ver o monte Fuji de “perto”, já que não vou poder subir o monte (a temporada fecha em agosto), ver o Museu Aberto, com obras de Henry Moore, Rodin, Miró e outros e aproveitar um Onsen, banhos de águas termais. Nada mal.

A brincadeira vai ter um preço, claro. A passagem pra Hakone custa 5140 yen (51 dólares) e vale também por dois dias (56 dólares por três). Os onsen custam a partir de 1500 yen. E a noite em um albergue vau custar mais uns 5000 yen por pessoa. Espero valer a pena.

Update: já decidi e aqui a opção foi o Airbnb. Não achei nenhuma hospedagem com bom custo/benefício. A casa do Susumu parece ser bem localizada e ele tem uma cara boa. O preço é a média da região: R$350,00 por noite.

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Hakone

Pronto: primeira semana no Japão decidida. Agora é resolver os outros 7 dias. Kyoto? Alpes? Kanazawa? Comprar o JR Pass? Viajar de ônibus? Tenho mais uns dias pra decidir, antes de pedir o visto…

Tem alguma sugestão? Me conta.

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Tokyo – Escolhendo o que fazer. E como fazer…

Dia 1 (8/11) – Terça – Shibuya

A chegada a Tokyo está prevista para as 13h. Contando imigração, saída do aeroporto, comprar ticket, estou prevendo que consiga pegar o Narita Express 28 às 14:20. Caso não dê o próximo é às 14:48. São 75 minutos até a estação de Shibuya, e dali mais uns minutos até o apartamento da Tokko. De modo antes das 4 da tarde – ou antes do horário do rush – já vamos estar instalados.

O primeiro dia vai ser de adaptação: conhecer o cruzamento de Shibuya (que com certeza vamos ver várias outras vezes nos próximos dias) e fazer o reconhecimento da região. Descobrir supermercados, restaurantes, cafés, lojas ali no entorno. As opções ali perto, já deu pra ver, são várias. De lojas de departamentos (a Shibuya 109 e a Seibu), hamburgerias, lojas de ramen, parece ter de tudo por ali. Conhecer a estátua de Hachiko, o cãozinho que ia todo dia com seu todo pra estação e depois da morte desse em 1925 continuou a ir por mais dez anos.

A dica pra comer ali perto, já vi, é o Sagatani, um restaurante vegetariano que serve noodles a 280 yen e cerveja a 150 yen (10 e 5 reais, respectivamente). Fica a 20 metros de onde vamos ficar. E pra ver o cruzamento do alto, a dica é ir para o segundo andar da Starbucks dali. Difícil de achar um assento…

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Shibuya

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Sagatani

Dia 2 (09/11) – Quarta – Yoyogi Park/Harajuku

Dia de relaxar e conhecer templos, parques e mosteiros. A ideia é seguir para o Yoyogi Park e passar a manhã por ali. Tomar um café no Little Nap, perto da entrada oeste do parque, e visitar o tempo de Meiji Jingu, no interior do parque. Na parte da tarde e noite seguir para Harajuku, no lado leste, e visitar lojas, galerias e observar os cosplays na região. Se tudo correr como o planejado da pra esticar pra comer no Butagumi, restaurante de tonkatsu (costeleta de porco) que não fica longe dali (20 minutos de caminhada) (a foto veio do blog Tiny Urban Kitchen).

O caminho de Harajuku até o Butagumi é pela Omote-sandô, rua que abriga seis dos ganhadores do maior prêmio de arquitetura do Japão.

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Butagumi

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Little Nap Coffee Stand

Dia 3 (10/11) – Quinta – Tsukiji Market/Akihabara

Claro que visitar Tsukiji, o mercado de peixes do Japão e ver o leilão de atum é algo que quero fazer na visita a Tokyo. Mas aí a logística começa a complicar. O leilão aceita no máximo 120 turistas por dia, divididos em dois turnos de 60 pessoas. O primeiro entra às 5:15 da manhã. O segundo às 5:45. Metrô em Tokyo não é 24 horas e o primeiro trem começa a circular pouco antes das 5 da matina. Da estação de Shibuya, onde vou estar, até o marcado de Tsukiji são uns 40 minutos de trem, de modo que pegando o primeiro trem só chego lá quando leilão tiver acabado. E a fila, dizem, começa beeem antes das 5h. Taxi é fora de questão: uma viagem dessas, de menos de 10 km,  deve sair uns 150 reais (quase 50 dólares com bandeira 2, segundo o Taxi Fare Finder). Também não vai rolar.

A opção mais barata parece ser cruzar a noite de Tokyo a pé. São 7 km, pouco mais de uma hora. O jet leg vai estar no auge, levantar às 3:30 não vai ser problema e dá pra chegar lá e pegar um bom lugar na fila. O caminho, pelo que fiz no Google Maps, é amigável. O café da manhã vai ser no próprio mercado – de preferência no Sushi Dai ou no Daiwa-Zushi. O primeiro fica virando à esquerda na terceira rua dos restaurantes, depois a esquerda de novo. É o segundo restaurante à direita, com cortinas verdes na porta. O segundo um pouco mais abaixo, e tem cortinas vermelhas (as fotos eu peguei de outros blogs).

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Sushi Dai

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Daiwa-Zushi

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Mapa do mercado de Tsukiji

Ainda antes da hora do almoço da pra esticar até o Advertising Museum e o Nakagin Capsule Tower, os dois não longe dali.

Na parte da tarde a ideia é passear pela região de Akihabara (o paraíso dos eletrônicos) e visitar a 3331 Arts Chiyoda (centro de arte contemporânea) e a Origami Kaykan, loja/galeria de origamis, com cursos e produção de papel artesanal.

Dia 4 (11/11) – Sexta – Imperial Palace/Asakusa

O Palácio Imperial de Tokyo seria destino certo na viagem. Nossa primeira opção era conhecer só os jardins do palácio, que são gratuitos e abertos quase todos os dias da semana (exceto sextas, segundas e feriados). Mas calhou de uma visita guiada ao interior do palácio acontecer justamente quanto estávamos por ali. O lugar ainda é a morada oficial do imperador Akihito e as visitas guiadas, raras, são feitas por agendamento. É preciso agendar com antecedência de pouco mais de um mês – para a visita no meio de novembro precisei agendar no início de outubro. E esse era o único dia disponível na primeira quinzena de novembro. O passeio, de pouco mais de uma hora, é gratuito, e o agendamento obrigatório pode ser feito no site da Família Imperial. Marcado para as 10 da manhã, vai tomar a manhã do quarto dia. E como calhou de ser uma sexta, os jardins externos vão estar fechados. Ou seja: ou pulamos os jardins ou voltamos outro dia.

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Palácio Imperial

Centro histórico e geográfico de Tokyo, o Palácio Imperial é perto da estação de metro Tokyo, por si só uma atração. A ideia é passear por ela antes da visita, e depois ir descansar no parque de Chidorigafuchi Ryokudo, bem ali do lado. Uma esticada até Asakusa e almoçamos no Tempura Daikokuya, um restaurante de tempura (camarões e legumes empanados, típicos da cozinha japonesa e bem comuns no Brasil) da região e famoso pela qualidade. Com preços fixos (as refeições custam 3300, 4000 ou 4700 yen – 33, 40 ou 47 dólares), é certeza de comida boa.

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Daikokuya

Na parte da tarde a ideia é visitar o Ootori Shrine. Dia 11 de novembro, de acordo com calendário chinês, é o dia do galo. E ali, no templo de Chokokuji, é celebrado o Tori-no-Ichi, o dia do galo. Ao redor do templos, feiras de artesanato e comida celebram o dia. E como esta vai uma das poucas celebrações que irão acontecer enquanto estiver por lá não quero perder. Vamos aproveitar pra conhecer  o templo de Senso-Ji  e um pouco mais da região de Asakusa.

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Asakusa

Tem mais dicas do que fazer em Tokyo e no Japão? Conta ai!

 

Japão – Preparações

y0td5goMinha amiga Fernanda me disse dia desses que eu deveria criar uma ferramenta interativa, que mostrava, em tempo real, onde eu estava. Uma espécie de “Onde está Jeff”, onde eu iria colocando pins dos locais onde passo. O fato é que sim, viajo bastante. Menos que gostaria, é fato. Mas entre viagens a trabalho (que me levaram à China, Grécia, Turquia) e passeios, passo alguns meses do ano fora de casa.

O momento agora é de preparação para mais uma. É das fases que mais gosto. Pesquisar o país, a cultura, os roteiros, onde ir, quando ir, como chegar, onde comer, o que fazer, quanto tempo em cada lugar, o que vale a pena, o que deixar de fora, como fazer pra encaixar tudo aquilo naqueles poucos dias. Tem gente que odeia e prefere comprar logo um pacote, guia turístico, alimentação inclusa. Só seguir a bandeirinha e pronto, não quero ter preocupações na minha viagem. Eu não. Gosto de cuidar de cada passeio e chegar no destino o mais informado possível. E não gosto de gastar em viagens: o quanto menos desembolsar, melhor.

Estou aqui na função de pesquisar e montar um roteiro pro Japão. Comprei a passagem numa daquelas promoções que chegam na tela do meu celular através do app da Melhores Destinos. Pelo preço de uma passagem pra Recife estou indo pra Tokyo com Alê em novembro. Comemoro meu aniversário por lá. Peguei algumas dicas com amigos que já foram ou moraram naquele lado do mundo (obrigado Paulinho, Danilo, Diego). E começo agora a montar o dia a dia. Escrever me ajuda a clarear as ideias e a tomar as decisões que, acredito, são certeiras. Conversar com Alê também ajuda nisso (e em várias outras coisas).

As informações que tenho e vão ajudar a montar o roteiro são:

  1. Fico no Japão por 14 dias – de 8 a 21 de novembro (saio 6 e chego 22)
  2. Tenho ciência que o jetleg vai ser um problema por pelo menos uma semana
  3. Quero incluir cidades menores no roteiro além de Tokyo
  4. Quero me hospedar pelo menos uma noite em um ryokan, uma hospedaria tradicional japonesa

Só isso. O resto está livre e a construção do roteiro vai ser em cima do que, a partir de agora (ontem, na verdade) eu for montando.

Primeira dúvida: hospedagem em Tokyo

Que Tokyo é gigante eu sei. A primeira dúvida que surge é onde se hospedar na cidade. Conversas e pesquisas mostram que a maioria das atrações da cidade fica no entorno de três área: Shibuya, Shinjuku e Ginza. Uma pesquisa rápida nos sites de hospedagem (Booking, Hotels, Trivago) mostra que uma cama em qualquer um deles não custa menos que 250 reais por noite. Em um albergue ou hotel cápsula. Hotel tradicional, daqueles com uma cama de verdade e um banheiro, são quase o dobro. Muito acima do que eu espero gastar. Se estivesse sozinho não via problemas: fiquei em um cápsula na Tailândia, paguei 20 reais por noite e foi uma experiência ótima. Mas sei que Alê espera (e merece) um pouco mais.

Uma pesquisa no Airbnb mostra que mesmo ali não se acha nada por menos de 300 reais. Mas aí acho que já passa a valer: boa localização, um apertamento (30m2) só pra você, mais liberdade e (luxo dos luxos) banheiro privativo! Pré-selecionei uns três e optei pelo ap da Tokko, que fica a 5 minutos da estação de Shibuya. Não era o mais barato – havia outros mais em conta, mas um pouco mais longe. Mas ficar ao lado de uma estação de metro era fundamental: iria salvar alguns minutos no deslocamento diário, seria mais fácil na chegada e saída, esse tipo de coisa que em viagem sempre conta. Com o bônus de 85 reais que ganhei de outra amiga (valeu Renata!) as seis noites previstas pra Tokyo ficaram em 1950 reais. R$325 por noite, R$162,50 por pessoa. Só por comparação, é só um pouco mais caro que a própria Renata cobra pelo mesmo período no apartamento dela aqui em BH (ok, ok, não estou considerando que o da Renata é 6 vezes maior que o da Tokko, mas c´mon! É Tokyo!)

O que fazer: a primeira seleção

Já sei onde e quantos dias vou ficar em Tokyo. A escolha do período foi aleatória: metade do tempo em Tokyo, a outra metade em outros destinos que ainda vou decidir. Agora o próximo passo é selecionar o que fazer nesses dias.

A primeira conversa com Danilo e Paulinho, um post despretensioso no Facebook (valeu Rafael!), a passada de olho em alguns sites e no guia da cidade da Lonely Planet já foi dando umas direções. Eu faço assim: saio selecionando tudo o que talvez possa me interessar e crio um mapa no Google Maps, onde vou marcando todos os locais (esse de Tokyo está aqui. Tenho salvo os de vários outros destinos anteriores…). Depois, com mais calma, leio mais sobre os locais e vou selecionando por interesse (museu, parque, arquitetura, restaurante etc) e distância. Assim agrupo coisas que são próximas para visitar no mesmo dia.

Da primeira seleção saíram alguns lugares, tanto em Tokyo quanto no interior. Na capital tem alguns parques (Ueno, Jardins do Palácio Imperial), templos (Senjo-Ji, Meiji-Jingu), distritos (Shimokitazawa, Ginza, Odaiba), museus (3331 Arts Chiyoda, Museu da Propaganda, Museu Ghibli) e até um café super charmoso (o  Little Nap Coffee Stand, bem perto de onde vou ficar).

Fora de Tokyo as atrações foram tantas que vou ter que fazer escolhas mais sérias. Rafael e Diego soltaram um monte de nomes de cidades que fui pesquisando muito rapidamente e agora é escolher os destinos. Nikko foi sugerida pelos dois, então certamente vai entrar. Hakone e Kamakura são perto de Tokyo e devem entrar no roteiro também. Kyoto era um destino que eu queria, e caso inclua no roteiro adiciono também Nara. Kanazawa, Kamikochi, Takayama, Shirakawa-go e Goyakama são outras possibilidades, que só depois de pesquisar mais decido se vai valer a pena incluir nos 7 dias que faltam. Destinos mais distantes, como Hokkaido,  vão ficar pra uma próxima vez (mas é claro que vai ter uma próxima vez…)

Japan Pass: vale a pena?

Todo mundo diz que é imprescindível comprar um Japan Pass, o passe de trem para as viagens internas dentro do país. Só que nas minhas pesquisas iniciais a coisa não parece bem assim não. Ainda estou em dúvida se compro ou não o passe.

O fato é que ele é caro pra burro: por 7 dias consecutivos de viagens o preço é 276 dólares. 440 dólares se quiser ter o passe para os 14 dias da minha viagem. Mais IOF. Esse preço, claro, por pessoa. Ou seja: vale a pena se eu e Alê formos gastar em passagens pelo menos uns R$120 por dia cada. É um bom dinheiro. Primeiro porque eu não vou ficar viajando os sete dias. Talvez fique um dia a mais em Kyoto, se decidir ir pra lá, por exemplo. E segundo porque você pode viagem só nos trens da estatal JR, que não atende o país inteiro e não é dona de todos os trens – 30% são de empresas privadas. Fiquei considerando se não havia alternativas mais baratas.

Quando você  considerar que a passagem de trem de Tokyo a Kyoto custa 140 dólares o passe parece ser mesmo a melhor alternativa. Mas aí você começa e pesquisar e vê que não é bem assim.

Por exemplo: as cidades próximas que eu já sei que vou fazer – Nikko, Hakone e Kamakura – tem os preços de passagem bem em conta: 28, 40 e 22 dólares cada trecho. Ida e volta são 180 dólares por pessoa. Mesmo pra viagem a Kyoto ou outros destinos mais distantes existem alternativas mais baratas. A empresa de ônibus Willer tem um passe de três dias, que podem ser usados de forma não consecutiva (por exemplo, uma viagem na segunda, outra na quarta e outra duas semanas depois, já que vale por dois meses) que custa 100 dólares. Os trechos incluem Tokyo, Kyoto, Kanazawa e até trechos mais distantes como Hiroshima. Mesmo as passagens individuais são beeeem mais em conta: ao contrário dos 140 dólares do trem de Tokyo a Kyoto a passagem de ônibus da Willer sai por 35 obamas. Além disso, pode me dar mais autonomia que o trecho de trem.

Outro argumento daqueles que defendem o JR Pass é o fato de você poder pegar o trem do aeroporto de Narita pra Tokyo. Custa 3500 yen, 35 dólares, 100 reais. Mas veja: é possível comprar ida e volta por 4000 yen. E se eu comprar o passe de uma semana, por exemplo, ainda vou ter que comprar um dos dois trechos. Bye bye vantagem. E pra usar o metrô a compra de um passe de 72 horas, ao custo de 1500 yen, tem parecido a melhor escolha. Ou isso ou o Suica, o cartão que você vai recarregando à medida que usa.

A decisão vai ser só nos próximos dias, mas a princípio estou achando que o JR Pass é uma bela de uma furada. É bem provável que faça alguns trechos de trem e outros mais longos de ônibus.

Tem alguma dica do Japão? Deixe um comentário aqui embaixo e vamos trocando figurinhas sobre essa viagem.

Guia rápido de Pequim

Então você decidiu e vai pra China. Viu aquela promoção de passagens por pouco mais de R$2000 no Melhores Destinos, clicou no “compre aqui” e só agora caiu a ficha. Afinal, o que vou fazer na China? Por isso você veio parar aqui, pode confessar. Foi atraído pelo título e quer ter uma noção de como é e o que fazer em Beijing.

Espera… Não era Pequim? Então, a confusão começa aí. Pequim, Beijing, é tudo um lugar só. A cidade é conhecida nos países de língua inglesa por Beijing. Nos demais, Pequim. Na própria China é Beijing, mas o código do aeroporto, você vai ser na sua passagem, é PEK…

Esse guia rápido é formado pelas impressões de quem acabou de voltar da cidade. Um apanhado de coisas que eu gostaria que alguém tivesse me falado antes de ter ido. Coisas que poderiam ter me ajudado. E pode ajudar você.

Por exemplo: que essa passagem da American Airlines é realmente barata, mas as conexões te fazer chegar na cidade mais cansado que o normal. Meu vôo seria Belo Horizonte-Miami-Dallas-Beijing, mas devido a atrasos nas conexões acabou sendo Belo Horizonte-Miami-Chicago-Los Angeles-Beijing. Mais de 48 horas de viagem, com longas esperas nos aeroportos.

Se chegar ao Aeroporto Internacional de Beijing é complicado, se locomover pela cidade é extremamente simples. Primeira dica: use o metrô. Taxis na capital chinesa são baratos (do aeroporto ao centro da cidade é cerca de 120 RMB, algo como 70 reais na cotação de outubro de 2015). Mas o trânsito confuso e as longas distâncias fazem do metrô disparado a melhor opção.

Chegando no aeroporto, logo depois de passar pela polícia, siga a sinalização e pegue o transporte para o terminal C, onde estão localizadas as esteiras de bagagem. Dali é só seguir as placas para o Airport Express. Para a estação de Dongzhimen são 25 RMB e 25 minutos de viagem. De lá é só pegar trocar de trem para ir até o seu hotel. As passagens custam entre 3 e 5 RMB e o metro cobre virtualmente a cidade inteira. As estação são todas sinalizadas em mandarim e inglês, o que facilita a vida de nós turistas.

Dinheiro

Você certamente vai precisar trocar dinheiro na sua chegada. No próprio aeroporto existem casas de câmbio, com a cotação, como sempre, ruim. Troque ali o necessário para sua chegada à cidade (100 dólares são mais que suficientes). Para uma cotação melhor procure por uma agência do Banco da China. Leve seu passaporte. As transações não tem taxas e no final das contas saem quase 10% melhores que em outros lugares (15% melhores que nos hotéis). Em outubro de 2015 um dólar comprava, em média, 6 RMB. Fique atento também para cartões de crédito: são pouco usados no país e na maioria da vezes o que vale mesmo é dinheiro vivo.

Onde ficar

Você comprou a passagem e está se decidindo onde se hospedar. Achei os hotéis relativamente baratos em Beijing. Quartos de redes internacionais, como DaysInn e Novotel, saíram por cerca de R$250 reais a noite, sem café da manhã. Agende através do seu app preferido. A dica que eu queria ter é a seguinte: após confirmar a reserva, envie um email para o hotel e peça para mandarem pra você o endereço completo em chinês. Mesmo que a reserva venha com o nome do hotel escrito no idioma local, não encontrei nenhum motorista de taxi que soubesse onde os hotéis que eu havia reservado ficavam.

Para quem é turista, a melhor opção é ficar na região de Wangfujing, conhecida na cidade por ser uma rua de compras. Ali estão as melhores lojas e shoppings. E também bons restaurantes e bancos. E as principais atrações turísticas da cidade, a praça de Tiananmen e a Cidade Proibida não estão a mais de 500 metros, dá pra ir andando.

O que visitar

Você já sabe: use e abuse do metrô. Você vai economizar dinheiro e tempo. O trânsito é confuso, muitos motoristas de taxi ficam perdidos e quase nenhum fale inglês. Baixe o app do metro no seu celular e saia visitando os pontos turísitcos sem medo. Dá pra ir em todos eles de transporte público. Imperdíveis são a praça Tiananmen e a Cidade Proibida, um na frente do outro, mas que você vai precisar de um dia pra conhecer bem. Se estiver hospedado em Wangfujing dá pra a pé. Caso contrário pegue a linha 2 azul até a estação de Qianmen (circular, a linha 2 roda nos sentidos horário e anti-horário e é das mais usadas). Caso queria visitar o mausoléu de Mao-Tse Tung, fique atento aos horários: de 7 as 11 da manhã, fechado nas segundas. Leve seu passaporte. A Cidade Proibida fica aberta até as 5 da tarde, mas também está temporariamente fechada as segundas devido a algumas reformas. Custa 60 RMB (cerca de R$40).

Imperdível também é o Templo do Paraíso. Desça na estação Tiantandongmen (Portão Leste de Tiantan) da linha 5 verde. No grande parque ao redor do Templo dá pra ver calmamente a vida dos locais: Tai Chi, danças, artes marciais, esportes. Tem de tudo um pouco. Também dá pra passar um dia fácil.

O Palácio de Verão fica um pouco mais distante. Da região central são cerca de 45 minutos até a estação de Beigongmen, na linha 4. É a mesma que atente ao Zoo e os dois passeios podem ser combinados em um dia.

Para visitar as instalações olímpicas, como o Parque Aquático e o Estádio Bird’s Nest é só pegar o metrô verde escuro até a Estação Olympic Sports Center.

E caso queria visitar a Grande Muralha de trem também é possível. Só pegar um metrô até a estação de Xizhimen – ela é atendida pelas linhas 2, 4 e 13. Daqui siga a sinalização para Beijing North Railway Station e pegue um trem Yanging e desça na segunda parada. Você estará na seção da Muralha conhecida por Badaling, a mais visitada.

Se busca por uma seção com menos gente e aquela paisagem de montanhas e muralhas sem vim que você viu em fotos e filmes, a sugestão e conseguir um guia, com carro, e ir para a seção de Jinshanling, que fica a cerca de 2 horas de Beijing. Quer mais uma dica? Vale o esforço e o investimento.

E se eu não quiser um guia? Posso alugar um carro e ir sozinho?

A resposta é simples: não. A China não faz parte do tratado que autoriza motoristas a usar a carteira internacional, o tratado de Viena. Isso quer dizer que mesmo que você tenha uma Permissão Internacional para Dirigir você não pode dirigir na China. As locadoras de automóveis só alugam carros para chineses – o que praticamente obriga você a contratar os serviços de um guia.

O que comer

Você pode gastar R$10 ou R$300 em uma refeição em Beijing. Tudo depende o quanto você está disposto a arriscar. Dos restaurantes que visitei a grande maioria não tem cardápios em inglês. Alguns poucos tem cardápios com fotos. A loteria é grande. Mais uma dica: evite estes, a não ser que isto faça parte do seu planejamento.

Mesmo restaurantes mais requintados são difíceis de encontrar: sem falar o idioma você não consegue distinguir a fachada de um dos melhores restaurantes de pato da cidade (o Duck de Chine) de um escritório de advocacia. Mais uma vez, conte com a boa vontade dos atendentes do seu hotel e peça para que escrevam o endereço completo, em chinês. Opte por restaurantes mais conhecidos e que atendem o público ocidental. A rede DaDong, com pelo menos três na cidade, é um bom exemplo. A comida é excepcional, os atendentes, em sua maioria, entendem inglês, e o pato dali é de tirar o chapéu. Espere gastar em torno de R$150 por pessoa. Tem um bem ali na Wangfujing, no sexto andar do Shopping Beijing City.

Internet

Na sua reserva de hotel estava escrito: wi-fi grátis. Ótimo. Mas saiba que na China tem Internet mas não tem… Explico: existe. Você se conecta. Mas devido ao regime imposto pelo governo, mais de 4 mil sites e domínios são bloqueados, incluindo tudo do Google e do Facebook. Maps? Não. Gmail? Não. Instagram? Não. Para usar esses serviços é preciso instalar no seu telefone um app de VPN, que vai simular que seu telefone está em outro país. Mais uma vez o governo está atento a estes apps, e muitos deles também estão bloqueados. O serviço é quase sempre instável. Em outubro de 2015 usei tanto o TunnelBear quanto o VyprVPN, ambos gratuitos, com limites. Mas não dá pra garantir até quando estarão funcionado.

Tem alguma outra dúvida sobre a cidade? Precisa de ajuda com mais alguma coisa? Só me mandar um email ou escrever um comentário aqui. Xie Xie.

Uma ou duas coisas sobre Atenas


24 horas não é suficiente para conhecer nenhuma cidade do mundo. Mesmo se seu destino for Congonhas ou Jericoacara, 24 horas vão te deixar com aquela sensação de “devo estar deixando algo pra trás” ou “aposto que quando chegar em casa vou descobrir algo que deveria ter visto”. Pois bem. 24 horas era o tempo que eu tinha em Atenas, a capital grega. Com um agravante: havia passado outras 24 horas entre aeroportos e aviões, num voo que tinha saído de Belo Horizonte e feito escala em São Paulo e Munique, na Alemanha. E, dentro das 24 horas, eu ainda tinha uma reunião, o real motivo de estar aqui. Portanto, uma ou duas coisas sobre Atenas é tudo o que tenho a dizer.
Primeiro: a chegada ao país, depois que você já está na Europa, é tranquila. Nada de alfândega, passaporte, documentos. Você desce do avião, pega sua mala e já sai na área comum do aeroporto, sem nenhum stress. Melhor: o aeroporto oferece uma hora de conexão grátis à Internet. Nada daquela burrocracia da Infraero que te dá 15 minutos num conexão horrorosa, com um cadastro ainda pior (já viu isso, né? Para ganhar seus 15 minutos você precisa pegar seu cartão de embarque e apresentá-lo no guichê de informações. Depois de anotar seus dados o funcionário te entrega, junto ao carimbo na passagem, um cartão com seu código. Você então entra na rede, faz seu cadastro completo – nome, cpf, endereço, data de nascimento… – e volta à pàgina principal, onde tem que achar o link para os 15 minutos e, aí sim, finalmente entrar com seu login e senha e ganhar seu tempo. Tudo complicado e em português apenas. Dica: use seu tempo para criticar a própria Infraero… Voltando à conexão no Aeroporto de Atenas: você conecta à rede e clica em 60 minutes free. Pronto. Está online…
Taxis do aeroporto à cidade custam 35 euros e a viagem de 40km leva em torno de 30 minutos. Onibus também estão disponíveis.
O essencial de Atenas é, sem dúvidas, Acrópolis.

Em um dos pontos mais altos da cidade, é lá que se encontra o Paternon e outros templos. Os ingressos, vendidos na porta, custam 12 euros e é bo guardá-los, já que te dão direito a outras seis atrações turísticas na cidade: Ancient Agora, Teatro dionísios, Roman Agora, Kerameikos, Templo de Zeus e a Biblioteca de Hadrian. Apesar de fascinante – a reação é a mesma que tive quando visitei Macchu Pichu: por que diabos esse povo resolveu criar uma cidade aqui, no alto nessa montanha? E como os caras fizeram pra construir tudo isso naquele tempo? Quantas pessoas já passaram por esses mesmos caminhos que estou passando? – a visita a Acrópolis é um tanto quanto monótona. Caso não seja um aficcionado por história, vai achar o tempo gasto entendiante. A vista, entretanto, é ótima. Quase completamente plana, é possível ver a cidade em 360 graus do alto do morro. Reserve uma hora ou mais para o passeio.
Aos pés de Acrópolis está Plaka, a cidade antiga. Se perder pelas vielas e descobrir os restaurantes, igrejas e atrações também vai te tomar umas duas horas ou mais. Na minha caminhada me deparei com um restaurante chamado Exoaapxeio (ok, não era Exoaapxeio, mas não tenho o nome aqui agora. Fica na rua Tripodon, numa esquina) e a placa dizia que era o mais restaurante familiar de Atenas, na ativa desde 1935.

Parecia que queriam deixar o lado familiar bem claro: o garçon, depois de colocar uma garrafa de água na minha mesa, parou o serviço – o local estava lotado – para montar o brinquedo da filha. Outro, de fraldas, corria por ali. O dono discutia com a esposa e quando pedi o cardápio ele me trouxe uma bandeja com 15 opções e disse: “olha, o que tem é isso aí. Você escolhe 2 pratos, paga 14 euros e ganha a sobremesa. Vai querer o quê?” Direto e sem paciência. A comida, a mesma que estava na bandeja – no tempo que estive no restaurante vi o dono, sempre ele, fazer o mesmo com outros turistas que tiveram todos a mesma reação de surpresa que eu – é boa, e o que ele não diz e só descobri depois foi que, além da comida, os 14 euros incluem, também, a garrafa de água e uma jarra de vinho.
Também obrigatório e facilmente coberto no pouco tempo disponível é a visita ao monte Lycabettus, o ponto mais alto da cidade. O que vale aqui também é a vista, mas no topo tem uma igreja, um café, propriamente batizado de Horizontes, e uma arena em estilo grego (claro…) que abriga shows e espetáculos. O lugar é acessível a pé, em cerca de meia hora de caminhada morro acima, ou de bondinho.
E completa o roteiro das 24 horas o bairro de Kolonaki, nas proximidades do Monte Lycabettus. Centralizado na praça de mesmo nome, Kolonaki é o lugar para ver e ser visto. Entre Emporios Armani e Zegnas, executivos, socialities e turistas se misturam nos vários cafés da região. Meus contatos gregos me indicaram o Da Capo, na esquina da praça com a rua Tsakalof. No estilo pague-e-pegue, me servi de um sanduíche e um ótimo expresso duplo, suficientes para o resto do dia.
O que mais eu aprendi sobre Athenas e os gregos, nas poucas horas por aqui: o povo é direto, sem lengas-lengas. No hotel, cheguei, fiz meu check in e perguntei pro atendente o que eu poderia fazer no meu pouco tempo livre na cidade. “Faz o seguinte: sobe pro seu quarto e quando você for sair eu te falo”, foi a resposta. Em Kolonaki entrei em uma loja de facas e coisas pra casa. O diálogo foi mais ou menos assim: “Posso te ajudar?” Não, só tô olhando. É que eu gosto de cozinhar… ” Então olha, mas saiba que aqui só tem coisa cara, de primeira…” Aprendi que os motoristas turcos não são de respeitar as leis de trânsito, que motos se dividem basicamente entre scooters e grandes BMWs de mais de 1000 cilindradas e que, apesar de ser lei, ninguém usa capacete (e os policiais não estão nem aí). Aprendi, também, que gregos não se dão muito bem com turcos. Tudo por causa de Istanbul, a antiga Constantinopla – ou AINDA Constantinopla segundo eles – que foi fundada por um grego e, ainda segundo eles, pertence à Grécia (“um dia ainda vamos tomar de volta”, foi o que me disse um motorista de taxi…). e aprendi que a língua grega, guarda semelhanças com o italiano quando falada, por causa da origem latina. Mas que ler o que está escrito ali está além das minhas capacidades.