Cinco documentários sobre a PCT

Há exatos 2 anos eu dava o primeiro passo na Appalachian Trail. Quando terminei, 131 dias depois, eu prometi pra mim mesmo que nunca mais iria fazer aquilo. Eu estava mentindo.

Daqui a 30 dias eu estarei em Campo, sul da Califórnia, divisa com o México, para um desafio diferente: caminhar até o Canadá, seguindo a Pacific Crest Trail. Se tudo correr como o planejado serão mais 4650 km de caminhada, três estados, quatro meses de caminhada. Em um ano que está particularmente complicado, com grande acúmulo de neve em boa parte da trilha.

Muita gente conhece a PCT por causa do Wild (Livre), que relata a viagem da autora Cheryl Strayed. O filme de mesmo nome, estrelado por Reese Whiterpoon, fez a trilha ficar tão conhecida que o número de caminhantes explodiu nos últimos anos.

Eu gosto bastante de Wild, livro e filme, mas não acho que ele reflita fielmente o que é uma trilha como a PCT. Por isso selecionei cinco (bons) documentários sobre a trilha que você pode assistir online:

Only the Essential -A Hike from Mexico do Canada on the Pacific Crest Trail (2015)

O documentário acompanha a caminhada de Casey Gannon e Colin Arisman em 2013. A narração me incomoda um pouco, mas é um bom exemplo do que a PCT.

 

As it Happens: Pacific Crest Trail (2014)

Andy Laub é um ótimo contador de histórias e hiker experiente. Criou o projeto Dusty Camels e dirigiu esse documentário sobre sua caminhanda pela PCT em 2011. Ótima edição e gráficos, um super trabalho de edição de fotos e boa trilha sonora original.

 
Do More With Less: A Conversation About the Pacific Crest Trail (2015)

Um dos meus prediletos. Travis Barron e Eric Timmerman fizeram a trilha em 2014 e durante o caminho entrevistaram mais de cem caminhantes. O resultado é esse filme que transmite bem o que é a PCT. Boa trilha original, além de Caribou e Sigur Rós.

 

4,270 KMs – A Pacific Crest Trail Documentary (2018)

O destaque do filme do francês Anthony Jouannic são as belas imagens, incluindo aéreas (drones são probidos na PCT). Vale o registro.

 

Out and Back on the Pacific Crest Trail (2019)

Em 2018 James “Jupiter” Hoher começou a PCT com o objetivo de fazer o que é conhecido como YoYo: ir do México ao Canadá, dar meia volta e fazer a trilha inteira novamente no sentido contrário. A história é contada nesse bom documentário dirigido pelo sempre competente John Zahorian.

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Longa Distância no YouTube!

O ano começou cheio de novidades por aqui. Fiz uma nova marca nova, mudei um pouco o visual do blog e dei o primeiro passo (tudo começa com um primeiro passo) em uma série de vídeos no YouTube sobre a Pacific Crest Trail.

A partir de hoje serão 100 dias até o meu início na PCT. A ideia é subir um vídeo por semana contando a preparação para a trilha, o planejamento, os equipamentos que vou usar, meu treinamento. Uma espécie de aquecimento para os vídeos que pretendo mandar da trilha. E depois, já fazendo a trilha, preciso ver como será meu acesso à internet para ver se consigo manter essa regularidade. Se não conseguir postar um vídeo por semana quero subir pelo menos um a cada 15 dias. Assista ao vídeo, se inscreva no canal e ative as notificações para ficar sabendo quando subir os outos vídeos.

Os textos no blog vão continuar, claro. E estou armando outras parcerias que conto pra vocês em breve.

Bate-papo com Edinho Ramon (Sua Casa é o Mundo)

No dia 19 de janeiro de 2019 eu encontrei com o Edinho Ramon do Site Sua Casa é o Mundo e do projeto Caminho a Dois – que ele faz com sua esposa Bia Carvalho – para um papo sobre caminhadas de longa distância.

A conversa aconteceu na minha casa e foi transmitida ao vivo pelo nosso Instagram e Facebook – por isso a baixa qualidade do vídeo. Fica aqui o registro para que estiver pensando em fazer uma caminhada de longa distância no Brasil ou no exterior. Falamos de preparação, perrengues, equipamentos, sobre caminha sozinho e acompanhado e principalmente sobre a Appalachian Trail (que eu fiz em 2017) e a Pacific Crest Trail (que eles fizeram em 2018 e eu faço em 2019) e demos muitas gargalhadas.

Acompanhe a conversa aí embaixo.

 

AT, Ano 1. PCT, Ano 0.

Ano passado, nesse mesmo dia 23 de agosto, às 11h23 hora local, eu chegava ao topo da última montanha da Appalachian Trail, o Monte Katahdin. Terminava ali uma jornada de mais de quatro meses de caminhada por uma das cadeias montanhosas mais antigas do mundo. Terminava ali minha trilha que passou por 14 estados americanos, percorreu mais de 3.500 km, subiu ao topo de mais de trezentas montanhas. Uma trilha onde gastei três pares de sapatos, emagreci uns 12 quilos, me fez conhecer um outro lado de mim.

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Desde então muita coisa aconteceu. Minha mente já foi do “isso nunca mais” ao “quando é que vou fazer isso de novo”. Mostrei que nem tudo é tão bonito quanto parece e contei um pouco sobre depressão pós-trilha isso num texto para o Anuário 2017 do Extremos – que você pode comprar aqui. Pensei em nunca mais fazer trilhas. Dei algumas palestras sobre minha experiência e estou escrevendo um livro sobre isso. Caminhei o Circuito O de Torres del Paine no Chile com a Alê e foi uma experiência incrível (você pode ouvir o podcast sobre essa caminhada aqui). Pensei em nunca mais fazer trilhas (é, eu pensei muito sobre isso).

Mas recentemente isso tem mudado. A depressão pós-trilha passou e já faz alguns meses que venho pensando “poxa, eu realmente deveria fazer uma outra trilha longa, como eu tinha imaginado antes de fazer a Appalachian Trail…”.

Há algumas semanas comecei a pesquisar as possibilidades, sobretudo na Europa e Oceania. As trilhas dos Alpes devem ser lindas, mas nada muito longo como gosto. Além disso não é permitido acampar em boa parte da trilha. Santiago de Compostela é algo que só toparia fazer se Alê fosse comigo (o que pode acontecer em alguns anos. Ainda preciso de melhores argumentos para convencê-la). O Sentiero Italia, a maior trilha do mundo segundo algumas pessoas, ainda não está completamente estruturada. A Te Araroa, na Nova Zelândia, é uma que está no meu radar faz algum tempo, mas quanto mais pesquisava menos animado ficava. As trilhas da Austrália são incríveis, mas já conheço bem aquela lado.

E daí me lembrei de algo que havia pensado antes de me decidir pela AT, ainda em 2016. A AT não era minha primeira opção. Pelo visual, pela beleza das paisagens, eu havia pensado em fazer a Pacific Crest Trail, no oeste americano. Havia lido pouco sobre a trilha, confesso, mas pelas características do terreno optei pela AT,  por ter uma altimetria mais similar que o que encontramos aqui em Minas: montanhas, montanhas, montanhas…

“E se agora for a hora de fazer a PCT?”, pensei. E comecei a pesquisar um pouco mais…

É uma trilha mais longa que a AT mas por ser menos acidentada é possível caminhar em média 40% a mais (na AT minha média foi de 27 km, ou 17 milhas, por dia). É uma trilha que exige uma logística mais apurada para compra de alimentos. É uma trilha que se estende por regiões muito específicas – deserto, altas montanhas, planícies, florestas. Que passa do nível do mar a mais de 14000 pés, quase 4500 metros de altitude, no Monte Whitney, a montanha mais alta dos Estados Unidos Continental (ficando abaixo apenas do Denali, no Alaska). Que alguns brasileiros já completaram – além da Brazil Nut, a Rose Eidman a completou em duas jornadas – metade em 2016 e o restante em 2017. 2017 foi também o ano que o Guilherme Bromberg completou a trilha e em 2018 está sendo a vez do Edinho e da Bia percorrem o caminho.

A PCT cruza os Estados Unidos de cabo a rabo, literalmente – da fronteira do México ao Canadá. É um trilha mais técnica, que exige um período mais definido de início e término – comece muito depois no final de abril e saiba que você vai sofrer com a seca no deserto de Mojave e a neve no estado de Washington. Comece muito no início do mês e o perigo é não conseguir cruzar a Sierra Nevada, no centro do estado da Califórnia. É uma trilha que exige o uso de machado pra neve, de garras nos sapatos, que as pessoas sofrem com a seca e com o excesso de água e que é infestada de mosquitos.

A PCT é também a trilha que a Cheryl Strayed caminhou uma parte e serviu de inspiração para o livro e filme Wild (Livre no Brasil). O sucesso do livro e do filme, aliás, são motivo de preocupação para a Associação que cuida da trilha. Chamado de “Wild Effect” ele fez que o número de pessoas que tentassem a trilha crescesse exponencialmente nos últimos anos. Pra se ter uma ideia, em 2011, antes do livro ser lançado, 156 pessoas completaram a trilha. Em 2016 foram mais de 700 (2017 teve um número menor, 491, mas foi um ano extremamente difícil por causa da neve e queimadas). Isso fez com que a Pacific Crest Trail Association estabelecesse um número limite de pessoas que podem começar a trilha a cada dia – são 50, definidos em uma inscrição online que acontece em novembro.

Decidi que vou fazê-la no ano que vem. Com meu passo rápido e determinado de Speedy Gonzalez planejo começar na primeira quinzena de maio, enfrentar o calor do deserto e chegar antes do degelo em Sierra Nevada e completar a trilha ainda em setembro, antes da neve começar a cair na divisa com Canadá. Pra isso vou ter que fazer de novo em menos de 5 meses.

PCT 2019. 4.290 km. 150 dias caminhando. Ou menos.

PCT 2019. Faltam 8 meses. A contagem regressiva já começou.