Appalachian Trail S01E38

Dia 38, 22/05: USFS 89, Whitehouse Mtn Rd (490.8) a Fox Creek, VA603 (510.9)

Distância do dia: 20.1 milhas | 32,35 km

Distância total: 519.7 milhas | 836,37 km


Dia difícil e complicado. Mas mesmo isso não impediu que fosse um dos dias mais bonitos desde o início da trilha.


Durante o Trail Days, quando o pessoal me perguntava onde eu estava na trilha – a pergunta que todo mundo faz – eu respondia que estava “por aqui” ou “aqui perto de Damascus”. A pergunta que vinha depois era sempre “já passou Mountain Rogers? Bonito né?” Eu não tinha passado. Só passei hoje. E do pouco que deu pra ver é bonito sim.


Ontem, desde o final do dia, quando parei pra acampar, que uma neblina grossa encobria o acampamento. Ele continuou pela madrugada e trouxe vento e chuva. Acordei às 4:40 com o telefone. Não, ele não tocou: caiu na minha cabeça, porque o tinha colocado no bolso que fica na parte de cima da barraca e o vento sacudiu tanto que ele caiu na minha testa…

Pela manhã a chuva e o vento tinham diminuído mas a neblina continuava. Saí por volta das 8:30 e durante toda a manhã ficou assim. Quando passei pela trilha que dá acesso ao Mountain Rogers, o ponto mais alto da Virgínia, já devia ser meio dia, mas não se via um metro à frente. Nem me dei ao trabalho de subir. Mas o que veio depois já compensou.


Depois dali o tempo abriu, mas pra mim aí que as coisas começaram a ficam ao mesmo tempo mais bonitas e mais complicadas. Passando o Thomas Knob Shelter a trilha entra no Parque Estadual de Grayson Highlands. A impressão que tive a partir do momento que entrei no parque foi que fiquei em ziguezague pelas próximas seis horas. O roteiro era sempre igual: pasto, cerca, pedras, água correndo entre elas, desce desce desce até uma cerca. Depois dela tem um pasto, outra cerca, pedras, água correndo por entre elas, sobe sobe sobe até chegar em outra.cerca. E repete isso umas quatro vezes.


O parque tem, além da Appalachian Trail, trilhas que podem ser feitas  e a cavalo (na AT, você já sabe, só a pé…) Foi o lugar mais “selvagem” até agora. Natureza intocável, tudo bonito e rude. Muita água, muita nascente, muito riacho. Difícil de andar: você precisa ir medindo cada passo. É pau, é pedra, é nada do fim do caminho…

Até que você desce mais uma pedreira (você passa entre duas pedras que são gentilmente conhecidas como Fatman Squeezer…), chega em outro pasto e ele é cheio de pôneis! Pôneis​ selvagens! (Dizem. Com o tanto de pasto que você passa é difícil acreditar) E segue subindo, e descendo, e se molhando na água ou enfiando o pé na lama – no sentido literal, o que é pior… – e o dia não termina.


Poderia ter parado em um dos abrigos, mas queria vir até a beira da estrada, porque amanhã já começo o dia com uma subida e serão de novo 20 milhas até o Partnership Shelter. Não gosto de ficar em abrigos, mas nesse eu preciso: tem um Telepizza que entrega nele 😀


E nesse acampamento que estou está rolando um mega Trail Magic. O maior que já vi, com cerveja e churrasco. Mas tô tão cansado que passei batido. Achei o canto mais afastado, cozinhei o meu arroz, comi aqui quietinho e estou pronto pra entrar no saco de dormir…


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