Appalachian Trail S01E43

Dia 43, 27/05: Norte de Helveys Mill Sherter (593.3) a Wapiti Shelter (616.5)

Distância do dia: 23.2 milhas |  37,33 km

Distância total: 625.5 milhas | 1006,32 km

Tô fazendo tanta confusão com esses dias e distâncias que nem mais sei que dia estou. No Saint Luke Hostel eu corrigi a contagem​ dos dias porque botei na cabeça que estava errado. Mas não. Os dias estavam certos. Quem estava errado era eu. Então hoje foi o 43° dia mesmo, já que comecei no dia 15 de abril. É isso mesmo né? Vou refazer as datas nos posts anteriores…

Outra coisa é a contagem dos quilômetros. Na distância total lá em cima eu já passei dos mil. Mas isso porque ali eu cobro a trilha de aproximação, que são pouco mais de 14 km. Na contagem da Appalachian Trail ela não conta. Então estou na verdade na milha 626.5 ou quilômetro 992,15. Deu pra entender? Passo os mil quilômetros da AT amanhã de manhã.

O dia foi daqueles chatos, mas tão chatos, que fiquei pensando em coisas pra poder escrever e encher linguiça, porque senão seria só reclamação. Uma era essa correção dos dias e quilômetros. Outra era contar como funcionam as trilhas por aqui. Em todos os pontos próximos a estradas ou rodovias – as principais, normalmente não nas estradas secundárias e de terra – existe um painel de informações para os caminhantes. Coisas como o que fazer se você ficar perdido, os telefones da polícia florestal ou dos responsáveis por aquele trecho, como se portar se encontrar animais como ursos ou cobras e dicas sobre a política de Leave No Trace, Não Deixe Rastros. Além disso os painéis tem cópias de documentos que comprovam que aquela área é uma área de Wilderness, uma reserva  selvagem que pode ser visitada pelo público. Outra coisa que existe nessas “entradas” são caixas de registro como essa aí da foto. Dentro da caixa um caderno e um lápis ou caneta onde quem passou ali deixa seu nome e a data. O mesmo acontece nos abrigos. E ali as pessoas deixam dicas e recados pra quem chegar depois. Eu, por exemplo, vinha acompanhando a Amanda por esses livros, e via que ela recentemente estava um dia na minha frente. Nesse abrigo que estou acampado tem informações sobre uma cobra preta que mora por aqui. “Ela é gente boa, deixa o abrigo livre de ratos. Cuide bem dela”, dizia alguém…

O dia foi chato não por causa de subidas e descidas, mas por causa da lama. Muita, todo o tempo, te obrigado a andar com cuidado. Leveiru primeiro tombo, se gravidade. Em alguns trechos o pessoal tenta ajudar colocando galhos ou pedras, mas nem sempre é possível. E a lama certamente estava pior por causa da chuva que caiu durante a semana – hoje felizmente fez sol – mas isso era só um detalhe. A região é quase um pântano, com água brotando por todo lado. Então a lama é parte do ambiente.

A cachoeira que existe no meio do caminho ajudou pra aliviar um pouco a tensão nos pés. Foi bom tirar os tênis e deixar a água gelada bater nos pés doídos. Passar a marca das 600 milhas também. Cada março desses é a certeza que o final está um pouco menos longe…

Com todo o barro, lugar pra acampar é mais difícil e a ideia era ficar perto do abrigo. Quando chego, lá pelas cinco, a primeira coisa que vejo é uma mochila branca na mesa de piquenique. “G.I.Jane! Pensei que só fosse te ver amanhã!” G.I.Jane é a Amanda. Ela ganhou o trail name não só porque raspou os cabelos mas também porque é durona: tá com os joelhos detonados, além de cabelos, mas continua firme. “Menina, vinha pensando que não tinha nada sobre o que escrever hoje e aqui está você! Já tenho assunto. The trail provides!”

Daí a pouco a dona do lugar aparece. A cobra cruza por trás do abrigo e se abriga debaixo dele. 

Ficamos batendo papo e montando as barracas até que chegam mais dois hikers. “Speedy Gonzalez!” Era o Dancing Bear. “Conseguiu chegar a tempo em Bland? Eu cheguei lá às quatro. Você deve ter chegado às três…” Eu tinha chegado às duas…

Mais gente vai chegando e o shelter vira a sala de encontro a que é. “Quanto falta pro próximo hostel? Em qual shelter você ficou noite passada? Quantas milhas fez hoje? Onde vai ficar amanhã?” As perguntas são as mesmas, os personagens mudam dia a dia. Mas alguns acabam se tornando frequentes.



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