Appalachian Trail S01E105

Dia 105, 28/07: Happy Hill Shelter (1741.8) a Moose Mountain Shelter (1758.6)

Distância do dia: 16.8 milhas | 27,03 km

Distância total: 1758.6 + 8.8 milhas | 2844,35 km

Distância que falta: 431.2 milhas | 693,94 km

Dias que faltam: 26

A sensação de que a trilha está chegando ao final é incrível. Hoje, cruzando a fronteira de Vermont e New Hampshire, fiquei pensando nos doze estados que já ficaram pra trás. No início da trilha 430 milhas parecia a eternidade. Hoje parece que o final está logo ali. É só andar mais essas 430 milhas…

O dia ia ser tranquilo, a gente sabia, mas queríamos chegar logo em Hanover. A cidade parecia ser bacana e no centro comunitário tinha banho e lavanderia. O que a gente não esperava era o tanto que Hanover, já em New Hampshire, e a vizinhança Norwich, ainda em Vermont eram amigáveis.

Nos primeiros 500 metros na estrada foram três Trail magics. Nas cidades uma lanchonete oferece sanduíche de graça. Na padaria, muffin. Na pizzaria, fatia de pizza. Wash Bear acabou dando entrevista pra duas estudantes. No centro comunitário, além do banho, tomadas pra carregar os eletrônicos e Wi-Fi. Acabei gravando mais um podcast e por isso saí tarde, já quase quatro. Faltam pouco mais de nove milhas e antes das sete cheguei no abrigo da noite. De novo, nada de acampar. Amanhã, pelo contrário, o dia vai ser longo e cansativo…

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Appalachian Trail S01E102

Dia 102, 25/07: Governor Clement Shelter (1690.2) a VT100, Killington, VT (1704.1)

Distância do dia: 13,9 milhas | 22,36 km

Distância total: 1704.1 + 8.8 milhas | 2756,64 km

Distância que falta: 485.7 milhas | 781,65 km

Já tem algumas semanas, vocês tem notado, que tenho andado com o Wash Bear. A gente vem se esbarrando desde a Virginia, mas nos últimos dias resolvemos que vamos caminhar juntos até o final. Temos o mesmo ritmo e ele precisa terminar antes do dia 25 de agosto. O objetivo é 23. E como temos feito o mesmo número de milhas por dia é a data que pretendo terminar também.

O que a gente tem combinado é encontrar no final do dia no shelter que a gente decidiu na manhã ou no dia interior. Normalmente eu acordo mais tarde, mas saio antes dele. A gente se encontra quase sempre no meio do caminho e a partir daí caminhamos conversando. Política, religião, cultura, turismo, química, biologia, qualquer assunto.

Eu acampei perto do shelter. Ele ficou lá. Pela manhã esperei por ele e fomos do conversando o dia todo. O percurso era curto, menos de14 milhas. Ele precisava passar em Killington pra pegar um pacote no correio. Eu tinha enviado meus novos tênis pra Rutland, 10 km depois.

Apesar de curto o percurso foi cansativo. Chegamos antes das duas em Killington. Dali pegamos o ônibus até Rutland. Estavamos os dois precisando de um banho – não lembro a última vez que tinham tomado um. Precisavamos também lavar as roupas. A opção mais lógica seria dividir um quarto de hotel por ali. Mas antes da gente tomar a decisão eu fiz uma proposta diferente: por que não ficar em um lugar barato e gastar o dinheiro do hotel num jantar que valesse a pena? O que a gente estava a fim de comer?

Foi assim que a gente chegou na Yellow Deli. Ela é a sede de um grupo chamado Twelve Tribes, uma seita cristã fundamentalista, que busca viver como os cristãos do século I. Acreditam na segunda vinda de Jesus – ou Yahshua, como eles se referem. O grupo surgiu nos anos 70 e mantém o restaurante – a tal Yellow Deli – em Rutland e outras cidades. Aqui também abrigam os caminhantes. O lugar é gratuito e aceita doação, em dinheiro ou trabalho.

O lugar é bacana. E a localização é incrível. Deixamos nossas mochilas em uma das beliches disponíveis e saímos pra comer algo que os dois estavam saudosos: comida japonesa. Dali pra supermercado, pra garantir a comida dos próximos dias e depois de um descanso, mais comida. Cervejas locais e pizza bem ao lado de onde estávamos hospedado. Ao final, o que gastamos de comida foi próximo do que cada um iria gastar de hospedagem. A estratégia, acho, valeu a pena.

Appalachian Trail S01E77

Dia 77, 30/06: Eckville Shelter (1232.6) a Palmerton, PA (1257.9)

Distância do dia:  25.3 milhas | 40,71 km

Distância total: 1257.9 + 8.8 milhas | 2038,55 km

Distância que falta: 931.9 milhas | 1499,74 km

As pedras são pontiagudas e andar sobre eles requer atenção. Seus olhos ficam fixos no local onde você vai pisar. Não é possível pensar em mais nada, a não ser “onde vou colocar o meu pé agora”. Durante todo o tempo você tenta de desviar daqueles que podem te machucar (o que nem sempre é possível). Com isso você anda de forma pouco natural, fazendo um esforço tremendo nos tornozelos. Mas não é só isso: um enxame de pequenas muriçocas voam o tempo todo na frente do seu rosto, como que tentando entrar nos seus olhos e nariz. Moscas maiores voam ao lado, zumbindo em seus ouvidos. Para afugentá-las ando com a bandana na mão, batendo sobre os ombros, intercaladamente. A imagem que tenho de mim mesmo é a de um fiel andando sobre brasas e se chicoteando. Eu sei que pequei, Senhor, mas o castigo poderia ser mais ameno…

Tá foda. Se o início da Pensilvânia me surpreendeu porque estava mais fácil que pensava, as pedras são muito piores do que aquilo que tinha em mente. Você passa um tempo andando por grandes blocos de pedras jogadas no meio do nada, se equilibrando naquelas que parecem mais firmes, subindo e descendo aquele amontoado de rochas, e quando finalmente consegue sair vem as pedras pequenas, que você precisa tentar se desviar. Conversando ontem com outros hikers a SeaHorse comentou que parece que todas as pedras foram afiadas, uma a uma. O Candle respondeu: “todas não: quatro de cada cinco. A que não parece afiada é a você você vai colocar o pé. E ela é a única pedra solta, que vira logo que você pisa…” É isso mesmo.

Eu saí cedo de Eckville, o Quiet Man logo antes de mim, o Chop Sticks logo depois. Eu já não tinha mais comida, então o objetivo era chegar em um restaurante que o guia apontava lá pela metade do caminho na hora do almoço e na próxima cidade ao final do dia. Passei o Quiet Man (um senhor de uns 60 anos, realmente quieto, tranquilo e educado) e logo depois cruzei com o Bullet, um alemão que começou em maio e faz jus ao nome. Cheguei no restaurante exatamente ao meio dia. Tall Boy e Sea Horse estavam na porta. Tinha ficado no shelter antes dali e esperavam o lugar abrir desde as dez e meia.

Dividimos uma mesa, cada um pediu um hambúrguer, eu e Tall Boy também uma cerveja. A gente vem se encontrando já faz algum tempo. Ele acha que já há mais de um mês. Apesar dele ter começado antes, temos mantido o mesmo ritmo. Bullet chegou logo depois. E Quiet Man. Quando estávamos saindo aparece o Chop Sticks. Apesar de cada um ter seu ritmo, essas paradas sempre reúnem o grupo.

Quiet Man e Chop Sticks iriam ficar no próximo shelter. Os outros combinaram de encontrar na cidade. Segui na frente e descendo a montanha desaba a chuvarada.  

São três cidades próximas, cada uma a duas milhas da trilha. Iríamos ficar na cidade mais ao norte, a única com uma opção barata de hospedagem. Ensopado, não ousei pedir carona. A chuva já tinha passado e eu resolvi andar pela trilha paralela que leva a ela. Me senti como na Estrada Real, onde me perdia na entrada ou saída de cada cidade.

Ao contrário da AT, a trilha não tinha sinalização. Já começava a ficar tarde (era 7:30 da noite, mas ainda com sol) e o hostel era operado por um restaurante que fechava as oito. Abri o Google Maps e vi que estava a 800 metros do lugar, mas não conseguia ver nada, apesar de estar no alto de um morro. De um lado um rio, do outro a rodovia, a trilha que levaria à cidade indo na direção contrária do que o mapa mostrava…

Desci da trilha me equilibrando pelas pedras pra chegar numa estrada paralela. Uma ponte cruzava o rio. Do outro lado grades e um portão. Trancado. Volto, pulo o gradio e cruzo o rio pelo encostamento da rodovia. Volto pra estrada paralela. Sigo acompanhando a rodovia, o Google Maps sugere outro caminho. Mais estrada fechada, placas de “Keep Out” e “Postes: Private Property”. Sigo assim mesmo, até chegar em um campo de basebol, cruzar a linha de trem e finalmente chegar na cidade.

Cheguei ao restaurante 8:15. Cansado, molhado, doido pra tomar um banho. Por ser sexta ele fechava meia hora mais tarde que o normal, às 8:30. Quando abro a porta tá lá o Bullet. “Eu fiquei um tempo tentando pegar uma carona e não conseguia. Daí a Sea Horse chegou e o segundo carro que passou parou pra ela”, ele disse.

O lugar é uma garagem nos fundos do restaurante. Mas tem um colchão e podemos usar o banheiro e chuveiro dos funcionários. Tudo o que eu precisava: um banho, colocar roupas secas e deixar, sem ter que pensar onde colocar o meu pé agora.



Appalachian Trail S01E75

Dia 75, 28/06:  501 Shelter (1193.7) a PA 183 (1203.0)

Distância do dia:  9.3 milhas | 14,96 km

Distância total: 1203.0 + 8.8 milhas | 1950,20 km

Distância que falta: 986.8 milhas | 1588,10 km

O fato de ser estrangeiro sempre levanta surpresa e algumas questões nos gringos. A primeira pergunta é quase sempre “como você ficou sabendo da trilha”. Minha resposta é que quando mudei pra Austrália comprei o livro do Bill Bryson sobre o país, gostei, procurei outros livros dele e achei o Walk in the Woods. Quando comecei a fazer longas caminhadas achei que é a AT seria uma boa e aqui estou. A segunda pergunta é “o que mais te surpreendeu até agora”. E a resposta é a generosidade do povo. Essa coisa de Trail Magic é fascinante e não me canso de surpreender. Sejam os anônimos que deixam uma garrafa de água, um fardo de papel higiênico ou um cooler com refrigerantes na beira da estrada, sejam os anjos que fazem por você algo muito maior. Mais que te alimentar e de dar carona, ele te dão esperança e confiança. Esperança no ser humano. Você volta a acreditar nas pessoas. E confiança pra seguir e terminar essa jornada.

Eu tive a sorte de encontrar alguns anjos que se tornaram amigos. O Dan indo me encontrar na trilha pra ter certeza que chegaria ao hostel (o primeiro que iria ficar) a tempo de pegar a carona até o supermercado é um momento super marcante. O Fábio fazendo o mesmo, me encontrando na trilha, me dando carona, passando o dia comigo foi incrível. A Ingrid, o Yoav e a Laura, meus primeiros anjos, me dando casa na minha chegada e suporte durante toda a trilha é algo que não sei como agradecer. A Trudy e o Eric me levando pra casa, fazendo churrasco, experimentando cervejas locais, me dando uma goiabada, aquilo me emocionou imensamente. E hoje o Mark…

Conheci o Marcão online. Ele me viu em algum site ou grupo e me adicionou no Facebook. É casado com uma brasileira, a Cristina. Mais que isso: ela é de BH, e o Mark já foi pra lá uma dúzia de vezes. Por coincidência ele tem um casa perto de onde a AT corta uma estrada e ontem a gente se encontrou. O dia foi leve e antes de meio dia mandei uma mensagem pra ele, que foi me pegar. Fez linguiça (não era sausage: era linguiça mesmo…) e pasta no almoço – com guaraná! – e preparou uma picanha e mandioca – mandioca! – no jantar. Super conversa boa, cheio de histórias, uma atenção que eu até ficava meio sem jeito.

Entre os melhores dias de trilha estão os dias que encontrei esses novos amigos. Gente que deu um colorido e um sabor todo especial à caminhada.

A trilha, eu disse, foi tranquila. Quase chegando na estrada onde iria encontrar o Mark passei pelo Voyager. Bermuda cáqui, camisa também, aberta no peito, cabelão branco encaracolado, sorriso divertido. Ia passando por ele, cumprimentei, e notei os patchs da AT, PCT e CDT, as três grandes trilhas americanas, na mochila dele. “Estou vendo os patchs na mochila. Você já fez as outras?”, perguntei. “Já. Duas vezes. Na verdade estou completando a minha segunda Tríplice Coroa com essa. Tenho mais de 15 mil milhas de caminhada”, ele respondeu, sempre com um riso depois de cada frase. Fomos juntos até a estrada, tiramos fotos um do outro, ele seguiu e eu fiquei. Pra encontrar um novo amigo. Valeu Marcão. Nós encontramos em breve pra uma cerveja em Beagá (ninguém chama de Belo…)

Appalachian Trail S01E73

Dia 73, 26/06: The Doyle Hotel, Duncannon, PA (1147.2) a Yellow Springs Village Site (1171.6)

Distância do dia:  24.4 milhas | 39,26 km

Distância total: 1171.6 + 8.8 milhas | 1899,66 km

Distância que falta: 1018.2 milhas | 1638,63 km

Tom (tenho quase certeza que é esse seu nome) viu que eu era do Brasil e comentou: “nunca estive no Brasil mas tenho dois casos pra te contar”. Quem me conhece sabe que só de falar isso já ganhou minha atenção. “Há alguns anos, já deve ter uns 10 ou mais, nos ligaram querendo uma consultoria pra fazer uma trilha no Rio.” Ele trabalha como voluntário na Appalachian Trail Conservancy. “Fiquei algumas semanas conversando com o pessoal, que queria que eu fosse lá dar uma palestra. Estava tudo certo, data marcada, daí uns dias antes eles ligaram cancelando, dizendo que não iam mais fazer a trilha por problemas políticos”. Ele continuou: “O segundo tem mais tempo. Meu pai ainda era vivo e a empresa que ele trabalhava estava participando de uma licitação pra trocar os cabos do bondinho do Pão de Açúcar. Quando ia sair o resultado cancelaram a licitação por que teve algum escândalo de corrupção. Parece que os cabos que estão lá até hoje ainda são os mesmos…”. Tom tem bem mais de 70 anos, então essa história do pai dele deve ter sido lá pelos anos 80.

Ele me contou essas histórias depois de tirar a minha foto em Harpers Ferry e eu tinha esquecido. O dia hoje foi tão tranquilo que fiquei um tempo pensando em coisas que tinham acontecido recentemente e eu não tinha escrito sobre.

O sul da Pennsylvania está surpreendentemente fácil. As pedras, parece, só voltam daqui a umas 50 milhas. Mais dois dias de terreno plano e fácil, espero. O que me distrai são as frutas. Numa determinada hora da tarde passei por duas cerejeiras carregadas. Frutas pequenas, mas maduras e gostosas. E os mirtilos que eu queria apareceram também. Não achei mais que meia dúzia maduros, mas matou a vontade. Parece que eles amadurecem depois das outras frutas, então tenho chances de encontrar mais pra frente. E agora que conheço a planta – um arbusto baixo, de folhas pequenas – ficou mais fácil.

O dia foi tranquilo também de gente. Não cruzei com quase ninguém, exceto três section hikers na manhã e outros dois thru hikers na tarde. Quando parei pra pegar água a Small Steps estava saindo. E ela está acampada aqui no mesmo lugar que eu.

A Yellow Springs Village não existe mais. Era uma mina de carvão que existiu por aqui. Ainda tem uns escombros da mina aqui perto, mas nem vou lá ver. Hoje em dia no local onde era a vila existe apenas uma caixa de correios, onde os caminhantes registram suas passagens. E os únicos moradores fixos do lugar pelo visto são uma família de veados que já vieram cheirar a minha barraca…

Appalachian Trail S01E45

Dia 45, 29/05: Pearisbourg (634.3) a south of VA 613 (660.2)

Distância do dia:  25.9 milhas |  41,68 km

Distância total:  669 milhas |  1076,65 km

Alguns dos melhores whiskies dos Estados Unidos são feitos no Tennessee. O Jack Daniels é só a marca mais famosa, mas existem diversas outras marcas menores e tão boas quanto. Algumas até melhores, diriam alguns. Uma em especial pode até salvar a sua vida. Pergunte a um hiker australiano que fazia a AT no ano passado. Ele ganhou uma dessas garrafinhas de dose do tal whisky (não me pergunte, não sei a marca), colocou em algum bolso da mochila e esqueceu. Certa noite, frio e chovendo, se levou da dose. Levantou da barraca e foi buscar a garrafinha na mochila. Nesse exato momento uma árvore desaba e acerta em cheio a barraca do australiano. Salvo pelo whisky do Tennessee

Lembrei dessa história porque o plano do dia era sair de Pearisbourg e andar umas 18 milhas até o Pine Swamp Branch Shelter. Mas ontem no hostel mesmo vi que o estava interditado, bem como uma boa área no entorno dele, devido ao risco de árvores caírem. A culpa não é nem da chuva nem da terra macia no lugar, mas da mariposa cigana. Tipo o que acontece com os ficus de Belo Horizonte. Muitas das árvores próximas ao shelter estão de pé, mas estão mortas.

O abrigo fica próximo a um rio, o Stony Creek. A descida para o vale e a saída dele é de impressionar. São dezenas de árvores tombadas, de todos os tamanhos. Algumas já foram serradas ou tiradas pelo pessoal que faz a manutenção da AT, mas em muitos casos é preciso passar por cima, por baixo ou desviar dos troncos.

Não foi só esse o desafio do dia. Longos trechos sem água e com bastante pedra marcam as proximidades dos dois outros abrigos que passei. Cheguei no Balley Gap, que fica a 5 km do Pine Swamp, já umas 5:30 da tarde. Mas estava lotado: era um dos poucos locais possíveis de ficar, mesmo acampando, em um longo trecho. Resolvi andar um pouco mais pelo menos até um ponto de água que existia logo depois. Mais pedras, nada de acampamento…

Já tarde e eu cansado, minha tática nessas situações é a seguinte: pegue o máximo de água que der e acampe no primeiro lugar que aparecer. Foi o que fiz. Três litros de água, sufiente pra fazer o jantar e matar a sede, e na primeira clareira que surgiu montei minha barraca.

Eu carregava na mochila o dia todo uma lata de cerveja que tinha sobrado de ontem. Fiz um frango teriaki, temperei com um vidrinho de Tabasco que tinha pegado numa Hiker box, abri minha cerveja e aqui estou. Nenhuma árvore caiu, mas essa cerveja salvou a minha vida.