Tratamento de água na trilha

Pense comigo: você perde mais de dois litros de água por dia, seja pelo suor ou pela urina. É preciso repor essa água. Se vai ficar mais de um dia na trilha ou no mato é improvável que leve toda a água que for consumir. Mesmo em trilhas de apenas um dia, é quase certo que vai precisar pegar água direto da natureza para beber. Pode ser que você encontre uma nascente com água pura e fria, mas na maioria das vezes o cenário é bem diferente: rios, lagoas, cachoeira, reservatório de água para gado, água empoçada de chuva… Vai ser isso que você vai encontrar. Você tem três opções: morrer de sede ou tomar a água e torcer para que não tenha uma doença. A terceira é utilizar algum sisteam de tratamento da água, para que ele fique potável, livre de bactérias e protozoários. Infeção urinária e intestinal? Não, tô fora.

Para que isso não aconteça existem diversos métodos de purificação de água. Vai depender de você e da trilha que estiver fazer para decidir qual a melhor opção. O mais comum no Brasil ainda é a purificação química, feita a partir de gotas ou pastilhas de cloro. Nesta categoria estão o Clor-in e o Hidrosteril.

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O Clor-in é uma pastilha que tem como base um derivado do cloro orgânico, o Dicloro-S-Triazinetrinone. Sua principal vantagem é não deixar gosto na água e ser eficiente na prevenção de diversas doenças e infeções causadas por microorganismos. É leve e fácil de carregar, mas cada pastilha é suficiente para, no máximo, um litro de água. A cartela custa em torno de R$10,00. Além disso, é preciso esperar meia hora para a pastilha faça efeito – ou seja, o seu uso não é imeditado.

00090639O Hidrosteril, por sua vez, está disponível em formato líquido. Duas gotas são suficientes para a purificação de um litro de água. Sua composição também é a base de derivados de cloro – o hipoclorito de sódio, ou basicamente água sanitária. A água pode ser consumida em apenas quinze minutos, mas o produto deixa um gosto forte de cloro. Custa em torno de R$20,00 o frasco de 50 ml, suficiente para purificar dezenas de litros de água.

6596Pouco comum no Brasil, o Aquamira é outro purificador químico. É formado por dois compostos, vendidos em frascos separados, que precisam ser combinados no momento de purificar a água. O primeiro frasco é composto de dióxido de cloro e o segundo por ácido fosfórico. A combinação dos dois é eficiente na eliminação não só de bactérias, mas também de viroses e cistos de protozoários, como a giárdia. 60 ml (um frasco de 30 ml de cada produto) são suficientes para a purificação de 100 litros de água. Também não deixam cheiro ou gosto e nos Estados Unidos o kit é vendido por 15 dólares – não encontrei o produto a venda no Brasil. É bom deixar claro que nenhum dos métodos químicos filtra a água – caso ela esteja poluída com elementos físicos – terra, barra, folhas etc – é preciso primeiro filtrar a água (você pode usar uma bandana, por exemplo) e depois purificá-la.

Um método de purificação que vem se popularizando no Brasil e é o mais popular nos Estados Unidos é a filtragem. Neste caso a água passada por um mini filtro, eliminando não só bactérias, mas também elementos físicos. Os filtros mais comuns – e que eu particularmente prefiro – são da marca Sawyer. São três modelos: o normal, chamado simplesmente de Sawyer Filter System; o Sawyer Mini e o Sawyer Micro. O princípio dos três é o mesmo – uma “pele” de microfibras tubulares que filtram 99.99% de bactérias (samonela, E.coli) e protozoários (giárdia), mas não eliminam viroses. São leves, versáteis e muito práticos. O Mini, apesar de ser o mais leve dos três modelos, tem um fluxo de filtragem muito lento, o que me faz achá-lo o pior dos três. O Micro, lançado recentemente, tem o mesmo peso Micro e um fluxo de água bem próximo ao sistema original, pra mim ainda o melhor dos três. Em todos os casos é preciso coletar a água em um recipiente e filtrá-la para outro. Também é preciso ter cuidado em baixas temperaturas: em noites frias o filtro pode congelar e se quebrar. O Sawyer Filter tradicional custa em torno de 40 dólares, o Mini em torno de 20 dólares e o Micro cerca de 30 dólares nos EUA. No Brasil o Mini é vendido por cerca de 220 reais.

katadyn-be-free-water-filtration-bottle-rolled-up_e0fce646-5abc-4c30-95df-2ea29ac2870f_grandeOutro sistema por filtragem que vem se popularizando é o de filtros adaptados diretamente na boca de uma garrafa dobrável – algo que o Sawyer também permite fazer. São mais leves, mas você fica limitado a quantidade de água dentro da garrafa. Nenhum dos sistemas de filtragem (seja o Sawyer, seja o filtro da Katadyn) necessita de espera para que você beba a água – é passar pelo filtro e tomar.

1360339416-61097500Semelhante ao sistema de filtros, o sistema por gravidade é destinado a filtrar uma quantidade maior de água – 10 litros de uma vez, por exemplo. A vantagem é que você não precisa estar presente no momento da filtragem – é colocar o recipiente com a água suja em um ponto mais alto e deixa a água passando pelo filtro até o recipiente de água limpa. É similar aos antigos filtros de barro que a gente usa em casa – mas muito mais leve e portátil. Os principais fabricantes, como Sawyer, Katadyn e Platypus têm modelos disponíveis de sistemas de gravidade.

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Sistemas de filtragem por bombeamento também são uma opção, mas são grandes e pesados (cerca de 500 gramas, contra 70 gramas do filtro Sawyer Micro). Alguns modelos têm a vantagem de filtrar também viroses. Também custam caro – modelos mais simples da MSR, por exemplo, que não são eficientes contra viroses, custam a partir de 100 dólares, chegando a mais de 350 dólares os modelos que eliminam contaminações por virus. 61axt-brahl._sx425_Outro sistema de purificação é o feito por raios ultravioletas. A marca mais conhecida é a Steripen. Suas canetas emitem raios que eliminam bactérias, protozoários e viroses e precisam ser recarregadas (bateria ou USB, dependendo do modelo) a cada 50 litros, em média. Por isso não é um sistema que eu usaria – já tenho que cuidar da bateria do celular, da lanterna, do geolocalizador e isso é suficiente. As lâmpadas têm uma vida útil bem maior – podem ser utilizadas cerca de 8000 vezes. Agem rápido – em cerca de um minuto – mas não filtram as impurezas físicas. As Steripen custam em torno de 100 dólares nos EUA.

Por fim, existe o bom e velho método de fervura. Deixe a água fervendo por alguns minutos para eliminar todos os tipos de microorganismos. Mas é preciso esperar a água esfriar para bebê-la. Como levo panelas pequenas, não é um método que utilizo. Prefiro confiar nos outros métodos mais modernos.

Independente do método é importante sempre filtrar e purificar a água que for consumir, seja bebendo ou cozinhando, quando estiver em trilhas. Nas minhas trilhas de longa distância sempre levo o filtro Sawyer tradicional como primeira opção e uma cartela de Clor-in como backup, caso o filtro estrague. E você? Qual a sua escolha?

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Planejamento de trilhas de longa duração

Fiz minha primeira trilha de longa distância em 2015. Caminhei 420 quilômetros do Caminho da Fé e conto sobre essa caminhada aqui. Depois foram os 1200 quilômetros da Estrada Real, que também conto o dia a dia nesse link. Me preparava para fazer os  3.540 quilômetros da Appalachian Trail quando fui ao Rio para uma reunião com o pessoal da Spot. A gente fechou uma parceria e eles me cederam o Gen3 para a travessia. Seriam cinco meses de caminhada e a única condição que a Ale, me esposa, colocou foi que ela deveria saber em tempo real onde eu estava. E o Gen3 é perfeito pra isso, já que manda para um site e suas redes sociais a sua localização.

Na reunião o pessoal me perguntou se eu não estava preocupado com os imprevistos que eu poderia encontrar durante a travessia.

– Olha, eu não sou aventureiro. Eu sou planejador. O que eu faço é planejar eventos. Uma travessia de cinco meses não é nada mais que um evento de longa duração.

Foi essa a minha resposta. E é verdade. Sou formado em Comunicação, mas trabalho com eventos desde 1994. Fiz um Master in Event Management na University of Technology de Sydney, Australia. É minha profissão.

Assim como nos eventos que faço, ao planejar uma trilha qualquer eu preciso pensar em todos os aspectos: o que vai ser? Quanto vai custar? E se algo der errado? E se não chegar ao final? E como vai ficar a imagem do meu cliente depois desse evento, caso algo der errado? Quais os retornos que meu cliente vai ter caso tudo ocorra como planejado? Como medir o sucesso desse evento?

Encaro assim o planejamento de uma trilha de longa distância. E acredito que você deva encarar da mesma forma. Não é aventura: é um evento bem planejado, onde todos os aspectos precisam ser analisados e levados em consideração.

A primeira coisa no seu planejamento é decidir qual trilha fazer. No meu caso, decidi fazer aAppalachian Trail em 2017 por alguns motivos. Primeiro porque eu não queria uma caminhada com tanta gente como o Caminho de Santiago, por exemplo. Quer números? Então toma: em 2017, segundo a Appalachian Trail Conservancy, 4.127 pessoas se registraram para para a trilha de ponta a ponta, os chamados thru-hikers. Eles também estimam que outras 800 pessoas não se registraram, o que temos um número na casa de 5.000 pessoas. Já a Confraternity of Saint James, que administra o Caminho de Santiago, chegou a impressionantes 301.036 peregrinos em 2017. O Caminho de Santiago recebe por semana mais peregrinos que a AT recebe durante o ano todo…

Além disso eu queria uma caminhada que me permitisse acampar o máximo de noites possível e que não fosse muito técnica. Por isso eu escolhi a AT e não a PCT, por exemplo. Eu sabia que naquele ano a PCT não seria pra mim: eu não tinha experiência em neve, a trilha era mais isolada, eu queria caminhar muito mas não ficar pensando em outros problemas.

Para essa definição inicial eu te aconselho a fazer isso com pelo menos um ano de antecedência. Mesmo trilhas menores, como Torres del Paine, no Chile, exigem um planejamento longo, já que você precisa reservar os campings com pelo menos 6 meses de antecedência. Esses meses vão te dar a possibilidade de pesquisar e conhecer o máximo possível sobre a trilha que você vai fazer. Lembre-se: aquela vai ser a sua casa por um bom tempo.

Depois de escolher você vai precisar desse tempo para que você possa planejar a trilha com cuidado. Levante as informações básicas, leia bastante, converse com gente que já fez a trilha, procure livros e sites. Existem dezenas de blogs especializados, no Brasil e no exterior. Procure por vídeos no YouTube, use a hashtag com o nome da trilha no Instagram pra ver fotos e te preparar pro que você vai encontrar. Existem grupos no Facebook de discussão sobre as trilhas. Entre neles. Se existerem grupos separados por anos – de gente que vai fazer esse ano e de quem fez no ano passado, por exemplo – entre nos dois. Conversar com quem já fez a trilha vai te ajudar a entender melhor o que funciona, o que não funciona, quais equipamentos levar, como lhe dar com alimentação etc.

Descubra quanto tempo você vai ter disponível e seja se é adequado pra trilha que você quer fazer. Não tem 6 meses? Com três é possível fazer uma trilha como a Te Araroa, na Nova Zelandia. Tem um mês? Talvez o Caminho de Santiago seja uma opção pra você. Ou Tour du Mont Blanc, na Europa. Uma semana? Existem diversas trilhas aqui no Brasil e na América do Sul. Entre no Wikiloc, por exemplo, e pesquise as trilhas disponíveis.

Planeja também quanto você vai gastar. Se você está curioso sobre quanto custa fazer a Appalachian Trail, por exemplo, eu fiz um texto e gravei um episódio no YouTube só sobre isso. Leve em consideração suas despesas na trilha mas também as despesas que você vai continuar tendo em casa e o dinheiro que vai deixar de ganhar sem trabalhar por aquele período.

Trilha decidida, orçamento feito, é hora de pensar nos equipamentos. Existe muita diferença no equipamento que você vai usar pra fazer uma trilha nos Estados Unidos ou no Brasil. De novo, converse com quem já vez a trilha pra saber qual o melhor equipamento naquela situação. E lembre-se que a escolha dos equipamentos é algo muito pessoal. Experimente, teste, use tudo antes de começar a fazer a trilha de verdade.

Se você já sabe qual trilha vai fazer, se comprometa a isso. Reserva as datas, compre as passagens necessárias. Estude como chegar e sair da trilha e faça as reservas de transporte e albergue necessárias.

Chegue pra fazer a trilha na melhor forma física que conseguir. Pratique em trilhas menores. Se não conseguir, faça como eu: coloque algo pesado em sua mochila e ande pelo seu bairro. Eu colocava todos os volumes de Senhor dos Anéis e Guerra dos Tronos (eram quase dez quilos de livros) e saia subindo os morros de Belo Horizonte. Também fiz algumas sessões de girotronic antes de ir pra AT que ajudaram bastante.

Não se esqueça de trabalhar também o lado psicológico e emocional. Fazer uma trilha que dura três, quatro, cinco meses é um grande desafio. Nesse sentido o livro Appalachian Trails – A psychological and emotional guide to successfully thru-hike the AppalachianTrail, do Zach Davis, foi fundamental. Ele sugere que você faça uma lista dos motivos que o levaram a fazer a trilha e como você vai se sentir se conseguir completar a trilha ou se desistir da caminhada. Faça essa lista e leva com você. Vai te ajudar quando pensar em cair fora da empreitada.41xofrlh4ql

Como tudo preparado é hora de contar pro mundo que você vai sair nessa aventura. Faça um blog, divulgue no seu Facebook, conte pra sua família. Pense em algum produto que a trilha possa gerar: um documentário, um livro, uma exposição.

Tudo pronto é hora de dar aquele primeiro passo. Aproveite cada minuto. Lembre-se que essa trilha é sua: não tente seguir o ritmo de outras pessoais. Ouça seu corpo, não force mais do que você da conta. E se pensar em desistir, nunca desista em um dia ruim. Espere, de um tempo e quando sua cabeça esfriar pense de novo no assunto. Lembre-se da lista que voce fez. Lembre-se também da máxima dos trilhas americanas: hike your own hike. Faça a SUA trilha. Vá no seu ritmo, do seu jeito, que você vai chegar e seu evento, sua caminhada, vai ser um sucesso.

E lá vamos nós…

Daqui a pouco mais de 24 horas começa tudo de novo…

Ainda não tinha dado três meses que eu tinha terminado a Appalachian Trail e a vontade de voltar pra trilha era grande. Sentia falta da rotina, do cansaço, das paisagens. Numa noite de outubro, depois de fazer um jantar pra Ale, perguntei se ela não teria coragem de fazer uma trilha comigo. “Uai, dependendo do lugar, até Topo. Mas será que dou conta?” Minutos depois aparece no meu celular uma promoção de passagens pra Punta Arenas, na Patagônia chilena. Coincidência? Não acho…

A Patagônia Argentina foi dos lugares que a Ale mais gostou. A gente foi pra lá em 2012, numa viagem onde combinamos El Calafate, El Chalten e Ushuaia. Fazíamos umas trilhas pequenas durante o dia e voltávamos pro hostel. A Alê não iria dizer “não” pra um retorno à Patagônia…

Compramos a passagem naquela mesma noite. E decidimos que já que era pra ir caminhar, seria o Circuito O de Torres del Paine. Já que é pra fazer, bora fazer direito…

Daqui a 24 horas começa tudo de novo… Desta vez serão “apenas” 130 km. Tudo igual, mas tudo diferente: vai ser minha primeira longa caminhada acompanhado. Mas não de uma pessoa qualquer: vou estar com ela, a mulher que me escolheu como marido. Os desafios vão estar presente, mas serão outros. As emoções também.

Vou escrever os relatos aqui, mas como não vou ter acesso à internet a partir de amanhã os textos entram a la Netflix: todos de uma vez, no final da caminhada.

Por enquanto o que posso dizer é que a previsão é de tempo nublado amanhã, chuva do dia 1 ao dia 11 de março e sol a partir do dia 12. A gente caminha do dia 1 ao dia 11…

Quem quiser acompanhar a nossa jornada em tempo real, a dica é surgir pelo Spot. Só clicar aqui pra ir pra página.

Longa Distância: O Livro

Desde que fiz a Estrada Real, em 2016, que alimento a ideia de fazer um livro com o relato da viagem. Primeiro veio o fanzine, sugerido, incentivado e diagramado pela entrecampo, de Belo Horizonte. Foram 100 cópias, já esgotadas.

Daí veio a vontade de botar no papel a viagem inteira. O projeto Longa Distância: Primeiros Passos vai englobar não só a Estrada Real como também as histórias do Caminho da Fé. Não é um guia de viagens: é um livro pra quem gosta de histórias.

O livro sai pelo selo Leme da editora Impressões de Minas. Serão 200 páginas, dezenas de fotos e várias histórias. A princípio a impressão é em preto. Superando a meta a ideia é fazer colorido.

O projeto está no Catarse. Só ir www.catarse.me/longadistancia e escolher sua recompensa. Se atingir a meta, lindo. Sai o livro. Caso contrário o dinheiro volta pra você. Simples.

 

Inspirações: Elaine Bissonho

“Se o Google não encontrar é porque não existe”. Você já ouviu isso, eu também. E você sabe que a coisa não é bem assim: não dá pra confiar 100% no resultado de uma busca na Internet. O mundo, felizmente, vai muito além disso.

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Elaine “Brazil Nut” Bissonho: a primeira (única?) brasileira a completar a Appalachian Trail

Por isso mesmo redobrei a atenção quando minha pesquisa com as palavras-chave “Brasil” e “Appalachian Trail” não deu em nada. Pesquisei em inglês (“Brazil”, “Brazilian”), pesquisei frases inteiras (“brasileiro completa Appalachian Trail”, “Brazilian completes AT”). Nada. Nadica de nada. Pesquisei no site da Appalachian Trail Conservancy (ATC), que gerencia a trilha: na lista, em ordem alfabética, de nacionalidades que já completaram a trilha, o Canadá vem logo depois de Bélgica. Ou seja: nada de Brazil por ali. Na ALDHA, a Associação Americana de Caminhantes de Longa Distância, também nada. Parecia estranho, mas pelo jeito nenhum brasileiro tinha mesmo feito uma das trilhas mais famosas do mundo. Surpreendentemente eu seria o primeiro…

O sinal amarelo começou a apitar quando, em uma matéria sobre a Pacific Crest Trail, um leitor do Extremos afirmou que uma brasileira já tinha, sim, feito a trilha do oeste americano. “Lá eles tem por hábito criar ou receber codinomes, desta brazuca é ‘coconut’, o sobrenome é +/- Bezozo”, afirmava Antonio Arias. Elias, o editor do site, averiguou, e dias depois deu o parecer: uma brasileira havia sim feito a PCT. Elaine Bissonho era o nome correto. Brazil Nut seu nome de trilha. E ela tinha feito não só a PCT em 2010 como também a AT em 2011. E a Continental Divide Trail, a CDT, em 2012. Ela tinha completado a Triple Crown, a Tríplice Coroa, as três grandes trilhas americanas.

Começou então minha procura por Elaine. Escrevi tanto a ATC quando a ALDHA. As duas responderam que sim, Elaine estava registrada e tinha completado as trilhas como o Extremos havia noticiado. Mas nos dois casos sua identidade constava como americana, moradora do estado de Massachussets. Brazil ali era só seu trail name, escolhido aleatoriamente (ela poderia ter ganhado o nome por comer muita Castanha do Pará, por exemplo….).

Com o nome correto fiz também uma pesquisa mais detalhada na web. Vi, por exemplo, que a moça também corria ultra-maratonas: em 2013 uma Elaine Bissonho havia feito três corridas de 50 quilômetros, em três estados americanos, um deles Massachussets. Seria muita coincidência ser outra pessoa com o mesmo nome. E que a primeira trilha de longa distância de Elaine Bissonho foi a de Vermont, também nos Estados Unidos. A trilha tem 272 milhas (440 quilômetros), e ela completou o percurso ainda em 2001. E Vermont é vizinho sabe de qual outro estado? Isso, Massachussets. E que há mais de 10 anos ela já havia feito a AT: não sei se chegou a completar, mas em 2005 Elaine Bissonho, naquela época chamada de “Tartaruga” (assim mesmo, em português), foi fotografada no Appalachian Trail Museum…

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Elaine “Tartaruga” Bissonho, 2005

E vi ainda que em 2013 ela tinha completado a Te Araroa, a trilha 3.000 quilômetros que cruza a Nova Zelândia de norte a sul. Mas por mais que eu pesquisasse eu não conseguia encontrar uma forma de entrar em contato com ela. Parecia que essa Elaine Bissonho era uma lenda.

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Elaine Bissonho na Te Araroa, Nova Zelândia

Foi através de um blog sobre a caminhada pela Te Araroa que conseguir chegar a ela. Mandei, sem esperanças, uma mensagem para Jetpack, a autora do post onde aparecia uma foto da brasileira, achando que não teria retorno. Afinal, o blog não era atualizado desde 2014. Na mensagem eu contava que estava planejando a Appalachian Trail esse ano e que tinha ouvido falar da Brazil Nut, sem ter certeza se ela era mesmo brasileira ou não. E que queria, se possível, entrar em contato com ela, bater um papo, saber mais sobre sua vida de thru-hiker.

A resposta veio alguns dias depois. Para minha surpresa recebi um mensagem não da autora do blog, mas da própria Elaine! Em um email curto, com um português escrito com sotaque gramatical clássico de quem mora há muito tempo no exterior, ela me contou que estava de férias no Rio até o início de março, quando então retornaria à Boston. E que realmente foi a primeira, talvez a única brasileira a fazer a Triple Crown: havia completado as 2,650 milhas (4.250 km) da Pacific Crest Trail em 2010, as 2,200 milhas (3.540 km) da Appalachian Trail em 2011 e as 3,100 milhas (5000 km) da Continental Divide Trail em 2012. No ano seguinte seguiu para a Nova Zelândia, onde cruzou o país de norte a sul na linda e difícil Te Araroa.

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Brazil Nut & Jetpack

Não era só isso. Elaine também me contou que conseguiu sua primeira Tríplice Coroa fazendo as trilhas americanas Northbound, ou seja: do sul para o norte. E que no ano passado começou o projeto de conseguir sua segunda Tríplice Coroa, desta vez Southbound (do norte para o sul). Em 2016 ela já havia feito as 3,100 milhas da CDT em 3 meses e 9 dias – uma média de 30 milhas (48 km) por dia. E que este ano iria fazer tanto a PCT quanto a AT, a primeira a partir de junho, a segunda a partir de setembro. “Esse é o meu Sport favorito e amo o estilo de vida o qual é viver nas montanhas”, ela completava.

Escrevi de volta extasiado: queria agendar uma entrevista, bater um papo, tomar um café, saber um pouco mais sobre sua vida, como se interessou pelas caminhadas, quais os planos depois da segunda Tríplice Coroa. Nada. Nenhuma resposta. Escrevia de novo uma semana depois, pedindo desculpas pelo tom eufórico da primeira mensagem. E disse que se preferisse eu abriria mão do café e da entrevista mais formal e apenas enviaria umas perguntas por email mesmo… De novo, nada. Não sei se ela está apenas curtindo as férias no verão carioca, se está ocupada ensaiando os passos para o carnaval, se resolveu fazer alguma trilha por aqui, ou se está me evitando. Talvez queira mesmo ficar no anonimato, guardar para si estes feitos sensacionais. Mas o fato é que desde então não tive mais nenhuma resposta.

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Elaine e outras caminhantes no Mount Katahdin, fim da Appalachian Trail

Sem as respostas dela, resta mim fazer um exercício de imaginação. Acredito que Elaine tenha nascido no Brasil e se naturalizado americana. Se registrou como tal nas vezes que fez as trilhas da Tríplice Coroa. Por isso é considerada americana tanto para a ALDHA quanto para a ATC. Mas no fundo no fundo a gente sabe que ela é brasileira. E eu, caso consiga terminar, posso ser o primeiro homem brasileiro a completar a Appalachian Trail. Mas não sei o primeiro brasileiro: esse feito é da Elaine Bissonho, a Brazil Nut.

Do meu lado, só espero que a data que ela escolher para iniciar a Appalachian Trail no Mount Katahdin, em setembro, coincida com a minha chegada. O meu prêmio por completar a trilha vai ser encontrar pessoalmente esta lenda brasileira das caminhadas de longa distância.

O que levar para a Appalachian Trail

Li não sei onde que a preparação para uma trilha como a Appalachian Trail (ou qualquer outra trilha de longa distância) é mais complicada que a trilha em si.

Vocês não fazem ideia o quanto estou lendo de livros, blogs, relatos e sites. Nem passa pela cabeça de vocês a quantidade de fóruns e grupos de discussão que participo ou o sem-número de pessoas que sigo no Instagram, Twitter, Facebook, Youtube. Até o Pinterest, acredite você, eu desenterrei…

Tudo pra tentar chegar no equipamento ideal para a trilha. Ainda assim não tenho a mínima certeza se as decisões que estou tomando são as melhores. As dúvidas, pelo visto, não são só minhas: as perguntas sobre tipos de equipamentos são frequentes nas redes sociais.

Para quem quiser ver minha lista completa do que vou levar é só clicar aqui.

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Tô pronto! Levando só o necessário…

Big 3

Pra começar, é preciso definir o seu Big 3. É assim que são chamados os três equipamentos mais importantes da caminhada: sua mochila, sua barraca e seu saco de dormir.

Essas três peças são as mais caras e pesadas da viagem. Dá pra gastar fácil mil dólares por aqui. E foi justamente nesse ponto que ter ficado em segundo na promoção do The Trek mais me ajudou (obrigado a cada um de vocês que votou ou tentou votar! Valeu mesmo! Ainda estou pensando numa forma de recompensar essa ajuda… 🙂

Tomamos a mochila como primeiro exemplo. A que tenho hoje é uma Quechua Forclaz 40 litros. É relativamente leve – pesa 1.020 gramas – e me sinto confortável com ela. Mas será suficiente para levar todas as outras coisas que preciso? 40 litros me parece pouco para levar tudo o que vou precisar por cinco meses…

A mochila que estava na lista de desejos era a Mariposa, da Gossamer Gear. Uma Ferrari: leva 60 litros e 15 quilos de carga e pesa só 800 gramas (927 com os adicionais). Mas a belezura custa mais de 250 dólares… E foi justamente essa a mochila que ganhei na promoção. Transbordei de felicidade!

A definição sobre qual vai ser a sua “casa” durante a caminhada começa a complicar as coisas. A primeira coisa é definir o que você busca: uma barraca, uma rede ou um tarp. O tarp é uma lona simples e leve, que proporciona algum abrigo em chuvas, mas para mim não é ideal. O mesmo vale para rede: é confortável, mas eu preciso de paredes e gostaria de alguma privacidade. Então optei por barraca. Decidido. Então está pronto? Claro que não. Ainda é preciso balancear preço, peso e qualidade. E parece que desses três atributos, apenas dois andam juntos. Se é barata e leve, certamente não é boa. Se é boa e barata, com certeza é pesada. E se é leve e boa, justamente o que estou procurando, pode saber: é cara. Os preços chegam fácil nos 500 dólares.

O que eu queria? Uma Big Agnes Fly Creek UL2, claro. Com espaço pra até duas pessoas, pesa menos de um quilo! Mas, de novo, o preço era o problema: quase 400 dólares… Já tinha me conformado em ir com a minha REI Quarter Dome 1, que não é ruim, pelo contrário. É fabricada e vendida exclusivamente pela rede de lojas de esportes americana, a Recreational Equipments Incorporated, ou simplesmente REI (ou paraíso para quem gosta de esportes outdoor). Mas pesa pouco mais de um quilo e tem um espaço interno de 2,15 x 1 metro e 80 centímetro de altura (contra 2,18 x 1,07 metro e 97 cm de altura da BA). Com um preço em torno de 230 dólares, A REI Quarter Dome 1 era o que cabia no meu bolso. Mas também ganhei a Fly Creek que queria…

Pra decidir minha cama nos próximos 5 meses o dilema foi o mesmo. Saco de dormir no formato múmia ou envelope? Com enchimento natural ou sintético? Com qual temperatura limite e conforto? Levo lençol? E travesseiro? E o isolante térmico, de ar ou espuma? De novo, para cada decisão dessas era acessos e mais acessos a sites, fóruns, leituras de listas de equipamentos de outras pessoas, conversas e tudo mais. O que é importante pra mim nesta situação é não passar frio e ter conforto. E como não saio antes de abril, quando ainda tem neve, nem devo chegar depois do final de setembro, acredito que um saco de dormir de 0 graus é suficiente. O REI Flash é no formato múmia, com enchimento natural de pena de ganso. Custa 170 dólares e pesa 750 gramas. Tá ótimo. E quer saber? foi justamente esse que ganhei…

A diferença entre o isolante de ar e o de espuma é o conforto e o peso. Eu prefiro o primeiro, mais leve e confortável, apesar de barulhento. O modelo é o Therm-a-Rest NeoAir XLite. Pesa só 225 gramas.  Iria de versão mini, que tem pouco mais de 1,20 metros de comprimento – nesse caso a manha é usar a mochila sob os pés. Mas acabei ganhando isso também e optei pela versão maior, com 1,95 metros. É 200 gramas mais pesado, mas acho que vai valer a pena. Não vou levar travesseiro e lençol vou comprar só se esfriar um pouco, já que alguns modelos aumentam a temperatura do saco de dormir. E pra deixar isso tudo seco iria levar tudo dentro de um saco de lixo (25g), dentro da mochila. Mas o pessoal da Gossamer Gear mandou o saco a prova d´água deles de brinde também…

Nesse kit que vou usar meu big 3, os três grandes, a parte mais importante e pesada que vou carregar por esses 5 meses, está pesando no total 2,99 kg. Queria muito abaixo dos 3kg e fiquei ali na tábua da beirada. Veja: menos de três quilos pesam minha mochila, minha barraca, meu saco de dormir e meu isolante térmico SOMADOS…

Cozinha

Cafeteira elétrica, grill, forno de microondas, taças Riedel de cristal, talheres pesados de prata, panelas de pedra e guardanapos de seda. Nada disso infelizmente vai rolar. Minha cozinha vai ser minimalista ao extremo.

A decisão aqui passava pelo tipo de combustível (álcool ou gás), o peso final do fogareiro, o custo, a praticidade, a velocidade para se ferver água e a eficiência para trabalhar sob stress – vento ou neve. Cheguei a fazer um fogareiro a álcool com latinha de cerveja – a forma mais barata, leve e divertida – mas não gostei do resultado. Além disso, álcool é proibido em alguns trechos. Mudei o foco então para o gás.

A escolha foi entre o Jetboil Minimo,  um sistema completo, com o fogareiro já acoplado na panela para quase um litro d´água. Além disso, durante o transporte o combustível vai dentro da panela, economizando espaço. Custa salgados 135 dólares. A outra opção era um MSR Pocket Rocket, que pesa míseros 90 gramas e custa 40 dólares, mas iria me exigir a panela. Optei por começar com algo daqui mesmo (daqui = da China). Comprei no Mercado Livre, por R$50,00, uma cópia do Pocket Rocket. Um pouco mais pesado, pode ser que segure o tranco (se não segurar, compro por lá o original). E a panela vai ser também chinesa, simples, mas com pegador, e que vai me servir de copo, se necessário. O kit que comprei vem duas, mas só levo a maior, de 1100 ml. Além disso incluí uma colher de cabo longo de bambu (também presente do pessoal da Gossamer Gear).

Pra acender o fogareiro um isqueiro Bic mini e como plano b um kit de faíscas de magnésio que já inclui também apito e bússola, o Survival Spark Magnesium Survival Fire Starter, que achei na Amazon por dez dólares. Na minha cozinha entra também um saco estanque, onde vou levar minha comida. Assim, quando chegar no acampamento é dependurar em alguma árvore para que os ursos não comam. Pois é…

Para tratamento de água, as opções passavam por filtros, pastilhas e gotas de dióxido de cloro. Água é abundante na Appalachian Trail, e acredito que a maioria de boa qualidade. Mas ainda assim ganhei um filtro portátil da Sawyer que pesa menos de 100 gramas. Ainda penso em levar Aquamira como plano b. São dois compostos, que você combina algumas gotas de cada na água, aguarda 15 minutos e está pronto pra beber. Custa 15 dólares e pesa 90 gramas. Vamos ver, pode ser que deixe de lado. Para transportar a água, duas garrafas de água mineral de um litro cada.

Fechando a cozinha, um canivete suíço do mais básico. Além da faca eu precisava de um que tivesse tesoura (para cortar unha) e pinça (para tirar carrapato). O que meu genro me emprestou (valeu Rick!), além do lado sentimental, pesa só 75 gramas, e faz trabalho.

Seis ítens. Menos de meio quilo. Essa vai ser minha cozinha.

Eletrônicos

Em casa, no dia a dia, sou cercado de tecnologia. Meu Macbook pro, minha tv Samsung, minhas caixas de som Sonos, meu Ipad, meu Kindle. Uso nas viagens minha câmera Canon. E tenho, claro, meu celular, onde controlo quase tudo. Vejo Netflix, ouço Spotify, navego pelo Facebook, busco no Google, curto fotos no Instagram. Tenho luz elétrica, banho quente, ar condicionado, geladeira. Durante a trilha quase tudo isso vai ser uma memória distante.

Optei, mais uma vez, por não levar outra câmera que não seja a do celular. Nada de DSLR. Nada de GoPro. Vou trocar meu Iphone 6 por um 7 Plus. Ele que vai registrar os momentos, seja em foto ou vídeo. Para ajudar na tarefa levo um tripé da Gorillapod. E como fico alguns dias sem acesso à energia elétrica, penso em levar dois carregadores extras: o meu Cygnett atual, que pode fazer às vezes de lanterna, e comprar um Anker de 10 mil.

Um Ipod Nano e fones de ouvido vão ser um artigo de luxo para as noites na barraca. Pesando 42 gramas, vale o esforço. E pra carregar as baterias de tudo isso quando chegar à uma cidade levo um Anker Powerport4, onde dá pra ligar até quatro equipamentos ao mesmo tempo.

Pra dar luz, minha lanterna também vai ser chinesa. Importante aqui é ter luz vermelha, pra não atrapalhar as outras pessoas. Funciona com pilhas aaa e deve dar pro gasto.

E como estou desenvolvendo outros projetos, estou pensando em levar um gimbal, um estabilizador para o Iphone, que deve pesar mais meio quilo, e um gravador portátil.

E é isso. Sem os apetrechos extras são 800 gramas de equipamentos. Que talvez aumente um pouco com um gimbal e o gravador. Mas isso só decido chegando lá.

Roupas

A máxima na trilha é: se você não vai usar uma coisa todos os dias não vale a pena carregar. E isso vale pra roupas. Você tem dois uniformes: o de trilha e o de acampamento. Nada de camiseta extra. A exceção são as roupas de frio.No meu caso, vou usar e levar o que tenho. Se sentir necessidade de algo vou comprar na próxima cidade.

Vou vestir diariamente (você vai cansar de ver essa roupa em fotos) um boné Quechua que tenho e que vem com protetor de pescoço. Ganhei também um boné massa do The Trek, e talvez leve esse pra cidade. A camiseta vai ser uma Kalenji. Um calça 2×1, dessas que viram bermuda, e uma cueca de compressão. Vou levar minha “pochete” da Spibelt, onde vou carregar passaportes, dinheiro e cartões num saco Ziplock.

Como os pés são as partes mais importes do corpo, a ideia aí era não economizar. Mas ganhei três pares de meias de merino da Wigwam, outro par da Injinji, e dois pares de tênis Altra, também a marca que queria.

No backup, dentro do saco estanque, vão mais uma camisa (a da meia maratona de BH, leve e confortável), um short de corridas da Nike (veeelho…), duas bandanas multi uso e os tenis da Tribold, basicamente o que tenho usado esses dias (leves, super confortáveis e antiderrapantes). Pro frio uma segunda pele, uma blusa e ceroulas, tudo da Decathon. Por fim, levo um quebra ventos/capa de chuva/blusa de frio da Quechua e nas mãos, os bastões de caminhada que tenho, também da Quechua. Ao todo visto 2 kg de tralhas.

A questão aqui é se preciso ou não de uma jaqueta mais poderosa, de pena de ganso ou coisa assim. Pesa quase nada, mas custa uns 200 dólares, por baixo. Como começo no verão estou pensando em ir sem ela e se esfriar demais compro uma jaqueta dessas por lá. Mas acho que se isso acontecer vai ser só pro final da trilha.

Higiene e Primeiros Socorros

E aí vem aquele mundo de tralha miúda, chato de conferir, mas que tem que ter. Tipo escova de dentes (daquelas de viagem, mais leves), pasta de dente e fio dental (mil e uma utilidades na trilha). Tampão de ouvido. Papel higiênico e lenços umedecidos. Sacolinhas plásticas de supermercado, pra servir de lixo. Um kit básico de primeiros socorros, com ibuprofeno, cataflan, tilenol, agulha e linha pras bolhas. Outro kit mais pessoal, com as pomadas que uso pra alergia, repelente. Uma trowel, pazinha pra cavar meu banheiro. Uma caneta e um bloco de anotações (vai que acaba a bateria do celular…). E corda, pra dependurar a comida longe dos ursos…

Comida e Água

Comida e água não entram nessa conta de peso base. Porque variam diariamente: você pode levar comida pra dez dias e 6 litros de água num dia e no dia seguinte isso já é menor.

Meu plano inicial era reabastecer e comprar comida exclusivamente nas cidades e vilas por onde vou passar, mas como ganhei algumas caixas de barras de cereal e comida desidratada, vou despachar algumas para mim pelo correio.

E isso é tudo. Minha casa e meus pertences para os próximos 5 meses. Tudo o que vou ter , no corpo e na mochila, vai pesar menos de 10 quilos. Será isso a minha casa, minha cama, minha cozinha, meu guarda roupas. Menos do que é permito levar na bagagem de mão do avião. É como isso que vou viver por 150 dias.

 

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