A trilha da trilha: Propellerheads – Take California

A Leninha, minha irmã logo acima de mim em termos de idade, é corredora. Desde que me entendo por gente ela corre. Na maioria das vezes corridas rústicas de 5, 10, 15, 21 km. Tem uma corrida ela vai – e quase sempre peg pódio, a danada. Ela não é muito de correr maratonas, prefere as corridas menores. Mas eu lembro de uma vez que ela correu uma. A primeira. Faz muitos anos, mas eu ainda lembro da conversa. Ela me contava que depois de um determinado momento “você sente como se o osso do seu pé batesse direto no chão”, ela me dizia.

Por causa da Leninha eu comecei a correr (e a fazer e gostar de um tanto de outras coisas). Na adolescência corri algumas menores, ganhei uma medalha que não sei onde foi parar, mas não continuei. Voltei a correr “depois de velho”, e algumas meia-maratonas. Quarenta e dois quilômetros cento de noventa e cinco metros eu nunca fiz correndo. Mas hoje eu fiz andando. E quando cheguei no camping lembrei da minha irmã. Porque eu sentia como se o osso do meu pé batesse direto no chão.

Parte da culpa dos meus pés estarem sentindo tanto é que já andei mais de mil quilômetros com os tênis que estou usando. Por melhor que sejam, chega uma hora que não aguentam mais. O solado tá gasto, quase furando. A palmilha está achatada. Meus pés estão inchados de tanto andar e parece que estão crescendo ainda mais – meu número de sapato americano era 8.5 mas na Appalachian Trail meus tênis eram 9, depois 9.5 e finalmente 10, que é o número desse.

Tenho um par novo me esperando em Kennedy Meadows, onde chego amanhã. Pedi o 10, mas tô achando que vai ficar pequeno.

A trilha de resumiu a uma grande subida logo cedo – onde a gente acampou na metade do morro – e uma descida até onde tinha água. Cheguei ali pouco depois das onze. Change já estava por lá, junto com outros caminhantes. Break Away já tinha seguido caminho.

Tirei um longo descanso depois de comer só às quatro comecei a subir o segundo morro, para então descer pro camping.

Quando cruzava a estrada, logo depois da água, vejo o recado do BA na terra indicando pra deveria ir.

Amanhã o dia será mais curso: uma subida, uma descida e chego à Kennedy Meadows, o fim do deserto. Tudo bem que a subida tem dez quilômetros e oitocentos metros de elevação. É o último dia do deserto: amanhã à noite posso colocar meus pés pra descansar por uns dias.

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