Pacific Crest Trail – S01E01

A trilha da trilha: JJ Cale – Tijuana

Parece cenário de guerra (ou de evento barato): das tendas brancas 6×4 metros montadas lado a lado. Dentro de cada uma seis pessoas ocupando cada espaço disponível. Próximo, outras três tendas menor com menos gente: uma com três, outra com duas e uma última com apenas uma, apesar de poder abrigar pelo menos quatro.

A pessoa na tenda sou eu. O cenário é o quintal da casa de Scout e Frodo, num subúrbio universitário de San Diego, California. Apesar de ouvir os roncos vindo das tendas vizinhas, não acho ruim em estar sozinho. Deito na “meia noite dos caminhantes”, ou nove da noite no horário das pessoas normais, e tento dormir sem sucesso. Acordo às dez, à uma, às quatro, e não durmo mais. Estou ansioso pela batalha.

Pouco depois começa a movimentação na casa e levanto. Esvazio meu colchonete, guardo tudo nos sacos estaque e quando vou colocar na mochila vejo que está tudo molhado: enchi a garrafa de água à noite, não fechei direito e minha mochila está ensopada. Como tudo está dentro de sacos estaque, não tem problema.

O café no Scout é bem servido. Muffins, frutas, gandola, café, chá. Termino e vou checar minha mochila – acho que estou esquecendo algo. “Você pode olhar sua mochila quando chegar lá. O carro está esperando”, diz Scout. São 3 carros, com 15 caminhantes que ficaram na cada deles essa noite. Não quero ser o chato: pego a mochila, coloco no carro e seguimos viagem.

São pouco mais de uma hora até Campo, diz Ron, nosso motorista. Vamos falando da vida, experiência com trilhas, o que cada um faz. Além de mim vão no carro três americanos recém-saídos da faculdade: Sydney, Tyler e mais um.

Na chegada ao monumento fotos, conversa com os voluntários da PCTA – Pacific Crest Trail Association, mais fotos e cada um vai saindo no seu ritmo.

Fui o último a sair, às 8 da manhã. Fiquei fazendo vídeos e conversando com os voluntários. Fui até a fronteira com o México, encostei no muro (ele já existe, feito, me disseram, de restos de fuselagem de avião, e ali do outro lado está Tijuana), voltei ao monumento, encostei nele também, e peguei rumo ao norte.

Nas primeiras milhas a trilha vai margeando a estrada. A polícia de fronteira fica rondando por ali, em suas caminhonetes brancas e adesivos verdes. Vi pelo menos seis carros em um hora. Helicópteros também sobrevoam a região. Paro pra fazer uma foto da primeira milha da trilha e quando procuro, cadê o filtro da lente da câmera? Volto pra poder pegar pelo caminho.

Pouco tempo depois a trilha cruza uma linha de trem e sobe morro acima. O México – e os carros da polícia – podem ser vistos ao longe, e vão sumindo a medida que você sobe. É gradual: nenhuma subida pesada por enquanto.

Cruzo alguns caminhantes pelo caminho: Shuffles, a voluntária que estava no Scout; Joyce, que havia ficado lá; Tyler, outros desconhecidos. Chego meu celular e tem uma mensagem do Scout: “Jeff, você esqueceu sua blusa. Posso deixar pra você em Lake Morena se quiser”. Que maravilha: quando chegou caixa que estava esperando veio dentro um blusa. Tirei o wind breaker que estava usando e ele ficou pra trás.

Não era meu plano do dia – pensava em andar um pouco mais – mas não reclamei em ter que dar o dia por encerrado depois de 32 km, às 5 da tarde. Montei a barraca e fui na única loja da vila comer um hambúrguer e tomar uma cerveja.

Pacific Crest Trail – Day 0

A movimentação na casa de Scout e Frodo começa cedo. Às 4:30 o café da manhã começa a ser preparado, às 5:30 está pronto à espera dos hikers, às 6:00 todo mundo sai pra trilha, pra chegar às 7:15 em Campo e cada um pegar o seu caminho – que aqui é sempre o mesmo: uma trilha continua ligando a fronteira do México à fronteira do Canadá.

Eu não vi o grupo saindo. Ouvi um ou dois despertadores, algumas mochilas sendo fechadas e só. Dormi de novo e acordei às 7:00, com a casa já quase vazia. Shuffles, a sul-africana-neozelandesa que está trabalhando de voluntária, estava sozinha à mesa e me juntei a ela. Pouco depois chega Martin, o theco. Eduard, francês, era o único outro hóspede, isso porque estrangeiros podem ficar até três dias (canadenses dois, americanos um).

O dia foi de espera: a caixa com as coisas que ganhei do Caveman Dirtbag Sponsorship ainda não chegou e passei o dia no balanço na frente da casa aguardando o correio. “Já saiu de manhã para entrega”, me disse Amanda, que é meu contato no patrocinador.

Mas não só isso: ajudei Shuffles na limpeza da cozinha e do banheiro, refiz mais de uma vez minha mochila, pesei de novo cada equipamento, passei permethrin nas minhas roupas e mochilas (ao contrário da Appalachian Trail, carrapatos não são tão problemáticos aqui na Califórnia, mas sabe como é, seguro morreu de velho) e vi a movimentação de chegada de mais e mais caminhantes. De tempos em tempos chega um carro – voluntários ou os próprios Scout e Frodo – com três, quatro, cinco pessoas que irão começar a trilha amanhã ou depois. A casa vai ganhando vida: gente comparando os equipamentos, outros já dispensando o que não querem mais, caras de preocupação, sorrisos de nervosismo e ansiedade. Americanos, australianos, alemães, gente de todo canto, de todo jeito, de todas as idades, com um objetivo comum: completar a trilha.

A caixa só chegou no final da tarde. Saí para ir ao correio mandar pelo correio um livro para a Amanda Lourenço e na volta lá estava a caixa. Dentro chocolates, jaqueta, capa de chuva, gorro e equipamentos que estavam faltando e pedi para que eles mandassem pra mim. Agora sim está tudo pronto. Daqui a doze horas começa a PCT.

A trilha da trilha: Tom Waits – San Diego Serenade

Estrada Real – o vídeo

Em 2016 eu resolvi caminhar a Estrada Real. Durante o mês de junho andei de Diamantina ao Paraty. Foi a primeira parte do treinamento para a Appalachian Trail, que eu faria no ano seguinte.

Durante a caminhada eu gravava e postava vídeos diários no Facebook, além de escrever relatos diários aqui no blog. Ano passado subi os vídeos para o YouTube e agora resolvi editá-los na sequência. Incluí algumas fotos que tirei durante a viagem e o resultado é o vídeo abaixo. Quase 50 minutos de uma história que durou 32 dias.

Foi bom voltar a essa história e rever alguns dos personagens que conheci naquele ano. O Dedé, o José Sebastião, o Alberico, o Anemércio, o Jorge…. Foi bom rever as cidades, as paisagens, os causos da caminhada. Ouvir de novo as siriemas, os tucanos, o barulho da mata. Tá tudo aí. Bom filme.

 

Inspirações: John Francis

John Francis, Planetwalker, Wood RIver Valley, Idaho

John Francis, andarilho, Wood River Valley, Idaho

Na madrugada de 18 de janeiro de 1971, sob um intenso nevoeiro, dois navios entram na baía de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos.

O SS Arizona Standard era um navio tanque, pertencente à Standard Oil Company of California. A Standard Oil original havia sido fundada em 1870 pelo milionário John D. Rockfeller. Em 1904 controlava 91% da produção e 84% das vendas de petróleo nos Estados Unidos. Mas em 1911 a Suprema Corte decidiu que o monopólio de Rockfeller era inconstitucional e a empresa deveria ser dividida. Dentre as 34 empresas que surgiram da divisão estão a Esso, a Mobil e a Chevron, o nome-fantasia da Standard Oil Company of Califórnia. O Arizona Standard havia saído carregado da Estero Bay com destino às docas da empresa em Long Wharf, em Richmond, localizado já na baía de San Francisco. O segundo navio era do mesmo modelo: um navio tanque T-2 de 153 metros de comprimento e mais de 10 mil toneladas, também pertencente à Chevron. Chamado SS Oregon Standard, ia em sentido contrário: havia saído das docas da Standard Oil com destino ao porto de Bamberton, no estado de British Columbia, no Canadá. Estava carregado com 800 mil galões de óleo bruto.

Quando o Arizona Standard deixou o porto em Estero Bay, no condado de San Luis Obispo, também na Califórnia, o tempo era bom. Era início da  tarde do dia 17 de janeiro e a viagem até San Francisco era curta. Mas quando o navio se aproximava da baía, pouco depois das 10 da noite, um grande nevoeiro começou a se formar. A maré subiu, a corrente começou a puxar na direção nordeste e do navio não se podia mais ver a cidade, encoberta pela névoa. O capitão reduziu a velocidade e soou o alarme de nevoeiro. Ao mesmo tempo ele ouvia pelo rádio da embarcação que o Oregon Standard havia deixado o porto de Richmond.

Com a visibilidade comprometida, o Arizona entrou no canal exatamente à 1 da manhã. Meia hora depois os dois navios se chocavam, a poucos metros da famosa Golden Gate e da ilha de Alcatraz. Em consequência do choque o Oregon Standard derramou na baía sua carga, 800 mil galões de petróleo bruto.

A acidente gerou uma onda de voluntariado só vista no terremoto que devastou San Francisco em 1906. Apesar de ninguém na tribulação dos dois navios ter se machucado, os danos para o meio ambiente foram incalculáveis. Mais de 4000 aves foram resgatadas, mas como havia pouca informação sobre como limpar aves sujas de petróleo apenas 300 sobreviveram. O acidente motivou a criação da International Bird Rescue, uma organização não-governamental especializada no reabilitação de aves afetadas por derramamento de óleo. Desde 1971 a ONG trabalhou em mais de 200 derramamentos em todo o mundo.

Na manhã seguinte ao acidente o jovem John Francis cruzava a Golden Gate de carro com um amigo quando viu o estrago ambiental causado pelo acidente. Foi ali que ele decidiu que não iria mais andar em veículos motorizados. Nada de carro, moto, ônibus, caminhão. Nem dirigindo, nem de carona, em nenhum veículo fosse movido a petróleo. Ele tinha 24 anos.

Três anos depois, quando fez 27, John decidiu que iria passar um dia sem falar. Acordou e nesse dia ele apenas ouviu. Sem dizer uma palavra. Ele conta que foi uma experiência marcante, “porque, pela primeira vez, eu comecei a ouvir”. Então ele decidiu ficar mais um dia em silêncio. E mais um. E outro. E assim não disse nada nos 6200 dias seguintes (isso são 17 anos, se você fizer a conta).

Ele também resolveu fazer um curso de gradução em meio ambiente na universidade de Ashland, no Oregon, a 800 quilômetros de sua casa na Califórnia. John foi pra aula a pé. Depois dos dois anos de curso ele seguiu para Port Townsend, no estado de Washigton. De lá a Idaho, e de Idaho a Montana, onde onde, dois anos antes, havia se inscrito em outro curso. Sem dinheiro, ganhou bolsa para uma única matéria, com aulas práticas na América do Sul. John veio de barco à vela até a Venezuela. E de lá, a pé veio ao Brasil e continuou até a Argentina, Chile e Bolívia. Também a pé cruzou a ilha de Cuba, onde estou agricultura orgânica e desenvolvimento sustentável.

Ele voltou a falar em 1990, depois de 17 anos de silêncio. E se tornou embaixador das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Criou a fundação Planetwalker (Planetwalker: 17 Years of Silence, 22 Years of Walking é o nome de sua autobiografia) e ajudou o governo americano a escrever políticas e leis sobre o derramamento de petróleo. Tudo isso porque John resolveu deixar o carro de lado e andar.

Se você ficou curioso com a história dele, veja – e ouça – sua palestra no TED.

Longa Distância: O Livro

Desde que fiz a Estrada Real, em 2016, que alimento a ideia de fazer um livro com o relato da viagem. Primeiro veio o fanzine, sugerido, incentivado e diagramado pela entrecampo, de Belo Horizonte. Foram 100 cópias, já esgotadas.

Daí veio a vontade de botar no papel a viagem inteira. O projeto Longa Distância: Primeiros Passos vai englobar não só a Estrada Real como também as histórias do Caminho da Fé. Não é um guia de viagens: é um livro pra quem gosta de histórias.

O livro sai pelo selo Leme da editora Impressões de Minas. Serão 200 páginas, dezenas de fotos e várias histórias. A princípio a impressão é em preto. Superando a meta a ideia é fazer colorido.

O projeto está no Catarse. Só ir www.catarse.me/longadistancia e escolher sua recompensa. Se atingir a meta, lindo. Sai o livro. Caso contrário o dinheiro volta pra você. Simples.

 

Por que caminhar?

“Caminhar é levar uma existência descascada (o verniz social foi removido), descarregada de pesos, libertada das habilidades sociais, e purgada das futilidades e máscaras.” Frédéric Gros

“O caminhar e a igualdade andam juntos: no excesso e na soberba não há igualdade, com excesso e soberba não se caminha” Adriano Labbucci

IMG_5469Toda vez que converso com alguém sobre as minhas caminhadas, seja o Caminho da Fé, a Estrada Real ou a Appalachian Trail, a pergunta que todos fazem é essa: por que fazer uma viagem dessas? É uma dúvida inevitável. Ainda mais em uma época onde o meio de transporte mais comum é o motorizado – seja o carro, o ônibus, o avião – e em um mundo onde as pessoas andam cada vez menos e o ato mais comum de todo ser humano é visto como algo excepcional, curioso, estranho até.

Costumo dizer que para mim caminhar é uma forma de oração, um jeito prático de organizar os pensamentos. Minha forma de me afastar do mundo e de me aproximar de mim mesmo. Andar é minha Ave Maria e meu Padre Nosso. Mas não é só isso. Caminhar é minha válvula de escape. Meu palavrão gritado a plenos pulmões, seu #@!*@#!!! Meu Atlético x Cruzeiro num Mineirão lotado. Meu carnaval. Meu fora, Temer! Meu rock´n´roll.

Sabe aquela chacolhada necessária pra deixar as coisas no lugar? O porre do final de semana, o baseado, a academia, a terapia? Pra mim o caminhar é tudo isso. Claro que não importa o destino. Não precisa ser a Appalachain Trail. Mas estes destinos que escolho são muito mais agradáveis que enfrentar o trânsito e o barulho da cidade, esse organismo que a cada dia nos sufoca mais e mais.

“Caminhando desenvolvemos atitudes e qualidades que são o caminho da busca e da realização espiritual: a atenção com o que está fora e a concentração com o que está dentro“. A frase é de um escritor italiano, Adriano Labbucci, que tem um pequeno livro que saiu no Brasil em 2013 pela Editora Martins Fontes chamado Caminhar, Uma Revolução. Em uma outra passagem desse livro ele escreve algo que é bem próximo do meu objetivo com essas caminhadas: “Não se caminha para chegar depressa, caminha-se para que as coisas nos alcancem no tempo propício, caminha-se para ficar com os sentidos despertos e para fazer o ar circular pela mente e pela alma“. É esse o espírito. Veja: o que me atrai nessas viagens não é aventura, não é o desconhecido. É simplesmente o andar. Não é o ir mais rápido, nem o mais longe, nem chegar ao topo. É caminhar. Só isso. É simples.

Se acreditasse em deus poderia dizer que foi o Caminho da Fé, em 2015, que mudou a minha vida. Estava em um momento de indecisão e cheio de dúvidas. Fiz o Caminho e voltei mais calmo, menos apegado às coisas materiais, menos preocupado e ansioso. Mais ciente de quem eu sou, de meu lugar no mundo. E determinado a caminhar mais. Mas sei que se tivesse dado duas voltas na lagoa da Pampulha todos os dias por duas semanas o resultado teria sido o mesmo. Foi o caminhar que me mudou, não o destino. O mesmo aconteceu na Estrada Real. O percurso desafiou minhas condições física e mental. E aquele esforço me deixou ainda mais determinado, centrado, ciente dos meus limites, de minhas qualidades e meus defeitos. Poderia ter corrido uma maratona por dia durante um mês. Ou feito terapia por dez anos. Acho que daria na mesma.

Sei também que o desafio da Appalachian Trail vai ser extremo. Por mais que tente não me preocupar, por mais que pense que é só andar, é impossível não pensar na dificuldade, no tempo, na saudade, nos perigos, nos animais selvagens, na distância, nas consequências. É claro que não é só andar: é o antes, o durante, o depois, e tudo que isso carrega. São cinco meses na trilha, uma eternidade depois. A trilha exige planejamento, concetração, estudo. Para mim, já é quase um ano de leituras, pesquisas, livros e conversas. Sabe-se lá o que isso vai mexer comigo quando voltar. E como me comprometi a tudo isso, nada melhor que dividir com vocês essa jornada. Se eu estou fazendo, qualquer um pode fazer. Por isso o blog, a página, as fotos, os vídeos, os áudios. Tudo isso com foco em algo que busco nesta e em todas as outras jornadas: simplificar o meu andar e aperfeiçoar o meu olhar. Abrir a mente, aguçar os sentidos e tentar me (re)conectar com o meio ambiente.

O jornalista Pablo Pires Fernandes, amigo de longa data, escreveu recentemente um texto para o Dom Total sobre cozinhar, uma paixão que nós dois temos em comum. “Cozinhar é um ato revolucionário”, diz ele. “Cozinhar demanda uma relação particular com o tempo, evoca rito. (…) Esse espírito inconformista que busca o novo e o desconhecido estava presente nos navegantes que, famintos, cruzaram mares sem saber onde iam chegar.”  Assim é também o caminhar. Para Labbucci “não existe nada mais subversivo, mais alternativo em relação ao modo de pensar e de agir, hoje dominante, que o caminhar. Ponto.” Ponto, repito.

Talvez a minha (re)descoberta do caminhar seja a minha forma de me reencontrar. Uma forma de retomar não só a légua a pé que minha família tinha que fazer pra visitar minha avó, mas as corridas na adolescência com minha irmã, minhas banda de rock, meus fanzines, minhas calças rasgadas, meus cabelos coloridos, minha inconformação da adolescência. É reviver meu lado inquieto, desobediente, revolucionário. Caminhar, pra mim, é ir na contramão, mas ao meu encontro.

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A trilha da trilha: Connecticut

Tenho que esclarecer três coisas:

Primeiro, a caminhada que vou fazer não tem nada a ver com a de Cristopher McCandless, o personagem de Na Natureza Selvagem. Os lugares para onde vou são bem próximos de cidades e a probabilidade de acontecer algo como o filme é rara.

Segundo, eu nunca gostei de Pearl Jam, mas essa trilha do Eddie Vedder encaixa como uma luva no filme do Sean Penn. E consequentemente também na caminhada.

Por fim, a música não tem nada a ver com Connecticut, o próximo estado que vou cruzar. Mas achei que iria se encaixar bem aqui, porque daqui pra frente a coisa fica mais complicada. Garantido.