Patagônia e Terra do Fogo

Já escrevi aqui o relato da viagem à Patagônia (mais precisamente a El Calafate e El Chaltén) e à Ushuaia, na Terra do Fogo argentina. Pois bem. Finalmente consegui terminar o vídeo. Assista e comente.

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It’s the End of World (as We Know It)

A primeira e mais importante coisa que você precisa saber a respeito de Ushuaia: aqui o tempo muda o tempo todo. Chuva, frio, vento, neve, sol, tudo pode acontecer no mesmo dia, quase sempre ao mesmo tempo. O que não muda nunca é o frio. Ou como diz uma piada local: em Ushuaia não é sempre assim. Existem um ou dois dias no ano onde ele dá uma trégua.

O que traz turistas de tudo quanto é lugar a este (literalmente) fim de mundo é justamente isso: o desejo ir o mais longe possível. Depois de Ushuaia só a Antártida, que está mais perto daqui do que El Calafate (aliás, se estiver pensando em fazer a viagem, este é o ponto de partida ideal. A partir de Ushuaia são 10 dias de passeio – três de ida, três de volta – e o pacote sai por volta de 4000 dólares, as vezes menos).

2012-04-07 10.50.57-1Capital da Província da Terra do Fogo (e das Malvinas, apesar da ilha ser inglesa), Ushuaia não passa de uma pequena cidade com poucos mais de 30 mil habitantes. Orientar-se por ela é fácil: ao sul está o porto e o Canal de Beagle, de onde saem os barcos. Ali também fica o aeroporto. Ao norte as montanhas sempre nevadas e o Glaciar Martial. Ao leste está a única estrada de acesso à cidade, que te leva a Tolhuin e dali a Rio Grande, através da Rodovia 3. E a oeste está o Parque Nacional do Fim do Mundo.

 

2012-04-07 11.39.38-1A primeira coisa a se fazer quando chegar na cidade é procurar o centro de informações na Av. Maipu, ao lado do porto. Com uma equipe atenciosa, eles irão te dar todas as informações necessárias para a sua viagem. Ali também é possível carimbar, gratuitamente, o seu passaporte com a estampa da cidade. É uma babagem, mas quem não quer ter o carimbo do fim do mundo no passaporte?

Ao lado do Centro de Informações saem os passeios mais procurados em Ushuaia: a navegação pelo Canal de Beagle. Com preços variando entre 200 e 385 pesos (R$90,00 a R$170,00) o que difere entre eles é o tempo e o destino do passeios. As mais baratas duram em torno de 2,5 horas e te levam exclusivamente ao Farol Les Eclaireurs e a duas pequenas ilhas, habitadas por lobos marinhos e aves locais. Com mais meia hora e 50 pesos é possível conseguir uma embarcação menor, chegar mais perto dos animais e ainda caminhar pelas Ilhas Bridges. Aumente outra meia hora e mais 50 pesos e os barcos te levam mais distante, até a Ilha H. Quer ver pinguins? Separe 5,5 horas e trezentos pesos e os barcos te levam até eles. Quer caminhar junto com as simpáticas aves? Então o seu pacote vai custar, além de 385 pesos, passeio de ônibus até a Fazenda Harbeton – a primeira na região; o ticket de entrada na fazenda e o passeio de barco, em total de 6 horas. Apesar disso a empresa que opera exclusivamente o circuito, a Piratour, não garante a visibilidade dos bichos, uma vez que no inverno as aves migram. Todos os passeios saem pela manhã e a tarde.

 

O segundo passeio obrigatório na cidade é a visita ao Parque Nacional. Também da Av. Maipu, a uma quadra do Centro de Informações, saem as vans que te levam ao Parque. O custo, ida e volta, é de 85 pesos (37 reais), além de 60 pesos de entada no Parque para brasileiros (R$26,00).

 

2012-04-03 16.53.11 HDR-1Por fim o terceiro passeio é ao Glaciar Martial. A partir do centro é possível pegar um taxi até a base da montanha (40 pesos) e dali acessar o ponto mais alto de teleférico (50 pesos). No inverno o local é ponto de esqui e no verão, caminhadas.

Com mais tempo é possível também visitar a cidade vizinha de Tolhuin e os lagos Escondido e Fagnano. Com mais tempo e disposição é possível fazer esse mesmo passeio em um 4×4 entre a vegetação e geleiras – conhecemos um brasileiro na viagem que fez e disse ser sensacional.

 

2012-04-08 11.57.14-1Fora os passeios, a cidade pouco reserva: uma rua principal chamada (adivinha?) San Martin, quase sempre engarrafada nos horários de pico; algumas poucas lojas de souviniers, outro tanto de artigos de inverno e alguns bons restaurantes que vale a pena visitar.

Ushuaia – Onde e O Que Comer

Ushuaia não é uma cidade barata – mas nem por isso você deve se privar de visitar os bons restaurantes da região. O destaque, aqui, são os frutos do mar, sobretudo a Centolla, ou caranguejo gigante. Presente em quase todos os cardápios, ela divide o posto de estrela local com a Merluza Negra (ou Sea Bass), um peixe de carne muito branca e saborosa. Some a isso o cordeiro e você tem a base de quase todos os restaurantes locais. O que difere entre eles é o cuidado na apresentação e o serviço. Mesmo os preços pouco diferem: tanto um quanto outro em torno de 100 pesos (45 reais) o prato.

No centro, o Almacén de Ramos Generales é o mais descontraído. Mais para wine bar que restaurante, serve também café da manhã e tem apresentações musicais às sextas. Vale a visita para ver a decoração descolada e tomar a cerveja local: a degustação, com três taças (trigo, Ale e Negra) custa 30 pesos.

2012-04-07 23.11.45Também na região central, o Maria Lola é despretencioso e quase sempre cheio. Tem bons pratos, carta de vinho decente e a melhor (e mais cara) merluza, acompanhada de centolla, polvo mexilhão. Um abuso.

Um pouco mais afastado, mas ainda acessível a pé – ele fica a 4 quadras da Avenida principal, no alto de um morro – o Kaupé é eleito por muitos o melhor da cidade, mas o que esbanja é mal gosto na decoração e pretensão na elaboração. O serviço é atencioso – as vezes até demais – mas os pratos não diferem dos outros citados aqui. De cardápio pequeno e enxuto, o destaque são os frutos do mar. Eu já disse que a decoração é um equívoco?

 

2012-04-07 21.19.32Para visitar o melhor restaurante da cidade é preciso ir de taxi. No caminho para o teleférico, o Chez Manu ganha dos concorrentes em tudo: atendimento na medida certa, pratos excepcionais, vista maravilhosa e decoração de bom gosto. Os 60 pesos extras do transporte valem a pena. Nossas entradas – uma sopa de cebola gratinada e um prato de frutos do mar defumados no próprio restaurante – estavam perfeitos. Os principais – uma centolla gratinada e um cordeiro cozido com vegetais por 8 horas – inesquecíveis. Vale a visita.

 

Na lista dos melhores restaurantes do fim do mundo faltou o pequeno Kalma, na Av. Antártida Argentina. Pequeno e discreto, mais dedicado à cozinha de autor, estava fechado para um evento no dia que escolhemos visitá-lo. Uma pena: na aparência parecia ir para o top 3 dos restaurantes de Ushuaia.

El Chaltén, a capital argentina da caminhada

A 220 km de El Calafate, na Patagônia, fica um dos segredos mais bem guardados da Argentina. A cidade mais jovem do país, inaugurada em 1984, é hoje a capital nacional do Trekking. Perdida entre o lago Viedma e as montanhas, El Chatén é um charme. Não espere mais que uma centena de casas, a maioria também hospedaria ou restaurantes. Afinal, a cidade tem menos de mil habitantes. No verão (no inverno cai pela metade). A infra-estrutura, era de se esperar, não é das melhores, mas tem melhorado. Banco ainda não tem, mas em todos os lugares é possível pagar com moeda estrangeira e em alguns poucos até cartão de crédito. Internet já chegou, mas apenas por satélite e nos dias de pouco vento, o que é raro.

2012-04-03 13.37.50-1O acesso até o local, a partir de El Calafate, é fácil. Existem 6 ônibus diários, ao custo de 90 pesos (cerca de 40 reais) o trecho. A viagem dura 3 horas. De carro basta pegar a mítica rodovia 40 em El Calafate – a mesma que vai para o aeroporto e segue até Bariloche – e depois a 23, que termina em El Chaltén. Toda asfaltada, com retas de perder de vista, a viagem de carro é tranquila e agradável e pode ser feita em pouco mais de 2 horas – ou em muito mais tempo, caso deseje parar em todos os bons locais para fotos.

2012-04-03 16.53.30 HDR-1Mas afinal, o que tem pra fazer em El Chaltén? Caminhadas, e isso é motivo suficiente para levar centenas de turistas, de todas as idades, à cidade. A maioria delas parte de uma das duas avenidas do lugar (ambas apenas a continuação da rodovia e cortadas, no total , por dez ruas). É sair da pousada, entrar em um dos senderos, e caminhar floresta a dentro. As opções vão de pequenos trechos de 45 minutos em cada sentido – onde se alcança, por exemplo, o Mirador de Los Condores, de onde se tem uma boa vista panorâmica do lugarejo – a outras que pode durar várias horas e exigir que você acampe. Para que tiver ainda mais ânimo e experiência é possível também escalar o Fitz Roy, também chamado, na língua dos povos locais, de El Chaltén.

 

Optamos por uma caminhada considerada leve: durante 8 horas andamos por diferentes trilhas. Conhecemos lagos (como a Laguna Capri), vimos diferentes tipos de vegetação, animais e pássaros (incluindo o Pica-Pau Gigante de cabeça vermelha) e ainda a bela vista da montanha e geleiras. É preciso disposição, mas o passeio é recompensador. No total são 15 as opções de caminhadas, todas dentro do Parque Nacional Los Glaciares, bem sinalizadas e gratuitas. Para quem ainda quiser mais é possível ainda acessar, de carro, o Lago do Deserto (a 37 km da cidade) ou fazer trekking sobre o gelo.

2012-04-06 13.32.18-1onde se podem comprar suprimentos para os passeios) e apenas um supermercado, também na avenida principal, a San Martin. Para comer melhor o asador parrilla Mi Viejo serve o onipresente Cordero Patagônico, mas o destaque é o Ritual del Fuego, um bistrô com bons pratos, preço justo e atendimento atencioso. Os também ficam na San Martin.

Gelo, frio e caminhadas

Antes de chegar ao fim do mundo, passei alguns dias no estado de Santa Cruz, na patagônia argentina. Confesso: foi um erro de programação de viagem que me fez vir aqui antes, e não depois. Então fica a dica: se planeja combinar Ushuaia e El Calafate numa mesma viagem faça nessa ordem. Ushuaia antes, Calafate depois. Isso porque os voos seguem normalmente nessa e a viagem no sentido horário vai ser mais vantajosa. Veja: eu comprei um ticket Buenos Aires / Calafate via Ushuaia, operado pela Lan. Depois comprei um ticket da Lada de Calafate a Ushuaia e de novo um ticket Lan Ushuaia / Buenos Aires, desta vez via Calafate. Se tivesse feito o contrário teria voado apenas no confortável A320 da companhia chilena e economizado por baixo uns 300 reais por pessoa. (Tenho, porém, minha justificativa: quando comprei a passagem a Calafate, este era o único destino que tinha certeza que queria visitar. O segundo destino poderia ser Bariloche ou Ushuaia. Prevaleceu o segundo…).

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Quem vai a El Calafate vai por um único motivo: o Glacial Perito Moreno. É isto que movimenta a pequena cidade, de menos de 20 mil habitantes. Tudo gira em torno do gelo. Por aqui, a única produção são geléias e licores de calafate, o fruto silvestre que dá nome a cidade. Nada em escala industrial, nenhuma produção agrícola. Isto se reflete nos preços: espere pagar 20% ou 30% mais em alimentos, hotéis e compras locais. O custo, acredite, vale a pena.

2012-04-03 09.59.09 HDRSe localizar pela cidade é simples. O aeroporto é a 23km do centro e um taxi até seu hotel vai custar 120 pesos (algo como 50 reais). Se tiver sorte de pegar o motorista Santiago, ainda ganha uma aula sobre a região. Ex-guia, ele desfila como uma metralhadora verbal informações e dados durante todo o caminho. A avenida principal da cidade é a Libertador San Martin. Ali estão os principais pontos de interesse: bancos, alguns restaurantes, supermercados, lojas. De um lado você tem os montes e do outro o belo Lago Argentino (o maior lago inteiramente nacional, com uma superfície de quase 1500 metros quadrados, diria o Santiago).

2012-04-01 08.36.49São várias as opções de hospedagem na cidade. De simples albergues e hostals a bons e luxuosos hotéis. Eu optei pelo confortável e incrivelmente bem localizado Design Suite. Afastado do centro, com uma vista deslumbrante do lago, o hotel oferece transfers e muito conforto, com piscina aquecida, sauna e academia. O preço foi convidativo: cerca de 180 a diária para duas pessoas.

 

2012-04-01 16.07.21-1Mas quem vem a Calafate, como disse, vem por causa do Glacial. E são várias as formas de conhecê-lo. A mais simples é de taxi. Localizado a cerca de 80km da cidade, o Parque Nacional, onde o Glacial está localizado, é facilmente acessado. Um taxista vai te cobrar algo como 400 pesos pela viagem. O acesso ao parque te custa outros 70 pesos, cerca de 30 reais. Com isso você poderá passear pelas passarelas e ver e ouvir, de longe, o incrível bloco de gelo. Sim, ver e ouvir. Mais que a visão daquele gigante glacial a sua frente, o mais surpreendente em Perito Moreno é o som que o glacial faz. De tempos em tempos, estrondos, como tiros de canhão, cortam o ambiente. Em algum lugar, no interior talvez, blocos de gelo se desprendem com frequência, e tudo o que você pode sentir é o som.

Se quiser um encontro mais íntimo com o gelo a operadora Hielo y Aventura oferece passeios sobre o glacial. No MiniTrekking são 45 minutos de caminhada sobre o gelo. Já o BigIce te leva mais longe e por mais de 3 horas sobre o glacial, em mais de 5 horas de caminhada. No total, são quase 12 horas de passeio, contando o transfer até o parque, passeio de barco e a caminhada. Ao custo de 770 pesos (cerca de 300 reais) o BigIce é para que tem ânimo e disposição.

2012-04-01 16.55.17 HDR-1Para El Calafate, 3 noites de hotel bem programado são suficientes. É o bastante para passear pela cidade e fazer seu passeio pelo Glacial, seja a versão mais simples ou a mais radical. Se tiver mais um ou dois dias livres, a sugestão é alugar um carro, pegar a estrada e dirigir os 220 km até a pequena El Chaltén. É o que estou fazendo amanhã. Até lá.

 

 


Informações Básicas:
Como chegar: Lan e Aerolineas Argentinas operam voos a partir de Buenos Aires. É possível combinar com voos de Ushuaia.
Na chegada: O aeroporto fica a 23 km do centro da cidade. Taxis do aeroporto ao centro custam 120 pesos (cerca de 60 reais). É caro: no caminho inverso é possível pagar em torno de 90 pesos (R$40,00).
O que fazer: O Glacial Perito Moreno é a maior atração da cidade. A visita pode ser feita de carro ou em excursões. Fica a 80km da cidade. O Lago Argentino também vale a visita.
Onde comer: La Lechuzza é uma rede de pizzaria e restaurantes presentes em toda a cidade, assim como os restaurantes Casimiro Abreu. Para uma tradicional comida caseira procure o El Cucharón.
Onde hospedar: Vários hotéis e albergues mais em conta estão próximos ao centro. Aqueles em torno do lago são mais caros – e nem todos oferecem tansporte regulares.
Quando ir: A alta temporada vai de junho a abril. Para caminhadas, prefira os meses do verão (novembro a março). Depois da semana santa a cidade fica às moscas.

Uma volta no Fim do Mundo (continua…)

Não é fácil chegar ao fim do mundo. Partindo da capital argentina, são três horas e meias de voo até Ushuaia, na Terra do Fogo, a auto-proclamada cidade mais ao sul do mundo (há dúvidas quanto ao título, dividido com uma colega chilena). Soma-se a isso as outras três do voo que partiu de São Paulo e o tempo no ar é o mesmo que uma viagem aos Estados Unidos. No meu caso específico, a viagem demorou mais de um dia.

Partiria de Belo Horizonte (acrescente aí mais uma hora no avião) as 10h30 com destino a Buenos Aires, com uma rápida conexão em São Paulo. Mas a Tam me informou dias antes do embarque que o voo havia sido cancelado e eu seria relocado em um voo mais cedo, às 6h02. O que implica, na melhor das hipóteses – check in feito pela Internet, para adiantar – chegar no Aeroporto de Confins as 5h. Isto é: acordar as 3h45, pegar um taxi as 4h15… Assim o fiz. Ainda dormindo no momento do despacho das malas, não vi que haviam sido etiquetas até o destino final e que o meu segundo bilhete, de São Paulo à capital argentina, continuava inalterado, com o voo programado para as 14h20. Não adiantou pedir, insistir, argumentar. De “se o senhor não tivesse despachado bagagem poderíamos adiantar seu voo com certeza” a “infelizmente os dois próximos voos estão com capacidade máxima de passageiro” passando por um “se mudássemos o senhor teríamos que recalcular todo o peso de carga da aeronave”, não houve desculpa que os funcionários da companhia me deram que me convencesse. A verdade era “não estou com saco para pedir pra buscar sua mala. Se quiser aguarde as próximas 7 horas aqui. E não ouse sair: terá que pagar uma nova taxa de embarque se fizer”. Sem uma lanchonete minimamente digna e sem alternativa, simplesmente esperei o tempo passar andando pelos corredores de Cumbica.

Em Buenos Aires a conexão, eu já esperava, seria mais complicada. Com o voo da Tam chegando em Ezeiza, o aeroporto internacional nos arredores da cidade, meu voo para Ushuaia sairia do Aeroparque, na região central. O que eu não esperava, entretanto, era uma paralização dos caminhoneiros argentinos, fazendo o trajeto, que normalmente é feito em 45 minutos, durar mais de três horas.

20120331-092822.jpgO voo da Lan com destino ao fim do mundo sairia no aprazível horário de 4h45 da manhã e chegaria a Ushuaia pouco depois das 8h. Meus planos , que era chegar em Buenos Aires ainda dia e descansar em um hotel até a hora do voo para chegar inteiro no meu destino final, foi substituído por horas no trânsito, entediado, cansado, com sede e com fome. No final, foram pouco mais de 2 horas de sono mal dormido.

Antes, contudo, um jantar merecido no El Federal, me fez relaxar e esquecer os problemas. O local, na Av. San Martin, próximo à praça do mesmo nome, sempre me passava despercebido. Preferia os vizinhos Dada e Filo. Eleito por algumas publicações como um dos 10 melhores restaurantes de Buenos Aires, resolvi experimentar o menu degustação do El Federal.

Com pratos que buscam expressar a culinária de várias regiões do país, o cardápio do lugar é no tamanho certo, com pouco mais de uma dúzia de opções entre entradas e principais. Na degustação são 6, começando por uma ótima empanada de queijo saltenha. Na sequência um bolinho de peixe do Rio Paraná e uma excelente sopa de milho preparam o paladar para dois pratos principais: a merluza negra, pouco temperada e, no outro extremo, um cordeiro patagônico cozido no Malbec, com sabores agudos e marcantes. Todos os pratos, incluindo o mix de sobremesas que fecha o menu, grandes o suficiente para serem divididos por duas pessoas.

 

2012-04-07 11.40.53-1O menu, com preço fixo de 250 pesos (aproximadamente 110 reais) serve ainda duas taças de vinho, branco ou tinto, o que faz dele uma boa opção para compartilhar. Se é realmente um dos melhores restaurantes da capital? Não na minha opinião.

De Buenos Aires ao Salar de Uyuni

De Buenos Aires o ideal é ir a Salta, no norte. Fomos de ônibus, viajando durante a noite (e parte do dia). A viagem dura em torno de 20 horas. Como são confortáveis, a viagem não é tão desgastante. Os ônibus saem do Retiro e existem as categorias semicama (o que seria o nosso semileito, só que mais confortável, com refeições inclusas e que custa em torno de 450 pesos argentinos) ou cama ejecutivo, onde a cama deita 180 graus, também tem refeições e custa em torno de 550 pesos argentinos.

 

Salta é uma cidade de vale a visita. A praça central é um charme e dali é possível visitar outras cidades na divisa com a Bolívia, como Pumamarca e a montanha das sete cores. Aproveite também para visitar as vinículas, sobretudo as de vinhos Torrontes. São dois os vinhos e regiões símbolos da Argentina: Mendoza e os encorpados e vermelhos Malbec e Salta e os brancos e frutados Torrontes.
De Salta ao Salar de Uyuni também fomos de ônibus. Até a divisa é tranquilo, confortável, no patrão argentino. Passou a fronteira é estrada de terra, ônibus capenga, aventura mochileira. É divertido. Pegue um ônibus até La Quiaca (a cidade no lado argentino) e cruze a fronteira a pé para Villazon, a cidade boliviana na divisa dos dois países.
De Villazon existem trens até Uyuni, mas são sempre concorridos e não conseguimos passagens. Não saem todos os dias, apenas segunda, quarta, quinta e sábado. A saída é as 15h30 (atenção porque tem uma hora de diferença do horário da Argentina para a Bolívia) e a chegada é tarde da noite. Se for segunda ou quinta o trem é chamado de Expresso Del Sur e chega as 23h50. Quarta e sábado o trem é o Waka Waka del Sur e chega 1h30. As passagens custam em torno de 20 dólares americanos a melhor classe (a metade na mais barata, mas não vale a pena). Se quiser aventurar a comprar a passagem online o site é http://www.fca.com.bo/. Não deixe pra comprar na hora (nem na semana): é quase certo que não vai conseguir.
Se não rolar, como aconteceu com a gente, o jeito é pegar um dos ônibus sofridos no terminal de Villazon. Saem as 18h mas não tem direto a Uyuni. São duas opções: ou você pega um até Atocha e de outro, no dia seguinte, para Uyuni. Ou pega o das 20h para Potosi e de lá para Uyuni. Como fiz a viagem em 2009 não lembro os preços e tempos direito, mas lembro que era barato e demorado. As estradas são todas de terra, esburacadas e a viagem parece demorar uma eternidade.
Em Uyuni o melhor é pegar um passeio que vá ao salar logo pela manhã, para ver o sol nascer. Nada é caro por lá: com “Uan dóla” você compra qualquer coisa, hotéis são econômicos mas não espere muito conforto. Os passeios normalmente incluem uma noite em um hotel de sal, perto ou dentro do salar e o passeio em 4×4 pela reserva.
Existe outra forma de chegar ao salar pelo Chile, cruzando o Atacama, mas este caminho eu não conheço. Uyuni, a cidade, não tem nada: uma vilazinha do interior cheia de turistas do mundo inteiro, muitos mochileiros europeus, todo mundo esperando a chegada ou saída dos trens.
De Uyuni pegamos outro ônibus até a capital, La Paz e de lá fomos a Copacabana, que é bacana. Atravessamos o lago, fomos para Cuzco e Machu Pichu e de lá, também de ônibus, chegamos a Lima. Mas isso já é outra história…
No FLickr tem um álbum com fotos de Salta e outro da Bolívia. Veja lá!

A primeira vez em Buenos Aires

Lembro exatamente minha primeira vez em Buenos Aires: em 1996, voltando de um giro de 40 dias pela Europa, emendado com uma semana em New York. Fiz JFK/Ezeiza e cheguei tão cansado que desisti de ver a cidade…

A segunda vez foi muito tempo depois, em 200X (e seis? e sete? quando foi isso? tenho que pesquisar. a memória já não funciona tão bem…).

Isso tudo pra contar que antes dessa viagem fiz um guia, similar ao que fiz pra minha viagem recente pra Rússia. Nem me lembrava, até que a Alê me mostrou uma versão impressa e hoje encontrei o arquivo, que subi pro Slideshare.

Algumas informações devem estar desatualizadas. Melhor checar o que publiquei aqui recentemente. Mas pra marinheiro de primeira viagem, ainda deve valer a pena. Pra fazer o download é só ir por link da apresentação no Slideshare.