Estrada Real S01E20: Capela do Saco a Carrancas

Distância do dia: 29,17 km. Distância total: 779,89 km
Enquanto esperava a janta ontem perguntei pra Kátia porque o nome da cidade era Capela do Saco. “Ah, sei não. Eu tô aqui só um ano”. Ela tinha me dado duas opções: um pf por R$13, ou uma versão mais caprichada por R$25. A princípio fiquei com o peefão, mas a fome falou mais alto. Gritei ela do segundo andar – a pousada não tem telefone – e pedi a versão completa. Exagerei. Deixei mais da metade do arroz e do feijão, mas comi todo o frango e a couve. Fui dormir cheio e marquei o café pras 7:30.

Quando saí, Kátia foi comigo até a porta. “Se você cansar tem um ônibus que sai daqui as 10h. Só fazer sinal que ele para”. Na porta da pousada, ao lado da igreja, o primeiro marco do percurso. Li as informações e falei “aqui, Kátia. Chama Capela do Saco porque antes tinha uma fazenda e nela uma capela pra Nossa Senhora do Porto dos Sacos”. Mas o que eu queria mesmo falar era “olha, um ano é tempo demais pra você saber a resposta de uma pergunta que, eu aposto, todo mundo quer saber. E ela está aqui na sua frente o tempo todo. E é por isso que você quer passar a pousada pra frente. Se você se interessasse mais pelas coisas locais e mostrasse isso pros seus clientes talvez a coisa estivesse melhor”. Mas não disse, porque eu não tinha nada a ver com isso. Ao invés disso agradeci a dica do ônibus (não iria pegar um ônibus nem se fosse atacado por uma alcateia de lobos-guará) e segui meu caminho.

A primeira metade dos 30km até Carrancas são monótonos. A paisagem não é lá grandes coisas e a estrada é plana e parada. Por mim passou só um escolar, primeiro vindo, depois indo, e um senhor numa Strada. Parou do meu lado e ofereceu carona. Quando agradeci e disse que iria andando soltou um “é bom fazer uma caminhada quando se tem saúde né?”, enquanto acelerava a picape. Passei por dois colhendo milho manualmente, outros dois usando uma colheitadeira, e um outro checando a plantação de café. “Esse já tá quase na hora de colher, né? É catuí amarelo?” Ele confirma, não dá papo, e eu sigo.

A coisa começa a mudar só na metade final. Primeiro com a serra da Carranca e outras no horizonte. Depois o terreno e a vegetação ficam mais secos. Nada de plantações ou Mata Atlântica: o que domina é o cerrado e pedras no chão. Começo a cruzar a Cruz das Almas e o som é de água correndo o tempo todo. Pequenos cursos d’água seguem a estrada dos dois lados, às vezes passando por baixo dela. Lá ao longe da ainda pra ver a represa de Camargos. 

Quando vejo Carrancas ao longe, já passa do meio dia. A cidade é maior que eu imaginava. Meio sem charme, mas o bom do lugar é no entorno, que não vou conseguir explorar. Tento o carimbo do passaporte na Eco Adventure. Fechado. Centro de Informação ao Turista? Fechado. Na Pousada Roda Viva consigo o carimbo e aproveito pra checar a diária. R$80. Caro. R$70. Ainda caro, vou procurar outra. Fechada. Os donos foram pra uma vigília em Aparecida. Hotel? Fechado, hoje é dia de limpeza. Termino ficando na dona Margareth, que por R$40 me consegue um quarto com o banheiro bem na frente. Gasto a diferença das diárias em cervejas artesanais no bar local    enquanto escrevo o blog.

 

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