Torres del Paine S01E07

Paine Grande a Italiano: 7,5km

Eu deveria ter ouvido o atendente…

Ontem, quando chegamos, ele disse que o melhor lugar pra montar a barraca era perto do morro, por causa do vento. Mas não tinha um bom lugar: os lugares planos eram tomados pelas barracas do próprio camping – ele também tinha mencionado pra não montar dentro das cordas. Optei por montar atrás do refeitório, na frente do banheiro. Achei que ali o vento não seria tão forte.

Eu estava enganado.

As dez da noite começou a ventar forte. Mas um forte tipo o que tínhamos pegado em Serón. Eu não conseguia dormir, provavelmente por causa de um café que Ale e eu tomamos lá pelas quatro. Fiquei acordado, ouvindo música e depois podcasts, conversando com a Ale. Por volta de meia noite ouvi as pessoas das barracas perto reforçando as amarras. Eram pelo menos umas dez, todas a menos de um passo uma da outra. “Até que a minha está segurando bem”, pensei. E dormi logo depois disso.

Acordei à uma com a Ale dizendo: “parece que soltou ali. E acho que tem um buraco…”. Não tinha soltado: a vareta tinha quebrado ao meio. E o buraco era um rasgo de 20 cm na capa. Procurei meu kit reparo e claro: não trouxe. Peguei a silver tape e ela estava na última volta – tinha usado pra arrumar meu óculos que soltou a haste logo que desci do ônibus no primeiro dia e para fazer uma correia, já que quase o perdi duas vezes. A única coisa adesiva que tinha eram duas KT Tape – essas fitas para lesões. Peguei uma estaca extra que tinha e amarrei com as fitas. Não adiantou nada. A cada rajada de vento – era uma por minuto o teto batia no chão. Alê dizia que sentia dentro de um saco sendo fechado à vácuo. Saí para tentar reforçar as cordas – uma tinha arrebentado, outra provocou um segundo rasgo na capa. Não havia nada que eu pudesse fazer a não ser passar a noite segundo a barraca com os braços.

Eu sou um péssimo marido, só posso ser. Alê sempre disse que não gostava de acampar, que tinha trauma de quando tinha ido à Cachoeira das Ostras na adolescência, e eu insisto que ela venha comigo para não só caminhar, mas também acampar por mais de uma semana… Fiquei pensando isso enquanto segurava a barraca durante as três horas que ela conseguiu dormir essa noite.

Levantamos às 6:30, desmontei a barraca, soquei tudo na mochila pra avaliar melhor o estrago na refeitório que abria as sete. No refeitório ninguém tinha Silver Tape. Eu mostrava pro pedaço que segurava a haste dos meus óculos: “isso! Você tem?”. Ninguém tinha… desisti de consertar ali. O dia seria curto e eu tentaria ao chegar no Acampamento Italiano.

Guardei as coisas e fui trocar de roupa pra começar o dia. Indo pro banheiro tropeço em uma esquadrilha de alumínio do diâmetro exato da vareta. Dei uma de McGayver e fiz o conserto, esperando que a barraca aguente as próximas noites…

O Italiano é o outro acampamento do governo, então ali certamente vamos ter que dormir nessa barraca mesmo. Se ela não aguentar o plano é tentar alugar uma barraca montada ou beliche nos outros campings que faltam – Francês, Central e Chileno.

A caminhada, de menos de oito quilômetros em três horas, foi tranquila. A cada vento que vinha, lembrava da noite não dormida. No lago Sköttsberg o vento dançava por cima das águas, um balé que deixou claro o que aconteceu na noite: ele vem soprando forte, rajada após rachada, e depois de cinco ou seis elas se cruzam e combinam, promovendo um redemoinho, que levantava a água do lago.

O Italiano é simples, parecido com os locais que acampava na AT. Mas com uma vantagem: é cercado de árvores, que o proteje dos ventos. No posto da guarda florestal, onde as pessoas deixam mochilas para irem ao Vale Francês (3 horas de caminhada, ida e volta) e ao Mirador Britânico (7 horas ida e volta) uma placa mostrava a previsão do tempo de ontem, hoje e amanhã: ontem o vento chegou a quase 100 km por hora…

Não está ventando forte, mas uma chuva fina chegou e a barraca está segurando bem. Sigo pensando em como a Alê deve estar realmente se sentindo. Eu sou um péssimo marido…

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Torres del Paine S01E06

Grey a Paine Grande: 11km

“Ainda está contando?”. Eu não estava. Quando chegou a cem o número de pessoas que passaram pela gente depois de menos de uma de caminhada eu tinha desistido de contar. Isso dá uma noção de como o Circuito W é popular. Um dia de chuva, ainda cedo pela manhã, e mais de cem pessoas já tinham passado pela gente no sentido contrário.

Paine Grande, o refúgio pra onde estamos indo, é o primeiro que a gente fica e é operado pela Fantastic Sur. É onde também existe uma doca, onde aportam os catamarãs vindo da outra entrada do Parque. Os turistas vão até lá de carro ou ônibus, pegam o barco até Paine Grande e caminham algumas horas até o refúgio Grey apenas pra ver a geleira. Mas esse tipo de experiência faz com que você veja apenas uma parte daquela imensidão. O Circuito O, por outro lado, permite que você caminhe por um bom tempo observando aquela imensidão azul – a geleira é azul, não é branca. Permite que você durma a poucos metros dela!

O Grey foi o lugar mais difícil de agendar. Dormimos em cama, dividindo o quarto com um casal Franco-inglês. Claro, ele roncava…Mas saíram cedo, bem antes da gente, e nós ficamos ali aproveitando o calor do quarto. Quando saímos ainda pegamos alguns minutos de tempo bom, pra depois sermos castigados pela chuva. O que não diminuía o número de turistas que passavam pela gente…Quando chegamos em Paine Grande ainda era início da tarde. Fizemos o check in do camping e o atendente, falando em português, disse que banho quente só depois das 18h. “E o melhor lugar pra você montar a barraca é lá em cima perto da montanha, por causa do vento. Mas não pode ser dentro da corda, porque ali são as nossas barracas”. Chuva caindo, frio, eu procurando algum lugar pra montar a barraca e perto da montanha não tem nada que presta. Resolvi montar um pouco mais abaixo, entre os banheiros e a cozinha, onde pelo menos mais 5 barracas já estão montadas. A noite vai ser por aqui.n

Torres del Paine S01E05

Paso a Grey: 10km

Algumas coisas básicas que você precisa saber sobre Torres del Paine: faça as reservas que for precisar o quanto antes. Esteja preparado para o clima severo (ventos fortes, neve no verão, sol inclemente). Não confie na sinalização.

Tenho dito que um quilômetro chileno não mede mil metros, como no Brasil. Ele pode variar de 1200 a 1500 metros, dependendo da localização. Se a placa diz que a distância entre um abrigo e outro é de, digamos, 7 quilômetros (é o que diz o mapa do parque da distância entre Paso e Grey, por exemplo) isso pode ter, na verdade, uns 8 quilômetros ou dez. Nunca tem como saber com precisão.

Saímos do Paso mais tarde que o usual. Como o dia seria curto, ficamos enrolando na barraca até as 8, pra só começar a caminhar as 9. Diferente do mapa, a placa na saída do camping marcava 10 km até Grey. Outra, no meio do caminho, falava em 9 – nessa alguém riscou a numeração e escreveu “falso” abaixo. Confiamos num desenho feito em um pedaço de madeira no acampamento: 45 minutos até a primeira ponte, mais 1h30 até a segunda, 1h até a terceira, 45 minutos dali até Grey.

As pontes são, aliás, a verdadeira atração do setor. Suspensas a cerca de 20 metros do solo, dão um clima meio Indiana Jones à caminhada. De um lado a geleira, do outro a montanha, o vento forte soprando e você lá, cruzando aquela ponte, balançando a cada passo seu.

O Grey é o extremo oeste do Circuito W. Por causa disso foi difícil reservar um lugar pra dormir. Já em outubro o camping estava lotado. A solução foi passar a noite no refúgio em uma “cama armada”: cama com colchão e roupa de cama, travesseiro e edredom, em um quarto com duas beliches. Alê e eu ficamos em uma, um casal Franco-inglês na outra. Todo o conforto e privacidade que 80 dólares por pessoa (o dobro do preço dos ótimos hostels que ficamos em Puerto Natales e Punta Arenas) pode pagar.

Entrando no W esperamos encontrar a partir de amanhã à trilha cheia: até então só se podia caminhar no sentido que vínhamos fazendo, anti-horário. Agora não: além de mais popular, vai ter gente indo e vindo em qualquer direção. O mapa do Parque diz 11 km, 3,5 horas até Paine Grande, o próximo camping. Se vai ser isso mesmo a gente só vai saber ao chegar.

Torres del Paine S01E04

Los Perros a Paso: 8km

Paso. O trecho mais temido do Circuito O. A maior elevação. O pior terreno. O pesadelo de todos os hikers que fazem o circuito.

Confesso que estava apreensivo. Alê estava em pânico. O trecho, de (dizem) 8km (marquei mais de dez…) vai de 600 a 1200 metros de altitude em cerca de 5 km pra depois cair a 400 em uns três.

Pra mim foi como um dia qualquer na Appalachian Trail. A primeira parte da subida, por entre as árvores e riachos formados pelo desgelo, é chata. Não é difícil, nem tão bonita: só chata. Depois, em meio às pedras e com muito vento, começa a ficar interessante. Pegamos um dia bonito – a visibilidade era boa, dava pra ver bem as geleiras. “Tem dia que a gente não vê dois metros à frente”, me disse um Sherpa. (Sim, em Torres tem sherpas, como no Nepal. Você pode comprar o pacote e não levar sua barraca ou comida: eles levam tudo pra você).

A descida, apesar de íngrime, é tranquila, com escadas, corrimão ou cordas em vários pontos. O único porém é a distancia: mas aquilo não tem só 8km de jeito nenhum.

Agora, pergunte pra Ale a opinião dela sobre o dia e você vai ter uma opinião completamente distinta. Ela odiou. Achou cansativo, difícil, traumatizante. Na descida, então, quase entregou os pontos. Faltando poucos metros pro camping, não se conteve.

Paso, o camping, é o mais simples até agora. Administrado pelo próprio governo, é gratuito – e bastante concorrido-, mas não oferece nada: uma área pra cozinhar, uma fossa e 20 espaços pra montar barraca. Só. A turma que viaja com os sherpas não pode ficar aqui: pra eles é preciso seguir até Grey, mais umas 5 horas de caminhada. Se tivesse sozinho encararia fácil. Mas felizmente conseguimos a reserva aqui: Alê não conseguiria andar mais cem metros.

Torres del Paine S01E03

Dickson a Los Perros: 12 Km

A vida é feita de escolhas. E depois que elas feiras não adianta ficar se lamentando. Sua decisão já foi tomada, você escolheu aquilo que era o correto e o melhor pra você. Aproveite o momento.

Quando compramos as passagens e fizemos as reservas para o Torres del Paine, escolhi aquilo que achava que seria o melhor: um período não tão frio, não tão cheio, não tão chuvoso. Pra conciliar o tempo de chegada e retorno, a trilha ficou entre os dias 1 e 11 de março. Teoricamente um período ótimo.

Mas na semana passada, checando a previsão de tempo, ela só mostrava chuva para esse período. Sol até 28 de fevereiro e depois do dia 12. Entre 1 e 11 nem um dia limpo ou nublado. Chuva, todos os dias.

Paciência. Não havia nada que eu poderia fazer. Passagens estavam compradas, reservas feitas. Era encarar a chuva e ser feliz.

No primeiro dia, mesmo prevista, ela não apareceu. Ontem só veio na parte da tarde, mas veio pra ficar. Choveu à noite inteira e pela manhã também. Passamos a noite no refúgio – beliches, com colchão, confortáveis e quentes – mas saímos já molhados às 8h: nossos sapatos ficaram do lado de fora da casa e não secaram durante a noite.

Não fez diferença: com meia hora de caminhada não só os sapatos mas toda a roupa já estava encharcada. A chuva só foi dar uma trégua depois do almoço – pra voltar no final da tarde. Foi justamente no momento de estiagem que chegamos à melhor parte do trajeto: a vista para o Glaciar Los Perros.

Por causa da lama, o dia foi mais lento que o previsto. A distância também não parecia certa: na sinalização interna do Parque diz 10,5 km entre Dickson e Los Perros. No mapa impresso fala-se em 12km. A minha marcação deu 14km. O fato é que andando lento, desviando das poças e parando quando se tinha vontade saímos às 8h e chegamos às 14:30. Foi o tempo de montar a barraca, fazer o jantar e a chuva voltar a cair.

Alê parece que está bem. Curtindo, mas não amando. Cansada, mas não quebrada. Mas preocupada com amanhã, quando cortamos o Paso: a maior altitude da trilha. Mas preocupar pra quê? A decisão já foi tomada, já estamos aqui, agora é curtir o momento e encarar a subida logo cedo. Com ou sem chuva.

Torres del Paine S01E02

Serón a Dickson: 19 km

Para alguns acontecimentos de nossas vida nada resta a não ser agradecer por estar no lugar certo, na hora certa. Aquele show histórico de sua banda predileta, a vitória na final do campeonato do seu time do coração, o encontro inesperado com seu ídolo, esbarrar um dia em alguém e aquela pessoa se tornar o seu grande amor. Chame de sorte, privilégio, presente, milagre. Chame como queira, mas agradeça por estar ali, naquela hora.

Saímos hoje às 7:30 do acampamento Serón. Antes de nós só outros dois caminhantes. “Ah, mas eles são homens e não tem que ficar esperando a mulher se arrumar”, brincou a Ale. De Serón a Dickson são 19 km e aquele seria o primeiro desafio dela. Estava assustada com a distância. Ainda mais depois do dia de ontem. Mas hoje, mais leve e com o visual da manhã, foi mais tranquilo pra ela.

As primeiras quatro horas do dia foras aqueles que estou até agora agradecendo. Um arco-íris completo nos acompanhou por toda a manhã. Gigante no céu, deixava no chinelo a beleza dos lagos e montes da Patagônia. Às vezes vinha duplo, com dois arcos se sobrepondo, nascendo no lago e morrendo na montanha. “É um presente, né?”, disse a Alê. “Não, é só um fenômeno físico, porque o sol está forte já de manhã e tem uma chuvinha fina vindo, mas agradeço por estar aqui, agora. É lindo”, respondi.

E a chuva, meio que pra me mostrar minha indelicadeza, só aumentou. Foi crescendo, apagando do céu o arco-íris e a parte da tarde foi toda debaixo d’água.

Os 19 km de Serón a Dickson são divididos ao meio por um posto da Guarda Florestal Chilena. A primeira parte é incrível: lagos, árvores retorcidas, o Passo dos Ventos, onde é difícil ficar em pé e onde perdi meu boné (era seu destino: já o havia encontrado no meio da trilha na Appalachian Trail e agora alguém irá encontrá-lo em Torres del Paine, só pra perde-lo de novo em outra trilha) e quase perdi meus óculos. A segunda parte é monótona: plana, onde o único atrativo é a chegada ao belíssimo local do Refúgio Dickson. E tenho que confessar que minha percepção pode ter sido alterada pela presença do arco-íris por quase toda a primeira parte e pela chuva durante toda a segunda metade.

Além de cortar a trilha ao meio o posto da guarda também marca a entrada no parque de Torres del Paine. Todo o famoso Circuito W – que vai, em sentido anti-horário, de Paine Grande a Serón, incluindo as Torres em si e onde ficam a maioria dos turistas e estão os campings mais caros – é privado, operado pela Fantastic Sur. A outra metade é o parque federal, onde os refúgios são operados pela Concessionária Vértice. O próprio governo também mantém duas áreas de camping mais simples, sem refúgio, uma em cada metade do circuito, e que são gratuitos.

Parece confuso, e é. São três operadoras, e pra percorrer o Circuito O como estamos fazendo é preciso ter as reservas nos campings das três – ou pelo menos das duas empresas. Só que os sistemas não são integrados: você pode reservar em uma e quando for tentar a reserva na outra não ter mais vaga. Aí você não tem alternativa a não ser mudar os planos, porque sem reserva em todos os campings que você planeja ficar os guardas florestais simplesmente te mando embora, sem dó nem piedade. Quando a gente estava fazendo as reservas – ainda em outubro – não conseguíamos de jeito nenhum reserva em alguns dos campings. Por causa disso acabamos ficando em refúgios em alguns deles.

Essa é outra opção: você pode acampar, ou pode alugar uma barraca, ou pode ficar em um refúgio simples, ou no mesmo refúgio com um pouco mais de luxo, ou pode ter as alimentações inclusas… Você pode fazer o Circuito O gastando em média 50 reais por dia (acampanando) ou 500 reais por dia (ficando em refúgios, com cama feita e alimentação inclusa). A escolha é sua.

Torres del Paine S01E01

Laguna Amarga a Serón: 13 km

17:30. Ainda é dia e o sol vai demorar a se por. O dia escurece por volta das dez da noite. Apesar disso ela dorme profundamente. Não se importa com o grupo de garotas que conversa em espanhol na tenda ao lado. Não se importa com o barulho do pequeno gerador que alimenta a energia na casa que serve como recepção do camping. Mais que isso: não se importa com o vento que faz nossa barraca curvar completamente e faz com que o teto encoste no seu saco de dormir. Ela dorme profundamente, e deve continuar assim até a manhã.

O dia começou cedo. Acordamos às 5:30 e às 6:15 deixamos o ótimo Ameríndia Hostel (reservei pelo Booking.com e pagamos US$70 pelo quarto duplo, com banheiro compartilhado), em Puerto Natales, com destino à rodoviária. O café só seria servido às 6:30, mas havia combinado na noite anterior de deixaram preparado um kit pra viagem: um misto frio, alguns biscoitos, uma maçã verde, azeda e com a casca dura e sabor intenso. Foi isso o que prepararam: não o que eu pedi.

Caminhamos por meia até chegar ao terminal. Dali foram mais duas de ônibus (15000 pesos ida e volta) até a entrada do parque. O cenário é de tirar o fôlego, com lagos e as torres dominando a paisagem.

Na chegada à entrada principal, em Laguna Amarga, é preciso descer, preencher seu formulário de entrada, pagar a taxa (21000 pesos por pessoa), assistir a um vídeo do parque (não faça fogo ou você pode pegar 2 anos de cadeia e pagar 2 mil dólares de multa e se tiver incêndio são 5 anos e 6 mil dólares de multa, não alimente os animais, leave no trace e lembre-se: não faça fogo ou…) e só então pegar sua mochila e subir em outro o ônibus (mais 3000 pesos por pessoa), que vai te deixar no estacionamento. Dali começa a trilha.

A cotação atual do real para o peso chileno está em em 1 pra 190. Ou seja: a entrada do porque custa 110 reais, o ônibus de Puerto Natales ao parque ida e volta quase 80 e os 10 minutos da portaria ao estacionamento mais 15 golpes por pessoa. Sim, as coisas aqui na Patagônia são caras, e dentro do parque muito mais: 21 reais uma cerveja lager em lata, 100 um Casilero del Diablo, 120 um jantar. Por isso trouxemos nossa comida pros 11 dias de trilha. Isso significa que economizamos no bolso e ganhamos em peso. As mochilas estavam com 12 quilos a da Alê, quase 15 a minha.

“Estavam” porque faltando uns três quilômetros pra chegar ao acampamento a Ale arriou. Achei que não fosse querer continuar, mas ela é durona. Chorou de cansaço depois de 10 km entre Torres e Serón (e já tinha andado mais dois da pousada pra rodoviária). Coloquei na minha mochila a comida que estava na dela – uns 4 quilos – e chegamos ao acampamento no meio da tarde.

E agora, 17:30, ela já está dormindo profundamente, sem ligar pras rajadas de vento que quase levam ao chão a barraca.