Tratamento de água na trilha

Pense comigo: você perde mais de dois litros de água por dia, seja pelo suor ou pela urina. É preciso repor essa água. Se vai ficar mais de um dia na trilha ou no mato é improvável que leve toda a água que for consumir. Mesmo em trilhas de apenas um dia, é quase certo que vai precisar pegar água direto da natureza para beber. Pode ser que você encontre uma nascente com água pura e fria, mas na maioria das vezes o cenário é bem diferente: rios, lagoas, cachoeira, reservatório de água para gado, água empoçada de chuva… Vai ser isso que você vai encontrar. Você tem três opções: morrer de sede ou tomar a água e torcer para que não tenha uma doença. A terceira é utilizar algum sisteam de tratamento da água, para que ele fique potável, livre de bactérias e protozoários. Infeção urinária e intestinal? Não, tô fora.

Para que isso não aconteça existem diversos métodos de purificação de água. Vai depender de você e da trilha que estiver fazer para decidir qual a melhor opção. O mais comum no Brasil ainda é a purificação química, feita a partir de gotas ou pastilhas de cloro. Nesta categoria estão o Clor-in e o Hidrosteril.

10592876_1sz

O Clor-in é uma pastilha que tem como base um derivado do cloro orgânico, o Dicloro-S-Triazinetrinone. Sua principal vantagem é não deixar gosto na água e ser eficiente na prevenção de diversas doenças e infeções causadas por microorganismos. É leve e fácil de carregar, mas cada pastilha é suficiente para, no máximo, um litro de água. A cartela custa em torno de R$10,00. Além disso, é preciso esperar meia hora para a pastilha faça efeito – ou seja, o seu uso não é imeditado.

00090639O Hidrosteril, por sua vez, está disponível em formato líquido. Duas gotas são suficientes para a purificação de um litro de água. Sua composição também é a base de derivados de cloro – o hipoclorito de sódio, ou basicamente água sanitária. A água pode ser consumida em apenas quinze minutos, mas o produto deixa um gosto forte de cloro. Custa em torno de R$20,00 o frasco de 50 ml, suficiente para purificar dezenas de litros de água.

6596Pouco comum no Brasil, o Aquamira é outro purificador químico. É formado por dois compostos, vendidos em frascos separados, que precisam ser combinados no momento de purificar a água. O primeiro frasco é composto de dióxido de cloro e o segundo por ácido fosfórico. A combinação dos dois é eficiente na eliminação não só de bactérias, mas também de viroses e cistos de protozoários, como a giárdia. 60 ml (um frasco de 30 ml de cada produto) são suficientes para a purificação de 100 litros de água. Também não deixam cheiro ou gosto e nos Estados Unidos o kit é vendido por 15 dólares – não encontrei o produto a venda no Brasil. É bom deixar claro que nenhum dos métodos químicos filtra a água – caso ela esteja poluída com elementos físicos – terra, barra, folhas etc – é preciso primeiro filtrar a água (você pode usar uma bandana, por exemplo) e depois purificá-la.

Um método de purificação que vem se popularizando no Brasil e é o mais popular nos Estados Unidos é a filtragem. Neste caso a água passada por um mini filtro, eliminando não só bactérias, mas também elementos físicos. Os filtros mais comuns – e que eu particularmente prefiro – são da marca Sawyer. São três modelos: o normal, chamado simplesmente de Sawyer Filter System; o Sawyer Mini e o Sawyer Micro. O princípio dos três é o mesmo – uma “pele” de microfibras tubulares que filtram 99.99% de bactérias (samonela, E.coli) e protozoários (giárdia), mas não eliminam viroses. São leves, versáteis e muito práticos. O Mini, apesar de ser o mais leve dos três modelos, tem um fluxo de filtragem muito lento, o que me faz achá-lo o pior dos três. O Micro, lançado recentemente, tem o mesmo peso Micro e um fluxo de água bem próximo ao sistema original, pra mim ainda o melhor dos três. Em todos os casos é preciso coletar a água em um recipiente e filtrá-la para outro. Também é preciso ter cuidado em baixas temperaturas: em noites frias o filtro pode congelar e se quebrar. O Sawyer Filter tradicional custa em torno de 40 dólares, o Mini em torno de 20 dólares e o Micro cerca de 30 dólares nos EUA. No Brasil o Mini é vendido por cerca de 220 reais.

katadyn-be-free-water-filtration-bottle-rolled-up_e0fce646-5abc-4c30-95df-2ea29ac2870f_grandeOutro sistema por filtragem que vem se popularizando é o de filtros adaptados diretamente na boca de uma garrafa dobrável – algo que o Sawyer também permite fazer. São mais leves, mas você fica limitado a quantidade de água dentro da garrafa. Nenhum dos sistemas de filtragem (seja o Sawyer, seja o filtro da Katadyn) necessita de espera para que você beba a água – é passar pelo filtro e tomar.

1360339416-61097500Semelhante ao sistema de filtros, o sistema por gravidade é destinado a filtrar uma quantidade maior de água – 10 litros de uma vez, por exemplo. A vantagem é que você não precisa estar presente no momento da filtragem – é colocar o recipiente com a água suja em um ponto mais alto e deixa a água passando pelo filtro até o recipiente de água limpa. É similar aos antigos filtros de barro que a gente usa em casa – mas muito mais leve e portátil. Os principais fabricantes, como Sawyer, Katadyn e Platypus têm modelos disponíveis de sistemas de gravidade.

56431_msr_miniworks_ex_purifier_packaging_tablets

Sistemas de filtragem por bombeamento também são uma opção, mas são grandes e pesados (cerca de 500 gramas, contra 70 gramas do filtro Sawyer Micro). Alguns modelos têm a vantagem de filtrar também viroses. Também custam caro – modelos mais simples da MSR, por exemplo, que não são eficientes contra viroses, custam a partir de 100 dólares, chegando a mais de 350 dólares os modelos que eliminam contaminações por virus. 61axt-brahl._sx425_Outro sistema de purificação é o feito por raios ultravioletas. A marca mais conhecida é a Steripen. Suas canetas emitem raios que eliminam bactérias, protozoários e viroses e precisam ser recarregadas (bateria ou USB, dependendo do modelo) a cada 50 litros, em média. Por isso não é um sistema que eu usaria – já tenho que cuidar da bateria do celular, da lanterna, do geolocalizador e isso é suficiente. As lâmpadas têm uma vida útil bem maior – podem ser utilizadas cerca de 8000 vezes. Agem rápido – em cerca de um minuto – mas não filtram as impurezas físicas. As Steripen custam em torno de 100 dólares nos EUA.

Por fim, existe o bom e velho método de fervura. Deixe a água fervendo por alguns minutos para eliminar todos os tipos de microorganismos. Mas é preciso esperar a água esfriar para bebê-la. Como levo panelas pequenas, não é um método que utilizo. Prefiro confiar nos outros métodos mais modernos.

Independente do método é importante sempre filtrar e purificar a água que for consumir, seja bebendo ou cozinhando, quando estiver em trilhas. Nas minhas trilhas de longa distância sempre levo o filtro Sawyer tradicional como primeira opção e uma cartela de Clor-in como backup, caso o filtro estrague. E você? Qual a sua escolha?

Anúncios

Planejamento de trilhas de longa duração

Fiz minha primeira trilha de longa distância em 2015. Caminhei 420 quilômetros do Caminho da Fé e conto sobre essa caminhada aqui. Depois foram os 1200 quilômetros da Estrada Real, que também conto o dia a dia nesse link. Me preparava para fazer os  3.540 quilômetros da Appalachian Trail quando fui ao Rio para uma reunião com o pessoal da Spot. A gente fechou uma parceria e eles me cederam o Gen3 para a travessia. Seriam cinco meses de caminhada e a única condição que a Ale, me esposa, colocou foi que ela deveria saber em tempo real onde eu estava. E o Gen3 é perfeito pra isso, já que manda para um site e suas redes sociais a sua localização.

Na reunião o pessoal me perguntou se eu não estava preocupado com os imprevistos que eu poderia encontrar durante a travessia.

– Olha, eu não sou aventureiro. Eu sou planejador. O que eu faço é planejar eventos. Uma travessia de cinco meses não é nada mais que um evento de longa duração.

Foi essa a minha resposta. E é verdade. Sou formado em Comunicação, mas trabalho com eventos desde 1994. Fiz um Master in Event Management na University of Technology de Sydney, Australia. É minha profissão.

Assim como nos eventos que faço, ao planejar uma trilha qualquer eu preciso pensar em todos os aspectos: o que vai ser? Quanto vai custar? E se algo der errado? E se não chegar ao final? E como vai ficar a imagem do meu cliente depois desse evento, caso algo der errado? Quais os retornos que meu cliente vai ter caso tudo ocorra como planejado? Como medir o sucesso desse evento?

Encaro assim o planejamento de uma trilha de longa distância. E acredito que você deva encarar da mesma forma. Não é aventura: é um evento bem planejado, onde todos os aspectos precisam ser analisados e levados em consideração.

A primeira coisa no seu planejamento é decidir qual trilha fazer. No meu caso, decidi fazer aAppalachian Trail em 2017 por alguns motivos. Primeiro porque eu não queria uma caminhada com tanta gente como o Caminho de Santiago, por exemplo. Quer números? Então toma: em 2017, segundo a Appalachian Trail Conservancy, 4.127 pessoas se registraram para para a trilha de ponta a ponta, os chamados thru-hikers. Eles também estimam que outras 800 pessoas não se registraram, o que temos um número na casa de 5.000 pessoas. Já a Confraternity of Saint James, que administra o Caminho de Santiago, chegou a impressionantes 301.036 peregrinos em 2017. O Caminho de Santiago recebe por semana mais peregrinos que a AT recebe durante o ano todo…

Além disso eu queria uma caminhada que me permitisse acampar o máximo de noites possível e que não fosse muito técnica. Por isso eu escolhi a AT e não a PCT, por exemplo. Eu sabia que naquele ano a PCT não seria pra mim: eu não tinha experiência em neve, a trilha era mais isolada, eu queria caminhar muito mas não ficar pensando em outros problemas.

Para essa definição inicial eu te aconselho a fazer isso com pelo menos um ano de antecedência. Mesmo trilhas menores, como Torres del Paine, no Chile, exigem um planejamento longo, já que você precisa reservar os campings com pelo menos 6 meses de antecedência. Esses meses vão te dar a possibilidade de pesquisar e conhecer o máximo possível sobre a trilha que você vai fazer. Lembre-se: aquela vai ser a sua casa por um bom tempo.

Depois de escolher você vai precisar desse tempo para que você possa planejar a trilha com cuidado. Levante as informações básicas, leia bastante, converse com gente que já fez a trilha, procure livros e sites. Existem dezenas de blogs especializados, no Brasil e no exterior. Procure por vídeos no YouTube, use a hashtag com o nome da trilha no Instagram pra ver fotos e te preparar pro que você vai encontrar. Existem grupos no Facebook de discussão sobre as trilhas. Entre neles. Se existerem grupos separados por anos – de gente que vai fazer esse ano e de quem fez no ano passado, por exemplo – entre nos dois. Conversar com quem já fez a trilha vai te ajudar a entender melhor o que funciona, o que não funciona, quais equipamentos levar, como lhe dar com alimentação etc.

Descubra quanto tempo você vai ter disponível e seja se é adequado pra trilha que você quer fazer. Não tem 6 meses? Com três é possível fazer uma trilha como a Te Araroa, na Nova Zelandia. Tem um mês? Talvez o Caminho de Santiago seja uma opção pra você. Ou Tour du Mont Blanc, na Europa. Uma semana? Existem diversas trilhas aqui no Brasil e na América do Sul. Entre no Wikiloc, por exemplo, e pesquise as trilhas disponíveis.

Planeja também quanto você vai gastar. Se você está curioso sobre quanto custa fazer a Appalachian Trail, por exemplo, eu fiz um texto e gravei um episódio no YouTube só sobre isso. Leve em consideração suas despesas na trilha mas também as despesas que você vai continuar tendo em casa e o dinheiro que vai deixar de ganhar sem trabalhar por aquele período.

Trilha decidida, orçamento feito, é hora de pensar nos equipamentos. Existe muita diferença no equipamento que você vai usar pra fazer uma trilha nos Estados Unidos ou no Brasil. De novo, converse com quem já vez a trilha pra saber qual o melhor equipamento naquela situação. E lembre-se que a escolha dos equipamentos é algo muito pessoal. Experimente, teste, use tudo antes de começar a fazer a trilha de verdade.

Se você já sabe qual trilha vai fazer, se comprometa a isso. Reserva as datas, compre as passagens necessárias. Estude como chegar e sair da trilha e faça as reservas de transporte e albergue necessárias.

Chegue pra fazer a trilha na melhor forma física que conseguir. Pratique em trilhas menores. Se não conseguir, faça como eu: coloque algo pesado em sua mochila e ande pelo seu bairro. Eu colocava todos os volumes de Senhor dos Anéis e Guerra dos Tronos (eram quase dez quilos de livros) e saia subindo os morros de Belo Horizonte. Também fiz algumas sessões de girotronic antes de ir pra AT que ajudaram bastante.

Não se esqueça de trabalhar também o lado psicológico e emocional. Fazer uma trilha que dura três, quatro, cinco meses é um grande desafio. Nesse sentido o livro Appalachian Trails – A psychological and emotional guide to successfully thru-hike the AppalachianTrail, do Zach Davis, foi fundamental. Ele sugere que você faça uma lista dos motivos que o levaram a fazer a trilha e como você vai se sentir se conseguir completar a trilha ou se desistir da caminhada. Faça essa lista e leva com você. Vai te ajudar quando pensar em cair fora da empreitada.41xofrlh4ql

Como tudo preparado é hora de contar pro mundo que você vai sair nessa aventura. Faça um blog, divulgue no seu Facebook, conte pra sua família. Pense em algum produto que a trilha possa gerar: um documentário, um livro, uma exposição.

Tudo pronto é hora de dar aquele primeiro passo. Aproveite cada minuto. Lembre-se que essa trilha é sua: não tente seguir o ritmo de outras pessoais. Ouça seu corpo, não force mais do que você da conta. E se pensar em desistir, nunca desista em um dia ruim. Espere, de um tempo e quando sua cabeça esfriar pense de novo no assunto. Lembre-se da lista que voce fez. Lembre-se também da máxima dos trilhas americanas: hike your own hike. Faça a SUA trilha. Vá no seu ritmo, do seu jeito, que você vai chegar e seu evento, sua caminhada, vai ser um sucesso.

Dicas pro seu final de semana – se você for ficar em casa

capa.jpgEspero que você saia e faça alguma atividade no meio do mato esse final de semana. Mas se for ficar em casa aqui estão algumas dicas para o seu final de semana:

Fiquei impressionado com a Barkley Marathons. Nunca tinha ouvido falar até comentarem comigo do documentário que está rolando no Netflix. The Barkley Marathons: The Race That Eat Its Young conta a história da prova que em 25 anos de história apenas dez corredores que conseguiram completar. Peculiar, diferente e cheia de surpresas (o horário do início da prova, por exemplo, só é avisado para os competidores uma hora antes) a corrida é inspirada na fuga de um presidiário e acontece nas montanhas nas proximidades de uma pequena cidade do Tennessee. É uma prova sofrida, cheia de particularidades e o documentário vale uma hora e meia do seu tempo. Vai por mim.

Também é bem bacana o filme This is Not a Beautiful Hiking Video, do austríaco Peter “Chopper” Hochhauser. Gravado na Pacific Crest Trail em 2016, ele é o inverso do que o título prega. O curta (são menos de 10 minutos) tem boa fotografia, história da caminhanda bem contada, edição de imagens e correção de cores bem feitos. Tudo isso já rendeu ao vídeo meio milhão de visualizações no YouTube. Nesse link ele responde a algumas perguntas sobre a caminhada e o processo de realização do filme.

Falando em PCT, tenho acompanhado a jornado do Edinho e da Bia do Sua Casa é o Mundo. Os  brasileiros estão lá esse ano e cem dias de caminhada acabaram de cruzar a fronteira da California com Oregon. Além do blog eles mantém também um canal no Youtube e já gravaram alguns podcasts com o Elias para o Extremos.

A Martins Fontes tem colocado alguns bons livros sobre caminhada no mercado. Além do essencial “A História do Caminhar” da Rebecca Solnit e do incrível “Caminhar, Uma Revolução” do Adriano Labbucci agora é a vez de “Nascemos para Caminhar”, do canadense Dan Rubinstein. O livro estava com 40% de desconto no site da editora na semana passada, quando comprei, mas agora o melhor preço é nas Americanas (de R$39,00 por R$27,30 mais correio). Ainda estou nas primeiras páginas, mas tenho gostado bastante do que li até aqui.

36844426_1SZ

Também incrível é o trabalho que a Duda Menegassi. A jornalista e fotógrafa escreve para site O Eco e tem acompanhado de perto o projeto de implantação de trilhas de longo percurso no país. Tão de perto que acabou de lançar o livro “Travessias: Uma Aventura Pelos Parques Nacionais do Brasil”. O projeto é fruto da parceria entre O ECO e o ICMBio – Instituto Chico Mendes da Biodiversidade e traz textos e fotos de onze trilhas, incluido a Serra Negra, no Parque Nacional do Itatiaia; a Trilha Chico Mendes, no Acre e a Capão x Lençois, na Chapada Diamantina. Fundamental, o PDF gratuito do livro pode ser baixado aqui.

Screenshot 2018-08-15 19.05.06.png

Dica pra quem se interessa pela criação do circuito de trilhas de longa distância no país: diversos workshops, seminários e multirões estão pipocando aqui e ali. Em Minas a Transespinhaço já teve parte de seu percurso demarcado e 3º Seminário acontece dia 1 de setembro em Ouro Preto. A Transmantiqueira também já tem parte de sua sinalização pronta e o 5º seminário acontece esse final de semana em Itamonte. A melhor forma de acompanhar os trabalhos e se informar sobre os seminários é pelas páginas nos links acima. Só seguir e se informar.

Pra terminar, um dos poucos equipamentos que não abro mão em caminhadas é o Spot Gen 3. Me sinto seguro e mais que isso: deixo seguro quem fica em casa me acompanhando, já que o bichinho envia minha localização a cada 5 minutos pra um site. E você só tem esse final de semana pra aproveitar a promoção da Spot Brasil, que está dando 50% de desconto nos produtos e 25% de desconto na anuidade. Sim, vale a pena. E só vai até segunda, dia 20. Como diriam os Mutantes: não vá se perder por aí… O link direto para a promoção é esse.

 

Estrada Real – o vídeo

Em 2016 eu resolvi caminhar a Estrada Real. Durante o mês de junho andei de Diamantina ao Paraty. Foi a primeira parte do treinamento para a Appalachian Trail, que eu faria no ano seguinte.

Durante a caminhada eu gravava e postava vídeos diários no Facebook, além de escrever relatos diários aqui no blog. Ano passado subi os vídeos para o YouTube e agora resolvi editá-los na sequência. Incluí algumas fotos que tirei durante a viagem e o resultado é o vídeo abaixo. Quase 50 minutos de uma história que durou 32 dias.

Foi bom voltar a essa história e rever alguns dos personagens que conheci naquele ano. O Dedé, o José Sebastião, o Alberico, o Anemércio, o Jorge…. Foi bom rever as cidades, as paisagens, os causos da caminhada. Ouvir de novo as siriemas, os tucanos, o barulho da mata. Tá tudo aí. Bom filme.

 

A trilha da trilha

Eu fico pensando como vai ser depois que chegar, que tiver completado a trilha, que estiver no alto do Katahdin (se é que vou chegar ao topo do Katahdin). Fico pensando nos amigos, na família, no que aconteceria se eu desistisse e na primeira vez que encontrar essas pessoas depois do final da trilha.

“O amor verdadeiro vai me encontrar no final”, é isso que eu penso…

A trilha da trilha: Maine

Quando você estiver lendo este post eu devo estar chegando aos Estados Unidos. Saí ontem, segunda, dia 10 de abril, de Belo Horizonte rumo a Orlando. De lá sigo de ônibus até Jacksonville, também na Flórida, e depois para Atlanta, onde uma van vai me levar até o parque de Amicalola Falls. É ali onde realmente começo a jornada.

Cruzar os Estados Unidos por 14 estados, andar 3.500 quilômetros e chegar ao topo de uma montanha quase só de pedras. Andar por 150 dias na floresta, fazer novos amigos, ver animais como ursos e alces em seus habitats naturais, explorar uma das maiores e mais antigas trilhas do mundo. Esse é o plano para os próximos cinco meses.

Venho postando aqui músicas que representam um pouco essa jornada. Ou melhor: que representam os estados por onde essa jornada passa. Alguns vão dizer que A Horse With No Name, do America, não seja uma boa faixa para encerrar o playlist. Mas pra mim tanto a letra (“Na primeira parte da jornada eu estava olhando para toda vida. Havia plantas, pássaros, pedras e coisas…“) ao nome da banda e ao estilo musical, tudo nela representa bem o que espero encontrar pelas próximas semanas. Mesmo que a música não seja sobre a Appalachian Trail. E mesmo que eu não esteja no deserto. Ou a cavalo… Mas vocês entederam o recado.

Vocês vão poder acompanhar a jornada por aqui, no Instagram, nos podcasts com o Portal Extremos, no Twitter. Vou tentar deixar vocês atualizados o máximo possível.