Crimes e mortes na Appalachian Trail

Se a Appalachian Trail é perigosa? Estatisticamente não. Por causa disso não é recomendado levar uma arma, nem uma faca, nem usar repelente de urso. Particularmente não me preocupo com os rednecks do sul dos Estados Unidos, nem com os malucos na estrada, nem com os mountain men e suas plantações de ginseng, como um amigo me alertou no Facebook. Mas natal taí, vou encontrar minha família inteira, sei que eles vão perguntar sobre isso (“Jeffinho! Você vai sozinho? Não é perigoso?”) e pra não ter que contar as mesmas coisas para cada um dos meus 8 irmãos resolvi levantar aqui algumas mortes que aconteceram na trilha escrever sobre os assassinatos é uma forma de exorcizar o medo de passar cinco meses longe de tudo e de todos.

O número de crimes ou mortes me surpreendeu. Veja bem: nos últimos 70 anos mais de 15 mil pessoas já completaram a trilha. Se, de modo geral, menos de 20% dos que começam terminam, é provável que quase 100 mil pessoas já tenham tentado fazer a AT inteira, cruzando os 3500 km e os 14 estados. Além disso um número muito, mas muito maior de pessoas faz trechos menores da trilha. Algo em torno de 3 milhões de pessoas anualmente, segundo algumas estatísticas. É gente que faz caminhadas de final de semana ou de alguns dias por algum dos parques federais por onde a trilha passa. E ainda assim o número relatado de crimes e mortes na AT é incrivelmente baixo. Desde 1975 foram apenas onze assassinatos. A grande maioria, infelizmente, de mulheres.

Geraldine “Inchworm” Largay, 2015

532710_479841_largay_01__4_-e1464216502779As estatísticas mostram que anualmente cerca de 25 pessoas se perdem na trilha. Quase todos são encontrados depois de alguns dias. Mas esse não foi o caso de Geraldine Largay. Em 2013 ela se perdeu depois de sair da trilha pra ir ao “banheiro”. A ex-enfermeira tinha 66 anos e já tinha andando mais de 1500 quilômetros. Tentou entrar em contato com o marido pelo celular e não conseguiu sinal. Quando teve certeza que estava perdida, começou a tomar nota e deixar recados no seu caderno. A última anotação dizia: “Quando encontrar meu corpo, por favor ligue para meu marido George e milha filha Kerry. Vai ser importante pra eles saberem que estou morte e onde fui encontrada – não importa quando anos tenham se passado”. Seu corpo foi encontrado em 2015, a menos de meia hora de caminhada da trilha. Ela havia sobrevivido por 26 dias antes de morrer.

James “Bismark” Hammes, 2014

James Hammes não morreu na Appalachian Trail. Mas passou seis anos na trilha. Mas também não estava perdido. Sua história é daquelas de filme.

Ele trabalhou mais de uma década como gerente de uma subsidiária da Pepsi. Em fevereiro de 2009 foi interrogado pelo FBI pelo desvio de mais de 9 milhões de dólares. Negou todas as acusações. Mas no dia seguinte desapareceu. E entrou para a lista dos mais procurados do FBI.

James abandonou a família, adotou o nome Bismark e passou a morar na Appalachian Trail. Foi descoberto em 2014 quando outro caminhante reconheceu o companheiro em um programa de tv. Foi preso na Virginia em 2015 e condenado a 9 anos de prisão, além da devolução de mais de 8 milhões de dólares.

Scott “Stonewall” Lilly, 2011

O corpo de Scott Lilly foi encontrado por outros caminhantes em agosto de 2011 também na Virgínia. A causa da morte foi determinada como asfixia. O assassino nunca foi encontrado. Scott tinha 30 anos.

Randall Lee Smith, 2008

Quando Randall Lee Smith foi preso por disparar sua espingarda em dois pescadores próximo à Appalachian Trail em 2008 ninguém imaginava o que mais havia por trás daquela história. Os pescadores eram amigos de Randall, que depois do jantar disparou dois tiros em cada. Os pescadores sobreviveram. Randall fugiu da cena do crime na caminhonete de uma das vítimas, capotou o carro e morreu. Mas aquele não havia sido o primeiro crime dele. Ela havia sido sentenciado a 30 anos de prisão em 1981 pelo assassinato de dois caminhantes da Appalachian Trail, Robert Mountford Jr. e Laura Susan Ramsay. O crime foi similar: convidou os dois a sua cabana, atirou em ambos e enterrou os corpos no quintal. Foi descoberto e preso. Estava livre desde 1996, quando completou metade de sua sentença.

Louise Chaput, 2001

A canadense Louise Chaput, então com 51 anos, foi esfaqueada até a morte na região das White Mountains. O assassino nunca foi encontrado.

Julie Williams e Lollie Winans, 1996

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Julie Williams e Lollie Winans tiveram suas gargantas cortadas quando faziam a trilha na região do Parque Nacional de Shenandoah. O caso continua aberto, mas o crime tem um suspeito: Darrell David Rice. Ele foi condenado por outro assassinato, mas não pode ser condenado pela morte de Julie e Lollie por falta de provas científicas.

Molly LaRue e Geoff Hood, 1990

http-cdn-coresites-factorymedia-com-mpora_new-wp-content-uploads-2015-10-molly-larue-geoff-hood-mount-katahdin-680x383Molly e Geoff faziam a Appalachian Trail quando foram assassinados por Paul David Crews na Pennsylvania em 1990. Geoff foi morto com um tiro. Molly estuprada e torturada antes de morrer. O assassino continuou a caminhada pela trilha, até ser preso uma semana depois.

Rebecca Wight e Claudia Brenner, 1988

As namoradas Rebecca Wight e Claudia Brenner faziam sexo na floresta quando foram atingidas pelas balas do rifle de Stephen Roy Carr. Rebecca levou um tiro fatal. Claudia levou cinco e conseguiu sobreviver. Andou três milhas até encontrar um policial. Carr se escondeu por dez dias em uma comunidade cristã. Foi preso e alegou distúrbios sexuais por ter cometido o crime. Ele continua na prisão.

Janice Balza, 1975

A caminhante Janice Balza foi assassinada por Paul Bigley em 1975. Ele tentava roubar sua mochila.

Joel Polsom, 1974

Foi assassinado em uma das cabanas da Appalachian Trail por Ralph Fox.

 

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