Japão – Vistos (com direito a um encontro inesperado)

img_7814A maioria das pessoas acha o processo de tirar vistos de viagem um saco. Tão chato, mas tão chato, que estão dispostos a pagar uma pequena fortuna para que alguém faça isso pra eles. Não é o meu caso. Não que sinta prazer em separar documentos, autenticar cópias, reconhecer assinaturas, imprimir extratos, buscar o comprovante do imposto de renda e aguardar na fila. Mas não acho que o que os despachantes cobram valha o preço.

Veja, por exemplo, a Mundial Vistos, aqui de Belo Horizonte. Já tinha tido problemas com eles quando fui tirar o visto pra China. Por telefone me deram um prazo, quando fui levar os documentos para dar entrada no visto, o prazo era outro. Acabei resolvendo por conta própria (como também fiz em todos os outros vistos, seja Estados Unidos ou Cuba).

No caso do Japão eu já havia checado os documentos necessários no site do Consulado do Rio (que cuida dos vistos dos mineiros), no site do Consulado em São Paulo e por telefone no Consulado Honorário do Japão em Belo Horizonte (que funciona mais como um adido cultural). Sabia o que precisava e sabia também da taxa que precisava pagar: R$79,00 para o visto de uma entrada. Quando liguei na Mundial a conversa foi mais ou menos assim:

– Olá, eu queria informações sobre o visto pro Japão.

– Sim. O senhor está indo quando?

– Novembro, visto de turismo, uma entrada, duas pessoas.

– Claro, senhor. O preço é R$470 reais. Se quiser taxa de urgência…

– Oi? Quatrocentos e setenta reais?

– Sim, senhor. Esse valor já inclui todas as taxas para o visto. O senhor vai pra China quando mesmo?

Desliguei o telefone. Veja: não justifica o custo extra de R$391 reais por pessoa para cada visto. Nem pro Japão, nem pra China, nem pra nenhum outro lugar.

Peguei um ônibus às seis da manhã na Rodoviária de BH, cheguei ao Rio pouco antes das duas. No Terminal Novo Rio fui pegar um taxi:

– Tô indo pro Flamengo.

– Cinquenta reais.

– Cê tá louco? Cinquenta pratas pro Flamengo?

– É tabelado…

Sai da rodoviária, andei dois quarteirões, parei na porta do Ibis Porto Atlântico e pedi um Uber (o app é bloqueado na rodoviária de lá). Até a porta do prédio do consulado japonês deu R$16.

Subi até o décimo andar, me identifiquei com a recepcionista, passei pelo detector de metais e fui dar entrada no pedido de visto. Duas pessoas preenchiam o formulário na pequena mesa que tinha ali e não tinham ninguém esperando. Dei um konichiwa pra recepcionista – mentira, falei boa tarde mesmo – e entrei o envelope. Eu tinha levado tudo que havia na lista que tinha visto a) na página do consulado japonês do Rio b) na página do consulado japonês de São Paulo e c) nas informações que o pessoal da Mundial havia me passado por email. Tudo combinado, já que em um pedia cópia autenticada da identidade, noutro não pedia, mas pedia o imposto de renda completo do último ano, no terceiro não pedia o imposto de renda, mas pedia os três últimos extratos bancários… Levei uma papelada. A moça ia passando e me entregado: esse não precisa, esse também não, nem esse…

Em menos de dois minutos eu estava com o recibo pra pegar os passaportes com os vistos, dali a dois dias. No geral o que foi realmente preciso foi o seguinte:

  1. formulário de pedido de visto, que pode ser encontrado aqui
  2. formulário com o cronograma da viagem – que eu fiz detalhadamente, dia a dia, mas pelo visto pode ser mais simples – e pode ser encontrado aqui
  3. passaporte válido por seis meses após a data de retorno
  4. uma foto 3×4 recente
  5. print da reserva da passagem de ida e volta
  6. um comprovante de renda – que de todos que levei (imposto de renda, três últimos extratos) ela ficou apenas com uma página que mostrava o meu saldo atual naquela data

Nada de imposto de renda, nem de extratos, nem de cópia autenticada de carteira de identidade…

Como dei entrada também no pedido da Alê, levei uma página escrita por ela me autorizando a dar entrada e retirar o visto, assinada e autenticada em cartório, por precaução. Essa também foi necessário.

E também contrariando tudo o que já havia lido, a retirada dos passaportes não precisa ser feita pela mesma pessoa que deu entrada. Qualquer pessoa com os comprovantes pode retirar. O pagamento do visto – R$79,00 por pessoa – é feito na retirada.

Por causa disso liguei pro Marcelo e pedi pra ele pegar os documentos e me mandar por correio. As 17h já estava na rodoviária pra pegar o ônibus das 18h de volta pra BH. No final das contas, vistos, mais passagens, mais Ubers, mais alimentação, tudo me custou um dia e menos de R$400 reais. Lembrando: a Mundial queria R$470 por cada visto…

E aí começa a segunda parte da história…

Estou eu na poltrona 5, fones de ouvidos a postos, quando me entra uma garota desorientada no ônibus. Larga a mochila e a sacola de supermercado na poltrona ao lado da minha e sai do busão, já na hora de partir. Volta uns dois minutos depois com um tênis e um sapato em cada mão – não o par, um de cada. Senta esbaforida, ajeita a mochila, coloca os calçados na sacola meio furada, pega um celular de uma marca que nunca vi. “Gringa”, pensei.

– Sua primeira vez no Brasil?, perguntei em inglês.

Era. Tinha vindo só com passagem de vinda, sem data pra voltar. Havia chegado há três semanas em São Paulo, tinha ido pro Rio, passado por Parati e Trindade e vinha pra BH pra daqui seguir pra Souza, perto de Rio Manso, onde iria trabalhar de voluntária numa fazenda de permacultura. Já havia viajado pela India e Ásia, mas os pais não tinham ficado tão preocupados como quando disse que viria pra América do Sul. A ideia era ir descendo, passar uns dias em Florianópolis, depois Rio Grande do Sul, Buenos Aires, talvez Patagônia, quem sabe atravesso e vou ao Chile, mas tenho que voltar quando meu pai precisar de alguém pra trabalhar com ele, ela dizia.

– E em BH, você vai ficar onde?, perguntei. Ela não sabia: já não tinha internet no chip que havia comprado em São Paulo, não conhecia ninguém na cidade, sem crédito também não conhecia chamar nem o Uber nem o BlahBlahCar que vinha usando até então. Pra completar, chegaríamos na cidade uma da manhã…

Na rodoviária daqui mais um pepino: na correria pra ir buscar os sapatos que havia perdido no terminal do Rio – por isso o entra e sai correndo do ônibus – ela perdeu o ticket da mochila que ia no bagageiro e o motorista, por nada desse mundo, queria entregar. Expliquei pro cara a situação, ele entregou a bagagem e ofereci pra ela uma carona, uma cama, um banho, café da manhã e um transfer no dia seguinte de volta pro local onde iria pegar o ônibus pra Rio Manso.

– Sério? Posso ficar na sua casa?

Era tudo o que eu queria que alguém fizesse por mim numa situação daquelas. Claro que poderia. Claro que Alê entenderia.

Quando acordou, Babou tomou um banho e, segunda ela, “o melhor café que tomei em toda viagem. Só pra provar que mineiro é mesmo tudo isso que todo mundo fala”. img_7764

 

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Dez fatos sobre o Japão

Dez fatos que preciso ter em mente durante minha viagem ao Japão:

  • A probabilidade de eu pegar algum terremoto é imensa. Enorme. Godzillesca de tão grande. Estatisticamente é provável que eu sinta 57 terremotos nos 14 dias por lá, já que o país tem uma média de 1500 tremores por ano…
  • Eu vou conhecer uma ilha, Honshu, a maior, onde está Tokyo e Kyoto. Vão ficar faltando outras seis mil e tantas ilhas japonesas pra visitar…
  • É muito provável que algum dia eu almoce em uma vending machine. São mais de cinco milhões espalhadas pelo país, que além de almoço vendem flores frescas, calcinhas usadas, guarda chuvas, ovos frescos, churrasco e cerveja (talvez esse seja meu almoço… ou noodles, que você também pode comprar numa dessas máquinas).
  • Sushi de salmão foi inventado pelos noruegueses…
  • Ruas no Japão não tem nome. Se não bastasse…
  • A probabilidade de um vulcão entrar em erupção no país também é alto, já que são mais de 100 vulcões ativos. Incluindo o Monte Fuji…
  • Pizza de lula. O sabor preferido no país. Pizza. De. Lula.
  • Levar desodorante, já que o produto não é fácil de ser encontrado. Nem spray. Nem bastão.
  • Reggae: o Japão é o maior consumidor de reggae do mundo. E importa 85% do café da Jamaica… Humm…
  • Batata doce, flor de cerejeira, feijão, brandy com laranja, abóbora, sal francês, vinagre de maça, melancia com sal e pudim. Estes são só alguns sabores de Kit Kat que existem por lá.

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Japão – planejando Kyoto e retorno

Se eu já estava em êxtase quando comecei a planejar Tokyo, a pesquisa do que fazer em Kyoto é simplesmente enlouquecedora. A quantidade e a beleza dos templos e jardins é de tirar o fôlego. Ainda acho que não inclui no roteiro tudo o que quero ver e fazer na cidade…

Dia 9 (16/11) – Quarta – Hakone/Tokyo

Vamos sair à tarde de Hakone, da casa do Sumusu, de volta à Tokyo. Ali a ideia é pegar um ônibus noturno pra Kyoto. Fiz e refiz as contas do JR Pass e realmente não vale a pena. Veja bem: o passe pra 7 dias vale 276 dólares. São 28 mil yen. Sete dias é metade do tempo que vou estar no Japão, de forma que teria ainda que desembolsar pelo transporte nos outros dias ou comprar um passe pra 14 dias, que custa 442 dólares – ou aproximadamente 45 mil yen.

Agora veja: incluindo a viagem de ônibus para Kyoto (5800 yen o trecho na Willer Express), a viagem para Kamakura (1840 yen ida e volta com a própria JR, pegando a JR Shonan Shinjuku Line), o passe pra Nikko (2670 yen pelo passe de dois dias, o 2 day Nikko Pass), a viagem pra Hakone (5140 pelo Hakone Free Pass, que inclui passeios locais), mais o trem ida e volta do aeroporto (4000 yen pelo N´ex Tokyo Round Trip) e ainda uma média de 400 yen/dia pelos 5 dias em Tokyo (2000 yen total) usando o Suica Card vamos gastar, por pessoa, pouco menos de 28 mil yen, o valor do JR Pass.

Deu na mesma? Não. O JR Pass não faz nem a viagem pra Nikko nem pra Hakone, que eu deveria pagar em separado. Se comprar o passe de 7 dias teria que pagar o retorno pro aeroporto, mais 3000 yen. Sem contar que por viajar de ônibus vamos economizar duas noites de hotel, que vamos passar na estrada – a ida e a volta de Kyoto. Só nisso são mais uns 25 mil yen de economia. Resumindo: não pegar o JR Pass vai nos economizar, por baixo, uns 400 dólares…

Sendo assim optei mesmo pelo busão. Tava em dúvida se incluía alguma outra cidade mas resolvi focar em Kyoto e o que tiver ali perto (Nara principalmente). A passagem ida de volta saiu a 11200 yen por pessoa (algo como 110 dólares, vamos ver quando a cotação bater no meu cartão).

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O ônibus da Willer Express

Então no nono dia, depois de passar a manhã em Hakone, pegamos o trem de volta pra Tokyo, damos uma passeada e a noite vamos pra Kyoto.

Dia 10 (17/11) – Quinta – Kyoto – região central

A chegada está prevista para as 7 da manhã na estação de Gion Shijyo, bem central. A estadia vai ser de novo em Airbnb: por 205 reais por noite, é a mais barata da viagem. O apartamento do Yoshi é simples, mas bem localizado. Como a entrada é só as 15h, vamos deixar as malas na estação (custa 500 yen, já olhei) e passear pela cidade na manhã.

A ideia aqui é começar pelo símbolo mais famoso da cidade, os arcos vermelhos de Fushimi Inari-Taisha. Ficam ao sul da estação. Descemos até lá e vamos subindo de volta até os jardins do Palácio Imperial de Kyoto, que não estão longe da estação. Visitamos ele o vizinho Sento Gosho Palace, cuja visita acontece às 11h. Depois seguimos para Shimogamo-Jinja e se der tempo terminamos o dia nos templos de Daitoku-Ji. Só ali são 24 templos, fundados a partir de 1319. Os três locais – Fushimi Inair-Taisha, Palácio Imperial e Shimogamo-Jinga – não são longe um do outro, mas o tempo gasto de transporte coletivo é o mesmo gasto a pé.

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Palácio Imperial de Kyoto

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Fushimi Inari Taisha

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Shimogamo-Jinja

 

Dia 11 (18/11) – Sexta – Kyoto – Higahiyama

Dia de ir pro sul. Sair cedo pra evitar a multidão e visitar o templo de Kiyomizu-dera, na região da Higahiyama (Montanha do Leste). O lugar é o centro espiritual de Kyoto. Kiyomizu significa “água pura” e o templo está localizado numa nascente, em uma montanha. E está ali há mais de 1200 anos.  Além dele a região é recheada de outros – Chion-in, Kodai-ji, Maruyama-koen… O canal aqui parece ser começar em Kiyomizu-dera e terminar em Sanjo-dori, uma rota já estabelecida, que vai do sul ao norte. Dizem que metade do dia é suficiente.

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Kiyomizu-dera

Depois é continuar seguindo norte e passear pelos templos zen de Nanzen-ji, pelo pavilhão prateado de Ginkaku-ji, Tetsugaku-no-Michi (o Caminho do Filósofo) e Honen-in. São mais umas cinco horas de passeio, suficientes pra encher o dia.

Dia 12 (19/11) – Sábado – Nara

Tokyo significa capital do leste. Kyoto, cidade capital. Tokyo só se tornou a capital do Japão recentemente, em 1868. Antes a capital era Kyoto.  Fundada no século I, Kyoto se tornou a residência do imperador no ano de 794. E assim permaneceu por mais de mil anos.

Mas a história no Japão é mais antiga que isso. Antes de Kyoto a capital japonesa era Nara.  E é pra lá que a gente vai no sábado. A cidade fica há uma hora de trem de Kyoto e além de mais templos e parques o destaque aqui são as dezenas de cervos que ficam soltos pelo parque que dá nome à cidade (ou vice-versa?).

Vai ser pegar o trem, descer na estação, passear pelo templo de Kofuku-ji, pelo parque Nara, pelo templo de Todai-Ji, ver as lanternas de pedra no templo xintoísta de Kasuga, passear pela região histórica (o que não é no Japão?) de Naramachi e voltar pra última noite em Kyoto.

Espero que na volta dê ainda pra passear pelo centro de Kyoto e passear por Ponto-Cho

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Dia 13 (20/11) – Domingo

Último dia em Kyoto, quero reservar para curtir com calma o Nishiki Market pela manhã. Quem sabe comprar uma faca Aritsugu…

O ônibus sai da mesma estação que chegamos às 9:50 da noite, de forma que ainda vai dar pra aproveitar bem o dia. Ir até o bambuzal de Arashiyama e conhecer os templos da região vai tomar umas quatro horas de passeio. Dá pra fazer isso voltar no final do dia pra pegar o ônibus pra Tokyo.

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Arashiyama

Dia 14 (21/11) – Segunda

Hora de voltar. O voo sai do aeroporto de Narita, Tokyo, às 21h25. Duas horas antes, 19h25. Mais uma hora e pouco pra chega no aeroporto, 18h. Hora do rush, dá um desconto, melhor sair de Tokyo por volta das 16h. Contando que o ônibus chega de Kyoto às 8h da manhã, ainda dá algumas horas pra aproveitar a cidade. A ideia é ficar ali pela região central, de Shibuya ou Shinjuku, comprar umas lembrancinhas e seguir pra Narita.

A chegada a São Paulo está prevista para o dia seguinte às 18h20. Dali é esperar um pouco mais pra embarcar às 21h20 pra BH.

Japão – fechando a primeira semana

Dia 5 (12/11) – Sábado – Kamakura/Shinjuku

15 de novembro é celebrado no Japão o Sichi-Go-San. Literalmente, Sete-Cinco-Três. É o dia em que os pais levam as crianças – meninas de três e sete anos, meninos de três e cinco – aos templos e santuários para pedir saúde e felicidade. Um rito de passagem, onde as crianças são vestidas com kimonos especiais.

A tradição conta que até os três anos  as crianças deveriam ter os cabelos raspados. A partir daí deixam de ser bebês e podem deixar o cabelo crescer. É a kamioki, literalmente “deixar os cabelos”. Meninas então vestem um kimono especial, adornado por uma faixa de seda, o san-sai-furisode. Aos cinco, os meninos vestem pela primeira vez em público o hakama e o haori, as roupas típicas do samurai. E aos sete as meninas vestem o nana-sai-furirode e o obi, kimonos e faixa de seda especial. Durante o Sichi-Go-San as crianças ganham chitose ame, a bala de mil anos, em uma embalagem com desenhos de tsurus e tartarugas. “tsuru wa sen nen, kame wa man nen” (o tsuru vive mil anos e a tartaruga, dez mil anos, dizem os japoneses).

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Sichi-go-san

A tradição remete ao ano de 794. Sete, cinco e três são números de sorte na cultura japonesa. E a celebração acontece no dia 15 porque 15 é a soma dos três números. E como este ano o dia 15 cai no meio de semana, é comum que a visita seja feita no final de semana anterior. Por isso separamos o sábado para ir a Kamakura, onde está Daibutsu, o grande buda de bronze. A ideia é passar o dia por ali e voltar à tardinha ou início da noite.

Pra chegar a Kamakura vamos pegar a linha JR Yokosuka. Custa 1100 yen o trecho (cerca de 11 dólares). Já sabemos que por ser final de semana e com festa especial, os templos vão estar lotados. Mas ideia aqui é esta mesma: entrar de cabeça na cultura e no costume. Além do grande Buda, Hasedera e Hokokuji são os templos principais, e já sei que a melhor forma de ir de um pra outro é andando – apesar da sinalização ser só em japonês. Existem várias trilhas que ligam os templos, e certamente esse vai ser o meio de transporte.  Cada uma tem pouco mais de 2 km, uma hora de caminhada. Vai ser diversão pura.

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Kamakura

Na volta à Tokyo, se não estiver quebrado demais, a ideia é passear em Shinjuku. Se possível comer algo na depachika da Isetan e uns goles na Golden Gai. Mas antes ver a cidade do alto da torre do Tokyo Metropolitan Government Offices. O prédio, com desenho do Kenzo, fica aberto até as 11 da noite. E pegando o elevador na torre 1 dá pra subir até o observatório, a 202 metros de altura, pra ver a cidade (e até o Monte Fuji, se o dia estiver claro).

Depachika é uma palavra japonesa que significa “subs0lo da loja de departamentos”. É, eles tem uma palavra pra isso… Porque nos subsolos das lojas de departamento estão vários restaurantes, muitos de qualidade, e no final do dia, quando a loja está prestes pra fechar, os preços despencam. E a depachika da Isetan, dizem, é das melhores.

A Golden Gai foi dica do Danilo. Uma série de seis vielas com mais de duzentos bares, alguns com espaço pra não mais que meia dúzia de clientes. Visto do alto é impressionante (dá uma procurada aí no Google Maps). Tô curioso.

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Golden Gai

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Depachika

Dia 6 (13/11) – Domingo – Korakuen/Ueno Park/Tokyo National Museum

Mais um dia de parques, templos e descanso. Se é que isso é possível numa cidade como Tokyo.

Pela manhã o projeto é sair do tradicional reduto de turistas e seguir pra região de Korakuen. Koishikawa Korakuen é onde a gente deve passar parte da manhã. Pelo que vi de fotos no outono deve estar um desbunde. Ali perto também tem a Geisha Shinmichi, antiga rua das geishas e a atmosférica rua de Hyogo-yokocho, com seus calçamentos de pedras. O parque de Rikugi-en é considerado por muitos o mais bonito da cidade. Fica mais ao norte. Talvez a gente visite.

 

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Koishikawa Korakuen

Pra depois do almoço a gente estica até o Parque Ueno. Vamos incluir o Museu Nacional de Tokyo, que fica ali perto, no passeio.

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Parque Ueno

Dia 7 (14/11) – Segunda – Tokyo/Nikko

Dia de sair do apartamento da Tokko e procurar outro lugar. Se a gente seguir o roteiro até aqui já vamos ter feito boa parte de Tokyo. Claro que ficaram faltando pontos turísticos na cidade (não incluímos, por exemplo, a região de Roppongi nem Tokyo Bay… Deveria?). Mas a ideia agora é ir pro interior.

Kamakura, a outra cidade nas proximidades de Tokyo que a gente queria visitar, fica ao sul e se tudo correu como o previsto já a visitamos no final de semana. Nikko fica ao norte, e a melhor forma de vê-la parece mesmo ser ir e vir a partir de Tokyo.

Os trens custam 2670 yen ida e volta e a viagem dura duas horas e meia. É preciso sair cedo pra chegar lá por volta das 9h. E o retorno é por volta das 19h30. Mas o ticket vale por dois dias. Pelo menos foi isso que eu entendi no site da empresa de trem…

O que leva as pessoas a Nikko é o parque, patrimônio da humanidade pela Unesco, e suas dezenas de mosteiros e templos. E no outono o lugar é especial, dizem. A questão aqui é se ficamos uma noite em Nikko ou voltamos pra Tokyo, para depois seguir a Hakone. Ficando (acho que vai ser o caso) é achar um lugar. No dia seguinte a gente volta ainda na parte da manhã pra Tokyo e já segue pra Hakone, onde passamos mais uma noite…

Update: Andei olhando Airbnb, hotéis, ryokan no site que o Rafael indicou (o Japanican) mas acabei optando por um lodge que estava com ótima pontuação no Booking, o Inn the Mist. Fica perto dos templos e do centro e custou 12000 yen (380 reais). Então está decidido: a noite vai ser em Nikko.

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Nikko

 

Dia 8 (15/11) – Terça  – Nikko/Hakone

Acordar, passear pelo parque de Nikko, pegar o trem, ir pra Tokyo, trocar de estação, pegar o outro trem, ir pra Hakone. Dia de transporte, basicamente.

Hakone, assim como Nikko, foi dica do Diego, que estava morando em Tokyo. São três as razões de vir aqui: ver o monte Fuji de “perto”, já que não vou poder subir o monte (a temporada fecha em agosto), ver o Museu Aberto, com obras de Henry Moore, Rodin, Miró e outros e aproveitar um Onsen, banhos de águas termais. Nada mal.

A brincadeira vai ter um preço, claro. A passagem pra Hakone custa 5140 yen (51 dólares) e vale também por dois dias (56 dólares por três). Os onsen custam a partir de 1500 yen. E a noite em um albergue vau custar mais uns 5000 yen por pessoa. Espero valer a pena.

Update: já decidi e aqui a opção foi o Airbnb. Não achei nenhuma hospedagem com bom custo/benefício. A casa do Susumu parece ser bem localizada e ele tem uma cara boa. O preço é a média da região: R$350,00 por noite.

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Hakone

Pronto: primeira semana no Japão decidida. Agora é resolver os outros 7 dias. Kyoto? Alpes? Kanazawa? Comprar o JR Pass? Viajar de ônibus? Tenho mais uns dias pra decidir, antes de pedir o visto…

Tem alguma sugestão? Me conta.

Tokyo – Escolhendo o que fazer. E como fazer…

Dia 1 (8/11) – Terça – Shibuya

A chegada a Tokyo está prevista para as 13h. Contando imigração, saída do aeroporto, comprar ticket, estou prevendo que consiga pegar o Narita Express 28 às 14:20. Caso não dê o próximo é às 14:48. São 75 minutos até a estação de Shibuya, e dali mais uns minutos até o apartamento da Tokko. De modo antes das 4 da tarde – ou antes do horário do rush – já vamos estar instalados.

O primeiro dia vai ser de adaptação: conhecer o cruzamento de Shibuya (que com certeza vamos ver várias outras vezes nos próximos dias) e fazer o reconhecimento da região. Descobrir supermercados, restaurantes, cafés, lojas ali no entorno. As opções ali perto, já deu pra ver, são várias. De lojas de departamentos (a Shibuya 109 e a Seibu), hamburgerias, lojas de ramen, parece ter de tudo por ali. Conhecer a estátua de Hachiko, o cãozinho que ia todo dia com seu todo pra estação e depois da morte desse em 1925 continuou a ir por mais dez anos.

A dica pra comer ali perto, já vi, é o Sagatani, um restaurante vegetariano que serve noodles a 280 yen e cerveja a 150 yen (10 e 5 reais, respectivamente). Fica a 20 metros de onde vamos ficar. E pra ver o cruzamento do alto, a dica é ir para o segundo andar da Starbucks dali. Difícil de achar um assento…

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Shibuya

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Sagatani

Dia 2 (09/11) – Quarta – Yoyogi Park/Harajuku

Dia de relaxar e conhecer templos, parques e mosteiros. A ideia é seguir para o Yoyogi Park e passar a manhã por ali. Tomar um café no Little Nap, perto da entrada oeste do parque, e visitar o tempo de Meiji Jingu, no interior do parque. Na parte da tarde e noite seguir para Harajuku, no lado leste, e visitar lojas, galerias e observar os cosplays na região. Se tudo correr como o planejado da pra esticar pra comer no Butagumi, restaurante de tonkatsu (costeleta de porco) que não fica longe dali (20 minutos de caminhada) (a foto veio do blog Tiny Urban Kitchen).

O caminho de Harajuku até o Butagumi é pela Omote-sandô, rua que abriga seis dos ganhadores do maior prêmio de arquitetura do Japão.

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Dia 3 (10/11) – Quinta – Tsukiji Market/Akihabara

Claro que visitar Tsukiji, o mercado de peixes do Japão e ver o leilão de atum é algo que quero fazer na visita a Tokyo. Mas aí a logística começa a complicar. O leilão aceita no máximo 120 turistas por dia, divididos em dois turnos de 60 pessoas. O primeiro entra às 5:15 da manhã. O segundo às 5:45. Metrô em Tokyo não é 24 horas e o primeiro trem começa a circular pouco antes das 5 da matina. Da estação de Shibuya, onde vou estar, até o marcado de Tsukiji são uns 40 minutos de trem, de modo que pegando o primeiro trem só chego lá quando leilão tiver acabado. E a fila, dizem, começa beeem antes das 5h. Taxi é fora de questão: uma viagem dessas, de menos de 10 km,  deve sair uns 150 reais (quase 50 dólares com bandeira 2, segundo o Taxi Fare Finder). Também não vai rolar.

A opção mais barata parece ser cruzar a noite de Tokyo a pé. São 7 km, pouco mais de uma hora. O jet leg vai estar no auge, levantar às 3:30 não vai ser problema e dá pra chegar lá e pegar um bom lugar na fila. O caminho, pelo que fiz no Google Maps, é amigável. O café da manhã vai ser no próprio mercado – de preferência no Sushi Dai ou no Daiwa-Zushi. O primeiro fica virando à esquerda na terceira rua dos restaurantes, depois a esquerda de novo. É o segundo restaurante à direita, com cortinas verdes na porta. O segundo um pouco mais abaixo, e tem cortinas vermelhas (as fotos eu peguei de outros blogs).

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Daiwa-Zushi

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Mapa do mercado de Tsukiji

Ainda antes da hora do almoço da pra esticar até o Advertising Museum e o Nakagin Capsule Tower, os dois não longe dali.

Na parte da tarde a ideia é passear pela região de Akihabara (o paraíso dos eletrônicos) e visitar a 3331 Arts Chiyoda (centro de arte contemporânea) e a Origami Kaykan, loja/galeria de origamis, com cursos e produção de papel artesanal.

Dia 4 (11/11) – Sexta – Imperial Palace/Asakusa

O Palácio Imperial de Tokyo seria destino certo na viagem. Nossa primeira opção era conhecer só os jardins do palácio, que são gratuitos e abertos quase todos os dias da semana (exceto sextas, segundas e feriados). Mas calhou de uma visita guiada ao interior do palácio acontecer justamente quanto estávamos por ali. O lugar ainda é a morada oficial do imperador Akihito e as visitas guiadas, raras, são feitas por agendamento. É preciso agendar com antecedência de pouco mais de um mês – para a visita no meio de novembro precisei agendar no início de outubro. E esse era o único dia disponível na primeira quinzena de novembro. O passeio, de pouco mais de uma hora, é gratuito, e o agendamento obrigatório pode ser feito no site da Família Imperial. Marcado para as 10 da manhã, vai tomar a manhã do quarto dia. E como calhou de ser uma sexta, os jardins externos vão estar fechados. Ou seja: ou pulamos os jardins ou voltamos outro dia.

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Palácio Imperial

Centro histórico e geográfico de Tokyo, o Palácio Imperial é perto da estação de metro Tokyo, por si só uma atração. A ideia é passear por ela antes da visita, e depois ir descansar no parque de Chidorigafuchi Ryokudo, bem ali do lado. Uma esticada até Asakusa e almoçamos no Tempura Daikokuya, um restaurante de tempura (camarões e legumes empanados, típicos da cozinha japonesa e bem comuns no Brasil) da região e famoso pela qualidade. Com preços fixos (as refeições custam 3300, 4000 ou 4700 yen – 33, 40 ou 47 dólares), é certeza de comida boa.

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Daikokuya

Na parte da tarde a ideia é visitar o Ootori Shrine. Dia 11 de novembro, de acordo com calendário chinês, é o dia do galo. E ali, no templo de Chokokuji, é celebrado o Tori-no-Ichi, o dia do galo. Ao redor do templos, feiras de artesanato e comida celebram o dia. E como esta vai uma das poucas celebrações que irão acontecer enquanto estiver por lá não quero perder. Vamos aproveitar pra conhecer  o templo de Senso-Ji  e um pouco mais da região de Asakusa.

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Asakusa

Tem mais dicas do que fazer em Tokyo e no Japão? Conta ai!

 

Japão – Preparações

y0td5goMinha amiga Fernanda me disse dia desses que eu deveria criar uma ferramenta interativa, que mostrava, em tempo real, onde eu estava. Uma espécie de “Onde está Jeff”, onde eu iria colocando pins dos locais onde passo. O fato é que sim, viajo bastante. Menos que gostaria, é fato. Mas entre viagens a trabalho (que me levaram à China, Grécia, Turquia) e passeios, passo alguns meses do ano fora de casa.

O momento agora é de preparação para mais uma. É das fases que mais gosto. Pesquisar o país, a cultura, os roteiros, onde ir, quando ir, como chegar, onde comer, o que fazer, quanto tempo em cada lugar, o que vale a pena, o que deixar de fora, como fazer pra encaixar tudo aquilo naqueles poucos dias. Tem gente que odeia e prefere comprar logo um pacote, guia turístico, alimentação inclusa. Só seguir a bandeirinha e pronto, não quero ter preocupações na minha viagem. Eu não. Gosto de cuidar de cada passeio e chegar no destino o mais informado possível. E não gosto de gastar em viagens: o quanto menos desembolsar, melhor.

Estou aqui na função de pesquisar e montar um roteiro pro Japão. Comprei a passagem numa daquelas promoções que chegam na tela do meu celular através do app da Melhores Destinos. Pelo preço de uma passagem pra Recife estou indo pra Tokyo com Alê em novembro. Comemoro meu aniversário por lá. Peguei algumas dicas com amigos que já foram ou moraram naquele lado do mundo (obrigado Paulinho, Danilo, Diego). E começo agora a montar o dia a dia. Escrever me ajuda a clarear as ideias e a tomar as decisões que, acredito, são certeiras. Conversar com Alê também ajuda nisso (e em várias outras coisas).

As informações que tenho e vão ajudar a montar o roteiro são:

  1. Fico no Japão por 14 dias – de 8 a 21 de novembro (saio 6 e chego 22)
  2. Tenho ciência que o jetleg vai ser um problema por pelo menos uma semana
  3. Quero incluir cidades menores no roteiro além de Tokyo
  4. Quero me hospedar pelo menos uma noite em um ryokan, uma hospedaria tradicional japonesa

Só isso. O resto está livre e a construção do roteiro vai ser em cima do que, a partir de agora (ontem, na verdade) eu for montando.

Primeira dúvida: hospedagem em Tokyo

Que Tokyo é gigante eu sei. A primeira dúvida que surge é onde se hospedar na cidade. Conversas e pesquisas mostram que a maioria das atrações da cidade fica no entorno de três área: Shibuya, Shinjuku e Ginza. Uma pesquisa rápida nos sites de hospedagem (Booking, Hotels, Trivago) mostra que uma cama em qualquer um deles não custa menos que 250 reais por noite. Em um albergue ou hotel cápsula. Hotel tradicional, daqueles com uma cama de verdade e um banheiro, são quase o dobro. Muito acima do que eu espero gastar. Se estivesse sozinho não via problemas: fiquei em um cápsula na Tailândia, paguei 20 reais por noite e foi uma experiência ótima. Mas sei que Alê espera (e merece) um pouco mais.

Uma pesquisa no Airbnb mostra que mesmo ali não se acha nada por menos de 300 reais. Mas aí acho que já passa a valer: boa localização, um apertamento (30m2) só pra você, mais liberdade e (luxo dos luxos) banheiro privativo! Pré-selecionei uns três e optei pelo ap da Tokko, que fica a 5 minutos da estação de Shibuya. Não era o mais barato – havia outros mais em conta, mas um pouco mais longe. Mas ficar ao lado de uma estação de metro era fundamental: iria salvar alguns minutos no deslocamento diário, seria mais fácil na chegada e saída, esse tipo de coisa que em viagem sempre conta. Com o bônus de 85 reais que ganhei de outra amiga (valeu Renata!) as seis noites previstas pra Tokyo ficaram em 1950 reais. R$325 por noite, R$162,50 por pessoa. Só por comparação, é só um pouco mais caro que a própria Renata cobra pelo mesmo período no apartamento dela aqui em BH (ok, ok, não estou considerando que o da Renata é 6 vezes maior que o da Tokko, mas c´mon! É Tokyo!)

O que fazer: a primeira seleção

Já sei onde e quantos dias vou ficar em Tokyo. A escolha do período foi aleatória: metade do tempo em Tokyo, a outra metade em outros destinos que ainda vou decidir. Agora o próximo passo é selecionar o que fazer nesses dias.

A primeira conversa com Danilo e Paulinho, um post despretensioso no Facebook (valeu Rafael!), a passada de olho em alguns sites e no guia da cidade da Lonely Planet já foi dando umas direções. Eu faço assim: saio selecionando tudo o que talvez possa me interessar e crio um mapa no Google Maps, onde vou marcando todos os locais (esse de Tokyo está aqui. Tenho salvo os de vários outros destinos anteriores…). Depois, com mais calma, leio mais sobre os locais e vou selecionando por interesse (museu, parque, arquitetura, restaurante etc) e distância. Assim agrupo coisas que são próximas para visitar no mesmo dia.

Da primeira seleção saíram alguns lugares, tanto em Tokyo quanto no interior. Na capital tem alguns parques (Ueno, Jardins do Palácio Imperial), templos (Senjo-Ji, Meiji-Jingu), distritos (Shimokitazawa, Ginza, Odaiba), museus (3331 Arts Chiyoda, Museu da Propaganda, Museu Ghibli) e até um café super charmoso (o  Little Nap Coffee Stand, bem perto de onde vou ficar).

Fora de Tokyo as atrações foram tantas que vou ter que fazer escolhas mais sérias. Rafael e Diego soltaram um monte de nomes de cidades que fui pesquisando muito rapidamente e agora é escolher os destinos. Nikko foi sugerida pelos dois, então certamente vai entrar. Hakone e Kamakura são perto de Tokyo e devem entrar no roteiro também. Kyoto era um destino que eu queria, e caso inclua no roteiro adiciono também Nara. Kanazawa, Kamikochi, Takayama, Shirakawa-go e Goyakama são outras possibilidades, que só depois de pesquisar mais decido se vai valer a pena incluir nos 7 dias que faltam. Destinos mais distantes, como Hokkaido,  vão ficar pra uma próxima vez (mas é claro que vai ter uma próxima vez…)

Japan Pass: vale a pena?

Todo mundo diz que é imprescindível comprar um Japan Pass, o passe de trem para as viagens internas dentro do país. Só que nas minhas pesquisas iniciais a coisa não parece bem assim não. Ainda estou em dúvida se compro ou não o passe.

O fato é que ele é caro pra burro: por 7 dias consecutivos de viagens o preço é 276 dólares. 440 dólares se quiser ter o passe para os 14 dias da minha viagem. Mais IOF. Esse preço, claro, por pessoa. Ou seja: vale a pena se eu e Alê formos gastar em passagens pelo menos uns R$120 por dia cada. É um bom dinheiro. Primeiro porque eu não vou ficar viajando os sete dias. Talvez fique um dia a mais em Kyoto, se decidir ir pra lá, por exemplo. E segundo porque você pode viagem só nos trens da estatal JR, que não atende o país inteiro e não é dona de todos os trens – 30% são de empresas privadas. Fiquei considerando se não havia alternativas mais baratas.

Quando você  considerar que a passagem de trem de Tokyo a Kyoto custa 140 dólares o passe parece ser mesmo a melhor alternativa. Mas aí você começa e pesquisar e vê que não é bem assim.

Por exemplo: as cidades próximas que eu já sei que vou fazer – Nikko, Hakone e Kamakura – tem os preços de passagem bem em conta: 28, 40 e 22 dólares cada trecho. Ida e volta são 180 dólares por pessoa. Mesmo pra viagem a Kyoto ou outros destinos mais distantes existem alternativas mais baratas. A empresa de ônibus Willer tem um passe de três dias, que podem ser usados de forma não consecutiva (por exemplo, uma viagem na segunda, outra na quarta e outra duas semanas depois, já que vale por dois meses) que custa 100 dólares. Os trechos incluem Tokyo, Kyoto, Kanazawa e até trechos mais distantes como Hiroshima. Mesmo as passagens individuais são beeeem mais em conta: ao contrário dos 140 dólares do trem de Tokyo a Kyoto a passagem de ônibus da Willer sai por 35 obamas. Além disso, pode me dar mais autonomia que o trecho de trem.

Outro argumento daqueles que defendem o JR Pass é o fato de você poder pegar o trem do aeroporto de Narita pra Tokyo. Custa 3500 yen, 35 dólares, 100 reais. Mas veja: é possível comprar ida e volta por 4000 yen. E se eu comprar o passe de uma semana, por exemplo, ainda vou ter que comprar um dos dois trechos. Bye bye vantagem. E pra usar o metrô a compra de um passe de 72 horas, ao custo de 1500 yen, tem parecido a melhor escolha. Ou isso ou o Suica, o cartão que você vai recarregando à medida que usa.

A decisão vai ser só nos próximos dias, mas a princípio estou achando que o JR Pass é uma bela de uma furada. É bem provável que faça alguns trechos de trem e outros mais longos de ônibus.

Tem alguma dica do Japão? Deixe um comentário aqui embaixo e vamos trocando figurinhas sobre essa viagem.