Dicas para comida em trilhas de longa distância

É sempre a mesma pergunta: mas o que você come? Como você faz pra cozinhar? O que você leva? Quantas calorias por dia você precisa ingerir?

Comida é o principal assunto nas conversas quando você está na trilha… ou fora dela. Todo mundo quer saber a sua dieta, o que está levando, como está se alimentando. É na comida também que você pensa quando decide ir a uma cidade, quando prepara as caixas que você vai enviar para trechos da trilha, quando decide tirar um dia a mais de descanso. Cansado? Algumas vezes. Faminto? Sempre.

É por isso que resolvi escrever esse post com dicas para comida em trilhas de longa distância. Serve para a Appalachian Trail, serve para a Pacific Crest Trail, mas também serve pras trilhas que existem aqui no Brasil. É só adaptar.

1. Cozinhe com eficiência

O modelo de fogareiro que você escolher vai inteferir imensamente na eficiência na hora de cozinhar. Durante a Appalachian Trail eu usei um Jetcook da Azteq. O bicho é a jato mesmo: gasta muito menos gás que os concorrentes e cozinha muito mais rápido. Não é o mais leve, mas a eficiência compensa o peso.

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Meu Jetcook em ação, no primeiro dia de trilha, cozinhando um chili liofilizado.

2. Pense no peso antes de qualquer coisa

Você deve levar comida comida nutritiva, mas pense também quanto ela pesa. Opte por comida desidratada ou liofilisada – existem várias no mercado. Macarrão e arroz pré-cozidos também são boas opções: cinco minutos era meu tempo limite para que o jantar ficasse pronto. Se tiver tempo, desidrate frutas e legumes para comer na trilha.

3. Reempacote

Uma das formas de ajudar a levar menos peso é deixar pra trás as embalagens originais dos alimentos. Tire tudo o que não for precisar. Coloque em sacos plásticos do tipo Ziplock. Barras de cereal, alimentos congelados, doces, pasta de amendoim, não importa: a dica é reembalar.

4. Calorias. Não se esqueça de calorias

Em uma trilha como as que faço você gasta fácil 3.000, 4.000 calorias por dia. Você vai precisar repor toda essa energia de alguma forma. Opte por alimentos ricos em caloria e gordura. Quanto mais, melhor. Sardinha na água ou no óleo? Óleo, claro! Chocalates, sempre, de preferência daqueles com amendoim…

5. Proteínas também são importantes

Na verdade sua dieta deve ser balanceada e conter calorias, gordura e proteínas. Nas longas trilhas isso é o mais difícil de conseguir: opte por carne seca, sardinha, atum, amêndoas, queijos duros.

6. Já pensou em deixar o fogareiro em casa?

Ir sem fogareiro pode ser uma opção para economizar peso e tempo. Leve alimentos já prontos, barras de cereal, alimentos desidratadas, coisas que não precisam ir ao fogo para cozinhar. Queijos duro, por exemplo, duram vários dias na sua mochila.

7. Aprenda com o Zé Colméia

Lembra do desenho animado, que o Zé Colméia sempre dava um jeito de conseguir comida com os turistas? Pois é. Isso tem um nome: Yogiing. Yogi Bear é o nome do Zé Colméia em inglês. Yogiing é se virar como o Zé Colméia, dando um jeito de ganhar a comida de graça dos turistas ou outros caminhantes que passam por você.

8. Aprenda com a trilha

Conheça os alimentos que a trilha pode te oferecer. Mesmo sabendo quase nada de botânica e da vegetação da trilha pude me deliciar com diversos tipos de frutas: morangos silvestres, mirtilos, amoras, cerejas… Tudo a mão, tudo a pouco metros da trilha.

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aulinha básica de alimentos comestíveis na trilha

9. Café instantâneo sempre

Eu não fico sem café. E na trilha isso pode ser um problema. Até pensei em levar minha Aeropress, mas é pouco prática e muito pesada. O jeito é apelar para o café instantâneo. É a pior coisa que você pode tomar, é verdade, mas é melhor que ficar sem café.

10. Leve seu lixo de volta. Todo ele.

Mesmo que você reempacote, que leve alimentos leves, que use café instantâneo, você ainda vai produzir lixo. E a dica é simples: leve seu lixo de volta. Todo ele, mesmo o lixo orgânico, cascas de frutas, coisas que você sabe que irão se decompor (sim, seu papel higiênico também). Não vá contaminar o ambiente por causa de nojinho ou de alguns poucos gramas.

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The trail provides

 

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Como fazer o melhor hamburger do mundo

A Alê está viajando este final de semana e esta é, portanto, uma daquelas oportunidades pra eu fazer e comer um bom hamburger. Adoro a mistura simples de carne e pão, de qualquer forma. Seja frio ou quente, não importa: troco fácil o almoço por um bom sanduíche.

Aí que mora o problema. Como é difícil achar um bom sanduíche em Belo Horizonte. Por mais que abram hamburguerias finas, que cobram 30 reais por um sanduba, ainda não comi um que valha a pena. Mesmo que o sanduíche não seja de todo ruim, o serviço é uma porcaria e não vale o esforço de sair de casa.

Minha cunhada diz que faço bons sanduíches desde a adolescência. Naquela época era só teste de ingredientes e formas de preparo que poderiam dar certo. Hoje simplifiquei. Hamburger pra mim é pão, carne, um verde, um queijo, tomate e pronto. E é a qualidade destes cinco ingredientes é que conta.

O pão, por exemplo. Precisa ser macio, fresco, saboroso. Mas antes de preparar o sanduíche é preciso abri-lo e selar o meio. Não, você não vai colocar o coitado no correio: apenas corte o pão no meio e coloque as metades em uma frigideira anti-aderente quente, sem nada. Isso vai fazer com que a parte branca do pão sele, não permitindo que o caldo da carne escorra pelo meio e transformando o que era o pão perfeito numa gosma encharcada. Selar o pão é a primeira coisa que você tem que fazer ao preparar seu hamburger. Faça isso e reserve.

A carne, eu mesmo preparo. A mistura que uso é de três tipos de carne: uma mais dura e mais saborosa, normalmente a usada em carne moída (patinho, chã), uma segunda mais macia, normalmente o filé mignon e uma terceira parte de gordura. Uso bacon na maioria das vezes: faz a parte de dar liga ao bife e deixa um sabor inconfundível (convenhamos: tudo fica melhor com bacon…). A proporção é 50/30/20. Ou seja: para um bife de 220 gramas são 110 de chã, 60 de filé e 50 de bacon, aproximadamente. E nada de comprar o bife já pronto: o ideal é moer a carne na faca. É, na faca…

Não tem segredo: vai ficando a carne o máximo que puder. Ao contrário de quando é moída, nesse processo a carne conserva alguns pedacinhos que fazem a diferença. Gaste um bom tempo nisso: pique o máximo que conseguir, misturando todos os três tipos.

Quando achar que já está no ponto tempere com sal, pimenta do reino moída na hora, noz moscada e acrescente uma colher de farinha de pão. A farinha não é obrigatória, mas vai dar liga ao bife, fazendo com que ele não despedace ao ser frito (tem gente que usa gema de ovo para o mesmo efeito).

Faça bolas com a quantidade de carne de cada bife (como eu disse, os meus são entre 200 e 250 gramas cada) e amasse no formato do pão. (Outra vantagem de fazer seus próprios bifes: eles podem ser no formato que você quiser. Se estiver usando pão de sal, por exemplo, faça os bifes neste formato…).

Pronto. A carne já pode ir pro fogo, ou você pode congelá-la para mais tarde. Na hora de fritar o que conta é a paciência: deixe o fogo no alto, o mais alto e quente possível. Unte a frigideira com óleo ou azeite e coloque as carnes. Não mexa, não aperte, não vire até que o bife começar a minar água.  Você vai ver: ela brota da parte de cima. Esta é a sua dica de que a carne está no ponto. Se quiser bem passado, você está errado. Hamburger bom é no ponto, com aquele suco da carne escorrendo, com o sabor todo concentrado ali no meio… Nesta hora, com o bife minando, vire-o e deixe até acontecer o mesmo do outro lado. Minou, está pronto.

O acompanhamento você escolhe. Eu, como disse, coloco grossas fatias de tomate, um verde – quase sempre uso rúcula – e o queijo que estiver a disposição na minha geladeira – o da foto é um brie. Daí é só servir e se deliciar. Aceita?