Appalachian Trail S01E90

Dia 90, 13/07: Mt Algo Shelter (1467.0) a Pine Swamp Brook Shelter (1483.3)

Distância do dia:  16.3 milhas | 26,23 km

Distância total: 1483.3 + 8.8 milhas | 2401,30 km

Distância que falta: 705.5 milhas | 1135,39 km

No A Walk in the Woods, o livro do Bill Bryson, o autor passa um bom tempo relatando como as castanheiras americanas estão praticamente extintas. Pois hoje encontrei um sujeito que está fazendo a trilha e contando quantas castanheiras americanas ele encontra pelo caminho. Não vale a castanheira japonesa. Só a tradicional. “Da Georgia até aqui eu achei umas 130 árvores adultas, que são as que tem um tronco de mais de 20 cm de diâmetro. Nesse tamanho elas já conseguem se reproduzir. Tem muitas ainda jovens. E quando acho uma realmente grande eu faço um relatório. Aquela ali, por exemplo. Certamente ela é de antes da praga de 1910. A raiz ficou enterrada e ela renasceu depois disso. Tá vendo aquele galho seco do lado? Aquilo é da planta original”, diz ele apontando pras árvores atrás do shelter. Eu olhava, reparava, e todas as árvores pra mim pareciam iguais…

Mas a conversa era fascinante. A única coisa que eu vejo durante o dia todo são árvores. Nem sem quantas eu vejo por dia. 5 mil por dia? 20 mil? 50 mil?? Não faço ideia. E o cara sai contando um tipo especifico, que estava virtualmente extinta desde a primeira metade do século passado. 130 árvores em 2400 km não é nada. Quase uma árvore a cada 200 km. E uma árvore fêmea preciso de um com frutos machos a menos de 200 metros -metros!- pra germinar… Só pra você ter uma ideia, a American Chestnut Foundation estima que no final do século XIX existiam 4 bilhões dessa árvores, que atingiam 3 metros de diâmetro e 30 de altura.

O dia começou com uma passada pela cidadezinha de Kent. O básico: supermercado, lavanderia, Wi-Fi. Essa era a prioridade: gravar o podcast, que já estava atrasado. Sentei na porta da biblioteca, ainda fechada, e conversei dali com o Elias. Foi ótimo, como sempre. E o Elias sempre tem a manhã de tocar em um pontos que me emocionam. Acho que chorei em todos os programas até agora… Na verdade, na história do Max Factor ou no caso da dona que me deu 20 dólares, eu choro de lembrar. Várias vezes na trilha eu lembro dessas histórias e começo a chorar. Já sou normalmente emotivo e aqui, cansado, com saudade de todo mundo, o choro tem sido uma constante.

A trilha foi relativamente fácil, com alguns sobe e desce e uma longa seção às margens de um rio. Plano, bonito, e só não foi perfeito porque os mosquitos estão de matar. Pra não ouvir os zumbidos tenho andado ouvindo música. E pra espantar os chatos que ficam voando na frente da sua cara, a bandana fica de lá pra cá o tempo todo.

A chuva no final da tarde não só aliviou o calor – eu já tinha parado duas vezes pra torcer a minha camisa, e cada vez deve ter saído um copo de suor – como também espantou os mosquitos. Ela só foi parar quando eu estava chegando no abrigo. Wash Bear me esperava. Entreguei a ele uma cerveja que vinha carregando durante todo o dia. “Obrigado por ontem”, eu disse. Brindamos aos meus três meses de caminhada. Saúde!
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