Appalachian Trail S01E21

Dia 21, 05/05: Meadow (320.0) a Erwin (342.7) Distância oficial: 22.7 milhas. Minha marcação: 40,2 km, 67.641 passos, 309 andares. Distância Total Oficial: 565,68 km

Em 2009 Mark Sanford, então governador da Carolina do Sul, desapareceu por uma semana. Nem sua esposa nem sua equipe, incluindo seus seguranças, sabiam do paradeiro do político. Entre os dias 18 e 24 de junho daquele ano Sanford não respondeu e-mails, seus telefones estavam desligados e o desaparecimento tomou a imprensa americana. Quando apareceu Seu Sanford disse que estavam “hiking the Appalachian Trail”. Pouco tempo depois se descobriu que o malandro estava na verdade na Argentina, desfrutando uma semana de aventura com sua amante, a jornalista Maria Belén Chapur. Desde então, “hiking the Appalachian Trail” é também usado para descrever um escândalo sexual. 

A história é boa e verídica. E serve pra ilustrar o quanto a AT é ainda um mistério mesmo pra eles. Entrar na trilha é entrar em um mundo paralelo. Cidades inteiras, como Hot Springs, na Carolina do Norte onde estive essa semana e Erwin, no Tennessee (população: 6.000 habitantes) vivem muito em função da trilha. Chegar na cidade foi uma atração. Depois de mais um dia longo – oficialmente 36,5 km – ainda resolvi andar mais uma hora pra ir da trilha até o hotel onde estou. E olha, o passeio foi ótimo. Passeando pela periferia da cidade pude contemplar lindas casinhas com cadeiras de balanço na varanda, flores e frutas crescendo no jardim, nada de cercas ou grades. Mais que uma casa no campo, eu quero uma casa sem cercas ou grades e com uma cadeira de balanço na varanda… 

Quando cheguei ao centro, uma rua principal chamada (adivinha?) Main Street, tudo fechado. Carros de policia, bombeiros e voluntários de colete refletivo barravam a passagem de carros mas liberavam pedestres como eu. Quis saber o que acontecia: fecharam o trânsito para a montagem do Great Outdoor Festival, que toma conta da cidade a partir das 9 da manhã. CLARO que vou ter que dar uma passada por lá.

Vir por hotel não era a opção mais prática nem a mais barata, mas foi bom ter vindo. O Uncle Johnny Hostel, bem na beira da trilha, estava lotado. A opção seria acampar por lá. E com previsão de neve pra hoje à noite e eu precisando a) descansar numa cama de verdade e b) botar umas coisas em ordem achei o hotel mais prudente. Pude secar e reorganizar todas as minhas coisas – choveu ontem à noite e a barraca tava uma lama só. 

O fato de começar a não achar vaga nos hostels mais baratos é porque começo a atingir “a bolha”. É assim que é chamado o grande grupo de pessoas que começa a trilha em março, o mês mais popular para se começar a AT. Mesmo que a metade desse público tenha desistido até Hot Springs, o número de gente que vou encontrar de agora pra frente vai ser grande. Pra de ter uma ideia, em média mais de 50 pessoas começaram a trilha a cada dia entre 1 e 30 de março segundo a Appalachian Trail Conservancy. O registro é voluntário, portanto esse número deve ser bem maior.

Amanhã faço um nero: tiro a manhã para ir ao Festival e comprar comida para os próximos 4 dias, saio do hotel na hora do almoço e devo andar só uns 15 km na parte da tarde. Nos próximos dias deixo pra trás definitivamente a Carolina do Norte. Passo mais alguns dias no Tennessee e então Virginia, onde devo passar pelo mesmo um mês “hiking the Appalachian Trail”. De verdade. Sem duplo sentido.

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