Istanbul: dois continentes, duas cidades

A primeira coisa que você precisa saber sobre Istanbul – e provavelmente já sabe – é que ela é a única cidade no mundo que fica em dois continentes. Uma parte dela (aquela onde estão as principais atrações e onde você provavelmente vai ficar hospedado) é na Europa. A maior parte da cidade, entretanto, fica em continente asiático. O que separa Asia e Europa é um trecho de mar chamado Bósforo. Antes dele, ainda em continente europeu, existe outro rio de água salgada que separa a Istanbul antiga da nova. E aí existe uma outra divisão na cidade. Sair de Sultanahmet, a cidade antiga e entrar em Beyoglu e Taksim, os bairros principais da nova Istanbul, é viajar no tempo dentro de uma mesma cidade.

Istanbul - Mini

Na moderna Istanbul, o policiamento é feito em Mini Coopers…

Durante a semana que passei em Istanbul, vistando os principais hotéis, atrações e centro de convenções para servirem de cenário para um evento que irá acontecer na cidade em dois meses, pude constar rapidamente a diferença. Primeiro, as vielas milenares de Sultanahmet, onde taxistas exageram no uso de buzinas na tentativa de conseguir espaço onde, aparentemente, o carro não passaria, dão lugar a avenidas de mão dupla, asfaltadas e com canteiros centrais (as buzinas, no entanto, continuam a todo o vapor). Depois, os prédios pequenos e os hotéis com meia dúzia de quartos dão lugar a modernos edifícios de dezenas de lugares e hotéis cinco estrelas com quatro centenas de habitações.

Pasaji

Fachada de prédio comercial na região de Beyoglu

Mas a mudança mais significativa acontece a noite. Enquanto Sultanahmet é um mar de tranquilidade, com quase nenhuma movimentação nas ruas, em Beyoglu a coisa está fervendo. Foi assim que vi que Istanbul não só está em dois continentes: ela é duas cidades. Esqueça os muçulmanos ortodoxos que você viu na Mesquita Azul. Esqueça os véus, as burcas, as barbas. Esqueça os cantos chamando para os cultos de tempos em tempos e as lojas de pashminas e tapetes nas ruas e nos mercados. Em Beyoglu o que existe é uma cidade moderna, pulsante, cosmopolita, que não dorme.

Para conhece este outro lado pegue um taxi até Taksim Square. Ali começa Istiklal Cad (a avenida Istiklal), uma rua de pedestres que mesmo (ou principalmente) durante a noite fica super movimentada. Mesmo as 10 da noite as lojas – filiais de Gap, Mango, Lacoste, Diesel, além de lojas de eletrônicos, livrarias, lojas de discos e diversos cafés – estão abertas. Nas ruas, a caminhada de uma multidão é atrapalhada apenas pelo simpático bondinho que cruza o calçadão em sentido à estação de Tunel (onde você pode pegar outro para chegar à cidade antiga). Na caminha pela Istiklal Cad é possível ouvir não os cantos convocando para as orações, mas música eletrônica saindo de várias das vielas que a cortam. Cruzo a rua procurando pela 360, um bar/restaurante que me foi indicado por todos os amigos que já estiveram na cidade.

Istanbul - Tram

O simpático Tram que parte da praça Taksim

Quando chego na frente do número indicado – o 311 – o que vejo é um prédio comum na região: histórico, mas sem grandes atrativos. A certeza que é ali só vem quando vejo uma placs discreta, com o número que da nome ao lugar pintado em verde sobre um pedaço de vidro transparente. Tento subir atéo oitavo andar, onde ficar o bar, sem sucesso: o elevador só vai até sexto. Depois de passar pelo sempre presente detector se metais – desde a invasão do Swissotel, 5 anos antes, eles são presença certa em qualquer lugar que reúna mais que um grupo de amigos tomando chá-e subir mais dois lances de escada, encontro um local que, após a meia noite, deixa de lado a cara comportada de restaurante de comida internacional com influências asiática e vira uma danceteria onde tudo pode acontecer. Uma saxofonista entrar pelo salão tocando “Lady”? Rolou. Uma mulher gato literalmenre subindo pelas paredes? Também. Outra garota despencando de panos no teto? Teve… 360, o nome do lugar, vem da vista privilegiada, de onde é possível ver quase toda a cidade. Mas se você bobear pode ser o valor pago por cada pessoa ao final da noite, que você não vê passar. Além da excelente comida, a carta de vinhos é bem cuidada e os drinques (R$25,00 cada) são excelentes.

Surpreso com a movimentação da região, na manhã seguinte – estava de folga, já que os trabalhos tinham terminado e precisaria estar no aeroporto antes das 4 da tarde – resolvi voltar, para ver como era aquilo durante o dia. Com um calor que beirava os 40, Istklal fervia. A multidão nas ruas era similar a da noite anterior. Para o almoço a pedida foi o simpático Instituto de Culinária de Istanbul, ali perto. Como um Senai, a cozinha é comandada por estudantes de gastronomia e o resultado, barato e gratificante.

Istanbul - ICI

O charmoso restaurante do Instituto de Culinária de Istanbul

Taksim, o bairro vizinho, é o centro econômico de Istanbul. É ali que estão bancos e empresas. É. O local, também, das companhias aéreas, o que quer dizer que pode ser que você encontre uma boa promoção.

Ao final, a sensação é que Istanbul não fica apenas em dois continentes. É, também, duas cidades: uma tranquila e antiga, outra moderna e vibrante. Vale a pena conhecer as duas, sem restrições.

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2 comentários sobre “Istanbul: dois continentes, duas cidades

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