A trilha da trilha

A mais óbvia de todas as músicas de qualquer pessoa que gosta de caminhada, hiking, trekking ou qualquer coisa parecida. Tudo por causa do refrão: “e eu vou andar 500 milhas, e então vou andar mais 500 milhas…”.

Pois é. No meu caso vou andar 500, mais 500, mais 500, mais 500 e mais 190…

 

Anúncios

A trilha da trilha

Eu fico pensando como vai ser depois que chegar, que tiver completado a trilha, que estiver no alto do Katahdin (se é que vou chegar ao topo do Katahdin). Fico pensando nos amigos, na família, no que aconteceria se eu desistisse e na primeira vez que encontrar essas pessoas depois do final da trilha.

“O amor verdadeiro vai me encontrar no final”, é isso que eu penso…

A trilha da trilha: Maine

Quando você estiver lendo este post eu devo estar chegando aos Estados Unidos. Saí ontem, segunda, dia 10 de abril, de Belo Horizonte rumo a Orlando. De lá sigo de ônibus até Jacksonville, também na Flórida, e depois para Atlanta, onde uma van vai me levar até o parque de Amicalola Falls. É ali onde realmente começo a jornada.

Cruzar os Estados Unidos por 14 estados, andar 3.500 quilômetros e chegar ao topo de uma montanha quase só de pedras. Andar por 150 dias na floresta, fazer novos amigos, ver animais como ursos e alces em seus habitats naturais, explorar uma das maiores e mais antigas trilhas do mundo. Esse é o plano para os próximos cinco meses.

Venho postando aqui músicas que representam um pouco essa jornada. Ou melhor: que representam os estados por onde essa jornada passa. Alguns vão dizer que A Horse With No Name, do America, não seja uma boa faixa para encerrar o playlist. Mas pra mim tanto a letra (“Na primeira parte da jornada eu estava olhando para toda vida. Havia plantas, pássaros, pedras e coisas…“) ao nome da banda e ao estilo musical, tudo nela representa bem o que espero encontrar pelas próximas semanas. Mesmo que a música não seja sobre a Appalachian Trail. E mesmo que eu não esteja no deserto. Ou a cavalo… Mas vocês entederam o recado.

Vocês vão poder acompanhar a jornada por aqui, no Instagram, nos podcasts com o Portal Extremos, no Twitter. Vou tentar deixar vocês atualizados o máximo possível.

 

A trilha da trilha: New Hampshire

Outra banda que ouvi muito, mas que nos últimos discos deixei de escutar. Essa New Hampshire, do Sonic Youth, é do Sonic Nurse, de 2004. Não ouvi esse disco tanto quanto o Sister ou o Evol ou o Dirty ou o Goo ou o Washing Machine ou o Experimental Jet Set, Trash and No Star… Caramba, como essa banda tem disco bom, né não??

Inspirações: Gustavo Ziller

A história do Ziller é impressionante. Não só a história do montanhista, mas sobretudo sua história de vida e de como se apaixonou pelas montanhas.

gustavo-ziller.jpgBem resumido: o cara cresceu agitando o meio musical de Belo Horizonte, com banda, festas, bares e emissora de rádio. Criou uma empresa pra desenvolver aplicativos, quando isso ainda estava engatinhando. A empresa cresceu e o cara se mudou pra São Paulo com a família – parte importante em toda trajetória – até o dia em que teve um piripaque. Deu biziu, o sistema bugou e parou de funcionar e as opções eram tomar remédio pelo resto da vida ou mudar de vida.

A história toda é contada em detalhes no primeiro livro dele, Escalando Sonhos, que tá disponível baratinho na loja da Amazon. Sugiro que vá lá agora e compre. Agora. Vou esperar aqui…

Comprou?

Então vamos continuar.

Eu tive o privilégio de acompanhar de perto parte da história dela: sua banda, Zippados, tocou em algum dos shows que a Motor Music, minha produtora/loja/selo produziu (se não me falha a memória, com o Mudhoney, em 2001). Eu discotequei em algumas de suas festas do Movimento Balanço e tive um programa na sua rádio (o Baticum, na Savassi FM). Vi o cara migrar do outdoor (os cartazes mesmo) ao digital. Sempre acompanhei a movimentação que ele aprontava com admiração e curiosidade: o cara sempre conseguiu transformar tudo o que botava a mão. Saca o milagre da multiplicação dos pães? Sabe Midas? Era tipo isso. Sua festa não era uma festa qualquer: virou a festa mais badalada da cidade. O mesmo aconteceu com seus bares. E sua rádio? Como era boa a Savassi FM… O cara sempre foi um fenômeno: focado e determinado, nunca deixou por pouco. Se era pra fazer algo, que essa algo fosse o melhor no que se propunha.

E quando decidiu começar a escalar seus sonhos a coisa não poderia ser diferente. A sua mudança de vida começou com o trekking pela base de Annapurna, no Nepal. Poderia ter parado ali, mas vocês já viram que o cara não é fácil… O que era só a caminhada virou um projeto chamado 7 Cumes. O objetivo de Ziller passou a ser escalar o ponto mais alto de cada continente. Justamente ele, que não era profissional… E se não bastasse, o projeto passou a ser não só as escaladas, mas uma série de livros, uma série de TV, um ciclo de palestra, cursos, aulas, o escambau. Até o momento Ziller já subiu o Aconcágua, na Argentina; o Kilimanjaro, na Tanzânia; e o Elbrus, na Rússia. Os próximos virão em breve. Dá pra acompanhar o projeto 7 Cumes e as outras investidas do cara pelo site.

É inegável a influência do Ziller montanhista-empreendedor sobre mim. Primeiro porque de todos os perfis de inspiradores que venho traçando aqui ele é o único realmente próximo. Além disso, tivemos nossa mudança de vida quase na mesma época: ele quando decidiu ir para o Nepal, eu quando decidi voltar da Austrália e ir a Tambaú. E se eu tinha dúvidas se deveria ou não caminhar aqueles 450 quilômetros, acompanhar a caminhada dele foi a certeza que deveria seguir em frente. Por fim, em tempos mais recentes o apoio que ele vem dando pro meu projeto de caminhadas de longa distância é de extrema importância. Ajuda na divulgação, na busca por apoios, ensina técnica para subir e descer montanhas…

Nossos destinos podem parecer diferentes, nossas metas a serem alcançadas também. Mas nossos objetivos de vida são mais próximos do que parece. No fundo no fundo o que esses dois quarentões buscam é a mesma coisa que buscavam quando tinham vinte: dar uma sacudida e mostrar que é possível. A forma dele fazer isso é vertical: para o alto e avante. A minha é horizontal: ir mais longe, sempre. Mas o que realmente importa não é se fomos os primeiros ou se fomos os mais rápidos: o que importa é mostrar que gente comum – eu, o Ziller, você, seu colega aí do lado – é capaz de fazer coisas extraordinárias. Quer levar uma vida dipopodamirigoda?  Sonhe, planeje e execute que dá.

A trilha da trilha: Vermont

Rapaz, como eu ouvi esse disco na minha adolescência! E depois passei anos sem escutar… Mas quando comecei a fazer a seleção das músicas da trilha me lembrei de Moonlight on Vermont, do Captain Beefheart.

Eu disse que à medida que a trilha ia subindo rumo ao norte tudo ia ficando diferente, né? Pois é…

“Moonlight on Vermont affected everybody!”