Appalachian Trail S01E121

Dia 121, 13/08: Spaulding Mountain Lean-to (1988.1) a ME 27, Stratton, ME (2001.6)

Distância do dia: 13.5 milhas | 21,72 km

Distância total: 2001.6 + 8.8 milhas | 3235,42 km

Distância que falta: 188.2 milhas | 302,87 km

Dias que faltam: 10

O dia ia ser curto pra poder chegar cedo na cidade. Por causa disso acabei saindo mais tarde. Além disso duas montanhas deixavam o trecho mais puxado. Primeiro Spaulding Mountain, com a vizinha Sugarloaf, o Pão de Açúcar, e Crocker Mountain, pesada, com dois picos acima dos 4000 pés.

A chuva, claro, continuava. Caía de tempos em tempos. O tempo estava encoberto, nublado e frio. O marcou o dia mesmo foi passar a marca de 2000 milhas. A ALDHA – Appalachian Long Distance Hiking Association só reconhece 2000-miler hikers. Pra eles, thru hiker não existe. Se você fizer 2000 milhas, pronto. Se quiser nem precisa chegar a Katahdin: só de cruzar aquele trecho já tá valendo.

Cheguei ali e fiquei esperando os outros. Senator passou batido. Tooth chegou logo depois, e Wash Bear. Tirei fotos deles e descemos pra estrada pra pegar o shuttle até Stratton.

Não cometemos o mesmo erro: tínhamos ligado e reservado um quarto no hotel da cidade. Quando o motorista chegou, disse a cidade estava lotada. Não tinha mais nenhuma hospedagem disponível. Por causa disso Senator e Tooth acabaram ficando com a gente.
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Appalachian Trail S01E120

Dia 120, 12/08: ME 4, Rangeley, ME (1969.4) a Spaulding Mountain Lean-to (1988.1)

Distância do dia: 18.7 milhas | 30,09 km

Distância total: 1988.1 + 8.8 milhas | 3213,69 km

Distância que falta: 201.7 milhas | 324,60 km

Dias que faltam: 11

Rangeley é uma cidadezinha agradável. Entre dois lagos, tem um visual que atrai dezenas de noivos a cada ano, interessados em celebrar ali o casamento. Mas com o atraso do dia anterior não deu pra ver muito do lugar. Foi o bar ontem a noite e hoje pela manhã a ideia era um café reforçado, supermercado e voltar pra trilha no shuttle de 8:30.

Às sete, quando o café abria a gente já tava na porta. E o lugar só foi abrir 20 minutos depois… Quando chegamos no supermercado já passava de oito. O motorista chegou 8:40 e a gente ainda arrumava a mochila. “Pode esperar uns 20 minutos? Preciso só acabar de arrumar a mochila e ir ao banheiro”, perguntei. “O transfer é 8:30. Se quiser ir à 9 tem que pagar…” Fiquei puto. “Se eu não tivesse esperado você por duas horas ontem isso não teria acontecido. Ok. Você me cobrou o mesmo preço da pousada pra ficar nessa casa de merda, sem internet, onde tive que dividir a cama com outra pessoa. Ontem tive que esperar duas horas pra chegar aqui e você não pode esperar 20 minutos. Ok, foda-se. Eu pego uma carona”.

Não sei se por causa disso ou por causa do tempo de novo ruim – neblina, frio, não se podia ver nada a sua frente – eu voei na trilha. Passei pelo Senator logo no início e subi a Saddleback Mountain bufando. Quando cheguei no topo soltei um berro e continuei. Nos outros dois picos do dia, a mesma coisa. Nada de visual, frio, vento.

Quando cheguei no shelter era seis horas em ponto. Tooth estava por ali. A última vez que tinha encontrado com ele foi no dia do Wildcat. Descendente de indianos, com umas pernas finas e tortas, ele teve um dente inflamado logo no início da caminhada. Daí o nome. “Pensei que você estava muito na minha frente”, ele disse. “Nada. As White Mountains e o sul do Maine sugaram toda minha energia. Não tô conseguindo andar o que queira. Mas a ideia é tirar o atraso nas 100 Miles”, contei, enquanto preparava um sanduíche e abria o litro de vinho, desses que vem em caixa de papelão, que tinha trazido. Wash Bear chegou uma hora depois. Senator quase duas. “Cara, você estava caminhando agressivo essa manhã”. Era verdade. Tanto que em determinado momento quebrei um dos bastões. Mas nem sei quando foi. Não parei pra descansar, não tirei a mochila um momento sequer. “É, eu sei… tá tudo bem. Só quero que essa trilha termine. Já não vejo a hora. Quando o dia terminar amanhã faltaram dez dias…”
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Appalachian Trail S01E119

Dia 119, 11/08: Bemis Mountain Lean-to (1951.7) a ME 4, Rangeley, ME (1969.4)

Distância do dia: 17.7 milhas | 28,48 km

Distância total: 1969.4 + 8.8 milhas | 3183,60 km

Distância que falta: 220.4 milhas | 353,69 km

Dias que faltam: 12

Ontem, quando chegamos no shelter, a água era um pocinho, minúsculo, onde a gente tinha que pegar a água com um copo e encher a garrafa. Hoje de manhã no mesmo lugar corria um riacho. Acordei às 5:30 e fiquei fazendo hora pra levantar.

Normalmente fico uma meia hora ali de bobeira, criando coragem pra sair no frio. Exatamente às seis, quando ia sair de dentro do saco de dormir, desabou um toró. Chuva, trovão, relâmpago, tudo que tem direito. Fiquei mais tempo ali esperando a chuva passar. Duas horas depois dava pra ouvir o riacho correndo…

Com a chuva o início do dia foi problemático. Nem cem metros a gente tinha andado e Wash Bear enfia o pé numa das poços de lama. Mais um tanto e eu escorrego, caindo de bunda no chão… foi meio assim o dia todo. Escorregões, tombos, pés ensopados. Mas a chuva tinha passado, o que era bom.

Mas não durou muito. Meio da tarde, ali pelas três, desaba o mundo de novo. Pelo menos mais duas horas de chuva. Eu andava com o Senador. Wash Bear alcançou a gente pouco antes de chegarmos à estrada – e a chuva parar. Os três molhados, fomos pra beira da estrada tentar uma carona pra cidade. Tinha um hostel perto da trilha – mas o guia que o Senador usava dizia que não tinha eletricidade… Optamos por outro.

Foi um erro. Quando chegamos estava lotado, mas ofereceram pra ficar em uma casa que eles acabaram de alugar, mais perto da cidade. Ótimo. Só que demorou pelo menos duas horas pra levarem a gente até lá… chegamos famintos. E uma das razões pra ficar numa cidade, claro, é comida de verdade (as outras são banho quente e eletricidade pra carregar os equipamentos. Cama, televisão, essas outras coisas não fazem a menor falta). Resolvemos ir comer antes de passar no supermercado. E com o atrasado, quando saímos do bar/restaurante o supermercado já estava fechado…

É bom destacar que a quantidade de comida que a gente consome nas cidades é assustadora. Tudo pra tentar recuperar algumas das calorias gastas durante os dias no mato. Eu, por exemplo, sempre peço o maior sanduíche que tem no lugar. É padrão americano, agora imagina. Vem, claro, com batatas. Que eu cubro de maionese e catchup… E ainda emendo com um porção de buffalo wings, as asas e coxinhas de frango. E sobremesa. E cervejas… E no café da manhã panquecas, com manteiga e syrup. E dois ovos, bacon, batatas, torradas, um litro de café… Se quando eu voltar pro Brasil comer a metade do que como aqui engordo 10 quilos em um mês…

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Japão – sites e apps

É impressionante como a tecnologia mudou o jeito de viajar. Como a Internet e os aplicativos facilitaram o planejamento e controle de viagens para locais como o Japão, por exemplo. Na pesquisa do que fazer lá naquele lado do mundo usei dezenas de fontes diferentes. O Tokyo Cheapo foi uma constante. Acessava o site quase que diariamente e passei a seguir no Facebook e no Twitter.  Outro site com dicas de como economizar em viagens e que tem boas dicas sobre o Japão é o Thrifty Nomads. Foi neles que vi a sugestão de viajar de ônibus. Outro site essencial para quem quer ir pra terra do sol nascente é o Japan Guide, certamente a melhor fonte de informação sobre o país. Foi ele a fonte da maioria das dicas de transporte e turismo que usei pra criar meu roteiro. E pela primeira vez usei o YouTube como fonte de informação para a criação do roteiro de viagem, assistindo a horas e mais horas de vídeos, em especial o divertido canal Only in Japan.

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O Google Maps é ainda meu local predileto para marcar e salvar os locais onde quero ir. Vou gravando ali os endereços de todos os locais que quero visitar, seleciono por tipo (restaurante, passeio, templo, compras etc) e marco cada local com um símbolo e uma descrição básica, que muitas vezes copio do site ou guia onde vi a sugestão. Essa seleção me dá uma visão geral da cidade e a partir disso faço meu roteiro. O meu mapa de Tokyo, caso interesse a alguém, pode ser visto aqui.

Já fui colaborador do Fodors Guide, mas tenho que confessar que ninguém supera a Lonely Planet na edição de guias de viagem. Antes era preciso pagar uma pequena fortuna pelos guias, sempre grossos e pesados, e ficar carregando aquele trombolho pela viagem. Com a inclusão dos guias na Amazon, é pessoal carregar os destinos no seu Kindle e pronto. Melhor ainda: os guias da Lonely Planet fazem parte do Kindle Unlimited. Por R$19,90 por mês é possível acessar os livros. Em comparação, a versão impressa do guia do Japão custa R$95,37 e a digital R$65,54. Pelos R$19,90 mensais eu tive acesso não só este, como também aos guias específicos de Tokyo e Kyoto, todos salvos no meu Kindle (se tivesse comprado os três guias impressos teria gastado quase R$250,00 – e iria carregar quase dois quilos a mais de bagagem). Eu já era assinante  do serviço, se não for esse o seu caso é só assinar no site da Amazon. E o primeiro mês ainda é gratuito. Se não gostar é só cancelar o serviço.

Normalmente uso as dicas do GPSmyCity para organizar passeios a pé pelas cidades que visito. Os apps são gratuitos – como opções mais completas pagas – e dão uma boa ideia do que dá pra fazer e visitar na cidade. Já baixei, claro, os de Tokyo e Kyoto. Outro app que sempre uso, independente do país que visito – mas sobretudo naqueles que não falo o idioma – é o Google Translator. No caso do Japão, ele tem uma vantagem: a opção de fotografar e traduzir os kanjis. Já fiz uns testes e mesmo que não funcione 100% ajuda bem na hora de diferenciar, por exemplo, o banheiro feminino (女) do masculino (男).

Mas o Japão tem uma série de apps exclusivos de lá. E não poderia ser diferente. O Imiwa?, por exemplo, é um desses. Ele é um dicionário super completo que estou testando e pode ser útil na viagem. Assim como o Hyperdia, app que calcula itinerários e preços na complexa rede de trens e metrôs japoneses. Para Iphone ele não está disponível na AppStore brasileira, mas consegui fazer o download gratuito (por 30 dias) na americana.

Tabimori é um aplicativo desenvolvido pelo Aeroporto de Narita, onde chego, e é, segundo o próprio app, um amuleto de viagem, com dicas de turismo, clima, tradução, transporte, locais com wi-fi de graça e convenção de moedas, além de notícias sobre o Japão. Já está instalado e testado e provavelmente vai ser o que mais vou usar. Ele e o Gurunavi, guia de restaurantes de Tokyo.

Odigo ainda está em versão beta mas já se mostra super útil para organizar e programar a viagem. No site você seleciona dia a dia o que vai fazer e ele calcula o tempo e traça o roteiro entre as atrações. A versão beta ainda não está completa, tem dado pau em alguns momentos, mas o aplicativo tem potencial.

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Por fim, como o Japão é o Japão, baixei também o Safety Tips, um app que notifica o usuário em caso de desastres naturais, como terremotos e tsunamis. Essa semana, por exemplo, tiveram dois terremotos de intensidade 3 praquelas bandas, um na região de Akita e outro em Fukushima.

O próximo post vai ser direto de Tóquio. Até lá.

Dez fatos sobre o Japão

Dez fatos que preciso ter em mente durante minha viagem ao Japão:

  • A probabilidade de eu pegar algum terremoto é imensa. Enorme. Godzillesca de tão grande. Estatisticamente é provável que eu sinta 57 terremotos nos 14 dias por lá, já que o país tem uma média de 1500 tremores por ano…
  • Eu vou conhecer uma ilha, Honshu, a maior, onde está Tokyo e Kyoto. Vão ficar faltando outras seis mil e tantas ilhas japonesas pra visitar…
  • É muito provável que algum dia eu almoce em uma vending machine. São mais de cinco milhões espalhadas pelo país, que além de almoço vendem flores frescas, calcinhas usadas, guarda chuvas, ovos frescos, churrasco e cerveja (talvez esse seja meu almoço… ou noodles, que você também pode comprar numa dessas máquinas).
  • Sushi de salmão foi inventado pelos noruegueses…
  • Ruas no Japão não tem nome. Se não bastasse…
  • A probabilidade de um vulcão entrar em erupção no país também é alto, já que são mais de 100 vulcões ativos. Incluindo o Monte Fuji…
  • Pizza de lula. O sabor preferido no país. Pizza. De. Lula.
  • Levar desodorante, já que o produto não é fácil de ser encontrado. Nem spray. Nem bastão.
  • Reggae: o Japão é o maior consumidor de reggae do mundo. E importa 85% do café da Jamaica… Humm…
  • Batata doce, flor de cerejeira, feijão, brandy com laranja, abóbora, sal francês, vinagre de maça, melancia com sal e pudim. Estes são só alguns sabores de Kit Kat que existem por lá.

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Japão – planejando Kyoto e retorno

Se eu já estava em êxtase quando comecei a planejar Tokyo, a pesquisa do que fazer em Kyoto é simplesmente enlouquecedora. A quantidade e a beleza dos templos e jardins é de tirar o fôlego. Ainda acho que não inclui no roteiro tudo o que quero ver e fazer na cidade…

Dia 9 (16/11) – Quarta – Hakone/Tokyo

Vamos sair à tarde de Hakone, da casa do Sumusu, de volta à Tokyo. Ali a ideia é pegar um ônibus noturno pra Kyoto. Fiz e refiz as contas do JR Pass e realmente não vale a pena. Veja bem: o passe pra 7 dias vale 276 dólares. São 28 mil yen. Sete dias é metade do tempo que vou estar no Japão, de forma que teria ainda que desembolsar pelo transporte nos outros dias ou comprar um passe pra 14 dias, que custa 442 dólares – ou aproximadamente 45 mil yen.

Agora veja: incluindo a viagem de ônibus para Kyoto (5800 yen o trecho na Willer Express), a viagem para Kamakura (1840 yen ida e volta com a própria JR, pegando a JR Shonan Shinjuku Line), o passe pra Nikko (2670 yen pelo passe de dois dias, o 2 day Nikko Pass), a viagem pra Hakone (5140 pelo Hakone Free Pass, que inclui passeios locais), mais o trem ida e volta do aeroporto (4000 yen pelo N´ex Tokyo Round Trip) e ainda uma média de 400 yen/dia pelos 5 dias em Tokyo (2000 yen total) usando o Suica Card vamos gastar, por pessoa, pouco menos de 28 mil yen, o valor do JR Pass.

Deu na mesma? Não. O JR Pass não faz nem a viagem pra Nikko nem pra Hakone, que eu deveria pagar em separado. Se comprar o passe de 7 dias teria que pagar o retorno pro aeroporto, mais 3000 yen. Sem contar que por viajar de ônibus vamos economizar duas noites de hotel, que vamos passar na estrada – a ida e a volta de Kyoto. Só nisso são mais uns 25 mil yen de economia. Resumindo: não pegar o JR Pass vai nos economizar, por baixo, uns 400 dólares…

Sendo assim optei mesmo pelo busão. Tava em dúvida se incluía alguma outra cidade mas resolvi focar em Kyoto e o que tiver ali perto (Nara principalmente). A passagem ida de volta saiu a 11200 yen por pessoa (algo como 110 dólares, vamos ver quando a cotação bater no meu cartão).

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O ônibus da Willer Express

Então no nono dia, depois de passar a manhã em Hakone, pegamos o trem de volta pra Tokyo, damos uma passeada e a noite vamos pra Kyoto.

Dia 10 (17/11) – Quinta – Kyoto – região central

A chegada está prevista para as 7 da manhã na estação de Gion Shijyo, bem central. A estadia vai ser de novo em Airbnb: por 205 reais por noite, é a mais barata da viagem. O apartamento do Yoshi é simples, mas bem localizado. Como a entrada é só as 15h, vamos deixar as malas na estação (custa 500 yen, já olhei) e passear pela cidade na manhã.

A ideia aqui é começar pelo símbolo mais famoso da cidade, os arcos vermelhos de Fushimi Inari-Taisha. Ficam ao sul da estação. Descemos até lá e vamos subindo de volta até os jardins do Palácio Imperial de Kyoto, que não estão longe da estação. Visitamos ele o vizinho Sento Gosho Palace, cuja visita acontece às 11h. Depois seguimos para Shimogamo-Jinja e se der tempo terminamos o dia nos templos de Daitoku-Ji. Só ali são 24 templos, fundados a partir de 1319. Os três locais – Fushimi Inair-Taisha, Palácio Imperial e Shimogamo-Jinga – não são longe um do outro, mas o tempo gasto de transporte coletivo é o mesmo gasto a pé.

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Palácio Imperial de Kyoto

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Fushimi Inari Taisha

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Shimogamo-Jinja

 

Dia 11 (18/11) – Sexta – Kyoto – Higahiyama

Dia de ir pro sul. Sair cedo pra evitar a multidão e visitar o templo de Kiyomizu-dera, na região da Higahiyama (Montanha do Leste). O lugar é o centro espiritual de Kyoto. Kiyomizu significa “água pura” e o templo está localizado numa nascente, em uma montanha. E está ali há mais de 1200 anos.  Além dele a região é recheada de outros – Chion-in, Kodai-ji, Maruyama-koen… O canal aqui parece ser começar em Kiyomizu-dera e terminar em Sanjo-dori, uma rota já estabelecida, que vai do sul ao norte. Dizem que metade do dia é suficiente.

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Kiyomizu-dera

Depois é continuar seguindo norte e passear pelos templos zen de Nanzen-ji, pelo pavilhão prateado de Ginkaku-ji, Tetsugaku-no-Michi (o Caminho do Filósofo) e Honen-in. São mais umas cinco horas de passeio, suficientes pra encher o dia.

Dia 12 (19/11) – Sábado – Nara

Tokyo significa capital do leste. Kyoto, cidade capital. Tokyo só se tornou a capital do Japão recentemente, em 1868. Antes a capital era Kyoto.  Fundada no século I, Kyoto se tornou a residência do imperador no ano de 794. E assim permaneceu por mais de mil anos.

Mas a história no Japão é mais antiga que isso. Antes de Kyoto a capital japonesa era Nara.  E é pra lá que a gente vai no sábado. A cidade fica há uma hora de trem de Kyoto e além de mais templos e parques o destaque aqui são as dezenas de cervos que ficam soltos pelo parque que dá nome à cidade (ou vice-versa?).

Vai ser pegar o trem, descer na estação, passear pelo templo de Kofuku-ji, pelo parque Nara, pelo templo de Todai-Ji, ver as lanternas de pedra no templo xintoísta de Kasuga, passear pela região histórica (o que não é no Japão?) de Naramachi e voltar pra última noite em Kyoto.

Espero que na volta dê ainda pra passear pelo centro de Kyoto e passear por Ponto-Cho

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Dia 13 (20/11) – Domingo

Último dia em Kyoto, quero reservar para curtir com calma o Nishiki Market pela manhã. Quem sabe comprar uma faca Aritsugu…

O ônibus sai da mesma estação que chegamos às 9:50 da noite, de forma que ainda vai dar pra aproveitar bem o dia. Ir até o bambuzal de Arashiyama e conhecer os templos da região vai tomar umas quatro horas de passeio. Dá pra fazer isso voltar no final do dia pra pegar o ônibus pra Tokyo.

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Arashiyama

Dia 14 (21/11) – Segunda

Hora de voltar. O voo sai do aeroporto de Narita, Tokyo, às 21h25. Duas horas antes, 19h25. Mais uma hora e pouco pra chega no aeroporto, 18h. Hora do rush, dá um desconto, melhor sair de Tokyo por volta das 16h. Contando que o ônibus chega de Kyoto às 8h da manhã, ainda dá algumas horas pra aproveitar a cidade. A ideia é ficar ali pela região central, de Shibuya ou Shinjuku, comprar umas lembrancinhas e seguir pra Narita.

A chegada a São Paulo está prevista para o dia seguinte às 18h20. Dali é esperar um pouco mais pra embarcar às 21h20 pra BH.

Japão – fechando a primeira semana

Dia 5 (12/11) – Sábado – Kamakura/Shinjuku

15 de novembro é celebrado no Japão o Sichi-Go-San. Literalmente, Sete-Cinco-Três. É o dia em que os pais levam as crianças – meninas de três e sete anos, meninos de três e cinco – aos templos e santuários para pedir saúde e felicidade. Um rito de passagem, onde as crianças são vestidas com kimonos especiais.

A tradição conta que até os três anos  as crianças deveriam ter os cabelos raspados. A partir daí deixam de ser bebês e podem deixar o cabelo crescer. É a kamioki, literalmente “deixar os cabelos”. Meninas então vestem um kimono especial, adornado por uma faixa de seda, o san-sai-furisode. Aos cinco, os meninos vestem pela primeira vez em público o hakama e o haori, as roupas típicas do samurai. E aos sete as meninas vestem o nana-sai-furirode e o obi, kimonos e faixa de seda especial. Durante o Sichi-Go-San as crianças ganham chitose ame, a bala de mil anos, em uma embalagem com desenhos de tsurus e tartarugas. “tsuru wa sen nen, kame wa man nen” (o tsuru vive mil anos e a tartaruga, dez mil anos, dizem os japoneses).

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Sichi-go-san

A tradição remete ao ano de 794. Sete, cinco e três são números de sorte na cultura japonesa. E a celebração acontece no dia 15 porque 15 é a soma dos três números. E como este ano o dia 15 cai no meio de semana, é comum que a visita seja feita no final de semana anterior. Por isso separamos o sábado para ir a Kamakura, onde está Daibutsu, o grande buda de bronze. A ideia é passar o dia por ali e voltar à tardinha ou início da noite.

Pra chegar a Kamakura vamos pegar a linha JR Yokosuka. Custa 1100 yen o trecho (cerca de 11 dólares). Já sabemos que por ser final de semana e com festa especial, os templos vão estar lotados. Mas ideia aqui é esta mesma: entrar de cabeça na cultura e no costume. Além do grande Buda, Hasedera e Hokokuji são os templos principais, e já sei que a melhor forma de ir de um pra outro é andando – apesar da sinalização ser só em japonês. Existem várias trilhas que ligam os templos, e certamente esse vai ser o meio de transporte.  Cada uma tem pouco mais de 2 km, uma hora de caminhada. Vai ser diversão pura.

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Kamakura

Na volta à Tokyo, se não estiver quebrado demais, a ideia é passear em Shinjuku. Se possível comer algo na depachika da Isetan e uns goles na Golden Gai. Mas antes ver a cidade do alto da torre do Tokyo Metropolitan Government Offices. O prédio, com desenho do Kenzo, fica aberto até as 11 da noite. E pegando o elevador na torre 1 dá pra subir até o observatório, a 202 metros de altura, pra ver a cidade (e até o Monte Fuji, se o dia estiver claro).

Depachika é uma palavra japonesa que significa “subs0lo da loja de departamentos”. É, eles tem uma palavra pra isso… Porque nos subsolos das lojas de departamento estão vários restaurantes, muitos de qualidade, e no final do dia, quando a loja está prestes pra fechar, os preços despencam. E a depachika da Isetan, dizem, é das melhores.

A Golden Gai foi dica do Danilo. Uma série de seis vielas com mais de duzentos bares, alguns com espaço pra não mais que meia dúzia de clientes. Visto do alto é impressionante (dá uma procurada aí no Google Maps). Tô curioso.

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Golden Gai

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Depachika

Dia 6 (13/11) – Domingo – Korakuen/Ueno Park/Tokyo National Museum

Mais um dia de parques, templos e descanso. Se é que isso é possível numa cidade como Tokyo.

Pela manhã o projeto é sair do tradicional reduto de turistas e seguir pra região de Korakuen. Koishikawa Korakuen é onde a gente deve passar parte da manhã. Pelo que vi de fotos no outono deve estar um desbunde. Ali perto também tem a Geisha Shinmichi, antiga rua das geishas e a atmosférica rua de Hyogo-yokocho, com seus calçamentos de pedras. O parque de Rikugi-en é considerado por muitos o mais bonito da cidade. Fica mais ao norte. Talvez a gente visite.

 

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Koishikawa Korakuen

Pra depois do almoço a gente estica até o Parque Ueno. Vamos incluir o Museu Nacional de Tokyo, que fica ali perto, no passeio.

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Parque Ueno

Dia 7 (14/11) – Segunda – Tokyo/Nikko

Dia de sair do apartamento da Tokko e procurar outro lugar. Se a gente seguir o roteiro até aqui já vamos ter feito boa parte de Tokyo. Claro que ficaram faltando pontos turísticos na cidade (não incluímos, por exemplo, a região de Roppongi nem Tokyo Bay… Deveria?). Mas a ideia agora é ir pro interior.

Kamakura, a outra cidade nas proximidades de Tokyo que a gente queria visitar, fica ao sul e se tudo correu como o previsto já a visitamos no final de semana. Nikko fica ao norte, e a melhor forma de vê-la parece mesmo ser ir e vir a partir de Tokyo.

Os trens custam 2670 yen ida e volta e a viagem dura duas horas e meia. É preciso sair cedo pra chegar lá por volta das 9h. E o retorno é por volta das 19h30. Mas o ticket vale por dois dias. Pelo menos foi isso que eu entendi no site da empresa de trem…

O que leva as pessoas a Nikko é o parque, patrimônio da humanidade pela Unesco, e suas dezenas de mosteiros e templos. E no outono o lugar é especial, dizem. A questão aqui é se ficamos uma noite em Nikko ou voltamos pra Tokyo, para depois seguir a Hakone. Ficando (acho que vai ser o caso) é achar um lugar. No dia seguinte a gente volta ainda na parte da manhã pra Tokyo e já segue pra Hakone, onde passamos mais uma noite…

Update: Andei olhando Airbnb, hotéis, ryokan no site que o Rafael indicou (o Japanican) mas acabei optando por um lodge que estava com ótima pontuação no Booking, o Inn the Mist. Fica perto dos templos e do centro e custou 12000 yen (380 reais). Então está decidido: a noite vai ser em Nikko.

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Nikko

 

Dia 8 (15/11) – Terça  – Nikko/Hakone

Acordar, passear pelo parque de Nikko, pegar o trem, ir pra Tokyo, trocar de estação, pegar o outro trem, ir pra Hakone. Dia de transporte, basicamente.

Hakone, assim como Nikko, foi dica do Diego, que estava morando em Tokyo. São três as razões de vir aqui: ver o monte Fuji de “perto”, já que não vou poder subir o monte (a temporada fecha em agosto), ver o Museu Aberto, com obras de Henry Moore, Rodin, Miró e outros e aproveitar um Onsen, banhos de águas termais. Nada mal.

A brincadeira vai ter um preço, claro. A passagem pra Hakone custa 5140 yen (51 dólares) e vale também por dois dias (56 dólares por três). Os onsen custam a partir de 1500 yen. E a noite em um albergue vau custar mais uns 5000 yen por pessoa. Espero valer a pena.

Update: já decidi e aqui a opção foi o Airbnb. Não achei nenhuma hospedagem com bom custo/benefício. A casa do Susumu parece ser bem localizada e ele tem uma cara boa. O preço é a média da região: R$350,00 por noite.

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Hakone

Pronto: primeira semana no Japão decidida. Agora é resolver os outros 7 dias. Kyoto? Alpes? Kanazawa? Comprar o JR Pass? Viajar de ônibus? Tenho mais uns dias pra decidir, antes de pedir o visto…

Tem alguma sugestão? Me conta.