Frango de domingo

Na minha casa sempre teve frango aos domingos. E quando eu falo sempre, é sempre mesmo. Não me lembro um domingo sequer que minha mãe não tivesse feito frango. Sempre a mesma receita: um frango branco, cozido, às vezes com sal de mais, outras de menos. Não mudava muito. Não tinha porque: a gente gostava. Por incrível que pareça, a briga não era pelos pedaços carnudos, mas sim pelas partes menos nobres: pés, pescoço, costelas… Menos meu pai: ele sempre comia o sobre. A gente podia brigar pelo pedaço que quisesse, menos pelo sobre. O sobre era do meu pai.

Quando muito, em datas especiais – um aniversário, no natal – aparecia um frango diferente: assado, na cerveja preta. E pronto. Era assim que eu conhecia frango na minha infância. Peito de frango? Não. Grelhado? Não. Desossado? Necas…

Fato é que cresci e por mais que eu ache pedir frango em restaurante meio sem graça – restaurante tem que pedir carne ou peixe, não vejo razão de pedir frango comendo fora, a não ser em restaurante indiano – o frango é das coisas que mais gosto de fazer. Já postei aqui o frango com legumes e cerveja (diferente do que a minha mãe fazia, pode ter certeza) e hoje resolvi, de novo, fazer um frango assado. Não é domingo, eu sei, mas tá com cara…

Comprei no supermercado três coxas e sobrecoxas e separei os pedaços. Coloquei umas batatas pra cozinhar (sabe como né? coloca na água, com sal, e deixe ferver até as batatas ficarem macias) e fui preparar o frango. Lavei, separei os pedaços e fritei no azeite, temperados com sal e pimenta do reino moída na hora. Primeiro o lado da pele, depois o outro lado. Quando as batatas estavam quase prontas joguei na mesma água alguns tomates cereja. Fiz um corte na pele de cada um, para que ela se soltasse. Liguei o forno e deixei que aquecesse.

Com os pedaços do frango já fritos, batatas e tomates cozidos, misturei tudo numa travessa e fiz uma mistura de sálvia, orégano, tomilho, sal, azeite, vinho branco e vinagre de vinho. Coloquei esse molho por cima e levei pra assar.

É simples, fácil de fazer, não tem erro. E quer saber? Fica bom. Muito bom. Melhor que o frango que minha mãe fazia no domingo…

O que é o sobre que meu pai comia todo domingo? O sobre é o corachim, o uropígio, o rabicó. O sobrecu, enfim. Mas a gente, naquela época, não podia falar o nome todo…  Mas meu pai, coitado, não come mais esse pedaço. Diz que ninguém mais sabe preparar o sobre do jeito certo…

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