Pacific Crest Trail S01E103

Dia 103

Mazama

51 km hoje

3540 km total

Ontem à noite foi entrar na barraca e começar a ouvir os barulhos. Não das árvores que eu estava preocupado, mas de ratos. Olhei pra fora, onde estava minha mochila, e vi um deles sobre ela. “Isso não está legal…”, falei em voz alta.

Levantei e dependurei a mochila e a comida numa das árvores perto, a que parecia mais firme no chão. Deixei de fora só o saco de lixo.

Não sei se faz sentido, mas minha estratégia funcionou: se tem algo que seja mais fácil pra eles pegarem eles não vão se dar ao trabalho de subir na árvore. Vão atacar o lixo. Dito e feito. Pela noite ouvia os bichos revirando meus restos. E pela manhã o saco todo ruído. Minha comida intacta, felizmente.

Teria mais 50 quilômetros até Mazama. Passei logo cedo pelo Watzing Mathilda, um hiker na na casa dos 60 que está finalizando a PCT, Sierra Nevada inclusive. Cheguei no posto da guarda florestal – onde para o ônibus que leva a Stehekin – por volta das onze. Um casal já estava por ali, Mulan e 173. Enquanto fazia meu almoço, o último pacote de miojo que tinha na mochila, outros iam chegando. Quando voltei a caminhar, já quase meio dia, eram pelo menos dez pessoas por ali.

Até a estrada pra Mazama era mais 25 quilômetros pelo North Cascades National Park. São pelo menos meia dúzia de campings super bem estruturado no trajeto. Passei batido por todos eles. Mesmo que quisesse acampar por ali não poderia: é preciso um outro passe, gratuito, mas que só é emitido em Stehekin.

Cheguei à estrada às 18:30 e demorou meia hora pra conseguir uma carona. O visual na estrada é incrível e pela primeira vez me deu vontade de estar conhecendo a região de carro e não a pé.

Mazama não tem mais mais meia dúzia de casas, dentre eles um camping, um armazém e a casa da Ravensong, uma caminhante que fez a PCT em 1976, a primeira mulher a fazer a trilha. Ela mantém um hostel para os caminhantes: uma cozinha, alguns colchões, um banheiro. E energia elétrica. Era o que eu precisava.

Separei um lugar, tomei um banho e fui ao camping (que tem também um restaurante e Wi-Fi). Pronto. Agora é comprar dois dias de comida pela manhã e voltar pra trilha. Mais dois dias e estarei no Canadá.

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