A trilha da trilha: Squarepusher – Aqueduct

Acordei com o nascer do sol mais bonito da minha vida. Talvez por esse motivo eu estava tão emotivo pela manhã. Tentei ouvir o Podcast “Desert Island”, da BBC, onde a/o entrevista/o seleciona oito discos que levaria para uma ilha deserta, alguém escolhe Nina Simone, ela começa a cantar e eu caio no choro enquanto caminho. Resolvi mudar para Radio Ambulante, um podcast em espanhol sobre a América Latina, o tema é a Venezuela e as pessoas que, ao contrário de mim, precisam sair dali caminhando não por diversão ou opção mas porque não existe outra forma senão andar por dias até outro país, e caio no choro de novo. Resolvo não ouvir nada, apesar da trilha estar monótona e o dia quente.

Eu não iria parar pra ver o urso morto (pr quê?) e só me restava andar, tomar uma gole de água, limpar o suor, tomar mais um gole água, limpar as lágrimas e andar de novo.

A programação era ir até Hiker Town (um hostel montando como uma cidade do velho oeste). Mas quase chegando lá encontro com Tyler e Ed e decidimos pegar uma carona e ir até WeeVill, uma lanchonete algumas milhas mais longe mas com uma reputação melhor no aplicativo.

É um lugar simples, uma loja de conveniências com um puxadinho do lado onde os caminhantes podem ficar. Como vendem um double bacon burger barato ($8.99) e cerveja, atrai muita gente: era pelo menos meia centena de gente por ali. Todos comendo, bebendo e esperando o sol se por para encarar o aqueduto: um trecho de 27 quilômetros plano e fácil, mas sem sobras ou água.

Saímos todos as sete da noite, mas as coisas não saíram como planejado: Lost Boy resolveu fazer ali o desafio 24x24x24 (24 milhas em 24 horas tomando 24 cervejas) e tombou faltando 7 cervejas e pelo menos 10 milhas. Tyler ficou com ele pra ajudar. Mantis parou para um descanso faltando algumas milhas e não o vimos mais. Ed chegou na milha final esbugalhado, assim como eu e Brake Away, o coreano que está caminhando esses dias com a gente. Como nosso grupo ia no pelotão de frente não vi, até pela manhã, os outros mais de quarenta caminhantes da madrugada.

O trecho é longo e monótono. E depois de quase 60 quilômetros no dia você está um bagaço. À meia noite foi chegar, montar a barraca e apagar, pra acordar com o sol já quente às seis. Objetivo do dia é chegar à estrada para Tehachapi.

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