Torres del Paine – O Básico

Existem algumas informações básicas que você precisa saber antes de fazer qualquer dos Circuitos de Torres del Paine:

  • Você pode chegar ao parque vindo desde El Calafate, na Argentina. Mas o melhor é agendar o seu voo para Punta Arenas, no Sul do Chile, e de lá seguir de ônibus até Puerto Natales, três horas ao norte. De Puerto Natales saem diversos ônibus pela manhã ou início da tarde até o parque, numa viagem que dura mais duas horas.
  • Você pode trocar real por pesos chilenos em Punta Arenas. Existem lojas no centro, próximo ao Parque Municipal e também na Zona Franca.
  • Zona Franca: sim, existe um mall duty free na cidade. Os preços são, em geral, melhores que no centro, mas as opções são poucas. Para equipamentos e roupas de hiking procure a Balfer. São duas lojas na Zona Franca: uma pequena dentro do mall e outra maior um quarteirão abaixo.
  • Durante nossa viagem a conversão do peso chileno para o real foi de 1BRL=190CLP.

Espere pagar alto por alimentação, estadia e transporte em Punta Arenas ou Puerto Natales. Alguns dos preços:

  • Táxi Aeroporto-Cidade em Punta Arenas: 10.000 CLP (R$52,00)
  • Ônibus Punta Arenas-Puerto Natales: 8.000 CLP (R$42,00)
  • Ônibus Puerto Natales-Parque Torres del Paine: 8.000 VLP (R$42,00)
  • Ônibus Entrada Parque Torres del Paine-Centro de Convivência: 3.000 (R$16,00)
  • Entrada do Parque Torres del Paine: 21.000 (R$110,00)
  • Hostel em Punta Arenas (2 pessoas): USD60.00 (R$210,00)
  • Hostel em Puerto Natales (2 pessoas): USD70.00 (R$240,00)

Ou seja: só pra chegar do aeroporto ao Centro de Convivência, de onde você parque para qualquer um dos circuitos, cada pessoa gasta pelo menos R$200,00.

  • Se decidir ir de ônibus de Punta Arenas a Puerto Natales imediatamente após sua chegada você não precisa ir à cidade: todos os ônibus passam pelo aeroporto. Cheque os horários.
  • Puerto Natales é bem pequena e dependendo de onde for se hospedar é fácil ir andando.
  • Normalmente o tempo na Patagônia muda muito durante todo o dia. Espere sol, chuva, neve, frio, vento, tudo no mesmo dia – e algumas vezes na mesma hora. Mas em geral o tempo é melhor logo pela manhã.
  • É possível visitar a base das Torres del Paine em um dia vindo de Punta Natales. É cansativo, mas é possível. O ideal é passar pelo menos uma noite no Parque.
  • Se estiver programando fazer qualquer dos dois circuitos agende TODOS os seus campings ou refúgios com antecedência. BASTANTE antecedência… As reservas podem ser feitas online, no site das empresas que administram o Parque. Tenha paciência: os sistemas são confusos e pouco funcionais.
  • Você pode gastar R$50 ou R$500 reais por dia dentro do parque: tudo depende do grau de conforto que você exige. Caso queria acampar os preços variam entre USD8 e USD10 (R$28 e R$35) por pessoa e quase todos oferecem banheiros e chuveiro com água quente. Dois campings (Paso e Italiano) são gratuitos, mas não espere mais que um pedaço de chão pra barraca e uma foça pra suas necessidades. Isso se você conseguir um lugar em algum deles…
  • É possível alugar equipamento de camping na maioria deles. No Grey uma barraca custava 18.000 CLP (R$95,00), o saco de dormir 12.000 CLP (R$65,00) e o isolante 4.000 CLP (R$21,00). Mais R$35,00 do local pra dormir e você já gastou R$216,00 por pessoa pra passar a noite…
  • Quer mais conforto? Fique no refúgio. São duas opções: cama simples (um colchão, sem roupa de cama – você precisa levar seu saco de dormir ou alugar um) ou cama armada (cama completa, com cobertor e travesseiro). Os preços são a partir de 32USD para a cama simples e 80USD para a armada (R$110 e R$280 respectivamente).
  • Você vai precisar se alimentar: nós levamos comida para 10 dias e a compra no supermercado saiu a cerca de 50.000 CLP (R$260,00 ou R$13,00 por dia por pessoa). Se não quiser carregar peso os refúgios oferecem a opção de ter sua alimentação inclusa no pacote, o chamado Full Board. No Grey o valor era de 33.000 CLP (R$175,00) para jantar, café da manhã e um kit lanche.
  • Se quiser ver o sol nascer na base das Torres del Paine o ideal é passar a noite no Refúgio Chileno. Mas atenção: lá é proibido cozinhar (mesmo com fogareiro) e as opções de camping são poucas. A opção é contratar o Full Board, que lá custou 60.000 CLP (R$315,00) por pessoa. Se quiser ficar em cama o preço é mais alto…

O que gastamos em camping em cada um dos campings foi o seguinte (preços sempre pra duas pessoas):

  • Camping Serón – Camping – 20.000 CLP
  • Refúgio Dickson – Cama Simples – 64 USD
  • Camping Los Perros – Camping – 16 USD
  • Camping Paso – Camping – gratuito
  • Refúgio Serón – Cama Armada – 160 USD
  • Refúgio Paine Grande – Camping – 20 USD
  • Camping Italiano – Camping – gratuito
  • Camping Francês – Camping – 20.000 CLP
  • Camping Central – Camping – 20.000 CLP
  • Refúgio Chileno – Camping Full Board – 120.000 CLP

Total em reais: R$2.150,00 (R$1.075,00 por pessoa, ou R$107,50 por pessoa por dia)

  • Ficamos em refúgios simplesmente porque não conseguimos reservar camping em todos os lugares. Fizemos nossas reservas em Outubro. Viajamos em Março…
  • Enquanto estiver dentro do Parque, esteja sempre com seu Passaporte e cartão de imigração em mãos. Eles são exigidos em todos os campings.
  • Não subestime o clima. A temperatura média em março é entre 5 e 15 graus. Pegamos temperaturas negativas e neve: o mês de março mais frio de todos os tempos. Também não se esqueça dos famosos ventos patagônicas: eles podem te jogar no chão e destruir sua barraca.

Agora é só preparar a mochila e botar o pé na estrada. Boa viagem!

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Japão – sites e apps

É impressionante como a tecnologia mudou o jeito de viajar. Como a Internet e os aplicativos facilitaram o planejamento e controle de viagens para locais como o Japão, por exemplo. Na pesquisa do que fazer lá naquele lado do mundo usei dezenas de fontes diferentes. O Tokyo Cheapo foi uma constante. Acessava o site quase que diariamente e passei a seguir no Facebook e no Twitter.  Outro site com dicas de como economizar em viagens e que tem boas dicas sobre o Japão é o Thrifty Nomads. Foi neles que vi a sugestão de viajar de ônibus. Outro site essencial para quem quer ir pra terra do sol nascente é o Japan Guide, certamente a melhor fonte de informação sobre o país. Foi ele a fonte da maioria das dicas de transporte e turismo que usei pra criar meu roteiro. E pela primeira vez usei o YouTube como fonte de informação para a criação do roteiro de viagem, assistindo a horas e mais horas de vídeos, em especial o divertido canal Only in Japan.

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O Google Maps é ainda meu local predileto para marcar e salvar os locais onde quero ir. Vou gravando ali os endereços de todos os locais que quero visitar, seleciono por tipo (restaurante, passeio, templo, compras etc) e marco cada local com um símbolo e uma descrição básica, que muitas vezes copio do site ou guia onde vi a sugestão. Essa seleção me dá uma visão geral da cidade e a partir disso faço meu roteiro. O meu mapa de Tokyo, caso interesse a alguém, pode ser visto aqui.

Já fui colaborador do Fodors Guide, mas tenho que confessar que ninguém supera a Lonely Planet na edição de guias de viagem. Antes era preciso pagar uma pequena fortuna pelos guias, sempre grossos e pesados, e ficar carregando aquele trombolho pela viagem. Com a inclusão dos guias na Amazon, é pessoal carregar os destinos no seu Kindle e pronto. Melhor ainda: os guias da Lonely Planet fazem parte do Kindle Unlimited. Por R$19,90 por mês é possível acessar os livros. Em comparação, a versão impressa do guia do Japão custa R$95,37 e a digital R$65,54. Pelos R$19,90 mensais eu tive acesso não só este, como também aos guias específicos de Tokyo e Kyoto, todos salvos no meu Kindle (se tivesse comprado os três guias impressos teria gastado quase R$250,00 – e iria carregar quase dois quilos a mais de bagagem). Eu já era assinante  do serviço, se não for esse o seu caso é só assinar no site da Amazon. E o primeiro mês ainda é gratuito. Se não gostar é só cancelar o serviço.

Normalmente uso as dicas do GPSmyCity para organizar passeios a pé pelas cidades que visito. Os apps são gratuitos – como opções mais completas pagas – e dão uma boa ideia do que dá pra fazer e visitar na cidade. Já baixei, claro, os de Tokyo e Kyoto. Outro app que sempre uso, independente do país que visito – mas sobretudo naqueles que não falo o idioma – é o Google Translator. No caso do Japão, ele tem uma vantagem: a opção de fotografar e traduzir os kanjis. Já fiz uns testes e mesmo que não funcione 100% ajuda bem na hora de diferenciar, por exemplo, o banheiro feminino (女) do masculino (男).

Mas o Japão tem uma série de apps exclusivos de lá. E não poderia ser diferente. O Imiwa?, por exemplo, é um desses. Ele é um dicionário super completo que estou testando e pode ser útil na viagem. Assim como o Hyperdia, app que calcula itinerários e preços na complexa rede de trens e metrôs japoneses. Para Iphone ele não está disponível na AppStore brasileira, mas consegui fazer o download gratuito (por 30 dias) na americana.

Tabimori é um aplicativo desenvolvido pelo Aeroporto de Narita, onde chego, e é, segundo o próprio app, um amuleto de viagem, com dicas de turismo, clima, tradução, transporte, locais com wi-fi de graça e convenção de moedas, além de notícias sobre o Japão. Já está instalado e testado e provavelmente vai ser o que mais vou usar. Ele e o Gurunavi, guia de restaurantes de Tokyo.

Odigo ainda está em versão beta mas já se mostra super útil para organizar e programar a viagem. No site você seleciona dia a dia o que vai fazer e ele calcula o tempo e traça o roteiro entre as atrações. A versão beta ainda não está completa, tem dado pau em alguns momentos, mas o aplicativo tem potencial.

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Por fim, como o Japão é o Japão, baixei também o Safety Tips, um app que notifica o usuário em caso de desastres naturais, como terremotos e tsunamis. Essa semana, por exemplo, tiveram dois terremotos de intensidade 3 praquelas bandas, um na região de Akita e outro em Fukushima.

O próximo post vai ser direto de Tóquio. Até lá.

Japão – Vistos (com direito a um encontro inesperado)

img_7814A maioria das pessoas acha o processo de tirar vistos de viagem um saco. Tão chato, mas tão chato, que estão dispostos a pagar uma pequena fortuna para que alguém faça isso pra eles. Não é o meu caso. Não que sinta prazer em separar documentos, autenticar cópias, reconhecer assinaturas, imprimir extratos, buscar o comprovante do imposto de renda e aguardar na fila. Mas não acho que o que os despachantes cobram valha o preço.

Veja, por exemplo, a Mundial Vistos, aqui de Belo Horizonte. Já tinha tido problemas com eles quando fui tirar o visto pra China. Por telefone me deram um prazo, quando fui levar os documentos para dar entrada no visto, o prazo era outro. Acabei resolvendo por conta própria (como também fiz em todos os outros vistos, seja Estados Unidos ou Cuba).

No caso do Japão eu já havia checado os documentos necessários no site do Consulado do Rio (que cuida dos vistos dos mineiros), no site do Consulado em São Paulo e por telefone no Consulado Honorário do Japão em Belo Horizonte (que funciona mais como um adido cultural). Sabia o que precisava e sabia também da taxa que precisava pagar: R$79,00 para o visto de uma entrada. Quando liguei na Mundial a conversa foi mais ou menos assim:

– Olá, eu queria informações sobre o visto pro Japão.

– Sim. O senhor está indo quando?

– Novembro, visto de turismo, uma entrada, duas pessoas.

– Claro, senhor. O preço é R$470 reais. Se quiser taxa de urgência…

– Oi? Quatrocentos e setenta reais?

– Sim, senhor. Esse valor já inclui todas as taxas para o visto. O senhor vai pra China quando mesmo?

Desliguei o telefone. Veja: não justifica o custo extra de R$391 reais por pessoa para cada visto. Nem pro Japão, nem pra China, nem pra nenhum outro lugar.

Peguei um ônibus às seis da manhã na Rodoviária de BH, cheguei ao Rio pouco antes das duas. No Terminal Novo Rio fui pegar um taxi:

– Tô indo pro Flamengo.

– Cinquenta reais.

– Cê tá louco? Cinquenta pratas pro Flamengo?

– É tabelado…

Sai da rodoviária, andei dois quarteirões, parei na porta do Ibis Porto Atlântico e pedi um Uber (o app é bloqueado na rodoviária de lá). Até a porta do prédio do consulado japonês deu R$16.

Subi até o décimo andar, me identifiquei com a recepcionista, passei pelo detector de metais e fui dar entrada no pedido de visto. Duas pessoas preenchiam o formulário na pequena mesa que tinha ali e não tinham ninguém esperando. Dei um konichiwa pra recepcionista – mentira, falei boa tarde mesmo – e entrei o envelope. Eu tinha levado tudo que havia na lista que tinha visto a) na página do consulado japonês do Rio b) na página do consulado japonês de São Paulo e c) nas informações que o pessoal da Mundial havia me passado por email. Tudo combinado, já que em um pedia cópia autenticada da identidade, noutro não pedia, mas pedia o imposto de renda completo do último ano, no terceiro não pedia o imposto de renda, mas pedia os três últimos extratos bancários… Levei uma papelada. A moça ia passando e me entregado: esse não precisa, esse também não, nem esse…

Em menos de dois minutos eu estava com o recibo pra pegar os passaportes com os vistos, dali a dois dias. No geral o que foi realmente preciso foi o seguinte:

  1. formulário de pedido de visto, que pode ser encontrado aqui
  2. formulário com o cronograma da viagem – que eu fiz detalhadamente, dia a dia, mas pelo visto pode ser mais simples – e pode ser encontrado aqui
  3. passaporte válido por seis meses após a data de retorno
  4. uma foto 3×4 recente
  5. print da reserva da passagem de ida e volta
  6. um comprovante de renda – que de todos que levei (imposto de renda, três últimos extratos) ela ficou apenas com uma página que mostrava o meu saldo atual naquela data

Nada de imposto de renda, nem de extratos, nem de cópia autenticada de carteira de identidade…

Como dei entrada também no pedido da Alê, levei uma página escrita por ela me autorizando a dar entrada e retirar o visto, assinada e autenticada em cartório, por precaução. Essa também foi necessário.

E também contrariando tudo o que já havia lido, a retirada dos passaportes não precisa ser feita pela mesma pessoa que deu entrada. Qualquer pessoa com os comprovantes pode retirar. O pagamento do visto – R$79,00 por pessoa – é feito na retirada.

Por causa disso liguei pro Marcelo e pedi pra ele pegar os documentos e me mandar por correio. As 17h já estava na rodoviária pra pegar o ônibus das 18h de volta pra BH. No final das contas, vistos, mais passagens, mais Ubers, mais alimentação, tudo me custou um dia e menos de R$400 reais. Lembrando: a Mundial queria R$470 por cada visto…

E aí começa a segunda parte da história…

Estou eu na poltrona 5, fones de ouvidos a postos, quando me entra uma garota desorientada no ônibus. Larga a mochila e a sacola de supermercado na poltrona ao lado da minha e sai do busão, já na hora de partir. Volta uns dois minutos depois com um tênis e um sapato em cada mão – não o par, um de cada. Senta esbaforida, ajeita a mochila, coloca os calçados na sacola meio furada, pega um celular de uma marca que nunca vi. “Gringa”, pensei.

– Sua primeira vez no Brasil?, perguntei em inglês.

Era. Tinha vindo só com passagem de vinda, sem data pra voltar. Havia chegado há três semanas em São Paulo, tinha ido pro Rio, passado por Parati e Trindade e vinha pra BH pra daqui seguir pra Souza, perto de Rio Manso, onde iria trabalhar de voluntária numa fazenda de permacultura. Já havia viajado pela India e Ásia, mas os pais não tinham ficado tão preocupados como quando disse que viria pra América do Sul. A ideia era ir descendo, passar uns dias em Florianópolis, depois Rio Grande do Sul, Buenos Aires, talvez Patagônia, quem sabe atravesso e vou ao Chile, mas tenho que voltar quando meu pai precisar de alguém pra trabalhar com ele, ela dizia.

– E em BH, você vai ficar onde?, perguntei. Ela não sabia: já não tinha internet no chip que havia comprado em São Paulo, não conhecia ninguém na cidade, sem crédito também não conhecia chamar nem o Uber nem o BlahBlahCar que vinha usando até então. Pra completar, chegaríamos na cidade uma da manhã…

Na rodoviária daqui mais um pepino: na correria pra ir buscar os sapatos que havia perdido no terminal do Rio – por isso o entra e sai correndo do ônibus – ela perdeu o ticket da mochila que ia no bagageiro e o motorista, por nada desse mundo, queria entregar. Expliquei pro cara a situação, ele entregou a bagagem e ofereci pra ela uma carona, uma cama, um banho, café da manhã e um transfer no dia seguinte de volta pro local onde iria pegar o ônibus pra Rio Manso.

– Sério? Posso ficar na sua casa?

Era tudo o que eu queria que alguém fizesse por mim numa situação daquelas. Claro que poderia. Claro que Alê entenderia.

Quando acordou, Babou tomou um banho e, segunda ela, “o melhor café que tomei em toda viagem. Só pra provar que mineiro é mesmo tudo isso que todo mundo fala”. img_7764

 

Guia rápido de Pequim

Então você decidiu e vai pra China. Viu aquela promoção de passagens por pouco mais de R$2000 no Melhores Destinos, clicou no “compre aqui” e só agora caiu a ficha. Afinal, o que vou fazer na China? Por isso você veio parar aqui, pode confessar. Foi atraído pelo título e quer ter uma noção de como é e o que fazer em Beijing.

Espera… Não era Pequim? Então, a confusão começa aí. Pequim, Beijing, é tudo um lugar só. A cidade é conhecida nos países de língua inglesa por Beijing. Nos demais, Pequim. Na própria China é Beijing, mas o código do aeroporto, você vai ser na sua passagem, é PEK…

Esse guia rápido é formado pelas impressões de quem acabou de voltar da cidade. Um apanhado de coisas que eu gostaria que alguém tivesse me falado antes de ter ido. Coisas que poderiam ter me ajudado. E pode ajudar você.

Por exemplo: que essa passagem da American Airlines é realmente barata, mas as conexões te fazer chegar na cidade mais cansado que o normal. Meu vôo seria Belo Horizonte-Miami-Dallas-Beijing, mas devido a atrasos nas conexões acabou sendo Belo Horizonte-Miami-Chicago-Los Angeles-Beijing. Mais de 48 horas de viagem, com longas esperas nos aeroportos.

Se chegar ao Aeroporto Internacional de Beijing é complicado, se locomover pela cidade é extremamente simples. Primeira dica: use o metrô. Taxis na capital chinesa são baratos (do aeroporto ao centro da cidade é cerca de 120 RMB, algo como 70 reais na cotação de outubro de 2015). Mas o trânsito confuso e as longas distâncias fazem do metrô disparado a melhor opção.

Chegando no aeroporto, logo depois de passar pela polícia, siga a sinalização e pegue o transporte para o terminal C, onde estão localizadas as esteiras de bagagem. Dali é só seguir as placas para o Airport Express. Para a estação de Dongzhimen são 25 RMB e 25 minutos de viagem. De lá é só pegar trocar de trem para ir até o seu hotel. As passagens custam entre 3 e 5 RMB e o metro cobre virtualmente a cidade inteira. As estação são todas sinalizadas em mandarim e inglês, o que facilita a vida de nós turistas.

Dinheiro

Você certamente vai precisar trocar dinheiro na sua chegada. No próprio aeroporto existem casas de câmbio, com a cotação, como sempre, ruim. Troque ali o necessário para sua chegada à cidade (100 dólares são mais que suficientes). Para uma cotação melhor procure por uma agência do Banco da China. Leve seu passaporte. As transações não tem taxas e no final das contas saem quase 10% melhores que em outros lugares (15% melhores que nos hotéis). Em outubro de 2015 um dólar comprava, em média, 6 RMB. Fique atento também para cartões de crédito: são pouco usados no país e na maioria da vezes o que vale mesmo é dinheiro vivo.

Onde ficar

Você comprou a passagem e está se decidindo onde se hospedar. Achei os hotéis relativamente baratos em Beijing. Quartos de redes internacionais, como DaysInn e Novotel, saíram por cerca de R$250 reais a noite, sem café da manhã. Agende através do seu app preferido. A dica que eu queria ter é a seguinte: após confirmar a reserva, envie um email para o hotel e peça para mandarem pra você o endereço completo em chinês. Mesmo que a reserva venha com o nome do hotel escrito no idioma local, não encontrei nenhum motorista de taxi que soubesse onde os hotéis que eu havia reservado ficavam.

Para quem é turista, a melhor opção é ficar na região de Wangfujing, conhecida na cidade por ser uma rua de compras. Ali estão as melhores lojas e shoppings. E também bons restaurantes e bancos. E as principais atrações turísticas da cidade, a praça de Tiananmen e a Cidade Proibida não estão a mais de 500 metros, dá pra ir andando.

O que visitar

Você já sabe: use e abuse do metrô. Você vai economizar dinheiro e tempo. O trânsito é confuso, muitos motoristas de taxi ficam perdidos e quase nenhum fale inglês. Baixe o app do metro no seu celular e saia visitando os pontos turísitcos sem medo. Dá pra ir em todos eles de transporte público. Imperdíveis são a praça Tiananmen e a Cidade Proibida, um na frente do outro, mas que você vai precisar de um dia pra conhecer bem. Se estiver hospedado em Wangfujing dá pra a pé. Caso contrário pegue a linha 2 azul até a estação de Qianmen (circular, a linha 2 roda nos sentidos horário e anti-horário e é das mais usadas). Caso queria visitar o mausoléu de Mao-Tse Tung, fique atento aos horários: de 7 as 11 da manhã, fechado nas segundas. Leve seu passaporte. A Cidade Proibida fica aberta até as 5 da tarde, mas também está temporariamente fechada as segundas devido a algumas reformas. Custa 60 RMB (cerca de R$40).

Imperdível também é o Templo do Paraíso. Desça na estação Tiantandongmen (Portão Leste de Tiantan) da linha 5 verde. No grande parque ao redor do Templo dá pra ver calmamente a vida dos locais: Tai Chi, danças, artes marciais, esportes. Tem de tudo um pouco. Também dá pra passar um dia fácil.

O Palácio de Verão fica um pouco mais distante. Da região central são cerca de 45 minutos até a estação de Beigongmen, na linha 4. É a mesma que atente ao Zoo e os dois passeios podem ser combinados em um dia.

Para visitar as instalações olímpicas, como o Parque Aquático e o Estádio Bird’s Nest é só pegar o metrô verde escuro até a Estação Olympic Sports Center.

E caso queria visitar a Grande Muralha de trem também é possível. Só pegar um metrô até a estação de Xizhimen – ela é atendida pelas linhas 2, 4 e 13. Daqui siga a sinalização para Beijing North Railway Station e pegue um trem Yanging e desça na segunda parada. Você estará na seção da Muralha conhecida por Badaling, a mais visitada.

Se busca por uma seção com menos gente e aquela paisagem de montanhas e muralhas sem vim que você viu em fotos e filmes, a sugestão e conseguir um guia, com carro, e ir para a seção de Jinshanling, que fica a cerca de 2 horas de Beijing. Quer mais uma dica? Vale o esforço e o investimento.

E se eu não quiser um guia? Posso alugar um carro e ir sozinho?

A resposta é simples: não. A China não faz parte do tratado que autoriza motoristas a usar a carteira internacional, o tratado de Viena. Isso quer dizer que mesmo que você tenha uma Permissão Internacional para Dirigir você não pode dirigir na China. As locadoras de automóveis só alugam carros para chineses – o que praticamente obriga você a contratar os serviços de um guia.

O que comer

Você pode gastar R$10 ou R$300 em uma refeição em Beijing. Tudo depende o quanto você está disposto a arriscar. Dos restaurantes que visitei a grande maioria não tem cardápios em inglês. Alguns poucos tem cardápios com fotos. A loteria é grande. Mais uma dica: evite estes, a não ser que isto faça parte do seu planejamento.

Mesmo restaurantes mais requintados são difíceis de encontrar: sem falar o idioma você não consegue distinguir a fachada de um dos melhores restaurantes de pato da cidade (o Duck de Chine) de um escritório de advocacia. Mais uma vez, conte com a boa vontade dos atendentes do seu hotel e peça para que escrevam o endereço completo, em chinês. Opte por restaurantes mais conhecidos e que atendem o público ocidental. A rede DaDong, com pelo menos três na cidade, é um bom exemplo. A comida é excepcional, os atendentes, em sua maioria, entendem inglês, e o pato dali é de tirar o chapéu. Espere gastar em torno de R$150 por pessoa. Tem um bem ali na Wangfujing, no sexto andar do Shopping Beijing City.

Internet

Na sua reserva de hotel estava escrito: wi-fi grátis. Ótimo. Mas saiba que na China tem Internet mas não tem… Explico: existe. Você se conecta. Mas devido ao regime imposto pelo governo, mais de 4 mil sites e domínios são bloqueados, incluindo tudo do Google e do Facebook. Maps? Não. Gmail? Não. Instagram? Não. Para usar esses serviços é preciso instalar no seu telefone um app de VPN, que vai simular que seu telefone está em outro país. Mais uma vez o governo está atento a estes apps, e muitos deles também estão bloqueados. O serviço é quase sempre instável. Em outubro de 2015 usei tanto o TunnelBear quanto o VyprVPN, ambos gratuitos, com limites. Mas não dá pra garantir até quando estarão funcionado.

Tem alguma outra dúvida sobre a cidade? Precisa de ajuda com mais alguma coisa? Só me mandar um email ou escrever um comentário aqui. Xie Xie.

Impressões Australianas

Alguns fatos e semelhanças entre a Austrália e o Brasil:

  • Assim como o Brasil é dividido em 5 regiões geográficas, a Austrália é dividida em 5 estados: Queensland, New South Wales, Victoria, Western Australia e South Australia. Além disso se soma o também estado da Tasmânia (na verdade uma ilha, com certa independência) e vários territórios, como Northern Territory e o Australian Capital Territory, onde fica a capital Canberra;
  • Assim como os brasileiros, australiano adora cerveja. Mas para pedir uma gelada por aqui é preciso prestar atenção em qual estado você está. É que a denominação dos copos onde as cervejas são servidas varia de acordo com a região. Assim, um copo de 425 ml, o mais comum, pode ser uma schooner em Sydney ou pint em Adelaide, onde uma schooner é o copo de 285 ml  – que em Sydney é chamado de middy, em Brisbane de pot e em Darwin de handle. E se você quiser se livrar desse problema e pedir uma garrafa, para nós brasileiros tem uma complicação a mais: é que por aqui uma long neck é a cerveja grande, de 750 ml. As nossas long neck são chamadas de stubbies…
  • Assim como os gaúchos, australianos adoram churrasco. Mas por aqui nada de carvão e picanha. Churrasco australiano é quase sempre em churrasqueira a gás e com salchicha, contra-filé ou camarão – como na famosa campanha que Paul Hogan, o Crocodile Dundee estrelou nos anos 80.
  • Assim como os mineiros, australianos adoram cortar as palavras pela metade. Ou usar palavras que ninguém mais usa. Se em Minas ônibus vira “ons” e a frase ‘pode colocar o café?’ vira “pó pô pó?”, na Austrália não é diferente. Afternoon é arvo. Barbecue é barbie. A frase “What is going on?” vira simplesmente “sgoin’ on?”. E quanto a palavras que ninguém usa? Chega pra lá pra mineiro é “arreda”. Banheiro na Austrália não é toilet como nos USA nem loo, como na Inglaterra. É dunny. Abreviação também é usada na pronúncia dos nomes das cidades: CAN-bra (e não Can-BÉ-RRA), BRIS-bin (e não Bris-BÃIN), MEL-bin (e não Mel-BOUR-ne), SID-ni (e não Si-DI-ney). Claro, o país é S-tralha, e não AUS-trá-lia.
  • Assim como os cariocas, australianos adoram praia. Mas não pense em encontrar vendedores ambulantes, muito menos de biscoito O Globo ou chá mate. Cerveja na areia? Nem pensar. Mas pode deixar sua bolsa sem medo e ir pro mergulho, no mar ou nas muitas piscinas públicas coladas às praias mais descoladas.
  • Assim como a região metropolitana de São Paulo, a população da Austrália é em torno de 20 milhões de habitantes. Pra ser mais preciso era de 23,307,676 em maio de 2013, o dado mais recente. Como comparação o Brasil, pouco maior que a Austrália (somos o quinto maior país do mundo, eles o sexto), ultrapassa os 200 milhões de habitantes…
  • Assim como Brasília, Canberra, a capital australiana, também foi planejada e fica “no meio do nada”. Na verdade fica no meio do caminho entre Sydney e Melbourne, as duas principais cidades. Mas Canberra tem acesso ao mar: apesar de ser cercada por terra por todos os lados a capital é dona de um pequeno pedaço de terra com 65m2 no estado de NSW. O Jervis Bay Territory é a garantia que a capital tenha acesso ao mar, como garantido na constituição australiana.
  • Assim como Mato Grosso, a Austrália também tem seu pantanal. O Australian Wetland cobre boa parte dos estados de Queensland, New South Wales e South Australia. No entanto, não espere encontrar os pequenos jacarés-do-papo-amarelo por aqui: os crocodilos locais são bem maiores e violentos – chegam a 5,5 metros de comprimento e nadam tranquilamente tanto em águas doces quanto salgadas.
  • Assim como Tocantins tem o deserto do Jalapão, a Austrália também seu  deserto, chamado por aqui de outback. É o que todo mundo diz. Mas na verdade o outback australiano está mais para o cerrado que para deserto: a flora e a fauna são abundantes, incluindo espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar do mundo.
  • Assim como em Natal e Genipabu dá pra fazer passeio de camelo na Austrália. Na verdade o país tem a maior população de camelos selvagens do mundo – são calculados mais de um milhão deles. O país também exporta carne de camelo para a Arábia Saudita…
  • Assim como no Pará existem minas gigantescas na Austrália. Na verdade, mineração é a principal indústria do país, com as exportações quadruplicando nos últimos 10 anos. As principais minas estão no estado de Western Australia e o país é importante produtor de ouro, ferro, níquel, urânio, prata, cobre, opal, zinco, carvão e gás natural, entre outros produtos.
  • Assim como a Amazônia, a Austrália tem um dos ecossistemas mais ricos do mundo. Mas ele fica debaixo d’água: a Grande Barreira de Corais se estende por quase toda a costa do estado de Queensland, no nordeste australiano.
  • Assim como existem muitos imigrantes europeus no sul do Brasil e japoneses no Paraná e São Paulo, imigrantes de diferentes países também adotaram diferentes cidades australianas. Em Melbourne existe a maior coletânea colônia grega do mundo – ao todo são quase 100 mil gregos morando no país. Asiáticos se estabeleceram principalmente em Sydney – a ponto do ano novo chinês ser celebrado em grande estilo na cidade.
  • Assim como pelo interior do Brasil, na Austrália é cheio de nomes de cidades que você não faz ideia de onde vem ou que significa. Acha Pindamonhagaba e Pirassununga difícil? Tente Woolloomooloo, Woolongong, Warrnanbool ou Maroochydore.
  • Assim como os brasileiros, australianos adoram um palavrão e palavras profanas. Se pra gente ‘foda’ pode ser algo muito bom ou muito ruim, ‘fuck’ é parte do palavreado local, também usado em diversas situações. E a expressão ‘Bloody hell’ – bloody é a abreviação para “By Our Lady” ou Nossa Senhora – é tão comum que foi também usada em uma campanha do Ministério do Turismo local.

E aí? Está pronto para visitar a Austrália?

Sydney no aperto – O que fazer

Esta é a quarta parte da série sobre Sydney no Aperto. Como curtir uma das cidades mais caras do mundo sem muito dinheiro? As três primeiras partes, sobre passaporte e visto, a viagem e transporte estão aqui, aqui e aqui.

Você chegou à Austrália. A grana tá curta, mas pelo menos você está aqui. E agora? O que fazer pra curtir a cidade sem gastar os tubos?

Felizmente alguns dos melhores passeios de Sydney são gratuitos ou custam pouco. Por exemplo: você já comprou o seu passe semanal de transporte, certo? A melhor vista da cidade é justamente das balsas. Vá a Manly e volte no final do dia para ter uma visão inesquecível do skyline de Sydney, por exemplo. Quem sabe você não encontra uma baleia ou golfinhos no caminho?

Outro passeio imperdível é a caminhada de Bondi a Bronte. O passeio dura cerca de 2 horas e percorre cerca de 6km. A vista é inesquecível e se você estiver visitando entre outubro e novembro, pode ainda apreciar a Sculptures by the Sea, uma mostra de esculturas que acontece no percurso. Infelizmente a caminhada não é aconselhada para pessoas com dificuldades de locomoção.

Outros passeios e caminhadas pela orla garante bons ângulos para fotos e cenários cinematográficos. De Manly à Spit Bridge, por exemplo. É mais puxado que o de Bondi à Bronte, mas particularmente é o meu predileto. Vale o esforço, eu garanto.

Museus gratuitos. A qualquer dia

Algo mais cultural? Os melhores museus de Sydney não custam um centavo. Amantes de arte moderna e contemporânea tem no MCA – Museum of Contemporary Art um paraíso. Fica em Circular Quay e além de uma ótima coleção permanente tem sempre mostras exclusivas: de 15 de novembro a 23 de fevereiro de 2013, por exemplo, abriga a maior retrospectiva de Yoko Ono.

Outro imperdível – e gratuito – é o NSW Art Gallery. Localizado bem no centro da cidade, na entrada para o Royal Botanic Gardens, tem uma excelente coleção de arte moderna australiana. A entrada é gratuita todos os dias e nas quartas fica aberto até as 10 da noite. É imperdível.

Para quem quer conhecer um pouco da história de Sydney a Government House – sede do governo local, mas que na prática funciona como museu e local para recepções formais – está a poucos metros da Opera House e também é gratuita. Funciona sextas, sábados e domingos, mas vale checar antes se não estará fechada para eventos. O castelo, dentro do Botanic Gardens, guarda uma boa coleção de artes e a tour dá boa dicas sobre a colonização do local.

Outra dica para quem quer saber sobre a história da cidade é o The Rocks Discovery Museum. A poucos metros do MCA, fica no histórico the Rocks, o primeiro bairro da Austrália (e onde você pode visitar os pubs mais antigos…).

Amantes de fotos vão gostar do Australian Centre for Photography. Também gratuito, tem mostras permanentes e exposições temporárias.

Não curte fotos mas ama barcos? Vá então para Darling Harbour e visite o Maritime Museum. Outro bom museu (hey, você pode entrar em um submarino!) gratuito.

Mais uma opção para quem curte arte são as diversas galerias espalhadas pela cidade, sobretudo em Surry Hills e Darlinghurst. Uma ótima oportunidade pra conhecer um pouco da produção contemporânea de Sydney – e, quem sabe, comprar um quadro por uma pechincha e que daqui a alguns anos vai valer alguns milhões?

Uma volta no Fim do Mundo (continua…)

Não é fácil chegar ao fim do mundo. Partindo da capital argentina, são três horas e meias de voo até Ushuaia, na Terra do Fogo, a auto-proclamada cidade mais ao sul do mundo (há dúvidas quanto ao título, dividido com uma colega chilena). Soma-se a isso as outras três do voo que partiu de São Paulo e o tempo no ar é o mesmo que uma viagem aos Estados Unidos. No meu caso específico, a viagem demorou mais de um dia.

Partiria de Belo Horizonte (acrescente aí mais uma hora no avião) as 10h30 com destino a Buenos Aires, com uma rápida conexão em São Paulo. Mas a Tam me informou dias antes do embarque que o voo havia sido cancelado e eu seria relocado em um voo mais cedo, às 6h02. O que implica, na melhor das hipóteses – check in feito pela Internet, para adiantar – chegar no Aeroporto de Confins as 5h. Isto é: acordar as 3h45, pegar um taxi as 4h15… Assim o fiz. Ainda dormindo no momento do despacho das malas, não vi que haviam sido etiquetas até o destino final e que o meu segundo bilhete, de São Paulo à capital argentina, continuava inalterado, com o voo programado para as 14h20. Não adiantou pedir, insistir, argumentar. De “se o senhor não tivesse despachado bagagem poderíamos adiantar seu voo com certeza” a “infelizmente os dois próximos voos estão com capacidade máxima de passageiro” passando por um “se mudássemos o senhor teríamos que recalcular todo o peso de carga da aeronave”, não houve desculpa que os funcionários da companhia me deram que me convencesse. A verdade era “não estou com saco para pedir pra buscar sua mala. Se quiser aguarde as próximas 7 horas aqui. E não ouse sair: terá que pagar uma nova taxa de embarque se fizer”. Sem uma lanchonete minimamente digna e sem alternativa, simplesmente esperei o tempo passar andando pelos corredores de Cumbica.

Em Buenos Aires a conexão, eu já esperava, seria mais complicada. Com o voo da Tam chegando em Ezeiza, o aeroporto internacional nos arredores da cidade, meu voo para Ushuaia sairia do Aeroparque, na região central. O que eu não esperava, entretanto, era uma paralização dos caminhoneiros argentinos, fazendo o trajeto, que normalmente é feito em 45 minutos, durar mais de três horas.

20120331-092822.jpgO voo da Lan com destino ao fim do mundo sairia no aprazível horário de 4h45 da manhã e chegaria a Ushuaia pouco depois das 8h. Meus planos , que era chegar em Buenos Aires ainda dia e descansar em um hotel até a hora do voo para chegar inteiro no meu destino final, foi substituído por horas no trânsito, entediado, cansado, com sede e com fome. No final, foram pouco mais de 2 horas de sono mal dormido.

Antes, contudo, um jantar merecido no El Federal, me fez relaxar e esquecer os problemas. O local, na Av. San Martin, próximo à praça do mesmo nome, sempre me passava despercebido. Preferia os vizinhos Dada e Filo. Eleito por algumas publicações como um dos 10 melhores restaurantes de Buenos Aires, resolvi experimentar o menu degustação do El Federal.

Com pratos que buscam expressar a culinária de várias regiões do país, o cardápio do lugar é no tamanho certo, com pouco mais de uma dúzia de opções entre entradas e principais. Na degustação são 6, começando por uma ótima empanada de queijo saltenha. Na sequência um bolinho de peixe do Rio Paraná e uma excelente sopa de milho preparam o paladar para dois pratos principais: a merluza negra, pouco temperada e, no outro extremo, um cordeiro patagônico cozido no Malbec, com sabores agudos e marcantes. Todos os pratos, incluindo o mix de sobremesas que fecha o menu, grandes o suficiente para serem divididos por duas pessoas.

 

2012-04-07 11.40.53-1O menu, com preço fixo de 250 pesos (aproximadamente 110 reais) serve ainda duas taças de vinho, branco ou tinto, o que faz dele uma boa opção para compartilhar. Se é realmente um dos melhores restaurantes da capital? Não na minha opinião.