Pacific Crest Trail S01E83

Dia 83 | Oregon Challenge Day 15

43 km hoje | 2756 km total

Timberline Lodge

Amigos cinéfilos: conseguem identificar o prédio da foto principal? Conto qual é no final…

Eu estava pegando água no rio quando o Pan Piper chegou. Eu o havia chamado antes de Bag Piper, gaita de foles, e tinha achado estranho o nome com referências escocesas já que ele é espanhol. Mas na conversa ele explicou: Pan Piper é o Flautista de Hamelin, e ele traz uma flauta doce contigo. Ainda não o (ou)vi tocar, mas pelas nossas conversas ele curte jazz, be bop, então até que pode ser bom…

Ele cruzou a pontezinha, eu estava do outro lado. Não o via desde Crater Late. A gente acabou andando junto dia todo batendo papo, subindo as dunas que circundam o Mount Hood, ou Wy’east, como é chamado pelos nativos. A montanha é linda e impressiona. Ainda com neve, é o último ponto realmente alto que a PCT cruza no Oregon. A trilha passa ao lado dele, separada da montanha por cânions e um rio de desgelo.

A gente subia focado em uma coisa: Timberline Lodge, o hotel e estação de esqui aos pés da montanha onde a gente iria tomar café da manhã no dia seguinte.

Paramos para almoçar por volta do meio dia e

Ali fiquei um tempo papeando com a Caroline, uma section Hiker (está fazendo apenas o estado do Oregon) sobre como é fazer a trilha depois dos cinquenta, um tema que queria ter me aprofundado.

Foi acabar o almoço, andar dez minutos e dar de cara com outro trail Magic. “Querem uma cerveja, um cachorro quente?”. Claro que sim. Não é porque eu almocei que não posso comer mais… Posso pegar esse muffin também? E outra cerveja? Vou pegar um root beer. E um pedaço de melancia… “O que você quiser! Qual o seu nome?” Speedy Gonzalez. “Olha, alguém falou de você aqui hoje…”

Eram o Double Double e o Sweet Potato, que haviam passado lá mais cedo. Disseram que eu iria chegar lá a qualquer momento. Não estavam errados.

O camping da PCT fica estrategicamente localizado atrás do lodge. São duzentos metros, talvez menos, do hotel. Chegamos, montamos a barraca, e fomos lá comer uma

Pizza. Depois da noite em Etna, onde fui pro bar todo imundo e carregando a toalha, já não ligo pra nada. Então entrar naquele hotel chique fedendo a suor e com os pés sujos de terra não me incomodou em nada. Porque deveria?

Passamos pelo restaurante, entramos pela área de serviço e chegamos ao Blue Ox, o bar do lugar, que estava lotado. Sentamos no bar e do nosso lado estavam Double Double e Sweet Potato. Ficamos ali tomando cerveja, comendo pizza e tentando armar de ir ao PCT Trail Days com eles, já que o pai do Sweet Potato vai pega-lós na trilha, levá-lo ao festival e depois de volta à Sierra Nevada. Era tentador…

Voltei pro camping e fiquei de novo olhando pro Timberline Lodge. Era incrível estar ali. Depois de passar por Vasquez Rocks, onde Planeta dos Macacos e Star Trek, dentre outros, haviam sido feitos, eu estava não no Oregon, mas no Colorado, no Overlook Hotel, onde Kubrick fez o Iluminado. Durante a noite luzes vinham do lodge direto na minha cara, o vento sacudia minha barraca e confesso dormi com uma ponta de ansiedade. Não pelo hotel em si: mas pelo que me esperava pela manhã.

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