A trilha da trilha: Tennessee 

É até injustiça com os outros estados querer fazer uma trilha da trilha do Tennessee. O estado está ligado ao surgimento do blues, do rock e da soul music. Só isso. Sem contar a importância dele pro country… 

Se for listar todo mundo que nasceu aqui ficaria horas. De Elvis Presley a Dolly Parson, de Al Green a Tina Turner. 

Mas pra essa trilha da trilha escolhi uma das minhas bandas prediletas. Que apesar de ser rock gravava por meu selo de soul predileto, a Stax. Os três primeiros discos, #1 Record, Radio City e Third/Sister Lovers são obras-primas. E o disco solo Chris Bell, I am the Cosmos… taqueopariu…

Obrigado amigos. Eu não estaria aqui se não fosse por vocês.

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A trilha da trilha: North Carolina

Estou saindo oficialmente da Carolina do Norte. Foram 154 quilômetros no estado, além de outros 360 quilômetros com um pé aqui e outro no Tennessee, já que ia seguindo a fronteira dos dois estados.

A Carolina do Norte se mostrou mais parecida com Minas Gerais do que eu jamais poderia imaginar. As montanhas, o povo meio caipira, a recepção, as cidadezinhas acolhedoras. E um tanto de artista que saiu daqui e que são importantes pra música desse país.

Só o Superchunk e a Merge Records dariam um capítulo nessa Trilha da Trilha. O que a banda e o selo representam pra música independente americana não está no mapa. E a turma do jazz? John Coltrane e Thelonious Monk, só pra citar dois gigantes, são daqui. Max Roach também. E Maceo Parker. E a lista poderia continuar…

Mas minha escolha vai pra um grupo que mantém um clima bem, digamos, “Appalachian” nas suas músicas: Avett Brothers. Folk e baladas, tipo essa Head Full of Doubt/Road Full of Promises.

A trilha da trilha: Georgia 

Se antes eram músicas sobre os estados que tô passando, agora são músicas de artistas desses estados. 

Estou saindo da Geórgia, exatamente na divisa com a Carolina do Norte (sério, tem um árvore com uma placa bem na minha frente). E a Geórgia é a terra de uma das melhores bandas americanas de todos os tempos. Poucas tiveram uma carreira tão coerente, só com disco excelente, um depois do outro. Começaram bem, terminaram bem. Total respeito pras esses caras. 

E como hoje o dia tá chuvoso (de novo) achei de bom tom colocar essas música. It’s been a bad day. Please don’t take a picture.

Bonobo ao vivo na Sydney Opera House

Uma coisa é certa: boa parte das pessoas que vão a um show/concerto/evento na Opera House de Sydney vão sem ter ideia do que as espera. Para elas, a atração é o espaço, o prédio símbolo da Austrália.

 

foto 1Pode ter sido isso que levou o show do Bonobo, marcado para uma segunda-feira, mas no bem no meio da alta temporada australiana, a esgotar os quase 3 mil ingressos disponíveis para o grande teatro em poucos minutos. Ou talvez tenha sido porque a primeira apresentação dele por aqui, em 2011, também tenha esgotado e gerado excelentes resenhas. Ou inda seja o fato de The North Borders, último disco do projeto inglês estar em várias listas de “melhores de 2013” e a música Cirrus em alta-rotação na rádio indie local, a FBi – a rádio foi, inclusive, a promotora do show.

Independente da resposta, a alta procura pelo show fez a organização marcar um segundo, no mesmo teatro, no mesmo dia. Assim, Simon Green e seu grupo subiram ao palco primeiro as 7 e depois as 9h30 da noite de hoje, segunda, 6 de janeiro de 2014. Foi esse segundo show, também esgotado, que assisti – em minha segunda visita ao teatro (a primeira foi pra ver Calexico).

Cirrus, o hit, é quem abre o show, com Green sozinho no palco, pilotando um pad de bateria eletrônica e dois controladores (em outras músicas ele assume também o baixo). Aos poucos o resto do grupo que o acompanha ao vivo vai entrando: primeiro um baterista, depois um guitarrista, mais um músico em outro teclado, um outro no sopro… E em certo momento são doze pessoas no palco, incluindo também uma vocalista, um naipe de sopros e outro de cordas.

O repertório do show é focado nas músicas do excelente The North Borders, mas passeia por músicas dos cinco álbuns do Bonobo em quase 15 anos de carreira. Alguns momentos são relax, tranquilos, trip hop beirando o soul (em especial  aqueles com a participação da vocalista Szjerdene). Em outros era preciso conter o ânimo de australianos dançando pelos corredores da Opera House – quase sempre aqueles com Green sozinho no palco ou apenas acompanhado pela bateria de Jack Baker e pelos sopros do multi-instrumentista Michael Lesirge. Lesirge e Baker são também responsáveis por um dos momentos mais inusitados dos show – onde sozinhos no palco fazem uma jam session de bateria, saxofone e efeitos que leva a platéia ao êxtase. Uma iluminação simples mas extramemente precisa fazia o complemento da apresentação.

A turnê australiana continua com shows em Melbourne e Adelaide, antes de seguir para a Asia e Europa, onde o grupo se apresenta em diversas edições do Sonar (Reykjavik, Stockholm e Barcelona). É torcer para que o Brasil esteja na agenda.

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