Pacific Crest Trail S01E84

Dia 84 | Oregon Challenge Day 16

35 km hoje | 2791 km total

Salvation Spring

Eu estava acordado às 4:30 da manhã. O vento e as luzes vindo do hotel incomodavam. A pizza de aliche (que só como quando não estou com a Alê, que odeia) e as duas cervejas não bateram como deveriam. Mas mais que isso eu pensava no café da manhã e no encontro que teria.

Mais que ter sido cenário de O Iluminado, o Timberline Lodge é conhecido na PCT pelo seu buffet. All you can eat, ou em bom ‘português’, self service sem balança. No café da manhã e no almoço. Além disso eu teria visitas: Fernanda @fernandamussap e Daniel @dmussap viriam de Portland pra me encontrar. “Só não assustem com o tanto que eu vou comer”, alertei.

Apesar do restaurante só abrir às 7:30 eu estava no hotel às seis. Entrei pela porta principal, quando um funcionário ainda lavava as escadarias. Fui no banheiro, escovei os dentes, lavei o rosto, conversei com outro funcionário e fui pro lobby carregar meu celular.

Quando o restaurante abriu, peguei uma mesa pra quatro: eu, Pan Piper, Fernanda e Daniel. Eles chegaram quando eu acabava meu segundo prato de ovos, bacon, presunto e French toast. Traziam consigo algo que me encheu os olhos de emoção: um pacote com seis pães de queijo assados pela manhã, ainda quentes, envoltos em papel alumínio. E frutas, a coisa que eu mais sentia falta na trilha.

Ficamos ali umas três horas comendo (#engordaJeff) e papeando, em português mesmo, já que eu tinha alertado o Pan Piper. Quando me dei por satisfeito fui com eles até a trilha, nos despedimos e segui caminho: queria fazer pelo menos mais 20 milhas, 32 quilômetros, pra chegar a Cascade Locks no dia seguinte.

Mentalmente, consigo lembrar que comi no café da manhã três pratos de ovos, bacon, batatas, presunto e torradas. Três croissants de amêndoas. Iogurte de frutas, duas fatias de quiche, melão e abacaxi. Cinco (ou seis) xícaras de café, um suco de laranja grande (“que não está incluso no buffet, senhor”). E um pão de queijo. Como veem, eu faço a minha parte.

Provando mais uma vez que a PCT no Oregon pode ser fácil, mas nada plana, a trilha seguia subindo e descendo por cânions e cruzando por cachoeiras com a boa Ramona Falls (onde paramos umas quatro horas depois do café da manhã e comi TODAS as frutas que a Fernanda me levou). E numa incrível sequência de três dias seguidos encontramos no final do dia de novo um trail Magic: some à conta do dia um hamburger, um taco, um Gatorade.

Numa das subidas um dos caminhantes auê vinham pro sul me para. “Você é Thru Hiker? Posso fazer uma foto sua pro meu projeto?”. Era o Blue, que tem o ótimo @milesformoments. “Agora eu tenho que fazer uma foto sua”, eu disse. A minha ainda não está no site dele, mas a dele está aqui.

Acampamos à 28 milhas, 45 quilômetros de Cascade Locks. Mais um dia e Oregon já era. Não consegui cumprir o desafio. Mas isso é detalhe. Oregon, até breve.

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