Estrada Real S01E26: Passa Quatro a Embaú

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Distância do dia: 41,76 km. Distância total: 1.018,19 km.
Desde o início do meu planejamento pra Estrada Real que eu estava preocupado com esses últimos dias. Primeiro porque não sabia se iria conseguir chegar aqui. Por que tinha 32 dias livres, e com  esse tempo eu achava que chegaria em São Lourenço ou, com sorte, em Passa Quatro, quase na divisa. É também porque a partir da entrada em São Paulo a logística  parecia mais complicada. Os trechos eram maiores (por volta de 40km, alguns com mais de 50km) e as opções de hospedagem e alimentação eram mais raras. À chegada em Vila do Embaú, por exemplo, já deixava isso claro. Na planilha a informação era que não existiam pousadas ou hotéis na região. Isso depois de um trecho de 33 km.

Saí de Passa Quatro quando o relógio da Matriz tocava 7:30. Saí seguindo a linha de trem, e foi assim durante boa parte da manhã. Até chegar no asfalto e encontrar a marca da divisa entre Minas e São Paulo. Primeiro milestone do dia. A vista daquele ponto é sensacional. 

Atravesso a pista e entro na trilha da Garganta do Embaú, ponto mais baixo encontrado pelos bandeirantes pra cruzar a Serra da Mantiqueira. Pelo menos desde 1596, quando por ali passou João Pereira de Sousa Botafogo. Fernão Dias também, quase cem anos depois. De novo, a vista de tirar o fôlego. O lugar é cheio de história: ali também tem o túnel de trem da época de D. Pedro II, ponto estratégico durante a revolução de 32.

Quando volto ao asfalto, já no estado paulista, entro na região da Vila do Embaú, distrito de Cruzeiro. Tem a Serra da Mantiqueira como fundo e parece que o caminho só passa por ali pelo visual. É algum lugar na Vila que cruzo o segundo milestone do dia: os 1.000 km andandos desde o início da Estrada Real. 

Quando cheguei ao ponto final da planilha, a sub-prefeitura de Embaú, tinha como opção pegar um transporte até a cidade mais próxima (Cachoeira Paulista) ou seguir andando. Foi o que fiz. Ainda no segundo Marco fiquei em dúvida quando ao caminho, que seguia em direção a uma cerca. Pedi informação pro João Paulo, que mora ali. “É esse mesmo. O pessoal fica em dúvida, mas é isso. Tem outros desse cheio aí pra trás ou esse é o único?”. Expliquei que sim, tinham outras trilhas, mas que sempre que tinha uma cerca eu ficava em dúvida. E ficamos batendo papo e contei da falta de pousada e que iria andar até encontrar uma. “Olha, depois da trilha, logo que você pegar o asfalto, você vai passar Furnas, aí tem um condomínio do lado direito e logo depois uma pousada do seu lado esquerdo. Chama Pousada Rural. Pode procurar a Adélia”. Mas que notícia boa! Poderia até andar mais, mas uma pousadinha aí caiu como uma luva. 

Adélia também tem uma lanchonete e restaurante no lugar, mas como hoje é segunda, ela não abriu. Ainda não sei o que vou jantar essa noite. E amanhã o dia vai ser longo de novo: pelo menos mais 35km até Guaratinguetá. E a partir daí são 50 até Cunha e 57 até Paraty. E pronto. Menos de 150 km e acabo a jornada.

2 Responses

  1. Júlio César dos Santos

    Que coragem, irmão! Sinto que é um encontro com novos caminhos, novos lugares e novas pessoas… e você se reencontrando em cada passo! Os relatos são fantásticos!

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