Estrada Real S01E06: Morro do Pilar a Itambé do Mato Dentro

Distância do Dia: 38,36 km. Distância Total: 234,49 km. Objetos que perdi: 1.


Quando falei ontem com o Paulo Henrique que iria sair antes das 6 ele insistiu para que eu ficasse pelo menos até 6:15, que ele fazia questão de preparar o café da manhã. O Paulo é o dono da Pousada Vovô Juca, em Morro do Pilar. Além de ter o chuveiro mais quente da viagem até agora (daqueles que você tem que deixar no modo verão, senão não aguenta), tem uma localização excelente: ao lado da igreja.

Quando cheguei ele não estava. Subi as escadas (sempre um suplício) e quando perguntei o preço da diária quase caí pra trás. A atendente me disse que não aceitava cartão, mas que assim que o dono chegasse ele daria um jeito, eu não precisaria preocupar. Wi-Fi tem, cama confortável também, além do chuveiro quente que ela já havia dito, então pra mim tá ok. Antes de entrar pro quarto perguntei de novo o preço, vai que eu tinha escutado errado. “35 reais”, ela respondeu.

Eu estava com um problemão. Em Conceição não tinha agência do meu banco. Em Morro também não. E nem nas próximas 3 ou 4 cidades. Eu tinha um dinheirinho comigo, mas precisava sacar mais ou pagar as próximas despesas com cartão. Só que em muitas dessas localidades, lugar que aceita cartão é raro. Meu plano a era convencer o Paulo a me fazer uma jogada: eu pagava a mais, ele descontava as taxas e me devolvia o dinheiro. O plano b era transferir da minha conta pra dele. Quando o encontrei pela primeira vez, Paulo Henrique já veio me contando a história do Morro, as cachoeiras, as festas populares – incluindo o Tutu da Madrugada, ideia que iria apropriar fácil se tivesse um bar. Quando comentei a história do dinheiro, me chamou pra ir até uma loja de material de construção e contou pro balconista a história. “O senhor precisa de quanto?”. Cem reais no meu bolso, a pousada paga e mais 5 reais de taxa.

Na volta, Paulo Henrique me contou sua história. Nasceu no Morro do Pilar, mas morou em BH por nove anos. Foi tentar medicina, “como se diz, por incentivo do meu pai”. Durante cinco anos passou na primeira etapa e bombou na segunda. Encheu o saco, voltou pra sua terra natal e montou um comércio. No início dos anos 2000, com a mineração em alta na região, montou um supermercado e alugou cinco casas, que usava como pousada. Até que teve um infarto. Num domingo, começou a sentir os sintomas. O médico da cidade mandou ele pra casa, era stress. Até que um amigo da época de estudante, agora médico residente, “resolveu, do nada, vir pra cá num domingo. Ele botou um short e uma camiseta e veio. Quando me viu mandou direto pro hospital”.

Paulo fechou as casas, os supermercados e deixou só a pousada do Vovô Juca. Mas tá construindo outra, grande, na entrada da cidade. O pagamento em cartão na loja de materiais é pra cobrir o pendura dele.

No café da manhã, com aquela mesa com uma incrível variedade de biscoitos e pães, ele me conta que ele e a esposa que fazem tudo. Não vendem pra fora: é só pra pousada. “E como você aprendeu?” Na época do supermercado Paulo Henrique tinha um padeiro que faltava todo dia posterior a alguma festa. Era ter festa e a cidade ficar sem pão. Inconformado, mandou o sujeito embora, fez um curso básico e começou a pegar dicas com as quitandeiras antigas da cidade. Então biscoito tal só pode mexer pra um lado, o outro não pode pegar vento, o terceiro tem que mudar um ingrediente, e cada um é melhor que o outro.

A estrada até Itambé do Mato Dentro é longa (35 km) e tem três subidas extensas, daquelas de 2 ou 3 quilômetros cada. Mas esse não é o principal problema. Durante todo o percurso a terreno é ou pedra (soltas, de todos os tamanhos) ou poeira, que chegava a encobrir o meu tênis por completo quando pisava. Foi numa dessas que perdi o disco de um dos bastões. Os dois terrenos deixam a caminhada muito mais complicada. É preciso mais concentração, atenção onde pisar e esforço físico.

No início o caminho sai margeando o rio Peixe, de água escura. Pouco depois dessa parte, olho pro lados vejo um troço jogado na beira da estrada. Pedaços de pano branco e azul se espalhando por alguns metros. Chego mais perto e dou uma fuçada com o bastão: são roupas de recém-nascidos. Um enxoval completo, já sujo da terra. Vou pegando um por um, dando uma sacodida e colocando em uma das minhas sacolas reservas. Pode ter caído do caminhão de mudança, pode ter caído da moto ou alguém pode ter perdido o bebê e jogado o enxoval da criança fora, desgosto. Boto mochila, com a intenção de doar na igreja em Itambé. Depois da segunda subida, faltando uns 10 km pra chegar, o que domina a visão é a Serra do Cipó e a Serra do Intendente, majestosas, se esticando até aonde a vista alcança. E eu já estou um bagaço. O terreno, o calor e o peso extra foram me cansando mais que o normal.

Foram precisos mais de 8 horas pra chegar a Itambé. A igreja estava fechada, e levo o enxoval pro hotel. Aqui tive que colocar meu plano B em ação: explico a situação pra Tatiana, que me passa a conta pra transferência. E conto do enxoval: ela diz que conhece uma moça que mora na roça e está grávida. Fica com as peças pra lavar e levar pra ela.

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Estrada Real S01E05: Conceição do Mato Dentro a Morro do Pilar

Distância do Dia: 29,69 km. Distância Total: 197,13 km. Unhas nos pés: 9,5. 

Exceto pelo trecho inicial, uns 3 quilômetros de subida, no asfalto, sem acostamento, o dia seria tranquilo. Nada muito insano em distância – menos de 30 km – e nem altimetria. Era sair de Conceição, penar um pouco no asfalto e pegar uma estrada de terra quase sem movimento (quem vai de uma cidade a outra de carro prefere pegar as MGs 010 e 232) e que corta trechos de mata fechada.

Sair de Conceição do Mato Dentro foi um alívio. Mais do que os prédios e igrejas centenários, mais que o pastel de angu, mais do que as reformas que transformaram a cidade num canteiro de obras, o que chama realmente a atenção na cidade são os inúmeros carros, ônibus, caminhões e caminhonetes identificado com letras e números das mineradoras. É triste saber que aqui do lado – pior, que aqui em volta – estão explodindo, escavando, revirando, destruindo tudo. Se bobear já já transformam a cachoeira do Tabuleiro em minério.

Comi um pão de queijo na padaria em frente à pousada e pouco depois das 6h já estava na estrada. Assim como nós anteriores, o clima era quente, mas nuvens cobriam o céu. Logo depois de entrar na terra cruzo o caminho com um senhor carregando um guarda-chuva. “Bom dia! Acha que hoje chove?” “Uai, tô ino lá pra roça e já tá chuveno in Beloriozonte, São Paulo, Ridijanero, essa chuva deve de chegar aqui hoje ainda. E ficá lá na roça na chuva num é bão não…”

E fomos, cada um pro seu lado, pensando se chove ou não, tiro a capa de chuva ou deixa, esse tipo de dúvida que acompanha quem está na estrada.

Ainda não tinha dado 7:30 quando vi o Dedé subindo a estrada, tocando seus gados: uma vaca, três bezerros. Saí de lado pra deixar, mas ele já foi abrindo a cerca e tocando os bichos pra dentro. “Hora de botar a criação pra pastar?”. É… “E que horas você busca de volta?” E sem responder, parecendo que precisava conversar e se abrir com alguém, ele começou a contar o caso da vaca que perdeu. Na segunda, quase no mesmo horário que sai de Diamantina pra minha caminhada, Dedé veio de Conceição, onde mora, pra tirar leite, buscar as vacas pra pastar e dar comida pros três cachorros e dois gatos que moram na casinha que tá construindo. De noite as vacas ficam ali, de dia pastam no terreno do primo. Quando chegou viu uma das vacas no chão. “Até pensei que fosse onça, que aqui tem demais”. Não era. A vaca tinha sido morta com um corte no pescoço. Na anca da vaca faltam dois pedaços. Alguém tinha entrado no terreno à noite só pra roubar os contra-filés. A vaca estava prenha, com “um bezerrinho desse tamaninho dentro da barriga”. Dedé procurou a polícia, mas ninguém teve interesse. “A secretária que veio me fazer pergunta. Num foi o delegado não. Falou que era que eu investigar. Eu não, uai! Eu acho que eu sei quem foi. Agora Deus me perdoe, eu tenho mulher, tenho filho pequeno, mas se eu pego o cara que faz uma coisa dessa eu mato”. A única vaca adulta que ele tem agora é que dá o leite pro seu filho é seu sobrinho. “E eu, se tivesse mais vaca, não ia vender o leite não. Ia doar tudo pro hospital”.

Descemos juntos os poucos metros entre o pasto e a casa. Quando vi o carro dele, comentei que tinha visto ele passar mais cedo. “Te vi também. Nó, falei pra minha mulher. Se eu não tivesse que levar o leite eu queria era vir todo dia correndo de Conceição até aqui. Isso é bão demais!”.

Não deu uma hora desse encontro e eu parei pra tomar água quando chega o seu Zé montado num burro. “Bom dia!” “Bom dia. Uai, eu acho que eu já te vi ocê por aqui”. Seu Zé não foi o primeiro. Antes deles umas três pessoas juraram que está não é a primeira vez que faço a Estrada. Em Tapera um sujeito veio conversar comigo como se fossemos conhecidos. Jurava que eu já passado ali antes. 

José Sebastião do Nascimento, o seu Zé, tem 75 anos. Mora logo ali, na dívida de Conceição com Pilar, e tava indo no comércio comprar uns mantimentos, como disse. “Mas o senhor tá forte pra 75 anos!” “Ih, meu filho, tô nada. Minha língua ainda não tá boa. Tive um negócio aí chamado PCC. Me levaram pra Conceição e depois pra Diamantina. Fiquei um mês sem falar nada, nadinha. O cérebro comanda mas a língua não responde, sabe?” Perguntei se ele já tinha encontrado com muita gente fazendo a Estrada. “Ih, é gente demais. O povo vem de jipe, vem de bicicleta, vem a pé… Dia desses tinha uma mulher fazer a pé, vê se pode. Eu não tenho coragem de fazer um trem desses não”. Tem medo de que, seu Zé?, perguntei. “Tá doido, menino? Nesse comunismo todo que anda o Brasil?” Gargalhei. Não era minha função explicar que era bem isso. Quando despedi, ele perguntou meu nome. Jefferson, eu disse. “Jefson. Esse nome aí eu tenho escutado muito na televisão…”

Na divisa de Conceição e Morro do Pilar, onde seu Zé mora, passa o rio Santo Antônio. Perto da ponte tem uma formação rochosa linda, com uma prainha em baixo, emoldurando o rio. E logo ali perto, do lado da estrada, uma construção antiga, encoberta pela mata, me chamou atenção. De pedra encaixada, deve ter fácil uns 200 anos, se não mais. E tá ali perdido, pura ruína.

Cheguei em Morro do Pilar logo depois de uma da tarde, depois de quase 30 km e 6,5 horas de caminhada. E agora, até amanhã, só descanso. O trecho daqui até Itambé, dizem, é o mais difícil da viagem.

(Sem Wi-Fi. Público mais fotos quanto tiver uma conexão melhor)

 

Estrada Real S01E04: Tapera à Conceição do Mato Dentro

Distância do Dia: 36,99 km. Distância Total: 167,44km. Cobras que cruzaram o meu caminho: 2.

A Pousada Samião, em Tapera, é um empreendimento familiar. Dona Maria toca o negocio com os filhos e os netos. A pousada fica ao lado da casa dela, e quando você pede a janta Dona Maria te leva pra cozinha, onde esquenta o almoço no fogão a lenha. A pousada não tem meia dúzia de quartos, escondido atrás do armazém da família. Que tem sinuca, gente jogando truco, vende arame farpado, crédito de celular, cachaça, detergente e a melhor coxinha que comi, que a própria Dona Maria faz. O lugar é singular.

Mas Dona Maria só acorda às sete, então pedi pra deixar um café coado pra eu tomar no dia seguinte. Saí às 6h, fotografei Tapera às escuras e não andei 100 metros rumo à Conceição do Mato Dentro quando passa por mim um sujeito empurrando a cegêzinha. “Acabou a gasolina?” “Nada rapaz! Parei a moto ontem ali um minutinho e num é que roubaram a minha chave?” E lá foi o sujeito subindo a ladeira empurrando a danada.

O caminho do dia era tranquilo e não reservaria muitas surpresas. Dez quilômetros de terra até Córregos e depois mais de 20 de asfalto pela MG10 até Conceição. Dia nascendo, sol fazendo um esforço danado pra sair por entre as nuvens, névoa cobrindo o vale abaixo (no dia anterior tinha visto as luzes de Conceição do alto do morro, antes de chegar a Tapera. Agora era tudo nuvem), eu indo na minha toada, tranquilo, foto aqui, vídeo ali até que paro pra beber uma água, boto a mochila no chão e vejo um abridor de garrafa, desses de chaveiro, verde. Pego o troço e na outra ponta, uma chave Honda.

Fico pensando nessas coisas que acontecem nessas caminhadas. Essas coincidências, esses encontros. Qual a probabilidade de eu ter encontrado com o cara empurrando a moto? Tivesse eu saído 5 minutos antes ou depois isso não teria acontecido. E qual a probabilidade de, em um trecho de 35 km, eu parar logo ali, onde estava aquela chave meio enterrada na poeira da estrada de terra? Quais os fatores que levam a esses acontecimentos? São puras coincidências? Ou são coincidências significativas, sicronicidade? O que me levou a achar a chave do rapaz e o que isso quer dizer, ora?

Cheguei em Córregos e liguei pra pousada. Adilson, um dos filhos da Dona Maria, atendeu. Contei o caso é disse que deixaria a chave no armazém do Antonio. Se ele ficasse sabendo quem é o dono, era só pedir pra ir pegar. E na frente da charmosa e mínima igreja do vilarejo, fiquei papeando com dois moradores locais. Claro que todo mundo quer saber da história, se onde estou vindo, até onde vou, quantos dias isso vai levar. E contei que da conversa do dia anterior com o Wesley, falado que o trajeto demarcado não é o original. E eles concordaram. Ao invés da MG10 o trecho, segundo eles, ia serpenteando a serra, passando por fazendas, em uma estrada “que até passa carro, mas você vai dar muito sorte se encontrar um”. “Azar”, corrigi. Tô fugindo de carros.

A preocupação era se eu saberia o caminho certo, em meio à tantas bifurcações. “Mas não tem erro: chega na escola, vira à direita, depois é só pra esquerda, contornando a serra. Tem que passar pelo córrego: se você andar meia hora e não cruzar a ponte tá no lugar errado”.

Como a gente dizia lá em Divinópolis nos meus tempos de moleque, mole pro Vasco. Despedi, agradeci, passei pelos moleques na hora do recreio e meia hora depois, córrego. Aí foi só seguir, conferindo vez ou outra no Google Maps. Não vi ninguém – a não ser as duas cobras – até encontrar o Mauro Renato na porta de uma das casas. Conferi com ele se o caminho estava mesmo certo e a resposta foi um “certo cê tá, mas se tivesse chegado 15 minutos antes teria pegado o ônibus. Alá ele indo!”.

E além do Mauro e das cobras meu único encontro nos 15 km do percurso foi com um rebanho de vacas que viu em mim seu pastor e me seguiu por uns 10 minutos.

Ao final a estrada chegou ao asfalto, na estrada que dá entrada à cachoeira do Tabuleiro, que vai ficar pra outra vez.

Quando cheguei, Conceição do Mato Dentro era um canteiro de obras. A pé já era difícil andar, imagina quem estava de carro. Ruas fechadas, prédios em obra, da Prefeitura à Igreja Matriz. Achei com esforço a Secretaria de Turismo e a Maria Anete, a atendente, foi de uma simpatia sem fim. Me levou pra tomar café nos fundos da casa, perguntou sobre o trajeto e me disse pra ficar no Hotel Umbelina, na região central. Uma pensão simples até o ultimo grau, com cenário é personagens de filme.

Agora tô aqui, na Fattoria, de fronte ao “hotel”, esperando minha porção de pastel de angu. Afinal, tenho que tirar a dúvida sobre quem faz o melhor pastel de angu de Minas: Itabirito ou Conceição?

Sydney no aperto

2013-07-22 18.47.11Então você decidiu vir passear na Austrália. Aproveitou aquela mega promoção que você viu no Melhores Destinos e descolou uma passagem São Paulo/Sydney/São Paulo pelo mesmo preço de uma passagem pra Miami. Mas depois que você  digitou os números do seu cartão de crédito na página da companhia aérea e foi procurar o que fazer na cidade, viu que ela é uma das mais caras do mundo.

E agora?

Agora você descobriu esse post e eu vou te ajudar a aproveitar a cidade, mesmo no aperto.

Antes das dicas, vamos a algumas coisas práticas. Como chegar ao outro lado do mundo?

Você já tem a passagem e seu passaporte está emitido e válido. Agora é tirar o visto e cuidar da burocracia. Vamos a um passo a passo.

1. Passaporte

Se seu passaporte está pra vencer (com menos de 6 meses, como recomendado para a maioria dos países) e você vai tirar o visto australiano, FAÇA O NOVO PASSAPORTE ANTES DE EMITIR O VISTO. Isso porque a Austrália não emite mais um visto físico, impresso no passaporte, como os EUA. É tudo eletrônico: o seu visto é associado a seu passaporte. Se você usar o número de um passaporte antigo para emitir o visto e quando viajar usar um novo passaporte, é como se você não tivesse o visto. E você não vai entrar no país (não, não adianta viajar com os dois passaportes, o novo e o antigo…) Essa é a primeira dica.

2. Visto

Existem dezenas de tipos de vistos para entrar na Austrália. Pra ser mais preciso, são 88 tipos de vistos diferentes. Tudo é centralizado no site da Imigração Australiana. Se você é brasileiro e está vindo a passeio seu visto é o subclass 676. O processo para a emissão, apesar de burocrático, é rápido. Desde março de 2013 tudo é feito online, e na maioria dos casos sem necessidade de viagem, entrevista, foto, nada. Para aplicar é só entrar neste site e seguir as instruções, em inglês.

O valor do visto é AU$130 (cerca de R$275,00) e o visto é válido por um ano. No entanto a estadia máxima no país é de 3 meses. O visto também dá direito a fazer cursos rápidos de até 90 dias e você é proibido de fazer qualquer atividade remunerada. O processo é rápido: o visto da minha esposa demorou menos de 24 horas. O meu, como já tinha várias entradas no país e já tive diferentes tipos de vistos, demorou um pouco mais: três dias. 

A confirmação de seu visto é simplesmente um email da Imigração (o remetente aparece como eVisa.676.Helpdesk) com o título Visa Grant Notification SEU NOME e o seu número de aplicação. Pronto. Imprima uma cópia deste email para sua segurança (ou faça como eu: salve um arquivo PDF em seu Dropbox) e comece a pensar na viagem.

3. Vacinas

Quase tudo pronto: só mais um detalhe antes de você entrar no avião. A Austrália exige vacina de febre amarela para entrar no país. Não é algo 100% obrigatório, mas é altamente recomendado. Caso você não tenha o comprovante vai amargar muitas horas na quarentena em sua chegada…

O que você precisa fazer?

1. Se você não tiver um cartão de vacinação que comprove que tomou a vacina nos últimos 10 anos, procure um posto de saúde, tome a vacina e pegue seu cartão de vacinação (sim, aquele que a gente usa quando é criança). Dica: a vacina tem que ser tomada pelo menos 10 dias antes da sua viagem.

2. Com o seu cartão de vacinação e um documento de identidade procure um escritório da Anvisa. Eles irão emitir pra você o Certificado Internacional de Vacinação,um documento amarelo, do tamanho do seu passaporte. A emissão é gratuita.  É esse documento que você precisa apresentar na chegada à Austrália. Só isso e o passaporte, mais nada (não, você não precisa apresentar o email com a comprovação do visto).

Na segunda parte do posto te dou algumas dicas para a longa viagem e na chegada ao país.

 

Uma volta no Fim do Mundo (continua…)

Não é fácil chegar ao fim do mundo. Partindo da capital argentina, são três horas e meias de voo até Ushuaia, na Terra do Fogo, a auto-proclamada cidade mais ao sul do mundo (há dúvidas quanto ao título, dividido com uma colega chilena). Soma-se a isso as outras três do voo que partiu de São Paulo e o tempo no ar é o mesmo que uma viagem aos Estados Unidos. No meu caso específico, a viagem demorou mais de um dia.

Partiria de Belo Horizonte (acrescente aí mais uma hora no avião) as 10h30 com destino a Buenos Aires, com uma rápida conexão em São Paulo. Mas a Tam me informou dias antes do embarque que o voo havia sido cancelado e eu seria relocado em um voo mais cedo, às 6h02. O que implica, na melhor das hipóteses – check in feito pela Internet, para adiantar – chegar no Aeroporto de Confins as 5h. Isto é: acordar as 3h45, pegar um taxi as 4h15… Assim o fiz. Ainda dormindo no momento do despacho das malas, não vi que haviam sido etiquetas até o destino final e que o meu segundo bilhete, de São Paulo à capital argentina, continuava inalterado, com o voo programado para as 14h20. Não adiantou pedir, insistir, argumentar. De “se o senhor não tivesse despachado bagagem poderíamos adiantar seu voo com certeza” a “infelizmente os dois próximos voos estão com capacidade máxima de passageiro” passando por um “se mudássemos o senhor teríamos que recalcular todo o peso de carga da aeronave”, não houve desculpa que os funcionários da companhia me deram que me convencesse. A verdade era “não estou com saco para pedir pra buscar sua mala. Se quiser aguarde as próximas 7 horas aqui. E não ouse sair: terá que pagar uma nova taxa de embarque se fizer”. Sem uma lanchonete minimamente digna e sem alternativa, simplesmente esperei o tempo passar andando pelos corredores de Cumbica.

Em Buenos Aires a conexão, eu já esperava, seria mais complicada. Com o voo da Tam chegando em Ezeiza, o aeroporto internacional nos arredores da cidade, meu voo para Ushuaia sairia do Aeroparque, na região central. O que eu não esperava, entretanto, era uma paralização dos caminhoneiros argentinos, fazendo o trajeto, que normalmente é feito em 45 minutos, durar mais de três horas.

20120331-092822.jpgO voo da Lan com destino ao fim do mundo sairia no aprazível horário de 4h45 da manhã e chegaria a Ushuaia pouco depois das 8h. Meus planos , que era chegar em Buenos Aires ainda dia e descansar em um hotel até a hora do voo para chegar inteiro no meu destino final, foi substituído por horas no trânsito, entediado, cansado, com sede e com fome. No final, foram pouco mais de 2 horas de sono mal dormido.

Antes, contudo, um jantar merecido no El Federal, me fez relaxar e esquecer os problemas. O local, na Av. San Martin, próximo à praça do mesmo nome, sempre me passava despercebido. Preferia os vizinhos Dada e Filo. Eleito por algumas publicações como um dos 10 melhores restaurantes de Buenos Aires, resolvi experimentar o menu degustação do El Federal.

Com pratos que buscam expressar a culinária de várias regiões do país, o cardápio do lugar é no tamanho certo, com pouco mais de uma dúzia de opções entre entradas e principais. Na degustação são 6, começando por uma ótima empanada de queijo saltenha. Na sequência um bolinho de peixe do Rio Paraná e uma excelente sopa de milho preparam o paladar para dois pratos principais: a merluza negra, pouco temperada e, no outro extremo, um cordeiro patagônico cozido no Malbec, com sabores agudos e marcantes. Todos os pratos, incluindo o mix de sobremesas que fecha o menu, grandes o suficiente para serem divididos por duas pessoas.

 

2012-04-07 11.40.53-1O menu, com preço fixo de 250 pesos (aproximadamente 110 reais) serve ainda duas taças de vinho, branco ou tinto, o que faz dele uma boa opção para compartilhar. Se é realmente um dos melhores restaurantes da capital? Não na minha opinião.

Buenos Aires

esse texto estava aqui nos meus rascunhos e não sei porque não publiquei… está incompleto, mas vá lá…

Convenhamos: brasileiro adora falar mal da Argentina, mas quando o assunto é turismo não existe destino mais escolhido por nós que Buenos Aires. Nem sempre foi assim: até poucos anos atrás a cidade era uma grande desconhecida para muitos de nós. Mas o número vem subindo a cada ano e brasileiros já representam o maior número de turistas no país vizinho. Para nós ir a capital argentina virou passeio de final de semana: temos, por enquanto, uma moeda forte perante o peso argentino, as passagens estão baratas, a comida é boa e Buenos Aires está logo ali, a menos de 3 horas de voo de São Paulo.

Como ir?
As principais companhias aéreas brasileiras, como TAM e Gol, tem voos regulares, saindo de diversas capitais brasileiras. Aerolinea Argentinas e Pluna, as duas empresas argentinas, também. Fique atento as promoções: dependendo da época é possível encontrar passagens por menos de R$400 ida e volta, partindo de São Paulo, ao invés dos R$900 que normalmente são cobrados.

Quando ir?
Não existe tempo ruim para se ir a Buenos Aires. Lembre-se que, como no Brasil, o verão é quente e úmido. Particularmente prefiro viajar em estações como outono e primavera, mas se não for possível, não se preocupe: é possível aproveitar a cidade em qualquer época.

O que eu preciso?
Você não precisa de passaporte para visitar a Argentina: apenas sua carteira de identidade. Veja bem: carteira de IDENTIDADE. Não serve de motorista, não serve cópia autenticada. Nem serve aquela carteira que você, que hoje tem 30, fez quando era adolescente. Precisa ser em bom estado, com foto recente (até 5 anos é o recomendado). Sendo assim, um conselho: tire seu passaporte e evite dor de cabeça…

Onde ficar?
Você sempre pode optar em ficar em hotéis ou albuergues. Para Buenos Aires eu sempre sugiro que você alugue um apartamento, principalmente se estiver indo com mais pessoas. É barato e seguro. Já alugamos apartamentos de dois sites: o ByT Argentina e o BAires Apartments. Ambos dispõe de dezenas de opções, em várias regiões na cidade: os mais baratos em torno de US$300 por semana (se forem duas pessoas, o aluguel sai por R$35 por pessoa por dia) até luxuosos, com preços que chegam a US$1000 por semana. Na maioria, facilidades como TV a cabo, internet, banheira e eletrodomésticos estão sempre disponíveis.

Nos dois sites o processo para o aluguel é parecido: você entra no site, faz seu cadastro e escolhe o apartamento por região, número de pessoas, período etc. Com o local definido e reserva feita você paga com seu cartão de crédito internacional apenas o valor da reserva. Ao chegar no apartamento você deverá pagar o restante, em dinheiro (pesos ou dólar). Além disso deve pagar também uma garantia, que será devolvida na sua saída. Não tem erro: as empresas são sérias e a negócio, na sua chegada, é feito tanto com um representante do escritório quanto com o dono do apartamento.

Mas afinal, qual a melhor região para se ficar?
Depende. Se você quiser balada talvez a melhor opção seja ficar em Palermo, onde existe uma efervescente cena cultural, com bares, casas noturnas etc. Se quiser sentir um pouco da Buenos Aires antiga, opte por San Telmo (e o antigo aqui vai se refletir, é bom deixar claro, também nos apartamentos…). No centro você terá mais acesso a transporte, como taxis e metrô. Da última vez ficamos no pouco comentado Las Cañitas, que se revelou uma boa opção. Ou seja: faça seu roteiro, veja o que vai querer fazer na cidade e, aí sim, escolha o local onde vai dormir (cá pra nós: você não vai fazer muito mais que isso, vai?).

De Buenos Aires ao Salar de Uyuni

De Buenos Aires o ideal é ir a Salta, no norte. Fomos de ônibus, viajando durante a noite (e parte do dia). A viagem dura em torno de 20 horas. Como são confortáveis, a viagem não é tão desgastante. Os ônibus saem do Retiro e existem as categorias semicama (o que seria o nosso semileito, só que mais confortável, com refeições inclusas e que custa em torno de 450 pesos argentinos) ou cama ejecutivo, onde a cama deita 180 graus, também tem refeições e custa em torno de 550 pesos argentinos.

 

Salta é uma cidade de vale a visita. A praça central é um charme e dali é possível visitar outras cidades na divisa com a Bolívia, como Pumamarca e a montanha das sete cores. Aproveite também para visitar as vinículas, sobretudo as de vinhos Torrontes. São dois os vinhos e regiões símbolos da Argentina: Mendoza e os encorpados e vermelhos Malbec e Salta e os brancos e frutados Torrontes.
De Salta ao Salar de Uyuni também fomos de ônibus. Até a divisa é tranquilo, confortável, no patrão argentino. Passou a fronteira é estrada de terra, ônibus capenga, aventura mochileira. É divertido. Pegue um ônibus até La Quiaca (a cidade no lado argentino) e cruze a fronteira a pé para Villazon, a cidade boliviana na divisa dos dois países.
De Villazon existem trens até Uyuni, mas são sempre concorridos e não conseguimos passagens. Não saem todos os dias, apenas segunda, quarta, quinta e sábado. A saída é as 15h30 (atenção porque tem uma hora de diferença do horário da Argentina para a Bolívia) e a chegada é tarde da noite. Se for segunda ou quinta o trem é chamado de Expresso Del Sur e chega as 23h50. Quarta e sábado o trem é o Waka Waka del Sur e chega 1h30. As passagens custam em torno de 20 dólares americanos a melhor classe (a metade na mais barata, mas não vale a pena). Se quiser aventurar a comprar a passagem online o site é http://www.fca.com.bo/. Não deixe pra comprar na hora (nem na semana): é quase certo que não vai conseguir.
Se não rolar, como aconteceu com a gente, o jeito é pegar um dos ônibus sofridos no terminal de Villazon. Saem as 18h mas não tem direto a Uyuni. São duas opções: ou você pega um até Atocha e de outro, no dia seguinte, para Uyuni. Ou pega o das 20h para Potosi e de lá para Uyuni. Como fiz a viagem em 2009 não lembro os preços e tempos direito, mas lembro que era barato e demorado. As estradas são todas de terra, esburacadas e a viagem parece demorar uma eternidade.
Em Uyuni o melhor é pegar um passeio que vá ao salar logo pela manhã, para ver o sol nascer. Nada é caro por lá: com “Uan dóla” você compra qualquer coisa, hotéis são econômicos mas não espere muito conforto. Os passeios normalmente incluem uma noite em um hotel de sal, perto ou dentro do salar e o passeio em 4×4 pela reserva.
Existe outra forma de chegar ao salar pelo Chile, cruzando o Atacama, mas este caminho eu não conheço. Uyuni, a cidade, não tem nada: uma vilazinha do interior cheia de turistas do mundo inteiro, muitos mochileiros europeus, todo mundo esperando a chegada ou saída dos trens.
De Uyuni pegamos outro ônibus até a capital, La Paz e de lá fomos a Copacabana, que é bacana. Atravessamos o lago, fomos para Cuzco e Machu Pichu e de lá, também de ônibus, chegamos a Lima. Mas isso já é outra história…
No FLickr tem um álbum com fotos de Salta e outro da Bolívia. Veja lá!