Appalachian Trail S01E88

Dia 88, 11/07: Shenandoah Tenting Area (1427.7) a Appalachian Trail RR Station (1448.9)

Distância do dia:  21.2 milhas | 34,11 km

Distância total: 1448.9 + 8.8 milhas | 2345,45 km

Distância que falta: 740.9 milhas | 1192,36  km

A prova que durante a Appalachian Trail você nunca está muito longe da civilização é que tem uma estação de trem com esse nome. Que te leva direto pra Central Station, em New York City…


Foi do lado dessa estação, entre a linha do trem e a movimentada NY22, que resolvi passar a noite. Não que eu quisesse: minha ideia era andar mais cinco milhas e chegar no shelter, mas eu simplesmente não dei conta. Cansado, mochila pesada, a promessa de bons sanduíches e cerveja no lugar me fez parar antes.


Saí do camping cedo, por volta das seis. No jantar ouvi o povo comentando da ausência de água do trecho e da falta de opção de acampar. Um dos grupos iria pra Prawling, a cidade perto daqui, que deixa acampar na praça. O segundo, menor, também veio pra cá.

Nunca estive tanto no meio da bolha. Além do pessoal indo pro norte estão comecando a aparecer os southbounders, o povo que começou no Maine e está indo pra Georgia.


Quando parei no primeiro dos shelters que passei durante o dia ainda não eram onze horas mas resolvi almoçar pra aliviar um pouco o peso da mochila. Quando pego a caixa do couscous vejo que comprei quinoa… Ótimo, se não demorasse meia hora pra ficar pronto. E no tempo que fiquei ali passou bem uma dúzia de outros hikers pelo lugar. O último deles, quando eu já estava de saída, foi o Wash Bear. “Como você chegou aqui?”, ele perguntou. “Eu vim de trem”, brinquei. Comentei que quase fui pro shelter da pizza, mas que achei que fosse estar lotado.


Saí e não demorou muito ele passou por mim. “Tem um lugar com banho de graça na rodovia. Fecha as cinco”, ele comentou. Na rodovia nem passei pelo banho. Fui direto pro lugar onde iria passar a noite. Estava cansado e com fome.


Montei minha barraca, fui na Deli ao lado, comprei o maior sanduíche italiano do lugar, duas cervejas, sentei em uma mesa e o Wash Bear chega. “Toma. Bebe uma cerveja. Depois você me paga”, disse, extendendo a lata pra ele. A fome era tanta que quando terminei o sanduíche cozinhei dois miojos, bem a tempo do Wash Bear me pagar a cerveja.


O local ficou cheio rápido, com a chegada de um dos grupos e dos rednecks. Eles parecem personagens de comédia: três caras com caras engraçadas, um baixinho, um alto e forte, e um magrelo, meio vesgo, que lembra o Visconde de Sabugosa. “Já encontrou com esses caras?”, perguntou o Wash Bear. Eu já os tinha visto uma ou duas vezes. “Eles andam tipo 30 milhas por dia. Quando chegam num lugar que vende cerveja bebem todas e ficam ali uns dois ou três dias…”


E foi assim. No tempo que tomei três latinhas o grandão bebeu duas garrafas de 600 e começou a detonar um six-pack, que não demorou de acabar. Os outros não ficam atrás, bebendo, mascando fumo e.ouvindo country music numa caixinha de som. Quando fui deitar – depois de tomar um pote de sorvete – eles ainda estavam lá.

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