Travessia Alto Palácio – Serra dos Vales (o vídeo)

Escrevi aqui sobre a travessia que fiz na Serra do Cipó no início do ano (se você não leu o link está aqui) e essa semana resolvi editar o vídeo com algumas imagens que gravei durante a trilha.

É uma tentativa de chegar num formato de vídeo que pretendo gravar durante a Pacific Crest Trail. Ainda não sei como vou fazer por lá – e se você tiver alguma sugestão eu gostaria de ouvir…

Subi o vídeo sobre essa travessia no meu canal do YouTube. Caso você ainda não conheça é só clicar no vídeo e se inscrever.

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Travessia Alto Palácio – Serra dos Alves (ou: mea culpa, mea maxima culpa)

Deixa eu começar o ano fazendo um mea culpa: eu faço muito pouco trilha no Brasil. Não conheço quase nada dos caminhos clássicos daqui. Serra Fina? Nunca fiz. Chapada Diamantina? Não conheço. Lapinha-Tabuleiro? Pode me xingar, mas nem essa… No meu currículo tem a Appalachain Trail cruzando 14 estados americanos. Tem Milford Sound na Nova Zelândia. Tem Torres del Paine, El Chaltén, Ushuaia, Austrália, Japão, Tailândia, Laos… Brasil mesmo que é bom necas.

Sim, a culpa é minha. Por alguns motivos explicáveis – mas não desculpáveis. Comecei a fazer trilha tarde – o que prova que não, você não está velho pra isso como pode estar imaginando. E quando estou no Brasil muitas vezes estou mergulhado em trabalho. Daí quando aparece uma oportunidade opto por correr meio mundo ao invés de ficar por aqui.

Mas, ó, fica aqui o meu compromisso de mudar isso. Esse ano ainda. O primeiro passo eu já dei: aproveitei um final de semana com a família na Serra do Cipó e fui fazer a travessia Alto Palácio – Serra dos Alves. É uma daquelas travessias clássicas, pelo menos aqui em BH. Todo mundo já fez – ou conhece alguém que fez. Menos eu. Assim, passamos o final de semana curtindo cachoeira e passeios em Santana do Riacho e na segunda cedo Alê me deixou na portaria do ParnaCipó pra cruzar aqueles quase 40 km.

Alto Palácio – Serra dos Alves é um dos primeiros trechos sinalizados da TransEspinhaço. A ideia é sinalizar toda a serra e esse trecho, pela popularidade, foi por onde o pessoal começou. As pegadas amarelas e pretas estão espalhadas por (quase) toda a trilha. Onde ainda não tem pegada tem uma marcação com varetas pintadas de amarelo.

O grande atrativo da caminhada é o Travessão, marco da Serra do Cipó. Ali marca a divisa das bacias dos rios Doce e São Francisco: de um lado o Ribeirão do Peixe, do outro o Ribeirão Capão da Mata. Quando fiz a Estrada Real ficava olhando de longe aquela belezura.

Comecei a trilha na portaria do PanaCipó de Alto Palácio, na MG10. Só a estrada já vale o passeio. A Serra do Cipó é linda e dá pra gastar uma manhã parando em todos os mirantes e descobrindo quedas d’água. Da portaria, onde um portal marca o início da travessia, você sobe até uma torre de transmissão e começa a ter a partir dali uma visão ainda mais privilegiada da serra. A flora é incrível. É bom ficar atento a todos os detalhes. A trilha é bem batida nesse início e é fácil, mas é sempre bom ter um GPS ou a trilha salva em seu celular. Ainda não dá pra confiar apenas nas pegadas amarelas (senti falta, por exemplo, de uma marcação de confirmação na torre…).

O destino do dia, pós-Travessão, é o abrigo da Casa de Tábuas, distante uns 16 km do marco inicial. Espere encontrar pelo caminho lindas cachoeiras e pinturas rupestres nas pedras do lugar. Exige um bom preparado, mas nada demais. Indo com calma e curtido o caminho dá pra sair cedo e chegar ali no meio pro final da tarde.

A Casa de Tábuas é um dos dois abrigos da Travessia. O parque só permite que se acampe nas proximidades desse abrigos, que tem boa estrutura para o caminhante. Até exagerada, eu diria: um fogão de lenha descessário – é probido fazer fogo no parque – e consequentemente um acúmulo de panelas e utensílios, além de restos de ingredientes que só fazem atrair roedores e insetos.

Cabe um comentário aqui: confesso que pensei que iria encontrar lixo pelo caminho, o que felizmente não aconteceu. A manutenção do parque é exemplar. Exceto por pequenos pedaços de plástico caídos aqui e acolá, a trilha é bem conservada. Nos abrigos a coisa se inverte: latas, vidros, embalagens, papel higiênico, sacos de lixo deixados pra trás, tudo se amontoa. Merecia um multirão pra tirar todas essas coisas desnecessárias ali, incluindo as panelas e o próprio fogão à lenha. Bom seria também deixar exposto ali informações sobre práticas e princípios de baixo impacto ambiental, como os do Leave No Trace.

Se até ali o caminho é fisicamente  mais desgastante que o resto da trilha e a sinalização em geral bem feita, a partir dali a coisa se inverte. Com exceção de uma subida partindo do abrigo a trilha fica mais fácil, mas a sinalização praticamente some. Junte a isso a vegetação alta e tem aí um bom lugar para caminhantes menos experientes se perderem. Eu mesmo saí da trilha duas ou três vezes e precisei consultar o GPS. O caminho é também menos cinematográfico que o do primeiro dia. Até o próximo abrigo, Currais, são mais 11 quilômetros que podem ser vencidos em 4 ou 5 horas facilmente. Saindo cedo dá pra chegar lá na hora do almoço.

De novo a situação do abrigo não é das mais exemplares. Ao contrário da Casa de Tábuas, esse é de alvenaria e tem fossa sim, mas próxima demais do curso d’água. Uma grande quantidade de papel higiênico se acumulava ali e dentro da casa velhos colchões juntavam poeira e mofo. Na entrada, latas de cerveja vazias. Decidi nem ficar: segui caminho pra completar os 12 km restantes até a Serra dos Alves.

De novo fácil e tranquilo, e também bonito e agradável, até lá é possível passar pelo cânion Boca da Serra e pelas cachoeiras da Lucy e dos Cristais. Vale a parada para uma refrescada.

Serra dos Alves é um paraisinho parado no tempo. Não pega celular, tem umas poucas dezenas de casas e é super agradável. Mas se você depender de transporte pra sair dali pode ser complicado – e caro.  Ônibus só às sextas-feiras, partindo de e para Itabira. Locais fazem o transporte até as cidades mais próximas, como Ipoema ou Senhora do Carmo, onde você pode pegar um ônibus para Itabira e de lá pra Belo Horizonte. Quando pedi informações no único bar aberto naquele dia me informaram que o dono de uma pousada fazia o serviço. Mas o carro dele não estava ali. A outra indicação foi o seu Geraldo, que me cobrou 200 reais para me levar até a cidade. Por sorte consegui uma carona. Portanto, planeje e programe-se.

A melhor fonte de informação sobre a travessia é o guia que o ICMBio colocou no ar em 2015 e está disponível aqui. Também existem boas trilhas marcadas no Wikiloc. Sugiro que salve pelo menos a Oficial ou a feita pelo pessoal do Trilhando!. Ah sim: a trilha é gratuita, mas é preciso se cadastrar nesse site pelo menos três dias antes do seu início. Vá que vale a pena. Não fique atrasando essa caminhada assim como eu.

São João em São Luís

São João em São Luís

 

Comecei a escrever este post em São Luís, no retorno da viagem, mas coma correria da última semana e a viagem para Istanbul, acabei deixando-o incompleto. Vai aí o que já estava escrito. Prometo finalizar em breve.

Antes que você pergunte: não, não fomos aos Lençois Maranhenses. Sei que é o destino número um para todos aqueles que visitam o Maranhão, mas não foi desta vez. Não que não queríamos: é que como a viagem foi justamente no feriado de Corpus Christi, dia de São João, optamos por uma viagem mais “urbana”, deixando de lado a praia e aproveitando as festas da capital maranhense. Mas se seu destino é Barreirinhas e os Lençois, fica a dica: reserve pelo menos 2 dias inteiros (melhor se forem mais) para o passeio. Saindo de São Luís, todas as operadoras seguem o mesmo padrão: saída do hotel logo cedo – cedo mesmo, tipo 5 da manhã – com destino a Barreirinhas, porta de entrada para a atração. Dali são mais alguns minutos de Toyota para os Lençois. O retorno pode ser feito no mesmo dia, `as 5 da tarde, com chegada na capital por volta das 8 da noite. A sugestão é passar a noite ali, ver o por e o nascer do sol nos Lençois e voltar no dia seguinte, no mesmo horário.

São Luis - Bilros

Mas, como falei, não foi o que fizemos. Os únicos lençois que vimos nas quatro noites que passamos na capital maranhense foram os cama de casal do quarto que confiscamos de nosso amigo. E o mais próximo que chegamos da areia foi na vila de pescadores de Raposa, que fica a cerca de 30km da capital. Ali é possível comprar bons artesanatos de renda de bilro, típicos da região. Também de Raposa saem  passeios de barco pela região e visitar fazendas de ostras. Frutos do mar são, claro, o destaque da cozinha local. Para experimentar alguns pratos, a dica é o restaurante Natureza. Não tem erro: fica logo na chegada, do lado esquerdo de quem vai para Raposa. Foi também no Natureza onde conseguir uma incrível coleção de cascos do Guaraná Jesus, um dos produtos mais conhecidos da cidade. Você sabe: aquele cor de rosa choque, que faz tanto sucesso que a Coca-Cola resolveu comprar a fábrica uns anos atrás. Acontece que no Natureza a bebida era servida em tradicionais garrafas de vidro, e não nas latas ou plásticas. Assim, conseguir ali a história da marca Jesus. O refrigerante, claro.

São Luís - Guaraná Jesus