Lufthansa – ou: a eficiência alemã a serviço do seu bem-estar

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Da última vez que voltei de Istambul e minha conexão da Air France foi cancelada a gerente da companhia na Turquia conseguiu me colocar num voo até Franfurt e de lá eu iria de Lufthansa até o Rio. Fiquei animado com a possibilidade de conhecer a empresa alemã. A alegria durou o mesmo tempo que o voo: descobri que meu voo até o Brasil seria um code share operado pela Tam. O voo foi tudo aquilo que poderia se esperar da empresa que tem seus serviços de bordo e aeronoves em franca decadência: meu monitor não funcionava e a poltrona não reclinava. Um transtorno.
Agora, indo para a Grécia, pude, finalmente, conhecer o serviço da empresa alemã. E quer saber? Vale cada centavo a mais que as outras empresas que operam do Brasil pela Europa. As aeronaves são novas e conservadas. Fiz voos do Brasil para Munique e de lá para Atenas e vice-versa e todas, sem excesão, estavam um brinco. Todos Airbus: um A340-300 no intercontinental e dentro a Europa um A321 com espaço de sobra entre as poltronas.
O serviço de bordo é também exemplar. No voo mais longo, de 12 horas entre Munique e São Paulo, os passageiros recebem primeiro as bebidas – pode escolher: tem vinho tinto e branco (no voo entre Munique e Atenas também tinha espumante), cerveja (alemã, claro), whisky, sucos, vodka ou Campari, acompanhado de um pacote se salgadinhos que deixaria a Gol com invejas. Depois vem a refeição: duas opções, com pão quentinho e replay nos drinques. Seus talhares não de plástico, como na maioria dos voos. Na Lufthansa foram mantidos os metálicos, sem medo algum de algum passageiro tentar sequestrar o avião com uma faca de 12 centímetros e sem ponta. E quando você já está farto de bebidas e comidas (até a sobremesa era decente) vem um decente café e aperitivos. É, você pode tomar um Bailays se quiser. E isso, lembrando, na classe econômica.
O entretenimento a bordo não fica atrás. Antes de levantar voo as aeromoças – que derrubam a fama de mau humorado dos alemães no primeiro sorriso – passam distribuindo brindes para as crianças a bordo: revistas, aviõezinhos, papéis e lápis de cor, jogos da memória, coizinhas que não custam um euro para serem produzidas mas que fazem a alegria da garotada – e dos pais. Viajei do lado da Isa, uma garota de cinco anos que passou uma das intermináveis horas do voo jogando memória comigo. Ainda no solo é possível assitir os filmes disponíveis. Muitos, aliás. Uns 20, pelo menos, entre drama, aventura, ficção e infantis. Além de documentários, notícias, esportes e uma seção de áudio invejável. Claro que existiam os tradicionais canais de classico/easy listening/latin/pop. Mas na Lufthansa existem também canais com álbuns completos de alguns artistas. Tudo bem que os fones do avião, daqueles de pinos duplos, não ajudam. Mas nunca imaginei que um dia poderia ouvir em um voo um álbum do Einsturzende Neubauten que não fosse no meu próprio Ipod. Ou o Innervisions, do Stevie Wonder. Ou Zappa, Kronos Quartet, Miles Davis, Charles Byrd, Lee Scratch Perry, Brian Eno, Fleet Foxes… Claro que Bruno Mars ou Lady Gaga também estão disponíveis, assim como outra centena de artistas, mas isso mostra a incrível variedade de discos.
Concluíndo: se você vai passar 12 horas trancado dentro de um objeto de metal viajando entre o Brasil e a Europa, que este tempo seja prazeroso. Se você está, além disso, pagando para ficar trancaficado, que você possa pelo menos ver bons filmes, ouvir seus discos prediletos (sejam eles quais forem), comer e beber bem. E ser bem tratato. Taí algo que a grande maioria das empresas brasileiras ainda não aprendeu.
E da próxima vez que ao invés de um avião da Lufthansa me colocarem em um da Tam vou botar a boca no trombone.

  1. Nilson Gonzalez

    Caro Jeff, gostei muito do seu post e concordo plenamente com tudo que vc escreveu, eu moro na Alemanha a algum tempo e todo ano vou pro Brasil da ultima vez fiz a besteira de viajar com a TAM, te garanto que foi a primeira e ultima, pessimo atendimento de bordo, daqui a 2 semanas estarei viajando novamente pro Brasil e dessa vez nao pensei 2 vezes em pagar um pouquinho a mais para viajar com a Lufthansa e ter uma viagem mais agradavel e sem miseria para comer e beber.

    Abs.

    Nilson

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