Dicas pro seu final de semana – se você for ficar em casa

capa.jpgEspero que você saia e faça alguma atividade no meio do mato esse final de semana. Mas se for ficar em casa aqui estão algumas dicas para o seu final de semana:

Fiquei impressionado com a Barkley Marathons. Nunca tinha ouvido falar até comentarem comigo do documentário que está rolando no Netflix. The Barkley Marathons: The Race That Eat Its Young conta a história da prova que em 25 anos de história apenas dez corredores que conseguiram completar. Peculiar, diferente e cheia de surpresas (o horário do início da prova, por exemplo, só é avisado para os competidores uma hora antes) a corrida é inspirada na fuga de um presidiário e acontece nas montanhas nas proximidades de uma pequena cidade do Tennessee. É uma prova sofrida, cheia de particularidades e o documentário vale uma hora e meia do seu tempo. Vai por mim.

Também é bem bacana o filme This is Not a Beautiful Hiking Video, do austríaco Peter “Chopper” Hochhauser. Gravado na Pacific Crest Trail em 2016, ele é o inverso do que o título prega. O curta (são menos de 10 minutos) tem boa fotografia, história da caminhanda bem contada, edição de imagens e correção de cores bem feitos. Tudo isso já rendeu ao vídeo meio milhão de visualizações no YouTube. Nesse link ele responde a algumas perguntas sobre a caminhada e o processo de realização do filme.

Falando em PCT, tenho acompanhado a jornado do Edinho e da Bia do Sua Casa é o Mundo. Os  brasileiros estão lá esse ano e cem dias de caminhada acabaram de cruzar a fronteira da California com Oregon. Além do blog eles mantém também um canal no Youtube e já gravaram alguns podcasts com o Elias para o Extremos.

A Martins Fontes tem colocado alguns bons livros sobre caminhada no mercado. Além do essencial “A História do Caminhar” da Rebecca Solnit e do incrível “Caminhar, Uma Revolução” do Adriano Labbucci agora é a vez de “Nascemos para Caminhar”, do canadense Dan Rubinstein. O livro estava com 40% de desconto no site da editora na semana passada, quando comprei, mas agora o melhor preço é nas Americanas (de R$39,00 por R$27,30 mais correio). Ainda estou nas primeiras páginas, mas tenho gostado bastante do que li até aqui.

36844426_1SZ

Também incrível é o trabalho que a Duda Menegassi. A jornalista e fotógrafa escreve para site O Eco e tem acompanhado de perto o projeto de implantação de trilhas de longo percurso no país. Tão de perto que acabou de lançar o livro “Travessias: Uma Aventura Pelos Parques Nacionais do Brasil”. O projeto é fruto da parceria entre O ECO e o ICMBio – Instituto Chico Mendes da Biodiversidade e traz textos e fotos de onze trilhas, incluido a Serra Negra, no Parque Nacional do Itatiaia; a Trilha Chico Mendes, no Acre e a Capão x Lençois, na Chapada Diamantina. Fundamental, o PDF gratuito do livro pode ser baixado aqui.

Screenshot 2018-08-15 19.05.06.png

Dica pra quem se interessa pela criação do circuito de trilhas de longa distância no país: diversos workshops, seminários e multirões estão pipocando aqui e ali. Em Minas a Transespinhaço já teve parte de seu percurso demarcado e 3º Seminário acontece dia 1 de setembro em Ouro Preto. A Transmantiqueira também já tem parte de sua sinalização pronta e o 5º seminário acontece esse final de semana em Itamonte. A melhor forma de acompanhar os trabalhos e se informar sobre os seminários é pelas páginas nos links acima. Só seguir e se informar.

Pra terminar, um dos poucos equipamentos que não abro mão em caminhadas é o Spot Gen 3. Me sinto seguro e mais que isso: deixo seguro quem fica em casa me acompanhando, já que o bichinho envia minha localização a cada 5 minutos pra um site. E você só tem esse final de semana pra aproveitar a promoção da Spot Brasil, que está dando 50% de desconto nos produtos e 25% de desconto na anuidade. Sim, vale a pena. E só vai até segunda, dia 20. Como diriam os Mutantes: não vá se perder por aí… O link direto para a promoção é esse.

 

Anúncios

Estrada Real – o vídeo

Em 2016 eu resolvi caminhar a Estrada Real. Durante o mês de junho andei de Diamantina ao Paraty. Foi a primeira parte do treinamento para a Appalachian Trail, que eu faria no ano seguinte.

Durante a caminhada eu gravava e postava vídeos diários no Facebook, além de escrever relatos diários aqui no blog. Ano passado subi os vídeos para o YouTube e agora resolvi editá-los na sequência. Incluí algumas fotos que tirei durante a viagem e o resultado é o vídeo abaixo. Quase 50 minutos de uma história que durou 32 dias.

Foi bom voltar a essa história e rever alguns dos personagens que conheci naquele ano. O Dedé, o José Sebastião, o Alberico, o Anemércio, o Jorge…. Foi bom rever as cidades, as paisagens, os causos da caminhada. Ouvir de novo as siriemas, os tucanos, o barulho da mata. Tá tudo aí. Bom filme.

 

Cinco mitos sobre a Appalachian Trail

Pamola é um ser que tem a cabeça de alce, o corpo de homem e os pés e asas de águia. Segundo os índios Penobscot ele vive no topo do Monte Katahdin, no Maine. É ele o responsável pelo tempo ruim na montanha e apesar dos índios poderem caçar e pescar na floresta, nunca podiam subir ao topo, sob o risco de não conseguirem voltar. Até que o homem branco conseguiu convencer os indíos a levá-lo até a base da montanha – e de lá subiu sozinho até o topo.

Pamola-Maurice-Jake-Day

Pamola, na ilustração de Maurice “Jake” Day.

A Appalachian Trail é cheia de mitos – e não estou falando da história de Pamola ou outras lendas que o povo da região conta. O que quero dizer é que existem diversas  histórias que muita gente repete sobre a trilha e que não são, nem de longe, verdadeiras. Mitos que foram criados com o passar do tempo que você precisa aprender que não são verdade.

Por isso resolvi contar aqui cinco mitos sobre a Appalachian Trail.

1) Você precisa entre cinco e seis meses pra completar a trilha

Não é bem assim. Como a gente bem fala na trilha, “hike your own hike”. Caminhe no seu tempo. O recorde da trilha, por enquanto, é do StringBean, que passou por mim quando fiz a trilha em 2017 e completou os 3190 quilômetros em 45 dias, 12 horas e 15 minutos (isso mesmo: ele andou, EM MÉDIA, 70 km por dia…). Mas tem gente que faz em muito mais tempo. A GI Jane, que também fez 2017, me disse que “ganha a trilha quem termina por último”, e ela levou 208 dias pra completar. Achou muito? Olha só o que disse o meu xará, o biólogo e professor Jeff Marion: “Eu levei 43 anos para completar a Appalachian Trail. Dividi a trilha em 24 seções e escolhia fazer quando tivesse tempo bom. A maioria da minha caminhada foi feita em clima frio, menos úmido, fora da temporada de mosquitos e carrapatos”. Outro xará, o Jeffrey Ryan, escreveu um livro que relata sua odisséia para completar a trilha ao curso de 28 anos.

Ou seja: o tempo é você quem faz. Seja em dois meses, seja em vários anos. Hike Your Own Hike. Faça seu tempo.

2) Ursos são os animais mais perigosos da Appalachian Trail

Eu encontrei pelo menos uma dúzia de ursos na minha caminhada de 131 dias. Vi filhotes, vi adultos. Todos, sem exceção, fugiram de medo quando notaram a minha presença. Ursos pretos são ratos gigantes. Não se preocupe com os ursos pretos ao fazer uma trilha como essa: ele são o menor dos seus problemas.

Você precisa se preocupar é com um bicho muito menor, e muito mais perigoso: o carrapato. Use repelente, em você e em suas roupas, e cheque seu corpo diariamente.

3) Só atletas e pessoas em forma conseguem terminar a trilha

Eu encontrei com gente de todas as idades, de 2 a 82 anos, que completaram a trilha. Encontrei com pessoas que perderam mais de 20 quilos caminhando da Georgia ao Maine. Encontrei com adolescentes e aposentados. Com pessoas com necessidades especiais e amputados. Todos caminhando a trilha e tentando completá-la no seu tempo.

Estar em bom condicionamento físico ajuda, é verdade, mas não é primordial: a própria trilha vai te moldando. Você pode começar andando 5 quilômetros por dia e terminar andando uma maratona.

4) Você certamente vai perder muito peso fazendo a trilha

Não é bem assim… Você consome tanto quando tem a oportunidade que algumas pessoas chegam a GANHAR peso… Eu perdi quase 14 quilos. Mas encontrei com gente que não perdeu quase nada.

5) Virgínia é plano

O maior mito de todos diz que o estado da Virginia, o maior da Appalachian Trail, é plano. Balela. Quando estava lá até fiz esse gráfico pra mostrar…

received_10210499780703585

Pode ser um dos mais bonitos, tem o Shenandoah Park, tem McAfee Knob, mas plano, isso num é não… Prepare-se para subir MUITAS montanhas.

6) A trilha vai mudar a sua vida

De novo, não é bem assim… Pessoas são diferentes. Para algumas a trilha marca profundamente e muda o jeito de pensar e agir. Para outros… Bem, para outros a trilha não passa de uma longa caminhada. Não vá achando que você vai voltar diferente, mudado, outra pessoa. Não conte com isso para começar a mudar. Não é A trilha que te muda. É o caminhar, seja na trilha, seja em qualquer outro lugar. Comece a caminhar agora, um pouco a cada dia, e você pode começar a sentir a diferença. Você não precisa andar 3200 quilômetros…

Dicas para comida em trilhas de longa distância

É sempre a mesma pergunta: mas o que você come? Como você faz pra cozinhar? O que você leva? Quantas calorias por dia você precisa ingerir?

Comida é o principal assunto nas conversas quando você está na trilha… ou fora dela. Todo mundo quer saber a sua dieta, o que está levando, como está se alimentando. É na comida também que você pensa quando decide ir a uma cidade, quando prepara as caixas que você vai enviar para trechos da trilha, quando decide tirar um dia a mais de descanso. Cansado? Algumas vezes. Faminto? Sempre.

É por isso que resolvi escrever esse post com dicas para comida em trilhas de longa distância. Serve para a Appalachian Trail, serve para a Pacific Crest Trail, mas também serve pras trilhas que existem aqui no Brasil. É só adaptar.

1. Cozinhe com eficiência

O modelo de fogareiro que você escolher vai inteferir imensamente na eficiência na hora de cozinhar. Durante a Appalachian Trail eu usei um Jetcook da Azteq. O bicho é a jato mesmo: gasta muito menos gás que os concorrentes e cozinha muito mais rápido. Não é o mais leve, mas a eficiência compensa o peso.

IMG_0128

Meu Jetcook em ação, no primeiro dia de trilha, cozinhando um chili liofilizado.

2. Pense no peso antes de qualquer coisa

Você deve levar comida comida nutritiva, mas pense também quanto ela pesa. Opte por comida desidratada ou liofilisada – existem várias no mercado. Macarrão e arroz pré-cozidos também são boas opções: cinco minutos era meu tempo limite para que o jantar ficasse pronto. Se tiver tempo, desidrate frutas e legumes para comer na trilha.

3. Reempacote

Uma das formas de ajudar a levar menos peso é deixar pra trás as embalagens originais dos alimentos. Tire tudo o que não for precisar. Coloque em sacos plásticos do tipo Ziplock. Barras de cereal, alimentos congelados, doces, pasta de amendoim, não importa: a dica é reembalar.

4. Calorias. Não se esqueça de calorias

Em uma trilha como as que faço você gasta fácil 3.000, 4.000 calorias por dia. Você vai precisar repor toda essa energia de alguma forma. Opte por alimentos ricos em caloria e gordura. Quanto mais, melhor. Sardinha na água ou no óleo? Óleo, claro! Chocalates, sempre, de preferência daqueles com amendoim…

5. Proteínas também são importantes

Na verdade sua dieta deve ser balanceada e conter calorias, gordura e proteínas. Nas longas trilhas isso é o mais difícil de conseguir: opte por carne seca, sardinha, atum, amêndoas, queijos duros.

6. Já pensou em deixar o fogareiro em casa?

Ir sem fogareiro pode ser uma opção para economizar peso e tempo. Leve alimentos já prontos, barras de cereal, alimentos desidratadas, coisas que não precisam ir ao fogo para cozinhar. Queijos duro, por exemplo, duram vários dias na sua mochila.

7. Aprenda com o Zé Colméia

Lembra do desenho animado, que o Zé Colméia sempre dava um jeito de conseguir comida com os turistas? Pois é. Isso tem um nome: Yogiing. Yogi Bear é o nome do Zé Colméia em inglês. Yogiing é se virar como o Zé Colméia, dando um jeito de ganhar a comida de graça dos turistas ou outros caminhantes que passam por você.

8. Aprenda com a trilha

Conheça os alimentos que a trilha pode te oferecer. Mesmo sabendo quase nada de botânica e da vegetação da trilha pude me deliciar com diversos tipos de frutas: morangos silvestres, mirtilos, amoras, cerejas… Tudo a mão, tudo a pouco metros da trilha.

IMG_20170519_131307

aulinha básica de alimentos comestíveis na trilha

9. Café instantâneo sempre

Eu não fico sem café. E na trilha isso pode ser um problema. Até pensei em levar minha Aeropress, mas é pouco prática e muito pesada. O jeito é apelar para o café instantâneo. É a pior coisa que você pode tomar, é verdade, mas é melhor que ficar sem café.

10. Leve seu lixo de volta. Todo ele.

Mesmo que você reempacote, que leve alimentos leves, que use café instantâneo, você ainda vai produzir lixo. E a dica é simples: leve seu lixo de volta. Todo ele, mesmo o lixo orgânico, cascas de frutas, coisas que você sabe que irão se decompor (sim, seu papel higiênico também). Não vá contaminar o ambiente por causa de nojinho ou de alguns poucos gramas.

IMG_20170621_105739_198

The trail provides