A trilha da trilha: The Mountain Goats – Birth of Serpents

Super Vegan Hiker foi gentil o suficiente pra pegar a gente no albergue as 9 da manhã e levar-nos de volta a trilha. Nos deixou por volta de 9:20 onde tínhamos pegado carona no dia anterior e seguimos. Austin disparou na frente e Ed ficou pra trás, depois de ter quebrado seus óculos de sol num abraço apertado no casal de australianos que encontramos e não víamos desde antes de começarmos a trilha. Eu e Tyler seguimos juntos quase todo o dia.

Havíamos programado 30 quilômetros pro dia, divididos em duas etapas, os dois únicos lugares onde teríamos água. Quando chegamos ao Caribou Creek, na metade do caminho, reencontramos os quatro (Sydney havia começado mais cedo e planejava fazer em torno de 40 km). Austin já estava de partida e avisou: “acho que vou andar um pouco mais. Quero ver se faço 50 km hoje. A gente de encontra amanhã nas termas”.

“Hike your own hike”, faça seu caminho, é o que diz o ditado. Mas não vejo porque se testar tanto nesse início. A trilha é tranquila, andar muito é super possível, mas não tem necessidade. Chegar cedo em Sierra Nevada pode significar não conseguir completar. Mantendo a média de 20 milhas, 32 km por dia, chegamos por lá no final de junho, um bom período pra cruzar. Mesmo que no momento nossa média esteja mais baixa – em torno de 29 km por dia, é fácil tirar o atrasado até chegar lá sem se matar…

Vinha na frente conversando com Tyler essas coisas quando vou dar um passo e escuto o aviso. O chocalho da cascavel é alto, impossível não ouvir. Dei um passo pra trás, soltei um palavrão qualquer e a danada saiu da lateral esquerda da trilha e cruzou pro outro lado. Tyler e eu ficamos lá vendo aquele comboio cruzar nosso caminho, meio fascinados, meio assustados com o bicho. Lost Boy e Ed vinham atrás e ficaram lá com a gente meio sem saber se já era seguro continuar ou não.

Chegamos no camping ainda cedo, às quatro da tarde, mas achamos melhor não continuar. Ed, Tyler e eu ficamos ali batendo papo, comendo e vendo o por do sol. Os hikers iam passando, a gente dava um oi, conversava com quem já tínhamos encontrado, desejava “a good one” pra todos e voltava pra conversa. O carinha que faz o ótimo Halfway Anywhere passou, bateu um papo com a gente, falamos das trilhas no Brasil (ele morou no Rio) e também seguiu. E a gente lá, na conversa até tarde.

Amanhã serão 40 km com recompensa: uma parada nas águas termais do Deep Creek Hot Springs, chamado pelo aplicativo que estou usando como “um destino popular para caminhantes e locais, conhecido por ser uma parada obrigatória para tomar um banho nas águas quentes, onde usar roupas é opcional”. O dia promete.

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